ApexBrasil subsidia em até 100% participação de empresas brasileiras em feiras de negócios na Rússia

Em parceria com o ITE Group, maior organizadora de feiras B2B em mercados emergentes, a ApexBrasil cobre 90% do custo de exposição em 10 eventos internacionais e 100% na WorldFood Moscow. Inscrições abertas para 2026

Da Redação (*)

Brasília – Exportar para mercados internacionais é uma das principais metas do agronegócio, da indústria de alimentos e do setor mineral brasileiro. O que poucos sabem é que a ApexBrasil, agência federal de promoção de exportações e investimentos, já financia até 100% do custo de participação em 11 grandes feiras internacionais realizadas na Rússia um dos maiores mercados importadores de produção agrícola, alimentos processados, máquinas e minerais do mundo.

Os eventos fazem parte do portfólio do ITE Group, grupo internacional fundado em 1991 com mais de três décadas de experiência em feiras de grande porte em mercados emergentes. Por meio do programa de feiras internacionais da ApexBrasil, empresas brasileiras têm acesso a estandes montados, registro, seguro e energia elétrica incluídos com subsídio de 90% do investimento total em 10 eventos, e cobertura integral de 100% na WorldFood Moscow, uma das maiores feiras internacionais de alimentos e bebidas da Rússia.

WORLDFOOD MOSCOW 2026 35ª Feira Internacional de Alimentos e Bebidas

  • 15–18 de setembro de 2026
  • Moscou

Subsídio ApexBrasil: 100% do custo do estande Oportunidade exclusiva para exportadores brasileiros do setor de alimentos e bebidas.

O programa faz parte da estratégia da ApexBrasil para ampliar a presença de produtos brasileiros em mercados com alta demanda por importações. A Rússia é um dos maiores importadores mundiais de equipamentos agrícolas, alimentos processados, máquinas industriais e insumos — setores nos quais o Brasil possui competitividade global comprovada.

“O Brasil tem produtos competitivos, tecnologia de ponta e capacidade produtiva de que o mundo precisa. As feiras internacionais são o caminho mais direto para conectar nossos expositores a compradores qualificados e o subsídio da ApexBrasil elimina o principal obstáculo: o custo de entrada, diz Dmitry Zavgorodniy, CEO do ITE Group.

Como Participar

Empresas brasileiras interessadas em participar de qualquer um dos 11 eventos devem verificar sua elegibilidade e se inscrever online no site da ApexBrasil. O ITE Group oferece suporte completo ao expositor, incluindo guia sobre a Rússia e orientação sobre como ter o melhor retorno de investimento nos eventos, credenciamento e plataformas digitais para conectividade comercial.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Milagre colombiano: urnas e Copa revelam um novo momento nacional

Márcio Coimbra (*)

A Colômbia vive uma sintonia entre história política e paixão esportiva. Enquanto a seleção exibe rigor tático na Copa do Mundo de 2026, as urnas consagraram uma virada histórica: a eleição de Abelardo de la Espriella à presidência, consolidando a guinada à direita que redesenha o tabuleiro geopolítico da América Latina. No epicentro dessa catarse, a camisa amarela da seleção converteu-se no maior símbolo de disputa e identidade nacional.

A tentativa da esquerda de judicializar a vestimenta provou-se um erro estratégico. Ao apropriar-se do amarelo, De la Espriella decodificou o sentimento de uma maioria silenciosa cansada de associar os símbolos pátrios ao declínio, canalizando o orgulho popular para seu projeto de reconstrução institucional.

Esse fenômeno insere-se no realinhamento conservador que varre a América Latina. Após anos de governos progressistas marcados por estagnação econômica e criminalidade, o eleitorado redescobriu o valor da ordem, da segurança jurídica e do livre mercado. Do Cone Sul ao ecossistema andino, a nova direita compreende que a soberania exige instituições fortes e alianças estratégicas claras.

