Brasil lidera atração de investimentos chineses no mundo em 2025: US$ 6,1 bilhões, aponta estudo do CEBC

Pesquisa inédita analisa a configuração dos investimentos chineses no Brasil no último ano, com destaque para setores estratégicos da transição energética

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo em 2025, com aportes que chegaram a US$ 6,1 bilhões em projetos distribuídos por 20 estados brasileiros. É o que mostra estudo inédito divulgado hoje pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Intitulado “Investimentos Chineses no Brasil – 2025: Mineração, Mobilidade Elétrica e Renováveis”, o levantamento foi apresentado em evento online transmitido ao vivo pelo Zoom e pelo YouTube. A programação contou com abertura do Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Presidente do CEBC, e de José Leandro Borges, Diretor do Bradesco, seguida da apresentação do estudo por Tulio Cariello, Diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC e autor da publicação.

Cariello destacou que o desempenho brasileiro foi puxado principalmente pelos setores de eletricidade e mineração, que praticamente empataram na liderança. “Os aportes em eletricidade, incluindo energias solar e eólica, têm crescido de forma contínua e chegaram a US$ 1,79 bilhão em 2025. Já os investimentos em mineração mais que triplicaram na comparação com o ano anterior, somando US$ 1,76 bilhão, com aquisições feitas por empresas chinesas em segmentos como níquel e cobre, que são essenciais para cadeias produtivas associadas à transição energética”, afirmou.

Os investimentos de empresas chinesas no setor automotivo também chegaram a um novo patamar. “A inauguração das fábricas da GWM e da BYD no país e o início da produção local demonstram o amadurecimento dos projetos voltados para mobilidade elétrica no Brasil”, ressaltou Cariello. Segundo o estudo, o valor aportado por empresas chinesas no setor automotivo alcançou ao menos US$ 965 milhões em 2025, alta de 66% em relação ao ano anterior.

Após a apresentação do estudo, o evento contou com debate moderado por Cláudia Trevisan, Diretora Executiva do CEBC, com participação de Danilo Goulart, Chief Representative Officer do Bradesco em Hong Kong; Ricardo Bastos, Presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e Diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil; e Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil.

Investimentos chineses já chegam a 20 estados brasileiros

Para Goulart, o crescimento dos investimentos chineses no Brasil combina fatores conjunturais e estruturais. Ele mencionou o cenário internacional mais fragmentado, as restrições enfrentadas por empresas chinesas em alguns mercados e o interesse crescente por setores estratégicos, como mineração e cadeias produtivas ligadas à transição energética. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Brasil tem uma relevância de longo prazo para a China e que a relação bilateral vem amadurecendo com a diversificação dos investimentos.

“O relacionamento comercial entre China e Brasil vem amadurecendo ao longo do tempo. Estamos trazendo mais setores, e o estudo mostra investimentos em 20 estados brasileiros. Isso exige conhecimento do país, da cadeia produtiva e das condições locais”, afirmou Goulart. Segundo ele, a nova onda de aportes representa uma oportunidade importante, mas exige preparo institucional e empresarial para que os projetos se consolidem de forma sustentável.

Ricardo Bastos destacou o avanço da mobilidade elétrica no Brasil e o papel das empresas chinesas nesse processo. Segundo ele, as vendas de veículos eletrificados representam parcela crescente do mercado nacional, enquanto a China segue como referência tecnológica global no setor. Para Bastos, a chegada de montadoras chinesas ao Brasil marca uma nova etapa, mas também exige adaptação à realidade local.

“O modelo chinês deu muito certo, mas ele não é simplesmente exportável. Para operar e fabricar no Brasil, é preciso entender as condições locais e adaptar esse modelo à realidade brasileira”, afirmou. Bastos também ressaltou que o Brasil tem uma cadeia automotiva relevante, historicamente vinculada à indústria tradicional, e que o desafio agora é promover a migração e a incorporação de novas tecnologias ligadas à eletrificação.

Adriana Waltrick, por sua vez, destacou a atratividade do Brasil para investimentos em energia renovável, não apenas pela disponibilidade de recursos naturais, mas também pela estrutura regulatória, pelos contratos de longo prazo e pela presença de instrumentos de financiamento. Segundo ela, o país reúne condições importantes para atrair empresas chinesas do setor, especialmente em um contexto global de aumento da demanda por energia limpa.

“O Brasil tem uma matriz elétrica renovável que o mundo inteiro gostaria de ter. Estamos onde o mundo quer estar em 2050”, afirmou Waltrick. A CEO da SPIC Brasil também chamou atenção para desafios regulatórios e operacionais, como a necessidade de expansão da transmissão, maior digitalização do sistema elétrico, avanço em armazenamento, hidrogênio verde e integração de diferentes fontes de energia.

Patrocinado pelo Bradesco Corporate, o estudo atualiza o fluxo e o estoque dos investimentos chineses no Brasil entre 2007 e 2025, analisando valores, número de projetos, distribuição setorial e geográfica e modalidades de entrada do capital. Entre 2007 e 2025, os investimentos chineses no Brasil acumularam US$ 85,5 bilhões por meio de 355 projetos.

