Estudar fora começa antes do embarque — e o câmbio também faz parte desse projeto

Márcio William (*)

Estudar no exterior costuma ser associado à escolha do curso, da universidade e do destino. Mas existe uma decisão menos visível e igualmente importante: como financiar esse projeto ao longo do tempo. Para quem vive no Brasil e assume despesas em outra moeda, o câmbio não é apenas uma variável de mercado. Ele passa a fazer parte da própria estratégia de viabilização da experiência internacional.

Essa questão ganha relevância à medida que a educação internacional avança entre os brasileiros. Segundo a Pesquisa Selo Belta 2026, o número de brasileiros que estudam e trabalham no exterior cresceu 9,4% em 2025. O dado mostra a continuidade da demanda por experiências internacionais, mas também evidencia um desafio para famílias e estudantes: transformar um projeto com custos em moeda estrangeira em um compromisso financeiro que possa ser administrado com previsibilidade.

É nesse ponto que acredito que precisamos mudar a forma de olhar para o câmbio. A pergunta mais comum ainda é “qual será a melhor cotação para comprar dólar?”. Para quem está planejando estudar fora, essa talvez seja a pergunta errada. O objetivo não deveria ser acertar o menor preço de uma moeda, algo que ninguém consegue prever de forma consistente, mas construir uma estratégia que reduza a dependência de uma única cotação.

Isso significa considerar o câmbio desde o momento em que o projeto começa a ser desenhado. Mensalidades, acomodação, alimentação, transporte, seguro e outros custos serão pagos em moedas estrangeiras, mas parte relevante dessas despesas pode ser conhecida com antecedência. Quanto maior a previsibilidade sobre os compromissos futuros, maior também a possibilidade de distribuir os recursos ao longo do tempo, em vez de concentrar toda a exposição cambial às vésperas da viagem.

Essa lógica é especialmente importante porque o câmbio responde a uma combinação de fatores. Decisões e expectativas sobre os juros nos Estados Unidos influenciam os fluxos internacionais de capital, mas não determinam sozinhas o comportamento do dólar no Brasil. Política monetária brasileira, situação fiscal, cenário externo, percepção de risco e acontecimentos políticos também entram nessa equação. Em períodos de maior incerteza, esses fatores podem se combinar e produzir movimentos difíceis de antecipar.

Para uma família que está planejando um curso de seis meses ou uma graduação de vários anos, tentar prever todos esses movimentos seria uma estratégia pouco realista. Mais racional é reconhecer a incerteza e incorporá-la ao planejamento.

Isso vale inclusive para despesas que aparecem antes do embarque. Inscrições, traduções de documentos, vistos, matrículas, depósitos de acomodação e seguros podem representar compromissos financeiros relevantes antes mesmo de o estudante deixar o Brasil. Quando esses gastos são identificados antecipadamente, o orçamento deixa de reagir às oscilações do câmbio e passa a ser construído levando-as em consideração.

O mesmo princípio se aplica a quem permanecerá meses ou anos no exterior e dependerá de recursos enviados regularmente pela família. Nesse caso, a questão deixa de ser apenas quanto dinheiro será necessário e passa a envolver também quando e como esses recursos serão disponibilizados. A previsibilidade do fluxo financeiro pode ser tão importante quanto o valor total reservado para a experiência.

Essa mudança de perspectiva também ajuda a separar duas coisas que muitas vezes são confundidas: proteger-se da volatilidade e tentar prever o mercado. A primeira está ao alcance do planejamento; a segunda, não. Distribuir compromissos e recursos ao longo do tempo não elimina o risco cambial, mas pode evitar que todo o orçamento fique condicionado a uma decisão tomada em um único momento.

Na minha visão, esse é um dos aspectos que precisam amadurecer à medida que mais brasileiros passam a enxergar a educação internacional como investimento acadêmico e profissional. O planejamento de um projeto no exterior não termina quando se escolhe a instituição ou quando o visto é aprovado. Ele inclui também a construção de uma estratégia financeira compatível com a realidade de quem recebe em reais e gasta em outra moeda.

No fim, estudar fora exige lidar com muitas variáveis que não estão sob nosso controle. A cotação do dólar é uma delas. Tentar eliminá-la do planejamento é impossível; transformar sua imprevisibilidade em uma variável administrável, porém, é uma escolha. E talvez essa seja a diferença entre simplesmente pagar pelo sonho de estudar no exterior e estruturar, desde o início, as condições para que ele seja financeiramente sustentável.

(*) Márcio William é CEO da Remessa Online

 

 

 

 

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Superar o protecionismo para voltar a crescer

Prof. Carlos Pio (*)

Uma nova estratégia de inserção internacional deve colocar a produtividade, a abertura comercial e a integração às cadeias globais de valor no centro da agenda de desenvolvimento brasileiro.

O Brasil precisa repensar profundamente sua estratégia de inserção na economia internacional. Há décadas, nossa política econômica e nossa diplomacia comercial estão subordinadas a um modelo de desenvolvimento baseado na proteção do mercado doméstico, na concessão de subsídios e na criação de regimes tributários especiais para setores específicos, escolhidos por critérios obscuros. Os resultados estão à vista: baixa produtividade, reduzida integração às cadeias globais de valor e crescimento econômico insuficiente para promover uma inclusão social robusta e sustentável.

Historicamente, o país optou por um modelo de industrialização voltado “para dentro”, baseado na substituição de importações. A lógica era proteger a produção nacional da concorrência estrangeira, criando condições para o desenvolvimento de algumas empresas e setores industriais. O que deveria funcionar como instrumento temporário de transformação produtiva, entretanto, converteu-se em característica permanente da organização econômica brasileira.

Nesse modelo, o governo desempenha um papel excessivamente intervencionista, distribuindo proteção comercial, subsídios e uma miríade de regimes especiais de isenção tributária. A alocação desses benefícios responde, frequentemente, mais à capacidade de pressão de grupos de interesse e lideranças políticas do que a critérios de eficiência econômica. Os governos tornam-se, assim, reféns de uma combinação perversa entre uma ideologia econômica terceiro-mundista — o nacional-desenvolvimentismo — e os interesses particulares de empresas e setores politicamente influentes.