A proposta de De la Espriella de alinhar a Colômbia à vanguarda diplomática ocidental reflete essa mudança geopolítica, transformando o amarelo da “Tricolor” no emblema visual desse despertar regional.

Para tanto, De la Espriella estruturou uma agenda agressiva de 90 decretos para os primeiros 100 dias, focados em desregulamentação, investimentos e tolerância zero ao narcoterrorismo. Projetos estratégicos antes paralisados, como a interconexão elétrica com o Panamá, ganham uma urgência que espelha o contra-ataque veloz do futebol.

A economia, sob essa ótica, deve funcionar como um meio-de-campo entrosado: menos entraves estatais, passes precisos ao setor produtivo e defesa intransigente da propriedade privada e da segurança pública, garantindo as regras fundamentais para a sociedade prosperar.

Nessa intersecção, futebol e política revelam-se complementares. O desempenho avassalador da seleção no mundial reflete uma nação que redescobriu a disciplina e a mentalidade vitoriosa. O sucesso em campo mostra que o êxito exige liderança firme e planejamento rigoroso — premissas centrais que levaram De la Espriella ao poder.

Há uma simbiose psicológica entre a confiança de um povo que vê seus atletas vencerem potências globais e a coragem desse mesmo eleitorado de romper com o marasmo econômico, alimentando mutuamente a glória esportiva e a eficácia governamental.

O reconhecimento dos resultados pela oposição encerra o ciclo de incertezas e abre caminho para a transição. Ao discursar em Barranquilla vestindo orgulhosamente a camisa amarela que a justiça tentou banir, De la Espriella sinalizou o fim da timidez política.

A Colômbia entra no segundo semestre de 2026 com os olhos no topo do mundo, acompanhando sua seleção rumo às fases decisivas e monitorando reformas que prometem destravar as forças vivas do país. O milagre colombiano está em campo e nas urnas, resta agora consolidá-lo com a mesma garra demonstrada nos gramados.

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Comunidade Valenciana amplia presença no Brasil e Mercosul com foco no acordo com a UE

Da Redação

Brasília – O Instituto Valenciano de Competitividade Empresarial (IVACE), órgão ligado à Generalitat Valenciana, ampliou sua atuação no Mercosul e escolheu a multinacional espanhola How2Go, para liderar sua operação comercial na região. A consultoria, que já representava a instituição no Brasil, passa agora a atuar como escritório comercial oficial da Comunidade Valenciana em Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

A expansão ocorre em um momento de avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve eliminar tarifas para mais de 80% das exportações brasileiras ao bloco europeu, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O tratado também fortalece a integração econômica entre as regiões, em um cenário no qual a União Europeia já concentra cerca de €390 bilhões em investimentos no Mercosul.

Com o novo mandato, a How2Go deixa de atuar apenas como representação comercial no Brasil e assume uma estrutura regional voltada à atração de investimentos e à internacionalização de empresas valencianas. A operação terá como foco conectar companhias da Comunidade Valenciana a parceiros locais, apoiar a construção de canais de distribuição e facilitar a entrada dessas empresas nos mercados do Mercosul.

“A renovação vem acompanhada de uma mudança relevante de mandato. Deixamos de ser uma antena comercial focada no Brasil para assumir uma estrutura mais completa, com atuação em todo o Mercosul e um papel mais estratégico na conexão entre empresas”, afirma Marcelo Vitali, diretor da How2Go no Brasil.

Além da prospecção comercial, a operação será responsável por estudos de mercado, agendas empresariais e iniciativas de aproximação com o ecossistema de negócios da região.

“Esse novo formato nos permite atuar de forma mais estruturada, apoiando desde o entendimento do mercado até a geração de negócios concretos. Também esperamos avançar na cooperação econômica em setores que já identificamos como prioritários, como audiovisual, alimentos, bebidas, maquinário, químico e cosméticos, que tendem a se beneficiar do acordo entre Mercosul e União Europeia”, diz Vitali.

