Taiwan: paz e resiliência – Estabilidade taiwanesa é vital para o Globo

Lin Chia-lung (*)

A recente reunião em Washington entre os presidentes dos Estados Unidos e da China reacendeu a atenção internacional sobre a competição estrutural entre as duas potências. Embora ambos os lados busquem uma “estabilidade estratégica construtiva” e o controle de divergências, as profundas diferenças econômicas, tecnológicas e de segurança permanecem evidentes. Nesse cenário complexo, gerenciar riscos sem interromper o engajamento diplomático tornou-se uma prioridade crucial para a comunidade internacional diante da ascensão chinesa.

Esse movimento se reflete na consolidação do conceito de “de-risking” (redução de riscos). Países da União Europeia e do G7 não buscam um desacoplamento total em relação à China, mas visam mitigar a dependência excessiva em setores estratégicos, diversificar cadeias de suprimentos e reforçar a própria resiliência. Paralelamente, diversas nações da Europa e do Indo-Pacífico reiteraram na Assembleia Geral da ONU sua firme oposição a qualquer alteração unilateral no status quo do Estreito de Taiwan, sublinhando que a paz e a estabilidade regional estão diretamente interconectadas com a segurança e a prosperidade globais.

Diante desses desdobramentos, a sociedade taiwanesa deve encarar o cenário geopolítico com serenidade. A gestão de riscos adotada pela comunidade internacional em relação à China não equivale a um confronto direto, tampouco significa sacrificar os laços com Taiwan. As políticas voltadas para Pequim e para Taipé podem e devem coexistir de forma paralela. Mantendo canais de comunicação fluidos com parceiros estratégicos, Taiwan demonstra que a cooperação ativa fortalece a estabilidade regional e mitiga eventuais riscos de erros de cálculo.

Essa visão fundamenta a relevância de consolidar uma “Política de Uma Taiwan”. Embora Pequim tente impor o seu “Princípio de Uma China”, a comunidade internacional pode preservar suas estruturas diplomáticas existentes e, simultaneamente, formular políticas pragmáticas e claras para Taiwan. Como uma democracia consolidada, dotada de sistemas político e econômico próprios, Taiwan é uma entidade soberana e distinta, cujos 23 milhões de habitantes contribuem ativamente para a ordem e a governança globais.

O relacionamento entre Taiwan e os Estados Unidos exemplifica esse arranjo: a política americana baseia-se nos Três Comunicados Conjuntos para a China, mas ampara-se no Taiwan Relations Act e nas Seis Garantias para Taiwan. Essa parceria abrange desde a segurança e autodefesa — impulsionada pelo orçamento militar de Taiwan acima de 3% do PIB — até a cooperação em semicondutores e inteligência artificial, construindo uma verdadeira aliança simbiótica.

Ademais, cresce o entendimento global de que a Resolução 2758 da ONU abordou apenas a representação chinesa, sem mencionar Taiwan. Em suma, Taiwan não deve ser vista como um problema a ser resolvido, mas como uma parceira indispensável para a salvaguarda da paz, da resiliência e do desenvolvimento sustentável em todo o mundo.

(*) Lin Chia-lung, Ministro de Relações Exteriores de Taiwan

 

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11 de setembro, 25 anos depois: o que está em jogo?

Leo Braga (*)

25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001. Celebração amarga de uma boda de prata, mas, ao mesmo tempo, de necessária recordação para a humanidade. Aos olhos dos atentados de 2001, o mundo de hoje nem parece tão amargo. Mas ainda o é, sem dúvida. O 11 de setembro, naquela ocasião, marcava uma inflexão no período pós-Guerra Fria. O mundo experimentava uma fase de euforia política, comercial e financeira.

Aquela que ficou conhecida como a “década das conferências” da ONU testemunhou o esforço multilateral global em rodadas de negociação e conferências sobre questões globais. Vivenciamos debates sobre meio ambiente (Rio, 1992), direitos humanos (Viena, 1993), população e desenvolvimento (Cairo, 1994), mulheres (Beijing, 1995), entre outros. Experimentávamos, também, a revitalização do multilateralismo no comércio internacional com a criação da Organização Mundial do Comércio, derivada do GATT, em 1995.

O mundo ia muito bem. Obrigado. E ia também tão bem que a ONU conseguiu aprovar, na Resolução da Assembleia Geral nº 49/60, de 1995, uma definição sobre terrorismo. Até o ano anterior, 1994, havia mais de 100 definições acadêmicas e oficiais sobre terrorismo, o que indicava absoluta falta de consenso sobre o fenômeno e seu conceito.

Naquele momento, portanto, ainda antes dos atentados de 2001, o conceito de terrorismo estava muito vinculado às ações de grupos insurgentes e independentistas, entre os quais a ETA (Euskadi Ta Askatasuna), no País Basco; o IRA (Irish Republican Army), na Irlanda; e, até mesmo, as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), na Colômbia. O terrorismo era entendido, em larga medida, ou confundido com grupos que tinham objetivos políticos e que se colocavam contra os governos locais ou nacionais, mas, ainda assim, atuavam dentro do próprio território do país em questão.

A falta de consenso sobre a definição do conceito é razoavelmente compreendida porque, em primeiro lugar, tratava-se da Assembleia Geral da ONU, composta por um número muitíssimo grande de países (quase 200), e porque aquele ainda era um momento de euforia liberal global. Além disso, o terrorismo ainda se situava dentro de algumas esferas nacionais. Se, dessa forma, o terrorismo não era ainda um fenômeno transnacional, menores eram as suas chances de provocar problemas globais que merecessem atenção e dedicação dos Estados em algum tipo de orquestração política e militar para combatê-lo.

Tudo isso muda a partir do 11/09/2001. O Conselho de Segurança das Nações Unidas criou, ainda em 2001, o Comitê de Contraterrorismo. Na esteira dos acontecimentos, também o Conselho de Segurança aprovou a Resolução 1566, de 2004, em que se define de modo mais categórico o conceito de terrorismo. Ali, define-se terrorismo como um ato criminoso que se vale da morte de pessoas, de graves lesões a elas ou da tomada de reféns, todos como atos injustificáveis por qualquer tipo de propósito político. A resolução ainda conclamou os países da ONU a agir preventivamente ou, no caso de a prevenção falhar, a punir veementemente tal ato criminoso.