A pesquisa completa está disponível AQUI.
Assista ao evento de lançamento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=SuyhvKn45d4

(*) Com informações do CEBC

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Exportadores chilenos participarão da APAS 2026 com vinhos, frutas, lácteos, pisco e cerveja

  • ProChile lidera grupo com 22 empresas de alimentos e bebidas que representam a diversidade da oferta chilena para o mercado brasileiro
  • Exportações para o Brasil cresceram cerca de 53% ao longo dos últimos seis anos e consolida o País como um dos principais destinos
  • Autoridades chilenas confirmam presença na cerimônia de abertura

 Da Redação (*)

Brasília – O ProChile, instituição do Ministério das Relações Exteriores do Chile responsável pela promoção no exterior, participa da APAS Show 2026, que acontece de 18 a 21 de maio (segunda a quinta-feira), no Expo Center Norte, em São Paulo. A cerimônia de abertura, em 18 de maio, às 12h, contará com presença de autoridades chilenas como o cônsul, Juan Alonso Gutiérrez, lideranças comerciais como

Lorena Sepúlveda Villa, diretora nacional de ProChile e Hugo Corales, diretor do ProChile no Brasil e representantes das 22 empresas chilenas dos setores de alimentos e bebidas.

Ao longo dos quatro dias de evento, os exportadores apresentarão ao público brasileiro a diversidade, a cultura, e a ampla oferta de produtos premium que carregam a forte identidade regional do Chile como frutas frescas e secas, vinhos, cervejas, pisco, azeite, e queijos consumidos em todo o mundo.

Chile traz para a APAS vinhos, cervejas, pisco, lácteos e cesta com as melhores frutas do mundo

Neste ano, 13 dos principais exportadores de vinho marcam presença na Apas Show e apresentarão a ampla oferta de blends, espumantes que combinam a forte tradição e produção familiar com inovação e sustentabilidade que só a geografia chilena pode proporcionar. Um exemplo é a Viña Siegel, localizada em Valle de Colchagua, aos pés da Cordilheira dos Andes.

A presença da vinícola em solos de origem vulcânica e aluvial, permite drenagem e grande amplitude térmica entre dia e noite — condições ideais para uma maturação lenta e equilibrada das uvas que resulta no cultivo de uma grande variedade possibilitando a produção de vinhos com diferentes perfis e grande expressão de terroir.

Ainda no segmento de bebidas, destaque para Cervejaria Austral, a mais antiga do Chile. Considerada como “a cerveja do fim do mundo”, usa água de degelo da Patagônia e engarrafa a essência pura e selvagem do território mais remoto do continente. Já a cervejaria Valdiviana combina águas macias (com baixa concentração de sais minerais), tradição e cultura para elaborar a cerveja Craft de primeiro nível.

O Pisco é considerado patrimônio nacional e tem presença no evento por meio da Companhia Pisqueira do Chile — dedicada à produção e distribuição da bebida de diferentes produtores, além de outros destilados como Gin, Rum e Vodka. Reconhecida como líder no mercado doméstico de bebidas alcoólicas, a empresa também exporta para mercados da América do Norte, América Latina, Europa e Ásia.

No segmento lácteo, destaque para a COLUN (Cooperativa Agrícola y Lechera de La Unión Ltda), a maior cooperativa de laticínios do Chile e líder na exportação de produtos do setor responsável pelo processamento de mais de 33% do leite fresco do país e possui um portfólio com mais de 250 itens, incluindo leite em pó, manteiga, doce de leite e queijos como Gouda, Parmesão e Mantecoso.

Com foco nas frutas, destaque para os cranberries considerada “super fruta” por conta dos nutrientes e benefícios à saúde. A empresa Ocean Spray reúne mais de 700 produtores. Já o Chile Food representa a exportação de nozes, conservas e frutas secas como amêndoas, ameixas e uvas. Já Chile Food confirma presença como uma das principais exportadoras de nozes, conservas e frutas secas que asseguram alto padrão de qualidade reconhecidos internacionalmente.

O Brasil é mercado estratégico para Chile para pequenas e médias empresas chilenas, devido à sua proximidade geográfica, eficiência logística e comercial. Atualmente, o Brasil é o quarto maior destino das exportações globais do Chile e principal parceiro comercial na América Latina.

“Os consumidores brasileiros estão cada vez mais atentos a experiências diferenciadas e dispostos a explorar novas categorias de bebidas e acessar novos sabores. Com isso, o Chile não apenas amplia sua presença no mercado brasileiro, mas também fortalece seu papel como protagonista na América do Sul e no comércio internacional”, diz afirma Hugo Corales, diretor do ProChile no Brasil.