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IT, OT e IA: a tríade que está redefinindo competitividade industrial

Marco Stefanini (*)

Na Hannover Messe deste ano, o Brasil ocupou o papel de país parceiro oficial. É uma posição simbólica em uma feira que é um dos principais termômetros de maturidade industrial do mundo, e a presença brasileira nesse nível de protagonismo diz algo sobre onde o país está colocando suas apostas.

No meu painel sobre IA e energia industrial e nas conversas ao longo do evento, um diagnóstico que se repetiu, com pequenas variações, foi que a maioria das operações industriais ainda enfrenta um problema de integração, não de tecnologia. As ferramentas existem. O que falta é a conexão entre elas. Isso explica por que a conversa sobre IT, OT e IA continua sendo mais difícil do que parece.

IT (tecnologia da informação) — a camada responsável por sistemas corporativos, segurança cibernética e arquitetura de dados — e OT (tecnologia operacional), os sistemas de controle e automação do chão de fábrica, como CLPs e sistemas SCADA — foram construídos para propósitos distintos, em épocas distintas, com lógicas distintas. IT prioriza flexibilidade e escala, enquanto OT olha para estabilidade e controle, rodando em equipamentos com ciclos de vida que se estendem por décadas, projetados para isolamento, não para conectividade.

As duas camadas coexistem em quase toda planta industrial, mas raramente conversam de forma estruturada. Quando conversam sem governança adequada, criam superfícies de ataque que esses ambientes não foram desenhados para suportar.

A IA depende dessa conversa para funcionar. Modelos que operam com dados operacionais reais isolados entregam pouco. O potencial aparece quando a inteligência artificial tem acesso ao que está acontecendo na operação em tempo real: consumo de energia, variabilidade de processo, comportamento de equipamentos, desvios de qualidade. É aí que a otimização deixa de ser teórica.

O problema, na maior parte dos casos, não está em comprar nova tecnologia. Está em extrair mais da que já existe. Pesquisa recente divulgada pelo Financial Times mostrou que o setor industrial deixa cerca de 17% de eficiência energética potencial sem capturar. Não por falta de equipamento, mas por falta de inteligência operacional. Quando a IA é integrada ao controle de processos, ela consegue otimizar consumo em tempo real, adaptando-se a condições variáveis mais rápido do que qualquer abordagem manual permite.

O que impede esse salto, na maioria dos casos, não é a ausência de ambição. É a dificuldade de sair do piloto. A maior parte dos projetos de IA industrial morre em prova de conceito porque nunca é conectada a um KPI operacional real, nunca tem um dono claro dentro da planta e nunca sai da alçada de um laboratório de inovação desconectado da linha de produção. Escala acontece quando a IA está atrelada à operação com responsabilidade, governança e metas mensuráveis. Não como camada digital sobreposta, mas como parte do modo como a planta funciona.

Modernizar um ambiente legado não exige substituição completa. Exige integração progressiva, conectar o que existe a camadas de inteligência que consigam ler, interpretar e retroalimentar a operação. Em alguns casos, essa transição acontece em semanas. O pré-requisito é clareza sobre o problema a resolver e sobre quem é responsável pelo resultado.

A convergência de IT, OT e IA não é uma agenda de transformação digital genérica. É uma decisão operacional com impacto direto em custo, energia e resiliência. E é também uma escolha que revela onde está o poder de decisão real dentro de uma organização: se a IA vive no laboratório de inovação, o problema não é tecnológico. É político. Competitividade não será definida por quem fala mais sobre inteligência artificial — mas por quem tiver coragem de integrá-la à operação, com responsabilidade e metas reais, e entregar resultado todos os dias. A pergunta que fica: na sua empresa, quem é o dono disso?