O ajuste qualitativo da definição de terrorismo da Assembleia Geral (1995) para o Conselho de Segurança (2004) não tem outra razão senão os próprios atentados de 2001, que fizeram com que a ONU entendesse a necessidade de categorização de tais atos para enquadrar fenômenos que estavam à sua frente e justificar ação político-militar diante deles, respaldada pelo Conselho de Segurança.

A Assembleia Geral da ONU, com algum atraso temporal, apenas se dedica à criação do Escritório de Contraterrorismo no ano de 2017. Antes disso, as ações eram descentralizadas. De qualquer forma, passados 25 anos dos atentados de 11/09/2001, tanto a Assembleia Geral quanto o Conselho de Segurança emitem documentos sobre o tema que, portanto, persiste na agenda internacional.

A Assembleia Geral lançou, em fevereiro de 2026, a sua Estratégia Contraterrorista. Em seu exercício, a ONU oportunizou que 149 integrantes de 60 países diferentes pensassem sobre o que fazer a respeito do tema. Disso, desdobraram-se, no Pacto Global de Combate ao Terrorismo, 17 programas globais de apoio a ações contraterroristas, instruindo mais de 13.000 pessoas em mais de 170 países para capacitá-las na tarefa de prevenção e combate ao terrorismo.

Ainda em 10 de setembro de 2026, o Conselho de Segurança da ONU publicou a edição do ano de seu Relatório de Tendências sobre Terrorismo. Nele, a ONU identifica tendências comportamentais dos grupos terroristas contemporaneamente e relaciona a questão da propaganda com o principal recurso de mobilização e financiamento de grupos terroristas.

Por um lado, dada a morte de Bin Laden, em 2011 — ainda que tenhamos passado pela ascensão poderosa do Estado Islâmico, entre 2010 e 2016 —, os grupos terroristas, em larga medida, foram desmobilizados ou, ao menos, fragmentados.

Por outro lado, a fragmentação de grupos terroristas tornou mais difícil a sua própria identificação. Na tentativa de sobrevivência, tais grupos diluíram e difundiram suas ações valendo-se de recursos que, lá em 2001, não eram tão ativos ou disponíveis.

Este relatório sobre tendências do terrorismo aponta exatamente para isso. Grupos terroristas organizam a difusão de sua existência usando propaganda em larga escala a partir da utilização de inteligência artificial. Nesse sentido, peças de propaganda são criadas com representação fantasiosa, mas convincente, do valor e da atuação desses grupos. O relatório ainda indica que, além disso, os grupos terroristas se valem do financiamento pouco rastreável de criptoativos para burlar o sistema bancário internacional.

Outro ponto presente no relatório é a gamificação e a experiência em plataformas clandestinas e na deep web, em que fantasiosamente é possível agir como terrorista em jogos e divulgar material de extremismo violento muito menos vinculado à causa terrorista, mas que serve como recurso de propaganda sobre perfil comportamental violento, incidindo no recrutamento de novos membros menos pela ideologia e mais pelo perfil violento de tais candidatos.

A dificuldade toda por parte dos Estados reside no contraste entre o tempo mais curto de ação orquestrada de sua parte e o tempo mais veloz de criação de plataformas clandestinas por parte dos grupos terroristas. A internet não consegue fiscalizar a deep web. Não há meios ou legislação global para isso. E, mesmo quando os Estados conseguem agir, usando legislações para controlar meios de comunicação na internet, os grupos terroristas se valem disso como argumento de violação da liberdade de expressão, de recurso à censura e à repressão por parte dos Estados, o que aumenta a capacidade argumentativa de tais grupos em relação àqueles que os terroristas querem convencer de sua causa e, assim, para ela atrair.

Tudo isso quer dizer duas coisas: uma boa e uma ruim. O que é bom é que o mundo não está mais discutindo o combate político-militar ao terrorismo que, imediatamente, fere as maiores garantias de direitos humanos mais prementes e imediatas, como, inclusive, o direito à vida. Não estamos mais no momento do 11/9, com o estado de terror amplamente estabelecido, temendo pela nossa vida, sem saber de onde vem o inimigo, sem ter informações sobre como combatê-lo e sem ter certeza sobre o dia de amanhã.

O que não é bom é a dificuldade que o combate ao terrorismo estabelece hoje aos países como organizações políticas e respeitadoras do devido processo legal. A burocracia da máquina do Estado, a lentidão no processo de tomada de decisão e a eventual dificuldade na formação de consenso internacional sobre questões não apenas de fundamentos ou de definições, mas também sobre capacidades operacionais e vontade política, deixam os Estados em situação de fragilidade diante da capacidade dos grupos terroristas de propagar os seus ideais que, no final das contas, para o público assim cativado, não passam de incentivo ao extremismo violento — o que é suficientemente capaz de recrutá-los.

Por fim, no mundo em que o multilateralismo comercial parece andar a tropeços, a questão do terrorismo segue com a atenção devida na comunidade internacional via ONU, aquela melhor organização que nos possa representar, a nós, humanidade. E é isso que está em jogo 25 anos após os atentados de 11/9 de 2001: a nossa capacidade de gerar consenso e ação conjunta orientada para combater um mal maior, o terrorismo. A palavra é de esperança e de progresso.

(*)  Leo Braga, professor de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

 

 

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ApexBrasil fortalece ponte entre Brasil e Itália e mira novos negócios e investimentos com acordo Mercosul-UE 

Presidente da Agência, Laudemir Müller se encontra com mais de cem empresários da delegação da primeira Missão Brasil-Itália após a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Da Redação (*)

Brasília – As relações comerciais entre Brasil e Itália alcançam novo patamar com o acordo entre Mercosul e União Europeia. Na quarta-feira (09), o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, se encontrou com mais de cem empresários da delegação da primeira Missão Brasil-Itália após a assinatura do acordo, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo. De acordo com Müller, os dois países têm um potencial gigante pela frente e uma complementaridade enorme em diversos setores.