SERVIÇO 

Feira: Festival APAS Show 2025

Data: de 18 a 21 de maio (segunda a quinta), das 12h às 20h

Local: Expo Center Norte – Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme, São Paulo – SP, 02055-000

Credenciamento de imprensa: https://apas.easyexpo.com.br/apasshow/26/imprensa

Informações: https://apasshow.com/

(*) Com informações do ProChile

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Corrente de comércio do Brasil cresce 10,8% e totaliza US$ 208 bilhões no ano com alta nas exportações e importações

No ano, as exportações totalizam US$ 116,6 bi e as importações, US$ 91,77 bi, com saldo positivo de US$ 24,8 bi e corrente de comércio de US$ 208,3 bi

Da Redação (*)

Brasília – No mês de abril de 2026 as exportações somaram US$ 34,1 bilhões, batendo recorde histórico, e as importações, US$ 23,6 bilhões, com saldo positivo de US$ 10,5 bilhões e corrente de comércio de US$ 57,8 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 116,6 bilhões e as importações, US$ 91,77 bilhões, com saldo positivo de US$ 24,8 bilhões e corrente de comércio de US$ 208,3 bilhões. Esses, e outros dados, foram divulgados nesta quinta-feira (7/5), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Nas exportações, comparados o mês de abril / 2026 (US$ 34,15 bilhões) com abril / 2025 (US$ 29,89 bilhões), houve crescimento de 14,3%. Em relação às importações houve crescimento de 6,2% na comparação entre o mês de abril / 2026 (US$ 23,61 bilhões) com o mês de abril / 2025 (US$ 22,22 bilhões).

Assim, no mês de abril/2026 a corrente de comércio totalizou US$ 57,76 bilhões e o saldo foi de US$ 10,54 bilhões. Comparando-se este período com o de abril/2025, houve crescimento de 10,8% na corrente de comércio.

Nas exportações, comparado o valor de janeiro/abril 2026 (US$ 116,55 bilhões) com o de janeiro / abril – 2025 (US$ 106,76 bilhões) houve crescimento de 9,2%. Em relação às importações, houve crescimento de 2,5% entre o valor do período de janeiro/abril – 2026 (US$ 91,77 bilhões) com janeiro/abril – 2025 (US$ 89,49 bilhões). Por fim, o valor da corrente de comércio totalizou US$ 208,32 bilhões e apresentou crescimento de 6,1% na comparação entre estes períodos.

Exportações e importações por setor

No mês de abril/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,28 bilhão (16,1%) em Agropecuária; de US$ 1,26 bilhões (17,9%) em Indústria Extrativa e de US$ 1,71 bilhões (11,6%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado do ano atual, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,64 bilhão (6,6%) em Agropecuária; de US$ 5,32 bilhões (22,2%) em Indústria Extrativa e de US$ 2,76 bilhões (4,8%) em produtos da Indústria de Transformação.

No mês de abril/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 4,3 milhões (0,4%) em Indústria Extrativa, e de US$ 1,51 bilhão (7,4%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 0,15 bilhão (25,8%) em Agropecuária.

No acumulado do ano atual, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 2,94 bilhões (3,6%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 0,49 bilhões (21,4%) em Agropecuária, e de US$ 0,22 bilhões (5,3%) em Indústria Extrativa.

(*) Com informações da Secex/MDIC

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Eleições devem elevar incertezas e impactar decisões no comércio exterior, avalia eComex

Comex deve ser tratado como “missão crítica” para evitar paradas na indústria em cenário de cautela no segundo semestre

Da Redação (*)

Brasília – O ciclo eleitoral brasileiro deve aumentar a percepção de risco e influenciar diretamente o comércio exterior, especialmente na segunda metade do ano. A avaliação é de André Barros, CEO da eComex, que aponta maior atenção por parte de empresas e investidores diante de possíveis mudanças nas políticas econômicas, fiscais e cambiais.

Segundo o executivo, o contexto eleitoral leva empresas a adotar uma postura mais conservadora, com reflexos diretos no comércio exterior. “Esses períodos sempre trazem um aumento de sensibilidade e prudência no mercado, principalmente diante da possibilidade de mudanças nas políticas econômicas”, afirma.

Na prática, destaca o executivo, “esse movimento já começa a ser percebido antes mesmo da definição do resultado das eleições. A partir do segundo semestre, companhias passam a rever planos, projetar cenários e, em muitos casos, adiar investimentos e decisões estratégicas até que haja maior clareza sobre o ambiente político e econômico, embora os efeitos mais concretos tendam a se intensificar em época de transição de governo”.

Na percepção de André Barros, “esse comportamento também se reflete no relacionamento com parceiros internacionais e investidores estrangeiros, que tendem a adotar uma postura mais cautelosa diante das incertezas. Ao mesmo tempo, o comércio exterior, inserido na cadeia produtiva, passa a influenciar diretamente decisões industriais e de abastecimento, ampliando seu impacto sobre a operação das empresas”.

“Esse movimento está ligado à expectativa de mudanças em agendas como política fiscal, cambial, industrial e internacional, além de possíveis revisões de acordos e troca de equipes econômicas. Entre os principais efeitos está a volatilidade cambial, que impacta de formas distintas importadores e exportadores, elevando custos de mercadorias no primeiro caso e dificultando a previsibilidade e a estratégia de precificação no segundo”, afirma o especialista.