(*) Marco Stefanini é fundador e CEO Global do Grupo Stefanini

 

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Webinar do MDIC, Receita Federal e CNI apresenta Programa Acredita Exportação a pequenos exportadores

Da Redação (*)

Brasília – Micro e pequenas empresas interessadas em se tornar mais competitivas no mercado global terão a oportunidade de obter informações e esclarecer dúvidas sobre o Programa Acredita Exportação durante webinar promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e com a Receita Federal, nesta terça-feira (30/6), das 15h às 16h30.

Instituído em julho de 2025, o Programa Acredita Exportação é uma iniciativa do governo federal que permite a devolução de parte dos tributos pagos por micro e pequenas empresas ao longo da cadeia de produção voltada à exportação de bens industrializados. Ele já resultou em mais de R$ 2 milhões em crédito a MPEs.

O benefício, que pode ser usado inclusive aos optantes pelo Simples Nacional, se dá por meio da apuração de créditos tributários equivalentes a 3% das receitas de exportação, que podem ser utilizados para compensar tributos administrados pela Receita Federal ou para ressarcimento em espécie.

O webinar apresentará as principais características do Programa Acredita Exportação, além de orientar os participantes sobre os procedimentos necessários para acessar o benefício.

A abertura institucional terá a participação do diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), Renato Agostinho; da gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri; e do coordenador-geral de Arrecadação e de Direito Creditório da Receita Federal do Brasil (RFB), Eriton Lima de Oliveira.

SERVIÇO: 

Webinar: Programa Acredita Exportação – Como micro e pequenas empresas podem acessar seus créditos tributários remanescentes sobre bens exportados
Data: 30 de junho de 2026 (terça-feira)
Horário: 15h às 16h30
Transmissão ao vivo (aberta ao público): YouTube da CNI

(*) Com informações do MDIC

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Barreiras tarifárias, a face protecionista da China no intercâmbio comercial com o Brasil

Da Redação

Brasília – A China é, desde 2009, o principal parceiro comercial do Brasil, e o país asiático responde por quase um terço de todas as exportações realizadas pelo país. Mas a China é também um dos países que mais barreiras tarifárias ou não-tarifárias impõem às exportações dos produtos brasileiros, além de restringir a quase zero a entrada de produtos manufaturados nacionais em seu mercado.

De acordo com estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a China aplica imposto de importação sobre uma série de produtos como suco de laranja e café, impõe limites máximos de radiação para rochas, estabelece embargos às importações de pet food, pratica políticas de subsídios que restringem as exportações brasileiras de alumínio, borracha, ferro, aço, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, exige registro de produtores estrangeiros de alimentos e certificado sanitário para couro wet blue e proíbe a importação de carnes de aves de estados brasileiros, como o Rio Grande do Sul.

Imposto de Importação aplicado ao suco de laranja

O suco de laranja não figura entre os itens de destaque na pauta exportadora brasileira para a China. Isso se deve especialmente ao Imposto de Importação aplicado pelo governo chinês ao produto através de uma tarifa de 7,5% para o suco de laranja a -18º. C, que sobe para 30% se produto é exportado com uma temperatura acima de 18º. C. Essa tarifa foi reduzida para 15%, mas ainda torna o produto brasileiro pouco competitivo no mercado chinês.

Com essa barreira, nas últimas dez safras registrou-se uma queda de 30% nas exportações de suco de laranja para a China. A definição de uma temperatura de congelamento de -18º. C difere do padrão aceito por outros mercados relevantes, como os Estados Unidos e a União Europeia -principais mercados para o suco de laranja brasileiro.

Na percepção da CNI, a medida objetiva proteger a produção chinesa de suco de laranja, ainda incipiente, afetando o acesso do suco brasileiro àquele mercado e impactando nos custos produtivos por parte das indústrias nacionais. Com a redução temporária da alíquota para 15%, de 2020 a 2024 registrou-se um aumento de 153% nas exportações brasileiras de suco de laranja para a China.