Há décadas está claro que esse modelo se esgotou!

O estímulo a setores ou empresas selecionados por políticos e burocratas sempre ocorre em detrimento do conjunto da economia — isto é, de outros setores e empresas, dos consumidores e dos contribuintes. Muito mais efetivo seria criar condições para que capital, trabalho, infraestrutura e recursos públicos fossem alocados de maneira cada vez mais eficiente, elevando a capacidade produtiva da economia como um todo.

O crescimento econômico de longo prazo, acompanhado de inclusão social, depende fundamentalmente de dois pilares: o aumento da produtividade do trabalho em todos os setores e regiões do país e as inovações geradas por trabalhadores capacitados, que operam tecnologias modernas em empresas submetidas a forte concorrência internacional.

É justamente nesse ponto que a experiência internacional oferece lições importantes. Salvo situações específicas relacionadas à segurança nacional — e pressões protecionistas de grupos de interesse poderosíssimos, presentes em toda parte —, os governos das economias mais dinâmicas procuram aperfeiçoar continuamente os incentivos à eficiência na alocação dos recursos disponíveis. A abertura econômica é pedra angular desse modelo. Equilíbrio fiscal, inflação baixa, juros módicos, elevada concorrência e integração aos mercados internacionais são tanto prérequisitos quanto consequências desse modo de governar.

O Brasil, infelizmente, caminha frequentemente na direção oposta. O protecionismo distorce a alocação do capital, do trabalho e da infraestrutura, enquanto reduz os incentivos à modernização tecnológica e à integração das empresas aos processos mais dinâmicos da economia mundial. O desequilíbrio das contas públicas, por sua vez, pressiona a inflação, os juros e a carga tributária.

Essas distorções se reforçam mutuamente, alimentando uma verdadeira espiral de atraso econômico. A baixa produtividade limita o crescimento, restringe a geração de oportunidades e compromete a inclusão social pelo emprego. No fim das contas, os custos desse modelo recaem sobre toda a sociedade, especialmente sobre aqueles que dispõem de menos recursos.

Importar é fundamental para o desenvolvimento

É fundamental transformar a maneira como o Brasil compreende o comércio internacional. Tradicionalmente, o debate público e as entidades representativas do setor produtivo atribuem enorme importância às exportações, enquanto frequentemente tratam as importações como ameaça à produção e ao emprego domésticos.

Essa visão é profundamente equivocada.

As exportações são apenas uma das duas mãos do comércio internacional. Importar é tão importante quanto exportar para o desenvolvimento econômico. As importações permitem incorporar novas tecnologias, reduzir custos de produção, ampliar a oferta de bens e serviços e integrar empresas estabelecidas no país às cadeias transnacionais de valor.

A ampliação da oferta também contribui para reduzir preços e aliviar estruturalmente as pressões inflacionárias. Ao mesmo tempo, a entrada de novos produtos, serviços e empresas estimula a concorrência e cria incentivos permanentes à inovação e à modernização produtiva. Como me dizia um dileto amigo, “importar é o que exporta”.

Há ainda uma dimensão frequentemente negligenciada: a importação pode ser o primeiro passo para a realização de investimentos produtivos no Brasil. Empresas estrangeiras que ainda não operam industrialmente no país podem importar seus produtos para testar a aceitação de suas marcas antes de decidir estabelecer unidades de produção no mercado brasileiro.

Abertura comercial e fortalecimento da estrutura produtiva doméstica, portanto, não são objetivos contraditórios. Pelo contrário. São processos potencialmente complementares, capazes de elevar a competitividade das empresas, estimular investimentos e ampliar a participação brasileira na economia global.

Uma diplomacia econômica voltada para o futuro

A persistência do modelo protecionista também condicionou profundamente a atuação internacional do Brasil. Há mais de cinco décadas, nossa diplomacia econômica procura preservar amplos espaços de autonomia regulatória (policy space) no plano internacional, permitindo que sucessivos governos brasileiros mantenham elevados níveis de proteção comercial e instrumentos discricionários de intervenção econômica.

Paradoxalmente, essa estratégia frequentemente dificulta a importação das próprias tecnologias necessárias à modernização da estrutura produtiva nacional.

Não surpreende, portanto, que o Brasil, por meio do Mercosul, tenha negociado relativamente poucos acordos comerciais, muitos deles com parceiros de limitada relevância econômica. A negociação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que se estendeu por mais de duas décadas até sua conclusão política em 2019, ilustra bem a dificuldade de conciliar uma integração internacional mais profunda com a tradição protecionista brasileira. Cabe enfatizar que o acordo só foi concluído quando os negociadores adotaram uma estratégia radicalmente diferente daquela que caracteriza o tom habitual de nossa diplomacia comercial.

É preciso inverter essa lógica. Em vez de utilizar a diplomacia econômica para preservar os instrumentos de um modelo esgotado, o Brasil deveria colocá-la a serviço da transformação produtiva, da abertura de mercados e da integração competitiva à economia mundial.

Isso exige mudanças não apenas na orientação do governo, mas também na atuação do próprio setor produtivo.

O papel das empresas na transformação econômica

As empresas e suas entidades representativas têm papel fundamental na construção de uma nova agenda de inserção internacional.  As exportadoras já participam ativamente das discussões comerciais. Mas é preciso ampliar a representação daquelas que, embora tenham elevado potencial exportador, ainda não conseguiram conquistar mercados externos.

Mais importante, porém, é promover uma mudança estrutural na percepção do empresariado sobre os benefícios das importações, da concorrência e da integração internacional.

As empresas e os setores mais dinâmicos, especialmente aqueles já integrados à economia global, devem pressionar o governo, o Congresso Nacional e as organizações empresariais que continuam comprometidas com a preservação do protecionismo.