Importância da gestão rigorosa de riscos e informações

Diante desse cenário, Barros destaca que a preparação das empresas passa por uma gestão mais rigorosa de riscos e informações. O uso de tecnologia e automação em tempo real torna-se essencial para liberar o profissional da sobrecarga operacional, permitindo que ele respire e tome decisões inteligentes.

“O profissional precisa assumir um papel de accountability (responsabilidade extrema e protagonismo), dado que o comércio exterior é uma operação missão crítica para a grande indústria”, afirma. Nesse contexto, a área de comércio exterior ganha relevância estratégica dentro das empresas, por seu impacto direto no abastecimento e na competitividade dos negócios.

Além disso, Barros observa que projetos estruturais, como o Portal Único Siscomex, atravessam diferentes governos e mantêm continuidade técnica ao longo do tempo, reforçando seu caráter estratégico para o país.

Apesar do ambiente desafiador, o cenário também pode abrir oportunidades. O Brasil mantém relevância global em segmentos como agronegócio, mineração e energia limpa, e empresas mais preparadas tendem a se reposicionar com maior agilidade. “O Brasil está acostumado a essa ‘montanha-russa’ da política”, afirma. “Empresas que dominam dados e tecnologia conseguem crescer mesmo em momentos de incerteza”, conclui.

(*) Com informações da eComex

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Enquanto as relações com os EUA se deterioram, o Canadá volta seu olhar para a União Europeia, diz GZERO DAILY

Da Redação (*)

Brasília – O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, participou neste fim de semana de uma reunião da Comunidade Política Europeia na Armênia, um feito inédito para um líder de um país não europeu. Ele foi convidado para discutir interesses comuns em comércio, energia e segurança. Em um discurso que ecoou sua apresentação no Fórum Econômico Mundial em Davos, dois meses antes, Carney fez um apelo às potências médias, incluindo o Canadá e as nações europeias, para que trabalhem juntas diante da ruptura da ordem mundial estabelecida — apontando implicitamente para os Estados Unidos. “É minha firme convicção pessoal que a ordem internacional será reconstruída”, disse ele à plateia em Yerevan, “mas será reconstruída a partir da Europa.”

A viagem de Carney — e seu tom um tanto mais otimista — surge na sequência de sugestões de políticos franceses e finlandeses de que o Canadá deveria considerar a adesão à União Europeia. A questão não é nova ; ela vem sendo debatida na mídia canadense desde que o presidente dos EUA , Donald Trump, impôs tarifas sobre as exportações canadenses e cogitou a possibilidade de o país se tornar o 51º estado americano. A Europa, por sua vez, também enfrenta o impacto de Trump, incluindo sua promessa de retirar as tropas americanas da Alemanha e as novas tarifas sobre as exportações de automóveis da UE. Em conjunto, esses acontecimentos estão aproximando o Canadá e a UE e, apesar da distância marítima entre eles, reforçam ainda mais os argumentos a favor da adesão à União.

Há muito em comum

O Canadá e a União Europeia compartilham laços culturais, históricos e demográficos profundos, enraizados principalmente nas tradições britânicas e francesas. O sistema jurídico canadense reconhece tanto o direito consuetudinário quanto o direito civil, derivado do Código Napoleônico francês. Politicamente, seu parlamento é modelado segundo o sistema de Westminster britânico e mantém o monarca britânico como chefe de Estado. O país é oficialmente bilíngue e mais da metade de sua população tem ascendência europeia.

Os sistemas político e social do Canadá também estão mais alinhados com a Europa do que com os Estados Unidos. O Canadá possui um sistema universal de saúde com financiamento público único, subsídios estatais para creches, medicamentos e assistência odontológica, e cobra impostos mais altos do que os EUA. Em setores como o bancário, o de telecomunicações e o agrícola, o Canadá espelha a abordagem mais regulamentada da Europa e limita a concorrência estrangeira com as empresas nacionais.

Uma crescente amizade com Bruxelas .

Em 2016, o Canadá assinou o Acordo Econômico e Comercial Abrangente (CETA), um acordo de livre comércio com a UE, eliminando 98% das tarifas e melhorando o acesso ao mercado de bens e serviços entre as duas partes . Desde então, as exportações canadenses para a UE aumentaram 57%, atingindo US$ 34 bilhões.

Desde o início do segundo mandato de Trump, esses laços se aprofundaram. Em 2025, Ottawa e Bruxelas assinaram a Nova Parceria Estratégica para o Futuro entre a União Europeia (UE) e o Canadá e uma Parceria de Segurança e Defesa para fortalecer a cooperação em comércio, economia digital e meio ambiente. Em fevereiro deste ano, o Canadá tornou-se o primeiro país não europeu a aderir à iniciativa Ação de Segurança para a Europa (SAFE) da UE , ampliando o acesso dos setores de defesa canadenses aos mercados europeus.