Em 2025, mesmo com a redução da alíquota, as vendas para o mercado chinês somaram apenas US$ 99 milhões, com uma queda de 28,40% em relação ao ano anterior e corresponderam a 2,8% das exportações totais brasileiras. De janeiro a maio, os embarques para a China totalizaram apenas US$ 25 milhões (queda de 42.5% sobre o mesmo período de 2025), com uma participação de 2,5% em todo o volume exportado pelo Brasil.

Imposto aplicado ao café

O estudo da CNI também destaca o Imposto de Importação incidente sobre o café, citando que diz respeito ao estabelecimento de mecanismos de controle com o objetivo de eliminar os incentivos a eventuais produtores de café e à indústria cafeeira.

O documento destaca que existe uma proteção exagerada e estímulo sobretudo à indústria local. O problema encontrado nesse setor diz respeito à escalada tarifária promovida pelo governo chinês que inibe a exportação de produtos de maior valor agregado para o mercado doméstico da China. Atualmente, a tarifa aplicada é de 12% para café solúvel e extratos/concentrados.

A CNI ressalta que a medida tem um forte impacto negativo na competitividade dos produtos brasileiros no mercado chinês. Em comparação com outros concorrentes, os países que assinaram acordos de livre comércio com a China pagam tarifas convencionais 3% inferiores. Países como Laos, Camboja, Birmânia e outras nações em desenvolvimento ou subdesenvolvidos têm direito a tarifas preferenciais ou tarifa zero, o que significa uma grande vantagem comercial.

Segundo o documento da CNI, como o volume do comércio de café entre o Brasil e a China é grande, as tarifas de importação aplicadas ao café brasileiro representam verdadeiras barreiras às exportações nacionais.

Mesmo com essas barreiras, a China é um dos mercados mais promissores para o café brasileiro. De acordo com dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, as exportações totais do produto somaram US$ 14,9 bilhões, dos quais US$ 449 milhões foram embarcados para o país asiático. Apesar da forte alta de 115,10% sobre o ano anterior, as vendas para os chineses corresponderam a apenas 3,1% do total exportado.

De janeiro a maio deste ano, as exportações de café para a China registraram uma queda acentuada de 61,70% para US$ 63 milhões, comparativamente com os cinco primeiros meses do ano passado. Isso fez com que a participação chinesa nas exportações totais do produto se reduzissem a apenas 1,2%;

 

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Em tempos de volatilidade, dólar digital via USDT ganha espaço como proteção cambial em meio à pressão inflacionária global

Dados de mercado indicam avanço do uso de stablecoins por empresas e investidores brasileiros em cenário de volatilidade econômica e alta nos custos de energia

Da Redação

Brasília – O aumento da volatilidade cambial e da pressão inflacionária no Brasil tem ampliado a busca por ativos dolarizados. Dados recentes da Receita Federal mostram crescimento expressivo das operações com USDT (Tether), stablecoin pareada ao dólar, utilizada por empresas e investidores como alternativa de proteção patrimonial e operacional.

O movimento ganhou força em meio à escalada dos custos globais de energia após tensões logísticas no Estreito de Ormuz, que impactaram o preço internacional do petróleo e pressionaram cadeias de transporte e alimentação no Brasil.

Nesse cenário, empresas expostas ao comércio exterior passaram a buscar instrumentos de previsibilidade cambial e liquidez imediata. Relatórios baseados em dados disponíveis da Receita Federal apontam que o volume de operações com USDT já supera o do Bitcoin no Brasil em aproximadamente quatro vezes, evidenciando uma mudança no perfil de utilização dos criptoativos no país. A análise também mostra aumento relevante da participação de empresas nas operações com stablecoins, reforçando o uso corporativo para gestão de caixa e pagamentos internacionais.

Segundo levantamento sobre operações com USDT no Brasil, o volume total negociado ultrapassou R$ 271 bilhões no período analisado, com crescimento exponencial tanto no valor movimentado quanto na quantidade de operações realizadas. O pico mensal registrado superou R$ 32 bilhões em negociações.