“Temos a responsabilidade de intensificar a promoção comercial e transformar o Acordo Mercosul–União Europeia em mais negócios, mais investimentos e mais oportunidades para as empresas brasileiras. Vivemos um momento de incerteza e fragmentação no cenário internacional, e o acordo é justamente a antítese disso. Ele traz previsibilidade, aproxima mercados e reforça a confiança entre parceiros comerciais”, destacou.

A agenda Brasil-Itália aponta para uma etapa que vai além da expansão imediata das exportações. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse na abertura da missão empresarial e institucional “Costruire Futuro. Crescimento comum UE-Mercosul”, que veio ao Brasil para estreitar os vínculos comerciais entre os dois países.

Itália busca diversificar parceiros e exportações

“Os movimentos comerciais entre Itália e Brasil estão em alta e a aproximação faz parte da estratégia italiana de diversificar a pauta de exportações para além dos Estados Unidos e da Europa”, afirmou. Segundo Tajani, o Brasil é peça essencial nesse processo e defendeu um esforço conjunto na desburocratização do comércio exterior, tanto em termos tarifários quanto regulatórios.

O presidente da FIESP, Paulo Skaf, que recebeu a delegação na sede da entidade, lembrou que as relações Brasil e Itália têm grandes perspectivas de negócios pela frente. “O acordo não é apenas um instrumento de redução tarifária, ele marca uma nova base institucional e comercial para decisões empresariais de curto, médio e longo prazos”. A tendência é ampliar a integração e a cooperação e a transferência de conhecimento.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa, disse que a agenda comercial com a Itália deve contribuir mutuamente para o desenvolvimento da Nova Indústria Brasil. “Bioeconomia, fármaco e transição digital são setores de interesse comum. A busca pela diversificação de mercados é um desafio das nossas nações. Não podemos ser reféns de mercados tradicionais. Juntos, Mercosul e União Europeia movimentam um mercado de US$ 22 trilhões de dólares e 720 milhões de pessoas. Não precisamos de mais”, concluiu.

O presidente da Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas (ICE/ITA), Matteo Zoppas, explicou que a agência atua para conectar empresas italianas, pequenas, médias ou grandes, a novos clientes no Brasil, criando condições para que os acordos se concretizem. De acordo com Zoppas, a escolha dos setores prioritários da missão foi estratégica.

“Há oportunidades para empresas de setores como transição energética, agroalimentar, tecnologias digitais, maquinário e farmácia e saúde”, afirmou. Ele defendeu um trabalho conjunto entre ApexBrasil e ICE/ITA. “Queremos transformar essas convergências em projetos empresariais. O objetivo é aproximar quem produz, quem investe e quem busca novas tecnologias e mercados”, frisou.

Complementaridade institucional

O presidente da ApexBrasil, reforçou que a complementaridade entre as duas instituições abre espaço para uma atuação mais coordenada, especialmente em áreas com interesses convergentes. “É fundamental trabalharmos de forma cada vez mais integrada entre ApexBrasil e a ICE/ITA. A ApexBrasil está aqui para apoiar as empresas, ampliar as oportunidades e fortalecer uma parceria de longo prazo que é estratégica para os nossos dois países”, afirmou.

Já o presidente da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo, Grazziano Messana, avaliou que o acordo é um facilitador para as negociações, mas alertou que muitas empresas de ambos os países ainda têm dúvidas sobre os termos do pacto. “Um dos papéis desta missão é justamente esclarecer esses pontos e apontar caminhos viáveis para negócios concretos”, explicou.

A programação da Missão segue com reuniões, palestras e debates em Brasília (DF), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) concentrados em cinco setores: transição energética e infraestrutura sustentável, tecnologias digitais, máquinas e engenharia de plantas, farmacêutica e médica e agroalimentar.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

 

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O que separa empresas operacionais de empresas estratégicas

Renato Figueiredo (*)

Durante anos atuando com empresas dos mais diversos segmentos e portes, aprendi uma lição importante: quase nenhuma organização compra uma solução de Comércio Exterior porque precisa emitir uma DUIMP, uma DI ou a DUE. Na prática, isso é apenas a consequência de uma obrigação operacional.

Se o único objetivo fosse cumprir exigências da Receita Federal, garantir compliance ou transmitir informações para os órgãos governamentais, existem inúmeras alternativas no mercado capazes de atender a essa necessidade.

A questão que deveria estar na mesa dos executivos é outra: O Comércio Exterior está apenas processando operações ou está gerando valor para o negócio?

Existe uma grande diferença entre os dois cenários.

Em muitas empresas, a área de Comex continua ocupada apagando incêndios, acompanhando processos manualmente, respondendo cobranças internas, conciliando informações em planilhas e tentando garantir que nada saia errado. Nesse modelo, a equipe é vista como um centro de custo necessário e para nadar dar errado mais pessoas, mais dependência de terceiros, menos tecnologia e inovação.

Já nas organizações mais maduras, a realidade é diferente. O Comércio Exterior participa das decisões estratégicas, identifica oportunidades de redução de custos, antecipa riscos, melhora a previsibilidade da cadeia logística, contribui para decisões tributárias, reduz despesas operacionais e fornece informações relevantes para a alta gestão.

Nessas empresas, o Comex deixa de ser apenas um executor e passa a ser protagonista.

O erro mais comum na escolha de uma solução

Quando chega o momento de selecionar uma plataforma para a área, muitas empresas ainda iniciam o processo pela pergunta errada: “Qual é a solução mais barata?”

O preço é importante. Sempre será. Mas ele deveria ser um dos últimos fatores a serem considerados.

Uma decisão baseada exclusivamente em preço pode gerar custos muito superiores no futuro através de processos manuais, baixa produtividade, integrações limitadas, falta de especialização, dificuldades de evolução da plataforma ou dependência excessiva de serviços externos.

Em projetos estratégicos, normalmente o barato não sai barato. Sai caro. Muito caro.

Uma falha operacional, um controle inadequado, uma informação inconsistente ou uma decisão incorreta baseada em dados incompletos pode gerar impactos financeiros, fiscais, logísticos e reputacionais significativos.