O Canadá também contribuiu com mais de 25 bilhões de dólares em assistência econômica, militar e humanitária à Ucrânia desde o início da guerra, além de uma contribuição de 270 milhões de dólares anunciada esta semana . Embora a assistência represente uma fração dos 223 bilhões de dólares que a UE disponibilizou desde 2022, ela continua sendo significativa e pode impulsionar as contribuições totais do bloco.

Caso o Canadá ingresse na UE, ambos os lados poderão sair ganhando. O Canadá poderá garantir um acesso ainda maior a uma das maiores economias do mundo e uma nova e sólida parceria num momento em que sua relação de longa data com o vizinho norte-americano está sob tensão. Para a Europa, o Canadá oferece acesso a commodities como gás natural e minerais essenciais, além de mais uma porta de entrada para a América do Norte num momento em que os laços com os EUA também parecem incertos.

Mas existem barreiras à adesão à UE – e desvantagens

O primeiro obstáculo para o Canadá é a geografia, embora este possa não ser intransponível. Embora o Artigo 49 da Constituição da UE afirme que apenas “Estados europeus” podem aderir, a Turquia foi considerada uma candidata elegível em 1997 (embora ainda não o tenha alcançado), apesar de estar parcialmente localizada na Ásia. O Parlamento Europeu declarou que o caso da Turquia “mostra que o termo ‘Estado europeu’ não precisa ser interpretado num sentido estritamente geográfico”, mas está “sujeito a avaliação política”. Ainda assim, todos os 27 Estados-membros devem concordar com essa avaliação para admitir um novo membro – um consenso que ainda escapa à Turquia, e até mesmo a nações europeias como a Ucrânia.

A adesão exigiria que o Canadá adotasse os termos da UE. O acervo comunitário, o conjunto de leis da UE desenvolvido desde 1957 – um processo que alguns especialistas estimam que possa levar 10 anos . O Canadá também teria que adotar as rigorosas regulamentações ambientais da UE, substituir seu sistema de gestão da oferta pela Política Agrícola Comum da UE, contribuir para o programa de comércio de emissões de carbono da UE e aplicar tarifas da UE a países não membros, incluindo os EUA, o que pode complicar os acordos comerciais com Washington.

A adesão também pode se revelar dispendiosa. Com o quarto maior PIB do bloco, depois da Alemanha, França e Itália, o Canadá poderia se tornar um contribuinte líquido para o orçamento da UE, subsidiando programas em Estados-membros menos ricos. As regras de mobilidade laboral da UE também podem ser controversas, já que a adesão implicaria maior livre circulação de pessoas num momento em que o Canadá está restringindo os níveis de imigração para reduzir os custos da habitação e as taxas de desemprego.

Qual é a opinião pública?

Apesar dessas desvantagens — ou talvez porque não sejam amplamente compreendidas — os canadenses parecem apoiar, em geral, laços mais estreitos com a UE. Uma pesquisa com 4.000 pessoas, realizada em abril, revelou que um em cada quatro canadenses apoiava a ideia de adesão formal à UE, com 58% afirmando que valia a pena considerar a possibilidade.

Quanto aos europeus, um estudo recente da YouGov revelou que a maioria ou a pluralidade de adultos na França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha apoia a admissão do Canadá. O apoio é maior entre os alemães, com 55%, enquanto os italianos são os menos propensos, com 41%, mas esse grupo ainda supera em número aqueles que se opõem à ideia, com 24%.

Embora seja improvável que o Canadá troque definitivamente Washington por Bruxelas, uma parceria transatlântica mais profunda parece estar nos planos — e é uma opção popular em ambos os lados do Atlântico. O formato que essa parceria assumirá dependerá do destino do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) neste verão. Caso esse acordo comercial não seja renegociado até 1º de julho, o Canadá — e Carney — sentirão uma pressão ainda maior para diversificar o comércio e fortalecer alianças em outras áreas.

Diga-nos o que você pensa: o Canadá deveria tentar aderir à UE? Envie-nos uma mensagem com a sua opinião. aqui .

(*)  Com informações da GZERO DAILY

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MTur lança Guia que reúne orientações para mulheres que viajam sozinhas

Material traz planejamento e escolha de destinos na cadeia do turismo

Da Redação (*)

Brasília – Viajar sozinho pode ser uma experiência de liberdade e autoconhecimento, mas o receio de circular por lugares desconhecidos ainda limita o tipo de deslocamento, especialmente entre as mulheres. Diante dessa realidade, o governo federal disponibilizou um guia com orientações práticas para mulheres que viajam sozinhas.

Intitulado Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, a publicação, disponível no site do Ministério do Turismo, foi preparada com o objetivo de ampliar a segurança, a autonomia e o acesso à informação para o público feminino interessado em dar vazão ao sonho de ver com os próprios olhos as belezas turísticas do Brasil.

Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o guia é uma das ações desenvolvidas no âmbito do Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado no início do ano pelo governo federal.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Gustavo Feliciano disse que pesquisas encomendadas pelo ministério mostraram que 60% das mulheres brasileiras já deixaram de viajar por preocupações relacionadas à segurança.

“Ao constatarmos isso, criamos, em parceria com a Unesco, esse guia”, disse o ministro.