Além da pressão cambial, o cenário inflacionário também voltou a impulsionar fenômenos como a “shrinkflation”, prática de redução do tamanho de produtos sem alteração nominal de preço. A combinação entre inflação persistente, instabilidade geopolítica e oscilação do real ampliou a procura por ativos atrelados ao dólar.

USDT como instrumento de proteção cambial

Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, o avanço das stablecoins representa uma mudança estrutural no comportamento financeiro de empresas e investidores brasileiros. “O mercado passou a olhar para o USDT menos como ativo especulativo e mais como instrumento de proteção cambial e eficiência operacional. Em momentos de estresse econômico, a busca por previsibilidade aumenta significativamente”, afirma Pereira.

Ainda segundo o executivo, o crescimento das operações envolvendo empresas indica amadurecimento do mercado. “Há um movimento claro de companhias utilizando stablecoins para pagamentos internacionais, proteção de margem e redução de custos operacionais ligados ao câmbio tradicional”, explica.

Na avaliação do especialista, a tendência reflete uma busca crescente por mecanismos alternativos de dolarização e os dados de mercado reforçam esse avanço corporativo. O número de CNPJs envolvidos em operações com criptoativos apresentou crescimento relevante ao longo dos últimos anos, acompanhando a expansão do volume financeiro negociado.  “Nesse contexto, o USDT passou a ser utilizado não apenas como instrumento de reserva de valor, mas também como ferramenta operacional para dolarização rápida e pagamentos internacionais. A facilidade de acesso, a liquidez e a agilidade das transações estão entre os fatores que explicam o crescimento da adoção no país”, detalha Pereira.  “Além do uso empresarial, investidores individuais também passaram a utilizar stablecoins como estratégia de preservação de valor em períodos de desvalorização do real e instabilidade econômica”, complementa o especialista.

Confira dicas para proteção patrimonial em cenários de volatilidade:

  • Avaliar a exposição cambial da carteira e diversificar ativos;
  • Utilizar stablecoins apenas em plataformas com liquidez e estrutura confiáveis;
  • Evitar concentração excessiva em um único ativo;
  • Monitorar indicadores macroeconômicos e geopolíticos;
  • Estruturar estratégias de hedge alinhadas ao fluxo financeiro da empresa;
  • Buscar orientação especializada antes de operar ativos digitais.

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Pesquisa da FGV RJ destaca que EUA são mais confiáveis que a China para entrevistados do Centro-Oeste e Norte do Brasil

Uma pesquisa inédita de opinião pública na fronteira agrícola do Brasil mostra que dependência econômica não se converte em alinhamento político

Da Redação (*)

Brasília – A Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV RI) apresenta o relatório “Como a Fronteira Agrícola Vê as Relações Internacionais”, resultado de uma pesquisa inédita de opinião pública nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil sobre temas de política internacional.

O principal achado do relatório desafia uma premissa amplamente aceita: a de que a dependência comercial gera alinhamento político. A China absorveu 80% das exportações de soja e 86% das exportações de carne bovina da fronteira em 2022 — mas os moradores da região confiam substancialmente mais nos Estados Unidos.

Enquanto 21,8% dos entrevistados descrevem os EUA como “muito confiáveis”, apenas 12,6% dizem o mesmo da China — uma diferença de mais de 9 pontos percentuais. A confiança na China recuou quase 20 pontos percentuais desde 2017, mesmo com o crescimento dos volumes comerciais entre os dois países.

“A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirma Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores da pesquisa.

Regulação ambiental da UE: aceita, mas questionada

Em relação à União Europeia, os dados revelam uma postura de conformidade pragmática. Quase três quartos dos entrevistados (74,3%) concordam que cumprir os requisitos ambientais da UE fortaleceria a reputação internacional do Brasil. Ao mesmo tempo, 66,9% acreditam que a conformidade reduziria a competitividade dos produtos brasileiros, e 61,5% entendem que as regulações servem principalmente aos interesses econômicos europeus.