O objetivo é construir uma agenda econômica orientada por ganhos de produtividade, modernização tecnológica e participação crescente nas cadeias globais de valor.

O desafio brasileiro não consiste simplesmente em exportar mais ou proteger melhor sua indústria. É abandonar um modelo de desenvolvimento incapaz de produzir crescimento robusto com inclusão social e substituí-lo por outro, baseado na eficiência econômica, na concorrência e na integração internacional.

O Brasil dispõe de uma estrutura produtiva diversificada e de enorme potencial econômico. Mas esse potencial só será plenamente aproveitado quando reconhecermos que a proteção permanente não substitui a produtividade e que o isolamento econômico não constitui uma estratégia sustentável de desenvolvimento.

Superar o protecionismo não significa abandonar a indústria brasileira. Significa criar condições para que ela se modernize, se torne mais competitiva e participe efetivamente das oportunidades oferecidas pela economia global.

Essa transformação não é apenas desejável. É indispensável para que o Brasil rompa sua trajetória de baixo crescimento e construa uma economia mais dinâmica, produtiva e socialmente inclusiva.

(*)  Carlos Pio é professor de Economia Política Internacional da UnB; foi professor adjunto da IE University (Madri) e da Australian National University (Camberra) e pesquisador visitante na University of Oxford e na University of California, Berkeley. Pio foi secretário de Planejamento Estratégico da SAE, na Presidência da República (2017 – 2018) e secretário-executivo da Camex, Ministério da Economia (2019–2021).

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Exportações de calçados contraem, importações disparam e superávit do setor recua 56% até setembro

Compras de produtos estrangeiros avançam, lideradas por fornecedores asiáticos, enquanto exportações brasileiras perdem força e saldo comercial do setor encolhe mais de 56% em dólares

Da Redação (*)

Brasília – O avanço dos calçados importados no mercado brasileiro amplia a pressão sobre a indústria nacional em um momento de retração das exportações e dificuldades para o consumo interno. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil importou 36,6 milhões de pares, alta de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. No sentido contrário, os embarques brasileiros ao exterior recuaram 6,7% em volume e 15,6% em receita. O resultado é uma deterioração de mais de 56% no saldo comercial do setor, em dólares.

O movimento preocupa a indústria calçadista porque combina a perda de espaço no mercado internacional com o avanço da concorrência estrangeira dentro do próprio país. A expansão das compras de calçados asiáticos, especialmente do Vietnã e da China, reforça o alerta sobre a capacidade de as fábricas brasileiras manterem sua produção, competitividade e postos de trabalho.

Segundo analistas, a preocupação é ainda maior diante da alegação de que fabricantes de países asiáticos podem se beneficiar de incentivos e subsídios governamentais, criando condições de concorrência desfavoráveis para produtores brasileiros. A existência e a dimensão desses subsídios, porém, precisam ser demonstradas por dados e investigações específicas. O avanço das importações, por si só, não comprova que todos os produtos estrangeiros sejam subsidiados.

Os números compilados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que a pressão externa cresce justamente quando as vendas brasileiras ao exterior perdem força.

Importações asiáticas ganham espaço

O Vietnã lidera as origens das importações brasileiras de calçados em valor. De janeiro a setembro, o país enviou 11 milhões de pares ao Brasil, movimentando US$ 250,66 milhões. Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, houve crescimento de 17,8% em volume e de 31,1% em receita.

A China também ampliou sua presença no mercado brasileiro. As importações provenientes do país somaram 10,74 milhões de pares nos nove primeiros meses do ano, alta de 22,5%. Em valor, atingiram US$ 37,5 milhões, incremento de 9,5%.

A Indonésia aparece na sequência, com 6 milhões de pares importados e US$ 109,65 milhões em compras. Nesse caso, o volume recuou 14%, enquanto o valor avançou 1,4%.

Para especialistas, os números revelam a importância dos fornecedores asiáticos no abastecimento do mercado nacional. Para a indústria brasileira, o desafio é competir com produtos estrangeiros em um cenário de custos, políticas industriais e condições comerciais que podem variar significativamente entre os países.

Exportações perdem força e receita cai

Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras enfrentam dificuldades. Entre janeiro e setembro, o país embarcou 71,6 milhões de pares, que renderam US$ 621,14 milhões. O resultado representa queda de 6,7% em volume e de 15,6% em receita na comparação anual.

Somente em setembro, foram exportados 9,15 milhões de pares, gerando US$ 79,7 milhões. O volume ficou praticamente estável, com recuo de 0,5%, mas a receita caiu 6,6% ante setembro de 2025.

A diferença entre a variação do volume e a da receita indica uma redução do valor médio obtido por par exportado. Esse cenário pressiona as receitas das empresas e dificulta a compensação dos custos de produção, especialmente em um ambiente de concorrência internacional mais intensa.

Empregos e produção entram na zona de preocupação

A combinação de exportações mais fracas e importações crescentes representa um desafio para as fábricas brasileiras. Com menos receita proveniente das vendas externas e maior concorrência no mercado doméstico, as empresas podem enfrentar dificuldades para preservar margens, manter níveis de produção e sustentar investimentos.

O risco para o emprego está ligado à eventual perda de mercado e à necessidade de ajuste da atividade industrial. Caso a pressão persista e leve à redução da produção, os efeitos podem alcançar trabalhadores das fábricas e atividades associadas à cadeia produtiva, como fornecedores de componentes, logística e distribuição.

Os dados comerciais apresentados, contudo, não quantificam eventuais perdas de postos de trabalho. Para dimensionar os impactos sobre o emprego, é necessário cruzar os números de comércio exterior com estatísticas de produção, admissões, desligamentos e fechamento de unidades industriais.

Pequenas remessas ampliam a preocupação

Além das importações convencionais, a Abicalçados chama a atenção para a entrada de calçados por meio de pequenas remessas de plataformas internacionais. Segundo a entidade, esse canal amplia a pressão competitiva sobre os fabricantes brasileiros, especialmente em razão do tratamento tributário aplicável às compras internacionais de baixo valor.