A decisão precisa ser da área de negócios, mas nunca isolada

Outro aprendizado recorrente é que a escolha de uma plataforma de Comércio Exterior não pode ser uma decisão exclusiva da área de Comex.

A liderança da iniciativa deve partir do negócio, porque é o negócio que conhece as dores operacionais, os gargalos e as oportunidades de ganho. Mas a decisão final precisa ser colegiada.

Uma plataforma de Comércio Exterior moderna impacta diversas áreas da organização. Por isso, precisam participar da discussão: Comércio Exterior, Compras, Fiscal, Financeiro, Tecnologia da Informação, Controladoria, Logística, Prestadores de serviço parceiros, Despachantes aduaneiros e Operadores logísticos.

Quando todas essas áreas participam da análise, a empresa reduz riscos e aumenta significativamente as chances de sucesso do projeto.

Não estamos falando da compra de um software. Estamos falando de uma iniciativa de transformação operacional.

Especialização importa

Nos últimos anos, a tecnologia evoluiu de forma impressionante. Mas existe uma diferença importante entre empresas que possuem uma funcionalidade para Comércio Exterior e empresas que nasceram para resolver os desafios do Comércio Exterior.

Especialização importa. Conhecimento regulatório importa. Experiência acumulada importa. Capacidade de inovação importa.

Parceiros que convivem diariamente com importadores, exportadores, operadores logísticos, despachantes e legislações complexas desenvolvem uma visão muito mais profunda dos desafios que realmente impactam o negócio.

Essa experiência se traduz em melhores processos, mais automação, maior segurança e decisões mais assertivas.

O valor está na automação e na inteligência

O futuro do Comércio Exterior não está na emissão de documentos. Está na eliminação de atividades que não agregam valor.

A verdadeira transformação acontece quando as pessoas deixam de gastar tempo digitando, conciliando informações e conferindo dados repetidamente para se dedicar à análise, planejamento e tomada de decisão.

Automação reduz custos. Automação reduz erros. Automação aumenta produtividade. Mas, principalmente, automação libera talentos.

E isso tem um impacto muito maior do que qualquer redução de licença de software.

Relacionamento também é tecnologia

Pouco se fala sobre isso durante um processo de seleção. Mas deveria ser um dos critérios mais importantes.

A escolha de uma plataforma não é uma compra pontual. É uma parceria de longo prazo.

Por isso, transparência, ética, capacidade de escuta e compromisso genuíno com o sucesso do cliente fazem toda a diferença.

Os melhores projetos que acompanhei ao longo da minha carreira foram construídos sobre relações de confiança. Quando fornecedor e cliente trabalham com objetivos comuns, os resultados aparecem naturalmente.

Mais do que software, uma visão para o futuro

É justamente essa visão que encontro na eComex. Não pela tecnologia em si. Nem pelos módulos ou funcionalidades. Mas pela convicção de que o Comércio Exterior pode ocupar um papel muito mais relevante dentro das organizações.

Ao longo de sua trajetória, a eComex construiu uma especialização profunda em processos de Comércio Exterior, investindo continuamente em automação, integração, inteligência de dados e evolução operacional.

Mas talvez seu principal diferencial esteja em algo mais simples: A crença genuína de que os profissionais de Comércio Exterior não devem dedicar seu tempo a tarefas repetitivas e burocráticas.

Devem dedicar seu tempo a tomar decisões melhores. A identificar oportunidades. A proteger margens. A contribuir com a estratégia da empresa. Em outras palavras, a serem protagonistas.

Porque, no fim do dia, o objetivo nunca deveria ser apenas emitir uma DUIMP corretamente.

O objetivo deveria ser transformar o Comércio Exterior em uma vantagem competitiva para o negócio.

E essa é uma discussão muito maior do que software. É uma discussão sobre futuro.

(*) Renato Figueiredo, Diretor Comercial da eComex

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Reforma Tributária chega à alfândega e é tema de debate promovido pela Receita Federal em SP

 São Paulo concentra mais da metade das importações brasileiras e será palco de um debate decisivo sobre as mudanças que chegam ao comércio exterior

A Reforma Tributária está prestes a atravessar uma das principais fronteiras do comércio exterior: a importação.

Da Redação (*)

Brasília – No dia 27 de setembro, está prevista a entrada em produção da Release Paraná (RTC) no Portal Único Siscomex. A novidade incorpora à Declaração Única de Importação (DUIMP) funcionalidades relacionadas à Reforma Tributária do Consumo — e coloca empresas, profissionais e autoridades diante de uma nova etapa de preparação.

Antes disso, no dia 16 de setembro, a Receita Federal e representantes do setor privado se encontram no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, para discutir o que muda e, principalmente, o que precisa estar pronto.

A escolha de São Paulo tem lógica. O estado responde por mais de 50% das importações de mercadorias do país, segundo dados da Receita Federal registrados por meio da DUIMP no Portal Único de Comércio Exterior. É, portanto, um dos principais pontos de passagem para entender como a reforma vai chegar à prática.

E a pauta é extensa.

Base de cálculo da CBS e do IBS na importação, fato gerador, local da operação de consumo, informações por item, sistemas, cadastros e formação de custos são peças de uma mesma engrenagem. A mudança tributária, na prática, exige que todas elas passem a conversar.

Receita Federal e setor privado na mesma mesa

É nesse cenário que o SINDASP, entidade que representa os Despachantes Aduaneiros em São Paulo, reúne a Administração Aduaneira e o setor privado para colocar as mudanças em discussão.

A iniciativa também está alinhada ao papel institucional da entidade, que prevê a representação da categoria perante autoridades públicas e sua colaboração, como órgão técnico-consultivo, no estudo de soluções e no aperfeiçoamento dos serviços aduaneiros.

Entre os participantes estão Fabiano Coelho, Subsecretário de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil; Fausto Vieira Coutinho, Assessor Técnico da Subsecretaria de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil; Fabricio Betto, Coordenador Operacional Aduaneiro da Coana/RFB; e Elson Isayama, Presidente do SINDASP.

Vagas reabertas

A procura pelo encontro dá uma dimensão do interesse do setor.