Para os pesquisadores, as três avaliações coexistem sem se cancelarem: a fronteira aceita as regras da UE como o preço de acesso a um mercado valioso, mas não as endossa como expressão de valores compartilhados.

Uma região antiestatista

O relatório também traça o perfil político da região. Uma pluralidade de 83,5% dos moradores se identifica como de direita ou centro, enquanto apenas 16,5%, de esquerda. Maiorias expressivas acreditam que o governo interfere demais na vida das pessoas (55,9%) e que a regulação governamental dos negócios faz mais mal do que bem (64,3%).

Essa cultura política antiestatista, segundo os autores, é a lente por meio da qual todas as pressões externas são filtradas — e explica, em parte, tanto a vantagem de credibilidade dos EUA quanto o ceticismo em relação às regulações da UE e ao modelo de Estado chinês.

Implicações para a política externa brasileira

O estudo alerta que, à medida que o peso eleitoral da fronteira cresce — seus estados respondem por aproximadamente 15% do eleitorado nacional —, as preferências da região impõem restrições reais às posições que Brasília pode adotar de forma crível perante Washington, Pequim e Bruxelas.

“Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, afirma Spektor.

(*) Com informações da FGV

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A política monetária com características chinesas

(*) Allan Gallo

Quando nós, brasileiros, acompanhamos a economia chinesa, costumamos procurar o que seria equivalente à Selic. É uma atitude compreensível, tendo em vista o papel central dela em nosso sistema, mas é um erro grosseiro. A China possui juros, compulsório e operações de mercado aberto, mas não possui a mesma concepção de política monetária que prevalece no Ocidente.

Durante boa parte das últimas décadas, o Banco Popular da China não utilizou os juros como principal instrumento de política econômica. Em vez disso, adotou metas para o crescimento da oferta monetária e do crédito, inspiradas em versões adaptadas da teoria quantitativa da moeda. Enquanto bancos centrais ocidentais migravam para regimes de metas de inflação, Pequim continuava monitorando agregados monetários, como o M2, e a expansão do financiamento da economia.

Nas economias desenvolvidas, a política monetária atua principalmente sobre o preço do dinheiro. Elevam-se os juros para conter a inflação e reduzem-se os juros para estimular a atividade econômica. Na China, no entanto, o objetivo sempre foi mais amplo. O Banco Popular da China procura influenciar simultaneamente o preço, a quantidade e a distribuição do crédito. Não basta determinar quanto custa financiar uma fábrica; também importa quais setores terão acesso preferencial ao financiamento.
Essa lógica ajuda a explicar por que Pequim continua recorrendo a instrumentos pouco usuais em economias avançadas. Além de administrar juros e liquidez, as autoridades utilizam compulsórios, programas de refinanciamento direcionado, orientações administrativas aos bancos, gestão cambial e controles de capitais para favorecer atividades consideradas estratégicas, como manufatura avançada, tecnologia, infraestrutura e transição energética.

É verdade que, nos últimos anos, a China modernizou parte de seu sistema monetário. Reformas fortaleceram o papel de taxas de mercado, como a Loan Prime Rate (LPR), e aprimoraram os mecanismos de transmissão da política monetária, mas, ainda assim, o país não abandonou os instrumentos quantitativos e administrativos que marcaram sua trajetória de desenvolvimento.

Os resultados desse modelo de condução de política monetária para a China são difíceis de ignorar, mas o desafio atual é particularmente complexo e envolve, em certa medida, um desgaste do sistema. Após décadas preocupado com a inflação, o Banco Popular da China enfrenta agora pressões deflacionárias associadas à crise imobiliária, ao envelhecimento populacional e à desaceleração da demanda doméstica. Isso tem obrigado as autoridades a buscar um delicado equilíbrio entre estimular a atividade econômica e evitar o acúmulo de novos desequilíbrios financeiros. Um delicado equilíbrio de pratos.