A discussão envolve as regras de tributação das remessas, as condições de concorrência entre vendedores nacionais e estrangeiros e os efeitos dessas diferenças sobre o varejo e a indústria. A avaliação do impacto exige considerar a legislação vigente, os tributos efetivamente recolhidos e os custos suportados por cada modalidade de venda.

Diversificação de mercados não evita perdas

A indústria brasileira tem buscado ampliar sua presença no exterior para reduzir a dependência de mercados tradicionais. Entre janeiro e setembro, as exportações para países da América Latina, excluída a Argentina, cresceram 11,2% em dólares e 10,4% em pares.

Apesar desse avanço, os resultados não foram suficientes para compensar o desempenho negativo das vendas externas como um todo.

“Existe um esforço para diversificação de mercados. Hoje, o nosso calçado está presente em mais de 160 países, mas não tem sido o suficiente para reverter os números negativos nos embarques”, afirma Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados.

Segundo o dirigente, o cenário internacional instável e as barreiras comerciais têm prejudicado as exportações para mercados estratégicos. Ao mesmo tempo, a reorganização dos fluxos globais de comércio estaria contribuindo para redirecionar produtos estrangeiros ao Brasil, intensificando a concorrência com os fabricantes nacionais.

Estados Unidos e Argentina registram quedas

Os Estados Unidos continuam como principal destino dos calçados brasileiros. Nos nove primeiros meses de 2026, receberam 7,9 milhões de pares, equivalentes a US$ 130,84 milhões. O resultado representa queda de 4,3% em volume e de 23,8% em receita.

A Argentina, segundo principal mercado, apresentou retração ainda mais acentuada. Os embarques somaram 6,17 milhões de pares e US$ 74,33 milhões, recuos de 43,7% e 52%, respectivamente.

O Paraguai ocupa a terceira posição entre os destinos. O país recebeu 6 milhões de pares, que renderam US$ 35,9 milhões. Houve queda de 14,7% no volume, mas crescimento de 6,4% na receita.

Rio Grande do Sul lidera exportações estaduais

O Rio Grande do Sul permanece na liderança entre os estados exportadores. De janeiro a setembro, as fábricas gaúchas embarcaram 25,26 milhões de pares, com receita de US$ 309,2 milhões. O volume cresceu 2,1%, enquanto o valor recuou 14%.

O Ceará aparece em segundo lugar, com 19,6 milhões de pares e US$ 108,43 milhões, quedas de 19% em volume e de 23,8% em receita.

São Paulo ocupa a terceira posição, com 4,43 milhões de pares exportados e US$ 62,84 milhões em receita. As reduções foram de 15,5% em volume e 17,7% em valor.

Setor enfrenta desafio para recuperar competitividade

O quadro do comércio exterior evidencia uma dupla pressão sobre a indústria calçadista brasileira: dificuldades para ampliar as vendas no exterior e crescimento das importações no mercado doméstico. A queda superior a 56% no saldo comercial sintetiza a dimensão do desequilíbrio acumulado até setembro.

Para o setor, o desafio passa por recuperar mercados externos, fortalecer a competitividade das fábricas nacionais e avaliar se as condições de concorrência com os produtos importados são equilibradas. A discussão sobre eventuais subsídios estrangeiros e diferenças tributárias também exige dados verificáveis que permitam identificar práticas desleais e dimensionar seus efeitos.

Mais do que um resultado negativo na balança comercial, a trajetória acende um alerta para a sustentabilidade da produção nacional. O impacto definitivo sobre fábricas e empregos dependerá da evolução das importações, das exportações, da demanda interna e da capacidade de resposta das empresas e das políticas públicas.

(*) Com informações da Abicalçados

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Caminhos para o fortalecimento das relações Brasil e México no contexto do realinhamento de cadeias produtivas

Frederico Lamego  (*)

 

A reconfiguração das cadeias de valor virou tema frequente nas discussões sobre geopolítica e geoeconomia. Nesse contexto, cresce a disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina, o que reduz o espaço para posições equidistantes em comércio, tecnologia e investimento de países como Brasil e México. Ambos são fornecedores históricos do mercado americano e sentiram os impactos do tarifaço de 2025 e 2026. Os EUA elevaram a tarifa sobre produtos brasileiros a 25% sobre a maior parte dos bens (exceções: carne bovina, suco de laranja, aeronaves, energia e bens sob Seção 232), somada à de 12,5% por trabalho forçado. Além disso, aço e alumínio seguem sob tarifa distinta de 50% (Seção 232). Sobre o México, aplicaram sobretaxas por vias diferentes desde fevereiro de 2026 enquanto se aguarda a conclusão do acordo de comércio entre Estados Unidos, México e Canadá. Em nenhum dos dois casos, há clareza sobre acordo final já que as negociações seguem abertas. Este artigo compara as respostas dos dois países.

Duas políticas industriais, duas economias distintas

Os dois países reagiram com a introdução de política industrial própria. O Brasil lançou a Nova Indústria Brasil (NIB) em janeiro de 2024, antes do tarifaço. São R$ 300 bilhões em financiamento previstos até 2026. Seis missões integram o plano: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e defesa. O objetivo é revitalizar o parque industrial brasileiro até 20233 que sofre com processo crônico de perda de competitividade desde os anos 80. O México atualizou o seu Plan México em maio de 2026. O plano estima gerar 1,5 milhão de empregos em manufatura avançada até 2030. Essa iniciativa mobiliza 5,6 trilhões de pesos em investimento público-privado (o setor de energia concentra 54% desse total). Para o México, o objetivo é explícito: aproveitar o nearshoring para ocupar o possível espaço aberto com a redução de exportações da China para os EUA. Os dois planos partem de pontos muito diferentes.