As 150 vagas iniciais se esgotaram em menos de cinco horas. Diante da demanda, o Sesc Vila Mariana disponibilizou um espaço maior ao SINDASP, permitindo a abertura de um novo lote de inscrições.

Para quem ficou de fora na primeira rodada, a boa notícia: as inscrições gratuitas foram reabertas.

O evento tem apoio da FecomercioSP, Sesc, Senac e ABCLIA.

Serviço

 Avanços da Reforma Tributária no Comércio Exterior
16 de setembro de 2026 | 10h às 15h30
Sesc Vila Mariana — São Paulo (SP)
Formato exclusivamente presencial

Novo lote de vagas: inscrições gratuitas até 14 de setembro, enquanto houver disponibilidade, pelo Sympla.

(*) Com informações do SINDASP

 

 

 

 

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Exportações de calçados têm pior desempenho desde a pandemia e indústria acende sinal de alerta

Exportações brasileiras de calçados têm pior desempenho desde a pandemia; queda nos Estados Unidos e na Argentina contrasta com avanço das importações asiáticas no mercado nacional

Da Redação (*)

Brasília – O calçado brasileiro está perdendo terreno — dentro e fora de casa. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 62,45 milhões de pares, que renderam US$ 541,45 milhões. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a retração foi de 7,5% em volume e 16,8% em receita. É o pior resultado para o período desde 2020, ano marcado pelo impacto da pandemia de Covid-19.

O dado mais preocupante, porém, não está apenas na queda das exportações. Enquanto os embarques brasileiros recuam, as importações de calçados avançam no mercado doméstico — puxadas principalmente por fornecedores asiáticos.

Entre janeiro e agosto, entraram no país 33 milhões de pares, alta de 9,6% sobre o mesmo período do ano anterior. Em valor, as compras externas cresceram 11%, alcançando US$ 429,7 milhões.

Em outras palavras: o Brasil está exportando menos e importando mais.

É uma combinação que acende um sinal de alerta para uma indústria que depende tanto da conquista de mercados internacionais quanto da capacidade de competir dentro do próprio país.

O mapa da crise: dois mercados que fizeram falta

 A retração das exportações brasileiras está concentrada, sobretudo, em dois dos principais destinos do setor: Estados Unidos e Argentina. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, os dois mercados representaram, juntos, uma perda de US$ 111 milhões em exportações no acumulado do ano, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Os Estados Unidos continuam sendo um mercado estratégico, mas o desempenho em receita piorou.

Em agosto, o Brasil embarcou 1,13 milhão de pares para o mercado americano, alta de 40,5% em volume. A receita, entretanto, caiu 9,2%, para US$ 19,42 milhões.

O contraste revela uma mudança importante: vender mais pares não significou vender mais dólares.

O preço médio do calçado exportado para os Estados Unidos caiu 35,4% em agosto, para US$ 17,20. No acumulado de janeiro a agosto, foram 7,38 milhões de pares, que geraram US$ 120,5 milhões — queda de 4,1% em volume e de expressivos 22,8% em receita.

Ferreira atribui parte do movimento à menor participação de categorias de maior valor unitário, especialmente os calçados de couro, além da mudança no perfil das vendas e de efeitos relacionados à base de comparação

.Argentina: queda ainda mais profunda

 Se os Estados Unidos representam uma ferida, a Argentina aparece como um dos maiores pontos de retração. Em agosto, o mercado argentino recebeu 1,25 milhão de pares brasileiros, mas pagou apenas US$ 11,5 milhões por eles. Na comparação anual, o volume despencou 23% e a receita, 37,6%.

 No acumulado do ano, a retração é ainda mais contundente: 4,52 milhões de pares, no valor de US$ 60,3 milhões, representam quedas de 51,6% em volume e 55,6% em receita.

Segundo a Abicalçados, a combinação de menor consumo argentino e maior presença de calçados provenientes da Ásia, favorecida pela redução tarifária para produtos de fora do Mercosul, tem ampliado a pressão sobre o produto brasileiro.

O problema, portanto, não é simplesmente perder um comprador.

É perder espaço para concorrentes que chegam ao mesmo mercado com uma estrutura de custos e condições comerciais diferentes.

O paradoxo que preocupa a indústria

É aqui que os números brasileiros ganham uma dimensão maior.

De um lado, as exportações recuam:

  • 62,45 milhões de pares exportados de janeiro a agosto;
  • US$ 541,45 milhões em receita;
  • queda de 7,5%no volume;
  • queda de 16,8%no valor.

Do outro, as importações crescem:

  • 33 milhões de pares entrando no Brasil;
  • US$ 429,7 milhões em compras;
  • alta de 9,6%no volume;
  • alta de 11%no valor.

O contraste não significa, isoladamente, que uma coisa seja causa direta da outra. Mas revela uma mudança competitiva que merece atenção: o produto estrangeiro ganha espaço justamente quando a indústria brasileira enfrenta dificuldades para vender lá fora. E o avanço tem um endereço predominante.

O avanço asiático

 China, Vietnã e Indonésia respondem juntos por aproximadamente 77% dos pares de calçados importados pelo Brasil no período — cerca de oito em cada dez pares.

A China lidera em volume, com 10,28 milhões de pares, alta de 21,7%. O valor dessas importações chegou a US$ 33,7 milhões, crescimento de 8,1%.

O Vietnã aparece logo atrás, com 9,77 milhões de pares e US$ 214,37 milhões. O volume aumentou 2,1%, enquanto a receita avançou 14,8%.

A Indonésia completou o trio asiático, com 5,42 milhões de pares e US$ 97,12 milhões.

Somados, os três países enviaram ao Brasil 25,47 milhões de pares nos oito primeiros meses do ano. Não se trata, portanto, de um movimento marginal. A Ásia já ocupa uma fatia dominante das importações brasileiras de calçados.

E existe ainda outra pressão: os componentes

 A pressão não termina no calçado pronto. As importações de partes de calçados — como cabedais, solas, saltos e palmilhas — alcançaram US$ 34,47 milhões entre janeiro e agosto, alta de 16,7% sobre o mesmo período anterior.

China, Paraguai e Vietnã foram as principais origens.