Ele acrescentou que, “apesar de 60% de mulheres terem deixado de viajar sozinhas por algum motivo de segurança, 70% delas relataram que a experiência de viajar só é algo que traz plenitude turística”, uma vez que elas não precisam seguir o roteiro de marido, filhos ou de quem as acompanha.

“O guia serve para orientar as mulheres a viajarem sozinhas, mas também para que os empreendedores do turismo — como hotéis, bares e restaurantes — estejam preparados. Por exemplo: o guia orienta que, quando uma mulher viaja sozinha, o hotel a coloque em um quarto próximo ao elevador, em vez de no fim do corredor, porque, se acontecer alguma coisa, ela está mais perto de ajuda ou resgate”, acrescentou.

O Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas reúne dados, análises e orientações práticas para promover um turismo mais seguro, responsável e inclusivo.

O material apresenta resultados de uma pesquisa nacional realizada entre agosto e setembro de 2025 com 2.712 mulheres de todas as regiões do país.

De acordo com o levantamento, 41,8% das brasileiras já fizeram viagens solo; e 31,4% fazem esse tipo de deslocamento com frequência. Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil.

Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil.

Motivações e orientações práticas para viajar sozinha

O conteúdo destaca que o lazer é o principal motivo das viagens solo, seguido pela busca por autonomia, liberdade e autoconhecimento. Questões como trabalho, visitas a familiares e interesses específicos — como ecoturismo, bem‑estar e gastronomia — também aparecem com relevância.

O guia oferece recomendações acessíveis e aplicáveis ao longo de todas as etapas da viagem, como:

  • planejamento do roteiro;
  • escolha de destinos e meios de hospedagem;
  • cuidados com deslocamentos;
  • avaliação de ambientes e serviços;
  • estratégias adotadas pelas próprias mulheres para lidar com situações de risco.
  • As orientações partem de experiências reais das entrevistadas e reforçam a importância da informação como ferramenta de proteção e autonomia.

Responsabilidade da cadeia turística

Um dos eixos centrais do guia é o entendimento de que a segurança das mulheres não deve recair apenas sobre quem viaja.

O material traz diretrizes para que hotéis, bares, restaurantes, transportes e demais prestadores de serviços estejam preparados para acolher mulheres com respeito, atenção e protocolos adequados.

Entre as que já viajaram sozinhas, 35,9% optaram por destinos dentro do Brasil.

(*) Com informações do MTur

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ApexBrasil abre Inscrições para o Direto do Mercado Argentina programado para quinta-feira

Evento apresenta oportunidades e serviços para empresas brasileiras interessadas em ingressar ou expandir negócios no mercado argentino

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) promove nesta, no dia 07 de maio, das 10h às 12h, mais uma edição da websérie Direto do Mercado. Com foco no mercado da Argentina, o encontro virtual será realizado em parceria com a Embaixada do Brasil em Buenos Aires e tem como objetivo apresentar as oportunidades de negócios e os serviços disponíveis para empresas brasileiras interessadas em acessar ou expandir sua atuação em uma das maiores economias do Mercosul.

Inscreva-se

Voltado especialmente para empresas não exportadoras e exportadoras iniciantes que buscam diversificar suas receitas e ampliar sua presença no mercado internacional, o evento traz informações de especialistas sobre como fazer negócios no país. O objetivo é abordar os principais aspectos do comércio com a Argentina, além de apresentar dados atualizados sobre o desempenho das exportações brasileiras e os setores com maior potencial de crescimento.

(*) Com informações da ApexBrasil

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SINDASP desmistifica beneficio automático no comércio bilateral com Acordo Mercosul-União Europeia

A entrada em aplicação provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia inaugura uma nova etapa para o comércio exterior brasileiro, marcada por oportunidades relevantes de redução tarifária e ampliação de mercados — mas também por maior exigência técnica e rigor operacional.

Da Redação (*)

Brasília –  A estimativa, divulgada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), aponta para um crescimento de até US$ 1 bilhão na receita das vendas externas para o bloco europeu nos primeiros 12 meses de vigência. Dados do Governo Federal apontam impacto positivo potencial de 0,34% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com crescimento das importações de 2,46% (R$ 42,1 bilhões) e das exportações de 2,65% (R$ 52,1 bilhões).

Na prática, todavia, o acesso aos benefícios do acordo não é automático: depende de uma sequência estruturada de verificações que envolvem classificação fiscal, regras de origem, cronogramas de desgravação, eventuais cotas tarifárias e correta instrução documental. Nesse cenário, o despacho aduaneiro assume papel estratégico ao traduzir o texto do acordo em operações seguras, eficientes e em conformidade.

Quadro-Resumo do SINDASP

Com esse objetivo, o SINDASP – Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo, maior entidade regional representativa e com Associados em 17 estados da Federação – lançou neste início de semana com o apoio do Educomex, um Quadro-Resumo Visual com os principais pontos de atenção.