O Atlas of Economic Complexity, da Universidade Harvard, ajuda a medir essa diferença. O índice avalia a quão sofisticada e diversificada é a pauta exportadora de um país — quanto mais complexos e menos commoditizados os produtos, maior a posição no ranking. Em 2023, último dado disponível, o México ocupava a 17ª posição entre 100 países, com índice de 1,41. O Brasil aparecia na 93ª posição, com índice de -0,52. A distância é grande. Ela reflete décadas de integração do México à manufatura norte-americana. O Brasil, em contraste, ainda exporta majoritariamente commodities e sofre a desindustrialização. A mesma diferença aparece na rede de acordos comerciais. O México tem 14 acordos de livre comércio em vigor, com 50 países — entre eles o T-MEC, o acordo com a União Europeia e o TIPAT, com dez economias da Ásia-Pacífico. O Brasil, via Mercosul, soma poucos acordos em vigor ou recém firmados — com a União Europeia, a EFTA, Israel, Egito e Singapura. E negocia com Canadá, Emirados Árabes, Japão, Reino Unido. É uma rede bem mais enxuta.

Três mercados, dois padrões opostos

Os números do comércio exterior validam outro contraste distinto. Em 2025, os Estados Unidos compraram 80,2% de tudo o que o México exportou. A União Europeia ficou com 5,7%. A China, com apenas 1,5%. Já o Brasil possui uma pauta bem mais distribuída. A China lidera, com 28,7% das exportações brasileiras. Os Estados Unidos vêm em segundo, com 10,8%. A União Europeia soma 13,4%. O México depende de um único mercado, enquanto o Brasil exporta, em volumes parecidos, para três grandes blocos ao mesmo tempo. Os dados abaixo ilustram essa diferença.

MDIC/AmCham Brasil e US Census Bureau / UN Comtrade (México) — 2025

Quando se analisa o volume de comércio total, o quadro não muda. No entanto, indica o quão distante está o Brasil em relação ao México em termos de comércio bilateral. O fluxo México-EUA totalizou US$ 871,6 bilhões em 2025, o que supera o volume de comércio do Brasil com os três mercados somados. Com a China, o México movimentou US$ 143,2 bilhões, puxado por importações. Com a União Europeia, US$ 97,3 bilhões. Já o Brasil contou com volume transacionado de comércio de US$ 170,9 bilhões com a China, US$ 93,2 bilhões com a União Europeia e US$ 82,8 bilhões com os Estados Unidos. O Brasil diversificou, mas possui volume de comércio menor e pautado em commodities. Já o México segue concentrado no mercado americano. Isso explica, em parte, a sua melhor posição no ranking do Atlas of Economic Complexity. Ou seja, inserção internacional contribui diretamente com a efetividade de agenda de política industrial. Porém, a dependência do mercado americano tornou-se preocupação para o México no atual contexto geopolítico de incertezas.

MDIC, US Census Bureau e UN Comtrade — 2025. Dados correntes sem ajuste cambial.

Brasil e México possuem acordo comercial, mas limitado. Há o ACE 53, que cobre cerca de 800 linhas tarifárias não automotivas, com 12,1% do universo tarifário brasileiro contemplado. E o ACE 55 que trata só do setor automotivo — veículos, chassis, autopeças — e cobre 251 linhas. Há ainda acordo de facilitação de investimentos, de 2015. Nenhum dos dois contempla um acordo de livre comércio amplo. Os países apenas concordaram em atualizar o ACE 53 e o ACE 55 em 2025. No que tange a corrente de comércio, o fluxo bilateral somou US$ 14,15 bilhões em 2025. O Brasil exportou US$ 7,73 bilhões ao México — carros, carne, máquinas, enquanto o México exportou US$ 6,42 bilhões ao Brasil — sobretudo veículos, autopeças e eletroeletrônicos. O México é hoje o 6º maior destino das exportações Brasileiras.

Esse volume de comércio é baixo quando comparado ao potencial exportado de cada país. Para tanto, urge resolver atritos recentes. Desde janeiro de 2026, o México elevou tarifas sobre 1.463 códigos tarifários, para proteger suas indústrias estratégicas. O Brasil é o quinto país mais afetado, entre os sem acordo de livre comércio com o México. As exportações brasileiras de produtos atingidos caíram 42,5% no primeiro semestre de 2026, segundo a Confederação Nacional da Indústria – CNI. O setor automotivo liderou a queda, com -51,8%.

Contudo, há sinais de aproximação, mesmo que não se caminhe para um acordo comercial amplo. Brasil e México assinaram nas áreas do agro, biocombustíveis e de investimentos. O tema de biocombustíveis prevê transferência de tecnologia do etanol de cana brasileiro para o setor mexicano. Há também uma frente pouco explorada que corre em sentido inverso: o etanol de agave. Há pesquisas aplicadas em curso no Brasil. Uma delas é liderada pela Embrapa para usar o agave-tequileiro — espécie típica do México —para produzir etanol, sequestrar carbono e gerar ração animal. É um projeto experimental de cinco anos. Há também a iniciativa da Unicamp, SENAI e Shell que almeja a conversão industrial do agave para produção de etanol. Esses exemplos indicam uma complementaridade real: o Brasil domina a escala da cana-de-açúcar, enquanto o México possui o conhecimento agronômico do agave. Trocar esse conhecimento, nos dois sentidos seria uma área concreta de cooperação em biocombustíveis. Outros exemplos poderiam ser explorados nas áreas de petróleo e gás, transição energética, entre outros. Mas necessita de motivação política e entrosamento empresarial.

O quadro global mudou. Há tarifaço americano dos dois lados. Há política industrial dos dois lados. E há configuração de cadeias globais de valor em curso. Diante desse cenário, fica a pergunta: há espaço para mais intercâmbio entre Brasil e México?

(*) Frederico Lamego é Assessor Especial da Presidência da CNI e Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

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A ponte necessária: como a união entre universidade e indústria transforma a era da IA

André Barros e Prof. Leopoldo Rocha Soares (*) (**)

Historicamente, a universidade e a indústria caminharam em ritmos distintos. Por séculos, as instituições de ensino superior se dedicaram à produção teórica e à formação conceitual, observando o dinamismo social a uma distância confortável. Do outro lado, o setor produtivo e de tecnologia focou nas urgências do presente, acelerando processos para responder às pressões do mercado. Contudo, na era da inteligência artificial (IA), essa lacuna histórica deixou de ser apenas um descompasso natural para se tornar um risco real ao desenvolvimento e à empregabilidade.