A China não convergiu para o modelo americano nem preservou integralmente o sistema que construiu nos anos 1990. O retrato do resultado atual é um arranjo híbrido, no qual mecanismos de mercado convivem com uma forte capacidade estatal de coordenação econômica. Compreender essa política monetária exige certo traquejo de especialistas e curiosos que insistem, em vão, em tentar encontrar um equivalente perfeito chinês para a nossa Selic, pois a questão central não é qual é a taxa de juros da China, mas entender por que Pequim acredita que um banco central deve fazer muito mais do que apenas controlar a inflação.

(*) Allan Gallo é professor de Economia e Direito Internacional na Universidade Presbiteriana Mackenzie, pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber) e coordenador do Núcleo de Estudos sobre a China (NECH)

 

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Turismo, câmbio e Copa: como a valorização do dólar impacta o consumo de brasileiros no exterior

Taisa Bilecki (*)

A relação entre turismo internacional e câmbio nunca foi tão visível quanto no atual ciclo econômico. À medida que a alta temporada de viagens se aproxima, impulsionada por grandes eventos esportivos, como a Copa, o comportamento do turista brasileiro no exterior se torna um termômetro claro da economia: quando o dólar sobe, o consumo muda; quando cai, ele explode.

Os números recentes ajudam a dimensionar esse fenômeno. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os brasileiros gastaram cerca de US$6,04 bilhões em viagens internacionais, o maior valor da série histórica do Banco Central e uma alta de 21,9% em relação ao ano anterior. O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas pelo contexto: esse crescimento ocorreu em um momento de valorização do real frente ao dólar, o que aumentou o poder de compra dos viajantes.

Esse ponto é central. O turismo internacional brasileiro é altamente sensível ao câmbio, talvez mais do que em outros países. Quando o dólar recua, viajar deixa de ser exceção e volta a ser um projeto possível para a classe média. O resultado aparece imediatamente nas estatísticas: mais passagens compradas, maior permanência no destino e, principalmente, aumento no consumo.

Por outro lado, em cenários de dólar valorizado, como o que pode ocorrer em ciclos de instabilidade global ou eventos de grande demanda internacional, como a Copa, o efeito tende a ser o inverso: o brasileiro viaja, mas consome menos. A decisão de viajar já foi tomada, muitas vezes com antecedência, mas o comportamento no destino muda. Trocam-se restaurantes por mercados, hotéis por acomodações alternativas e compras por experiências mais controladas.

Outro aspecto relevante é a forma de pagamento. O avanço dos meios digitais transformou o padrão de consumo do turista brasileiro. Em 2025, os gastos com cartões no exterior ultrapassaram US$ 8,2 bilhões apenas entre janeiro e julho, com forte concentração na Europa e nos Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Além disso, contas internacionais em dólar e fintechs ampliaram o acesso à moeda estrangeira, permitindo planejamento cambial prévio, o que suaviza, mas não elimina, o impacto da valorização da moeda americana.

Esse movimento revela uma mudança comportamental. O brasileiro não apenas viaja mais, mas também está mais sofisticado financeiramente. Ele compara taxas, antecipa câmbio e diversifica meios de pagamento. Ainda assim, a elasticidade do consumo permanece evidente: o câmbio continua sendo o principal determinante do quanto se gasta no exterior.

Com a proximidade da Copa do Mundo, por exemplo, esse cenário tende a se intensificar. A combinação de alta demanda, preços inflacionados nos destinos e possíveis oscilações cambiais cria um ambiente desafiador para o turista brasileiro. Mais do que decidir viajar, será preciso decidir como viajar.

No fim das contas, o câmbio não define apenas o destino, define o comportamento. Entre duty free e controle de gastos, entre parcelamento e planejamento, o brasileiro segue adaptando seu consumo a uma variável que, embora externa, influencia diretamente suas escolhas. E, em tempos de Copa, essa equação fica ainda mais evidente: viajar continua sendo prioridade, mas gastar — isso depende do dólar.

(*) Taisa Bilecki – Head de Câmbio do Banco Braza

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