O dado é relevante porque mostra que a disputa não acontece apenas na prateleira. Ela também alcança a cadeia produtiva.

Estados Unidos: vende-se mais, mas por menos

O comportamento das exportações para os Estados Unidos merece um capítulo à parte.

Em agosto, o volume enviado ao país cresceu 40,5%, mas a receita caiu 9,2%.

Isso significa que o crescimento físico dos embarques veio acompanhado de uma forte redução do valor médio. É um fenômeno que ajuda a explicar por que a crise das exportações não pode ser medida apenas pelo número de pares.

Para a indústria, vender mais e receber menos pode ser tão preocupante quanto vender menos

Quando produtos de maior valor agregado perdem participação, a receita recua mais rapidamente do que o volume. E é justamente na agregação de valor que a indústria brasileira precisa encontrar parte de sua vantagem competitiva.

Rio Grande do Sul ainda lidera — mas sente a pressão

 Entre os estados exportadores, o Rio Grande do Sul permanece na liderança.

Em agosto, as fábricas gaúchas embarcaram 2,46 milhões de pares, no valor de US$ 34,95 milhões. Na comparação com agosto do ano anterior, as quedas foram de 14,7% em volume e 16,6% em receita.

No acumulado do ano, entretanto, há uma particularidade: os embarques gaúchos cresceram 3,2%, para 22 milhões de pares, enquanto a receita caiu 14,4%, para US$ 269,54 milhões.

Mais uma vez aparece o mesmo fenômeno: volume e valor caminham em direções opostas.

O Ceará ocupa a segunda posição, com 17,52 milhões de pares exportados e US$ 97,3 milhões em receita. O estado acumulou quedas de 17,8% em volume e 23,8% em valor.

São Paulo aparece em terceiro, com 3,9 milhões de pares e US$ 55,5 milhões, recuos de 17,6% e 18,6%, respectivamente.

Uma indústria diante de uma encruzilhada

 O setor calçadista brasileiro está diante de uma equação difícil.

Precisa recuperar mercados importantes, como Estados Unidos e Argentina. Precisa encontrar novos destinos capazes de compensar essas perdas. Precisa preservar competitividade diante da concorrência internacional. E, ao mesmo tempo, precisa enfrentar o crescimento das importações no próprio mercado doméstico.

A discussão sobre a concorrência asiática ganha ainda mais peso quando aparecem suspeitas ou acusações de práticas comerciais consideradas desleais, como o dumping.

Mas há uma distinção fundamental: crescimento das importações e preços competitivos não constituem, sozinhos, prova de dumping. Para que a acusação seja apresentada como fato, é necessário respaldo em investigação e evidências específicas das autoridades competentes.

O que os números já deixam claro é outra coisa.

A pressão existe. E está crescendo.

O Brasil exporta menos calçados em valor. Estados Unidos e Argentina reduziram drasticamente suas compras. Enquanto isso, o mercado brasileiro recebeu mais pares estrangeiros, sobretudo asiáticos.

Se essa combinação persistir, o risco não é apenas estatístico.

É de perda de mercado, redução de margem, enfraquecimento da capacidade produtiva e, no limite, de deterioração da própria base industrial brasileira.

O sapato que chega de fora pode parecer apenas mais uma opção na vitrine.

Para a indústria nacional, entretanto, cada par representa uma disputa por preço, mercado, escala e sobrevivência.

E os números de 2026 mostram que essa disputa já está em curso.

(*) Com informações da Abicalçados.

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Em Portugal, Embratur participa dos 60 anos da TAP no Brasil e destaca expansão da conectividade internacional

Celebração marca seis décadas da ligação aérea entre os países; novas rotas para Curitiba e São Luís ampliam conexão com capitais brasileiras

Da Redação (*)

Brasília – Há 60 anos, um Boeing 707 chamado “Santa Cruz” decolava para inaugurar uma ligação que ajudaria a aproximar Brasil e Portugal pelo ar. Se, em 1966, a conexão começava entre Lisboa e Rio de Janeiro, seis décadas depois a malha da TAP alcança diferentes regiões brasileiras, ampliando as possibilidades de acesso do viajante europeu aos destinos nacionais.

A expansão da conectividade foi um dos destaques da celebração dos 60 anos de operação da TAP entre Portugal e Brasil, realizada, em Lisboa. O presidente da Embratur, Bruno Reis, em conjunto com as executivas do Visit Brasil Office, Lilás Nascimento e Larissa Ushizima participaram da cerimônia, que reuniu autoridades brasileiras e portuguesas, representantes do setor turístico e empresas parceiras.

Para o presidente da Agência, a diversificação das rotas permite apresentar ao viajante internacional um Brasil além dos destinos já conhecidos lá fora. “Quando ampliamos as portas de entrada para o Brasil, ampliamos também as possibilidades de o mundo conhecer a diversidade do nosso país. Chegar diretamente a mais cidades significa aproximar o turista internacional de diferentes culturas, paisagens, gastronomias e experiências brasileiras. A trajetória de 60 anos da TAP no Brasil mostra a força dessa conexão com a Europa e, agora, a chegada esse ano a Curitiba e São Luís contribui para levar esse fluxo a novos destinos e fazer com que os benefícios do turismo alcancem mais regiões do Brasil e também possam atrair mais investimentos para o nosso país”, afirma Bruno Reis.

Novas rotas

Este ano, a TAP incorpora à sua operação duas novas ligações diretas a partir de Lisboa: Curitiba, no Paraná, e São Luís, no Maranhão. Com a expansão, a companhia chega a 15 cidades brasileiras. A chegada à capital do Maranhão também abre um novo acesso europeu a alguns dos principais atrativos do estado. A cidade tem seu Centro Histórico reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela UNESCO e é porta de entrada para os Lençóis Maranhenses, por sua vez, Patrimônio Natural Mundial.

Para o CEO da TAP Air Portugal, Luís Rodrigues, os 60 anos da TAP no Brasil são também 60 anos de uma relação muito especial entre os dois países. “Celebrar esta data em Portugal tem um significado muito especial. O Brasil é parte fundamental da história e do presente da TAP, e queremos que continue a ser parte cada vez mais importante do nosso futuro. Temos uma ligação profunda com o país e acreditamos que ainda temos muito para construir juntos”.