As transformações trazidas pela inteligência artificial não representam um cenário apocalíptico de substituição do trabalho humano, mas sim uma redistribuição de papéis. Estudo do Fórum Econômico Mundial aponta que, enquanto dezenas de milhões de tarefas repetitivas e burocráticas serão automatizadas, um número ainda maior de novas ocupações surgirá. A tecnologia tem o potencial de devolver ao profissional o tempo roubado pelo peso de processos ineficientes. O desafio crucial, portanto, não é a falta de postos de trabalho, mas a rápida obsolescência das competências tradicionais.

Para responder a esse cenário de constante ebulição, a academia precisa definitivamente romper o seu encastelamento. Não basta ensinar conceitos teóricos consolidados no passado; é preciso exercer a extensão acadêmica em sua essência, conectando o conhecimento teórico aos problemas reais e complexos da sociedade e das empresas. Quando a indústria leva seus desafios reais para o ambiente universitário, por meio de hackathons, resoluções de cases e programas de inovação, ela encontra neurônios oxigenados, mentes jovens e sem preconceitos operacionais, capazes de formular perguntas que o mercado muitas vezes não ousa fazer. Por outro lado, a universidade ganha repertório vivo para balizar suas pesquisas e adaptar suas matrizes curriculares.

Simultaneamente, o profissional que deseja transitar com relevância nessa nova ordem precisa revisar sua postura em relação ao aprendizado. O diploma universitário não é mais uma linha de chegada, mas um ponto de partida para o lifelong learning — a aprendizagem ao longo de toda a vida. Além do aprofundamento técnico e especialista (hard skills), ganha centralidade o conceito do profissional em “T”: aquele que une a verticalidade do seu saber específico à horizontalidade de habilidades transversais e comportamentais (soft skills).

Em um mercado cada vez mais povoado por robôs e algoritmos generativos, a diferenciação humana residirá justamente na capacidade de comunicação, inteligência emocional, liderança, visão de projetos e protagonismo intraempreendedor. Saber gerir pessoas e projetos com o suporte da IA passa a ser uma exigência universal, independentemente da área de atuação. Como diz o provérbio contemporâneo, “em terra de robô, quem tem coração é rei”.

O alinhamento entre quem produz conhecimento e quem vivencia a prática do mercado não é um luxo educacional, mas uma exigência de sobrevivência e prosperidade para o ecossistema econômico. Somente aproximando a velocidade da inovação corporativa da capacidade reflexiva e transformadora da universidade será possível formar profissionais preparados não apenas para adaptar-se ao futuro, mas para construí-lo.

(*) André Barros – CEO da eComex

(**) Prof. Leopoldo Rocha Soares – Diretor Acadêmico do Centro de Ciências e Tecnologia campus Campinas da Universidade Presbiteriana Mackenzie

 

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SONDA do Brasil atualiza solução de Comércio Exterior para novas regras da DUIMP e Release Azuis

Atualização do Novo Processo de Importação exige adequações em sistemas e operações de empresas importadoras num prazo de 25 dias. Integradora prevê upgrade da sua solução CE Plus antes da entrada das novas regras em produção

Da Redação (*)

Brasília – A SONDA do Brasil, líder regional em Transformação Digital, está preparando o CE Plus, sua solução para gestão de comércio exterior, para atender às novas exigências da Release Azuis do Portal Único Siscomex, que foi disponibilizada pelo Governo Federal nesta quarta-feira, dia 6 de outubro. A atualização está prevista para entrar em produção em 1º de novembro de 2026 e traz mudanças que afetam empresas que realizam operações de importação no Brasil.

A Release Azuis faz parte da evolução do Novo Processo de Importação (NPI) e promove alterações em diferentes etapas e módulos do Portal Único Siscomex, incluindo o Catálogo de Produtos, a Declaração Única de Importação (DUIMP), as Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO) e o Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE).

Na prática, as novas regras exigem que as empresas importadoras revisem dados, processos e sistemas integrados ao Portal Único. Entre as alterações estão a inclusão e atualização de campos da DUIMP, novas regras e validações de informações e mudanças relacionadas ao Catálogo de Produtos e a outros componentes utilizados no processo de importação.

Parte desse movimento ocorre em paralelo às mudanças provocadas pela Reforma Tributária do Consumo. O Portal Único já vem recebendo adequações da DUIMP relacionadas à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Dessa forma, as empresas precisam acompanhar simultaneamente a evolução do NPI e as novas exigências tributárias que passam a fazer parte dos processos de comércio exterior.

Importância de atualização dos sistemas de comércio exterior

“A velocidade das mudanças regulatórias aumenta a importância de manter os sistemas de comércio exterior permanentemente atualizados. Para uma empresa importadora, não basta conhecer a nova regra. É preciso que os sistemas, os dados e os processos estejam preparados para que a operação continue funcionando quando uma nova versão entra em produção”, afirma Thales de Lima, gerente de desenvolvimento e sustentação de soluções de Comex da SONDA do Brasil.

A integradora trabalha para entregar as adequações do CE Plus antes do prazo e sua estratégia segue o modelo adotado nas atualizações anteriores do Portal Único, buscando reduzir impactos da transição para seus clientes. Segundo a companhia, nas duas últimas atualizações, clientes que utilizam a solução relataram uma transição sem intercorrências relacionadas às adequações realizadas no sistema. A expectativa é manter a mesma agilidade para a Release Azuis, considerando o intervalo entre a disponibilização das novas especificações e sua entrada em produção.

A Release Azuis também integra uma sequência de evoluções previstas para o Novo Processo de Importação, como o Release Canoas, que tem previsão de testes no ambiente de Treinamento em 4 de dezembro e entrada em produção em 6 de dezembro de 2026.