Para o presidente do SINDASP, Elson Isayama, a escala do acordo exige uma resposta operacional à altura. “Estamos falando de um acordo que conecta mais de 700 milhões de pessoas e uma área econômica com PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Esses números mostram a dimensão da oportunidade, mas também deixam claro que não basta celebrar a entrada em aplicação. O despachante aduaneiro tem papel fundamental nesse processo, porque ajuda a transformar a oportunidade tarifária em operação segura, documentada e aderente às regras do acordo”, afirma Isayama.

Do ponto de vista operacional, a aplicação do acordo começa pela validação da NCM do produto, base para todo o enquadramento tributário e regulatório. Em seguida, é essencial estabelecer a correspondência com a versão NCM/SH 2012, utilizada como referência em listas e cronogramas do tratado. A partir daí, empresas e operadores devem identificar a linha tarifária específica, compreender a categoria de desgravação aplicável — como redução imediata, gradual ou sujeita a cotas — e verificar a alíquota vigente conforme o ano da operação. Essa sequência inicial define as bases do tratamento tarifário e evita inconsistências desde a origem da ação.

Importância do despacho aduaneiro

Nesse contexto, o despacho aduaneiro se consolida como elo técnico entre estratégia comercial e execução operacional. Cabe ao profissional não apenas revisar classificações e documentos, mas também interpretar o acordo, antecipar riscos e orientar decisões que impactam diretamente custos, prazos e competitividade. A utilização de checklists estruturados — como validação de NCM, correspondência SH, cronograma e alíquota, origem e documentação, além do registro correto no sistema — torna-se ferramenta essencial para garantir segurança jurídica e eficiência.

Para Marcelo de Castro, diretor secretário adjunto do SINDASP e despachante aduaneiro, os números reforçam a necessidade de orientação técnica, especialmente para empresas que não contam com estruturas internas robustas de comércio exterior.

“Quando se fala em mais de 5 mil produtos com tarifa zero, em mais de 90% do comércio bilateral com potencial de liberalização e em um mercado europeu de aproximadamente 450 milhões de consumidores, é natural que o empresário enxergue oportunidade. Mas oportunidade tarifária não é automática. Não basta comprar da Europa, nem basta vender para a Europa. A empresa precisa saber se o produto está corretamente classificado na NCM/SH, se existe preferência aplicável, se a origem preferencial está comprovada e se a documentação está apta a sustentar o benefício”, destaca Marcelo de Castro.

Outro ponto crítico é a comprovação da origem preferencial. Importar de um país europeu não garante, por si só, o benefício tarifário: é necessário cumprir integralmente as regras de origem previstas no acordo e obter a documentação adequada antes do embarque. A emissão correta da prova de origem, alinhada às normas da Secex e às orientações do MDIC, é determinante para evitar autuações e perda do benefício. Por fim, com todos os elementos validados, o registro da operação no Portal Único Siscomex deve refletir fielmente as condições do enquadramento, assegurando rastreabilidade e conformidade.

A ApexBrasil identificou 543 oportunidades de exportação com desgravação imediata na entrada em vigor do acordo. Esses produtos somam, em média, US$ 43,9 bilhões em importações anuais na União Europeia, mas as vendas brasileiras para esse conjunto corresponderam a US$ 1,1 bilhão, com participação de cerca de 2,6% nas compras europeias, sinalizando espaço relevante para expansão.

Segundo Rogério Grecchi, vice-presidente do SINDASP, esses dados mostram que o acordo deve ser tratado como uma agenda concreta de inclusão de novos operadores no comércio internacional. “Quando a ApexBrasil identifica 543 oportunidades de exportação imediata, em produtos que representam US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia, e o Brasil participa com apenas 2,6% dessas compras, fica evidente que há espaço para crescer. Mas, esse crescimento não virá sozinho. O pequeno exportador e o pequeno importador precisam enxergar o acordo como algo acessível, mas não simplificado, de forma irresponsável. Há oportunidade, mas há regra, alerta Grecchi.

A implementação do acordo Mercosul–União Europeia, portanto, exige mais do que intenção de operar: requer preparo, método e conhecimento especializado. Ao colocar o comércio exterior “na prática”, a atuação qualificada do despacho aduaneiro se revela decisiva para transformar potencial em resultado concreto, conectando empresas brasileiras a um novo ciclo de integração internacional com previsibilidade e conformidade.

CONFIRA AQUI O QUADRO-RESUMO LANÇADO PELO SINDASP: (PDF)

(*) Com informações do SINDASP

 

 

 

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Xadrez da conveniência: Senado articula derrota do Planalto

Márcio Coimbra (*)

Nos bastidores de Brasília, onde o silêncio costuma ser mais eloquente que os discursos oficiais, o desgaste do Planalto sinaliza uma mudança profunda no equilíbrio de forças do país. A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, por 42 a 34, ultrapassou o mero tropeço protocolar, sendo uma clara demonstração de força meticulosamente articulada por Davi Alcolumbre. Para quem transita pela Comissão de Constituição e Justiça e capta as nuances fora do alcance das câmeras, o cenário ficou nítido: não se tratou de um embate ideológico entre direita e esquerda, mas de uma “guerra de conveniências” na qual adversários históricos se aliaram em nome da sobrevivência política.