Principal mercado

Entre janeiro e julho de 2026, o país recebeu 5.874.981 turistas estrangeiros. Desse total, 177.956 vieram de Portugal, crescimento de 24,9% na comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho apresentado neste ano coloca Portugal como o maior mercado emissor europeu para o Brasil e reforça a importância da conectividade entre os dois países.

A TAP é atualmente a companhia aérea internacional com maior presença no Brasil. A empresa oferece 99 voos semanais partindo de Lisboa e do Porto e estima transportar 2,1 milhões de passageiros ao longo do ano. Por meio de sua malha europeia, as conexões permitem chegar a mais de 50 cidades do continente.

(*) Com informações da Embratur

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Big techs na América Latina: a corrida bilionária por data centers

Investimento recorde, disputa de mercado e o dilema da transferência de tecnologia

Frederico Lamego (*)

O maior ciclo de investimento em infraestrutura tecnológica da história recente está em curso. Amazon, Microsoft, Alphabet (Google) e Meta devem investir, juntas, entre US$ 650 bilhões e US$ 725 bilhões em 2026 em infraestrutura de IA no mundo todo — alta de quase 70% sobre 2025. Segundo a PwC/Oxford Economics, o mundo deve investir US$ 31,6 trilhões em data centers até 2050. E a América Latina, pela primeira vez, deixou de ser espectadora. Diversos investimentos vêm sendo anunciados em vários países. Há duas disputas simultâneas: entre países, que competem por energia limpa, incentivos fiscais e previsibilidade regulatória; e entre plataformas que buscam o domínio do mercado de nuvem regional. O desafio está em não perder essa onda de investimentos que dependerá diretamente do arcabouço legal que vem sendo desenhado no Brasil, México, Chile e Colômbia.

Há diversos investimentos em curso. A OpenAI escolheu a Argentina para sediar o primeiro data center do projeto Stargate na América Latina (US$ 25 bilhões na Patagônia). A TikTok anunciou seu maior investimento na região com mais de US$ 39 bilhões (R$ 200+ bi) no Ceará, Brasil. O Mercado Livre, pela via da logística de e-commerce, confirmou aporte recorde de US$ 11,2 bilhões (R$ 57 bi) no Brasil em 2026. A Amazon anunciou US$ 14,6 bilhões em investimentos para infraestrutura de nuvem na região: US$ 5,6 bi no Brasil, US$ 5 bi no México e US$ 4 bi no Chile, além de investimentos em operações logísticas. Já Microsoft investe US$ 2,9 bilhões (R$ 14,7 bi) em nuvem e IA no Brasil até 2027. Já a Google opera regiões em São Paulo, Santiago e Querétaro, tendo anunicado a aplicação de recursos da ordem de US$ 850 milhões no Uruguai. O Brasil lidera os investimentos na região, com 48% da capacidade instalada de data centers e 71% de toda a capacidade em construção, à frente de México, Chile e Argentina somados.

Em paralelo a esses investimentos, há discussões regulatóras e sobre transferência de tecnologias. Na Argentina, um único projeto de data center da OpenAI veio acompanhado de novos acordos de transferência de dados com os EUA. Na Colômbia, a tramitação da lei de proteção a menores nas redes envolveu diálogo intenso entre o setor e o Congresso. No Chile e no Uruguai, projetos de data center de Google e AWS passaram por renegociação de escala e de uso de recursos hídricos junto a comunidades locais — um processo aponta caminhos de convivência entre investimentos e sustentabilidade. E, no Brasil, há diversos projetos de lei e resoluções em curso: o PL 2338/2023 que trata de marca legal da inteligência artifical, além do PL 4675/2025 que propõe regulações pelo CADE para plataformas digitais. Este último foi inclusive objeto do tarifaço americano contra produtos brasileiros que citou explicitamente a regulação de plataformas. Há ainda o PL 278/2026 que trata do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter – Redata que está em fase de sanção pela Presidência. A Resolução Gecex nº 852/2026 elevou as alíquotas do Imposto de Importação sobre servidores, semicondutores e circuitos integrados (7,2% a 25%), acirrando o embate entre big techs — que preferem importar servidores já montados, com GPUs da Nvidia e AMD embutidas em arquiteturas proprietárias — e fabricantes nacionais.

No tema da tranferência de tecnologia, há discussões sobre a necessidade dos países desenvolverem seus modelos de IA. Os atuais investimentos focam em construção civil, energia, água e operação, enquanto o desenvolvimento de modelos de IA e o desenho de chips permanecem nos países de origem. Contudo, o desenvolvimento dessa agenda só será possível com investimentos em infraestrutura e capacitação.  Há problemas relacionados com a infraestrutura de cabos submarinos e o gargalo de conexão à rede elétrica — apontado pela PwC como o principal limitador global do setor. No tema da logística física de e-commerce, há falta de energia e mão de obra que afetam as operações da Amazon e do Mercado Livre.

A manutenção do fluxo atual de investimentos — e a perspectiva de novos aportes — dependerá, assim, diretamente do arcabouço legal que Brasil, México, Chile e Colômbia estão desenhando. O caso brasileiro merece atenção especial: o país reúne potencial para se tornar ator relevante na transição energética justamente como complemento à instalação de data centers. Nesse sentido, a regulamentação da reforma tributária tende a ter impacto positivo, ao trazer previsibilidade de médio prazo para investimentos de capital intensivo e longa maturação. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação de que o excesso de regulação e a competição predatória entre estados e países acabem por prejudicar, em vez de consolidar, essa onda. Ou seja, a soberania digital dependerá da qualidade da regulação doméstica e não do estabelecimento de condicionalidades ao capital estrangeiro. O desafio dos próximos anos será duplo: atrair e reter capital sem transformar a disputa numa corrida ao fundo do poço regulatório.