(*) Com informações da SONDA do Brasil

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Mapa de Oportunidades da ApexBrasil alerta exportadores sobre tarifaço dos EUA e exigências sanitárias da UE

Atualização em painel de inteligência comercial mapeia 47,8 mil novas oportunidades e avisa exportadores sobre regras em mercados estratégicos.

Da Redação (*)

Brasília – O Mapa de Oportunidades, painel de inteligência comercial focado em identificar mercados potenciais para produtos brasileiros no exterior, acaba de receber uma importante atualização. A ferramenta agora disponibiliza os dados globais de comércio referentes a 2025, o que resultou em um salto nas oportunidades mapeadas: o volume passou de 45.794 para 47.806. Esse acréscimo de 2.012 oportunidades representa um aumento de aproximadamente 4,4% nas chances de negócios catalogadas.

Além do aumento quantitativo, a principal novidade da atualização é a oferta de uma leitura mais contextualizada sobre as barreiras e condições recentes de acesso a mercados estratégicos.

A partir de agora, a plataforma passa a mostrar observações específicas para auxiliar as empresas na avaliação de cada oportunidade comercial frente ao cenário internacional. O sistema foi programado para:

  • Identificar quando a oportunidade envolve um produto que foi afetado por tarifas impostas pelo atual governo dos Estados Unidos.
  • Sinalizar quais produtos estão sujeitos a novas medidas sanitárias exigidas pela União Europeia.

Essas informações adicionais são fundamentais para que o exportador possa avaliar fatores externos que influenciam diretamente a sua estratégia de internacionalização.

Como funciona a ferramenta

O painel cruza as informações de produtos exportados brasileiros competitivos no mercado internacional com os dados de demanda dos países importadores, servindo como um grande apoio para decisões de diversificação e expansão de rotas comerciais.

Ao utilizar o Mapa, os exportadores têm acesso a funcionalidades como:

  • Consulta de oportunidades segmentadas por produto, por grupo de produtos e por país.
  • Informações completas sobre o comércio e tarifas aplicadas.
  • Classificação das oportunidades conforme o grau de posicionamento do Brasil em cada mercado de destino.
  • Análise de concorrentes e detalhamento da atual participação brasileira nas importações daquele mercado analisado.

O objetivo central dessa atualização foi combinar dados recentes com informações táticas cruciais, apoiando o empresariado na avaliação de todos os fatores que podem impactar suas exportações.Para acessar o painel e explorar as novas funcionalidades, acesse o Mapa de Oportunidades para as Exportações Globais, no Portal da ApexBrasil.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Reforma tributária pode mudar o mapa das importações do Brasil e ampliar a disputa entre portos, diz empresa

Com a tributação no destino e a redução gradual do peso dos incentivos estaduais, empresas terão de reavaliar rotas, portos, centros de distribuição e custos financeiros das operações. Santa Catarina, que consolidou um dos principais ecossistemas de comércio exterior do país a partir da combinação entre benefícios fiscais e infraestrutura, entra nessa transição com o desafio de transformar eficiência operacional em vantagem competitiva. Mudanças também podem reduzir resíduos tributários nas exportações e liberar capital de giro.

Da Redação (*)

Brasília – A transição da reforma tributária começa a colocar em debate uma das decisões mais estratégicas do comércio exterior brasileiro: por onde importar. À medida que o novo sistema avança até 2033 e reduz gradualmente o peso dos incentivos estaduais, rotas historicamente definidas pela combinação entre benefício fiscal e logística terão de ser recalculadas.

Custo de frete, velocidade no desembaraço, infraestrutura, armazenagem e capital de giro tendem a ganhar espaço na escolha da porta de entrada das mercadorias no país, em um movimento que pode redesenhar o mapa das importações brasileiras.

“A reforma muda o tributo, mas também pode mudar por onde importar, de quem comprar, onde armazenar e como estruturar a cadeia”, afirma o especialista em tributação, doutor em Desenvolvimento Socioeconômico e consultor da Tendências Consultoria, Mário Westrup.

Essas mudanças colocam Santa Catarina em uma posição particular. O estado consolidou, ao longo dos anos, um dos principais ecossistemas de importação do país, com concentração de tradings, operadores logísticos, recintos alfandegados e portos, especialmente na região de Itajaí, no litoral norte. Parte dessa expansão esteve associada aos benefícios tributários, mas a estrutura criada permanece como ativo competitivo.

“O que muda é a fonte da vantagem competitiva. As empresas que funcionavam essencialmente como veículos para acessar benefícios fiscais tendem a enfrentar maior pressão. Já aquelas que oferecem eficiência operacional, financiamento, inteligência comercial, gestão de risco e integração logística podem continuar competitivas”, avalia Westrup.

Para Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de carga do país com sede em Itajaí, o novo desenho tende a tornar a decisão logística mais técnica e menos dependente de uma única variável tributária.

“A tendência é que o cliente passe a comparar as alternativas de entrada no país de forma muito mais ampla. Para quem atua diariamente com diferentes portos, aeroportos e rotas internacionais, fica claro que eficiência operacional, frequência de serviços, conectividade e previsibilidade terão peso crescente nessa decisão. A estrutura que mantemos, com escritórios em diferentes pontos do Brasil e nos Estados Unidos, nos permite acompanhar esse movimento de forma próxima e orientar as operações a partir da realidade de cada carga”, afirma.

Possibilidade de recuperar créditos nas exportações

Do lado das exportações, a reforma também pode modificar custos. A ampliação da não cumulatividade tende a reduzir tributos que hoje permanecem incorporados ao longo da cadeia, desde que o ressarcimento dos créditos ocorra de forma ágil. “Hoje, muitas empresas exportadoras carregam créditos de difícil utilização ou recuperação. Na prática, isso transforma parte dos tributos pagos anteriormente em custo e faz com que o Brasil exporte tributos embutidos nos preços”, explica Westrup. A possibilidade de recuperar esses valores com maior eficiência pode reduzir o capital de giro imobilizado e melhorar a formação dos preços no mercado internacional.