O equívoco de quem analisa a política apenas pela superfície é negligenciar o “xadrez 4D” que uniu figuras como Alexandre de Moraes, o próprio Alcolumbre e o núcleo duro do bolsonarismo contra o Advogado-Geral da União. O grupo agiu sob um propósito compartilhado: impedir que a ascensão do indicado fortalecesse a ala de André Mendonça. Relator do sensível Caso Master, o magistrado — embora alçado ao posto por Jair Bolsonaro — tornou-se um aliado próximo e defensor de Messias, o que acendeu o sinal de alerta no chamado “Centrão do STF”.

Simultaneamente, a oposição aproveitou o vácuo para operar sua própria barganha. O foco dos conservadores não era estritamente programático, mas voltado à redução de danos jurídicos. Para selar o destino de Messias, Alcolumbre garantiu aos bolsonaristas a derrubada do veto presidencial ao “PL da Dosimetria”, ocorrida logo em seguida. Em contrapartida, o bloco capitaneado por Flávio Bolsonaro aceitou abdicar da pressão por uma CPI sobre o Caso Master — que envolve diretamente o senador amapaense — em troca de apoio à sua reeleição à presidência do Senado em 2027. Firmou-se um pacto de não agressão: o inquérito permanece intocado e todos lucram ao impor uma derrota ao governo em pleno ano eleitoral.

Essa convergência deu forma ao que se pode chamar de “Frente Ampla do Centrão”, segmentada em três vertentes: a togada, a tradicional e a bolsonarista. Para esses setores, humilhar o Executivo era estrategicamente oportuno. Lula, ao tentar se distanciar do desgaste de Moraes diante das urnas, acabou isolado. Alcolumbre, percebendo que a gratidão da oposição renderia frutos mais imediatos que as promessas do Planalto, decidiu puxar o gatilho. Naturalmente, esse emaranhado de interesses não anula os argumentos republicanos proferidos na tribuna: a oposição soube explorar as vulnerabilidades técnicas do candidato, conferindo uma roupagem ética a uma votação movida por interesses paroquiais.

O revés sofrido por Messias revela que o risco de instrumentalização do Supremo não é exclusividade de um único espectro político e que as emendas, agora nas mãos do Congresso, mudaram a dinâmica do jogo. Ler o Brasil através de rótulos como “lulismo contra bolsonarismo” é uma ingenuidade. No topo da pirâmide política, a ambição prevalece sobre as bandeiras. Quem se limita às bolhas digitais jamais conhecerá o calor dos apertos de mão entre aqueles que se atacam publicamente. O veredito do Senado foi o aviso definitivo: a lealdade dura apenas o tempo que a conveniência permitir.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Reunião Lula-Trump: Alckmin espera diálogo e “boa química” para impulsionar relações bilaterais

Da Redação (*)

Brasília – O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira (4), na capital paulista, que espera que o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja pautado pelo diálogo. A previsão é que os dois presidentes se encontrem nesta quinta-feira (7), em Washington.

“Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente”, disse ele a jornalistas.

Para o vice-presidente, a reunião entre os dois presidentes será muito importante, principalmente porque os Estados Unidos são o principal investidor do país.

“Esse encontro é muito importante porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Mas ele é o primeiro investidor no Brasil. Então é [uma reunião] muito importante”, disse ele.

“A questão tarifária, nós sempre defendemos que tivesse uma relação melhor. Aquele tarifaço não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil”, ressaltou.

Para Alckmin, a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil será benéfica para ambos os países e deve discutir temas como big techs e terras raras.

“O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias.”

Segundo ele, há espaço para negociação em questões como big techs, terras raras, minerais estratégicos. “Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos”, destacou.

Acordo Mercosul-União Europeia

O vice-presidente esteve hoje na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, na capital paulista. Durante a reunião com empresários, Alckmin falou da importância da assinatura do acordo entre os países do Mercosul com os países que compõem a União Europeia.

“Isso fortalece investimentos recíprocos, a integração produtiva e a complementaridade econômica”, falou o vice-presidente.

Segundo a pesquisa Business Climate Survey 2026, divulgada hoje pela Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, 63% das empresas suecas com atuação no Brasil esperam aumentar o abastecimento a partir da Europa com base no acordo Mercosul-União Europeia. Além disso, 49% dessas empresas preveem oportunidades de expandir as exportações do Brasil para o continente europeu.

A pesquisa foi realizada entre 30 de janeiro e 6 de março deste ano com 60 empresas suecas e apontou ainda que 73% delas declararam ter tido lucro no ano de 2025 no país. Para a Câmara, esse resultado é “expressivo, especialmente diante de um cenário de desaceleração econômica e taxas de juros historicamente elevadas”.

Outro dado revelado pela pesquisa é que 46% das empresas suecas confirmaram ter planos de aumentar seus investimentos no Brasil nos próximos doze meses.

(*) Com informações da Agência Brasil

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