(*) Frederico Lamego é Assessor Especial da Confederação Nacional da Indústria – CNI e Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

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Prêmio ApexBrasil + EXAME abre inscrições para reconhecer os melhores negócios internacionais de 2026

Em sua terceira edição, iniciativa premiará empresas e instituições que se destacam em exportações, internacionalização e atração de investimentos. Inscrições são gratuitas e seguem até 17 de setembro

Da Redação (*)

Brasília – Estão abertas as inscrições para o Prêmio ApexBrasil + EXAME: Melhores dos Negócios Internacionais 2026. Realizada pelo terceiro ano consecutivo, a premiação reconhece empresas e instituições que contribuem para ampliar a presença brasileira no mercado internacional por meio de iniciativas inovadoras, sustentáveis e capazes de gerar impacto econômico e social.

Inscreva-se

Podem concorrer empresas brasileiras ou com operação no país, cooperativas, startups, comerciais exportadoras, entidades setoriais, fundos de participação e sociedades de investimentos. Serão avaliadas iniciativas desenvolvidas entre janeiro de 2025 e junho de 2026 nas áreas de exportação e atração de investimentos.

Nas duas edições anteriores, o prêmio recebeu mais de 900 inscrições e reconheceu mais de 37 instituições. Em 2026, a iniciativa conta com 13 categorias, que contemplam empresas de diferentes portes e setores, além de aspectos estratégicos para a atuação internacional brasileira, como sociobiodiversidade, desenvolvimento regional, diversidade, cooperativismo e inovação.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 17 de setembro. A cerimônia de premiação está prevista para 1º de dezembro, em São Paulo.

Categorias da edição de 2026

  • Promoção da Sociobiodiversidade;
  • Desenvolvimento Regional;
  • Liderança e Diversidade;
  • Cooperativismo;
  • Indústria — micro, pequenas ou médias empresas;
  • Indústria — grandes empresas;
  • Serviços;
  • Agro — micro, pequenas ou médias empresas;
  • Agro — grandes empresas;
  • Startup;
  • Investimento Estrangeiro;
  • Destaque Projeto Setorial Agro;
  • Destaque Projeto Setorial de Indústria e Serviços.

Cada categoria possui critérios próprios de avaliação, detalhados no regulamento. Entre os aspectos considerados estão o desempenho internacional e a adoção de práticas corporativas relacionadas ao tema da categoria. Os candidatos também deverão apresentar um relato de caso destacando os principais da organização, o que irá compor a maior parte da nota.

Os postulantes com as melhores pontuações de acordo com os critérios de cada categoria serão avaliados por uma comissão julgadora composta por representantes da ApexBrasil, da EXAME, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Sebrae.

Os vencedores receberão o troféu do Prêmio ApexBrasil + EXAME além de um prêmio inédito: as empresas vencedoras terão 1 ano de isenção de taxas de participação relacionadas a serviços prestados diretamente pela ApexBrasil em 2027.

Serviço

Prêmio ApexBrasil + EXAME: Melhores dos Negócios Internacionais 2026
Inscrições: gratuitas, até 17 de setembro de 2026
Cerimônia de premiação: 1º de dezembro de 2026
Local: São Paulo (SP)
Inscrições: acesse a página do prêmio
Regulamento: confira as regras e os critérios de participação

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Balança de poder: Direita mira o Senado em 2027

Márcio Coimbra (*)

A eleição presidencial costuma monopolizar os holofotes do debate público, mas o verdadeiro centro de gravidade da política brasileira para 2027 está sendo desenhado, em silêncio, na disputa pela renovação de duas terças partes do Senado Federal. Longe de ser apenas uma câmara revisora, o Senado se consolida como o grande fiel da balança institucional do país.

A projeção de uma bancada de oposição com cerca de 43 cadeiras — impulsionada por um PL fortalecido com 20 senadores — reflete não um acaso eleitoral, mas o resultado de um plano altamente calculado do movimento bolsonarista para reconfigurar a arquitetura de poder na República.

A obstinação da direita em dominar a Casa Alta responde a uma lógica de sobrevivência e pragmatismo. Ao constatar que o Judiciário se tornou uma trincheira autônoma de interesses próprios e que o Executivo oscila entre um conveniente progressismo e as intempéries da economia, o bolsonarismo converteu a disputa senatorial em prioridade absoluta

Lançando ex-ministros e nomes de expressivo apelo ideológico, o movimento transformou o pleito para o Senado em um vértice estratégico. A meta é clara: erguer uma trincheira capaz de emparedar o Supremo Tribunal Federal, além de ditar o rumo das sabatinas e escolhas para órgãos vitais do Estado, de Embaixadas até agências reguladoras.

Essa reorganização alterará drasticamente a dinâmica da governabilidade, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto. Se o eleitorado optar por um governo progressista, o Executivo enfrentará uma conjuntura de permanente sufoco. Com apenas cerca de três dezenas de aliados convictos, o Planalto ficará refém de negociações com os poucos parlamentares flutuantes e alas pragmáticas do MDB e do PSD para evitar a derrubada de vetos e neutralizar pautas-bomba.

Por outro lado, caso vença um presidente conservador, o Senado deixará de atuar como freio moderador para se transformar em catalisador, acelerando reformas liberais, blindando o governo na indicação de ministros para as Cortes Superiores e outras posições estratégicas.

Ainda assim, a aritmética parlamentar revela uma limitação crucial. Embora 43 senadores garantam a maioria simples para controlar comissões e o plenário, o número fica aquém da margem superqualificada de 54 votos exigida para aprovar emendas constitucionais ou conduzir processos de impeachment contra ministros do STF e o chefe do Executivo. A oposição terá musculatura política para produzir fricção constante e desgastar seus adversários, mas não a força bruta necessária para promover mudanças sem o endosso do centro pragmático.

Essa equação coloca em xeque o pragmatismo do Centrão e encurrala o futuro de Davi Alcolumbre. Para reter qualquer margem de controle na presidência do Senado, o amapaense será forçado a fatiar o próprio poder, entregando comissões e cargos estratégicos ao bloco conservador. Mais do que impor concessões, contudo, essa nova maioria ganha musculatura suficiente para peitar a política tradicional, lançar um candidato próprio e destronar o caciquismo da Casa. O sinal dos tempos é límpido: pelas engrenagens desse renovado plenário, já não passará apenas a disputa da Mesa Diretora, mas a própria chave da estabilidade política da República.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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