“Essa transição exige que as empresas acompanhem suas operações com muito mais frequência e estejam preparadas para fazer ajustes ao longo dos próximos anos. Não será uma mudança pontual. O desafio será combinar planejamento, capacidade de adaptação e leitura constante dos impactos das novas regras na prática. O papel dos operadores de carga ganha ainda mais relevância ao fornecer dados que ajudem o cliente a comparar cenários, avaliar alternativas logísticas e entender os efeitos dessas mudanças tanto nas importações quanto nas exportações”, complementa Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics.

(*) Com informações da Cronos Logistics

 

 

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Liderados pela Índia, novos mercados puxam alta de 10,4% nas exportações brasileiras de janeiro a setembro

Vendas para a Índia quase dobram no ano, Europa cresce 20% e África, América Central e Oceania ganham espaço. Total exportado chega a US$ 284,6 bilhões entre janeiro e setembro.

Da Redação (*)

Brasília – A diversificação de destinos sustentou o crescimento das exportações brasileiras em 2026. Entre janeiro e setembro, as vendas para a Índia subiram 85,5%, para a Europa, 20,2%, para a Oceania, 20,8%, para a América Central e Caribe, 14,9%, e para a África, 9,7%. No mesmo período, os embarques para os Estados Unidos recuaram 6,5% e para a Argentina, 18,5%. O resultado ajudou a levar as exportações a US$ 284,65 bilhões no acumulado do ano, alta de 10,4% sobre 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado reforça a importância da busca por novos parceiros comerciais para reduzir a exposição do país a oscilações em mercados tradicionais. “Os números mostram que o exportador brasileiro está ocupando mais espaço no mundo. Crescemos na Índia, na Europa, na África, no Oriente Médio e na América Central. Abrir e diversificar mercados é a melhor forma de proteger o Brasil de oscilações em parceiros específicos, e é nisso que a ApexBrasil vem trabalhando”, afirma o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

A balança comercial acumula superávit de US$ 62,4 bilhões no ano. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, chegou a US$ 506,9 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Índia lidera expansão

O maior avanço proporcional entre os principais destinos foi registrado na Índia. As exportações brasileiras para o país asiático passaram de US$ 4,44 bilhões para US$ 8,23 bilhões entre janeiro e setembro, um acréscimo de US$ 3,8 bilhões. Com isso, a Índia já está entre os mercados que mais contribuíram para o crescimento das vendas externas do Brasil no ano.

“O crescimento de mais de 85% nas vendas para a Índia não é por acaso. É um mercado de 1,4 bilhão de pessoas que vê o Brasil como parceiro confiável”, diz Müller.

Ainda na Ásia, a China segue como principal destino das exportações brasileiras. As vendas para o país somaram US$ 84,68 bilhões no acumulado do ano, alta de 12%. Japão (+14,2%), Singapura (+12,1%) e Bangladesh (+25,8%) também ampliaram as compras de produtos brasileiros.

Europa, África e Américas ganham peso

Na Europa, o crescimento foi distribuído entre vários países. Os Países Baixos ampliaram as compras em 16,6%, a Itália em 31,7%, a Turquia em 37,3%, a Polônia em 73,5% e a Alemanha em 15,8%. Minérios de cobre, soja, ouro, petróleo e carne bovina estão entre os produtos que puxaram a alta no continente.

Na África, os destaques foram o Egito, com aumento de 25,2%, e a África do Sul, com 28%. Soja, minério de ferro, milho e animais vivos lideraram o avanço na região. Na América Central e Caribe, o Panamá ampliou as compras em 47,9%, e República Dominicana, Honduras e El Salvador também registraram crescimento expressivo. No Oriente Médio, as vendas subiram para Arábia Saudita (+13,8%), Jordânia (+54,9%) e Emirados Árabes Unidos (+7,4%).

Sinal positivo nos EUA em setembro

Embora o acumulado do ano mostre retração nas vendas para os Estados Unidos, setembro trouxe uma recuperação. As exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 3,52 bilhões no mês, alta de 31,9% em relação a setembro de 2025. Carne bovina, aeronaves e café foram os principais responsáveis pelo resultado.

“A recuperação das vendas para os Estados Unidos em setembro mostra não só a resiliência das empresas brasileiras, mas também que as empresas americanas continuam interessadas em negociar com as empresas brasileiras, apesar do aumento de tarifas impostos pelo atual governo dos EUA.”, avalia o presidente da ApexBrasil.

No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 34,42 bilhões em setembro, 12,9% a mais que no mesmo mês do ano anterior, com saldo comercial positivo de US$ 7,74 bilhões. Indústria extrativa (+39,8%), indústria de transformação (+5,3%) e agropecuária (+4,8%) cresceram no período.

Proteínas e manufaturados em alta

A pauta exportadora também se ampliou no ano. Na indústria de transformação, as vendas de carne bovina cresceram 14,1%, um acréscimo de US$ 1,6 bilhão. As de carne de aves subiram 20,7%, as de farelo de soja, 21,3%, e as de óleos combustíveis, 32,6%. Em setembro, as exportações de aeronaves e partes avançaram 41,9% e as de celulose, 27,4%. Na agropecuária, soja (+14,9%), algodão (+15%), frutas (+20,9%) e animais vivos (+71,7%) se destacaram no acumulado. O petróleo bruto também teve papel relevante, com alta de 28,6% no ano.

 

(*) Com informações da ApexBrasil

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Conexões Produtivas: ApexBrasil apresenta oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia para o Rio de Janeiro

Da Redação (*)

Brasília – O Rio de Janeiro será o foco da próxima edição do Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira, que acontece nesta quinta-feira (8), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O encontro dá continuidade à agenda de apresentação das oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia nos estados brasileiros, com atenção às vocações produtivas locais e ao potencial de expansão das exportações. Empresas interessadas em participar do evento podem se inscrever no seguinte link: https://bit.ly/4hMnSnM

A iniciativa é realizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A edição contará com a presença do ministro Márcio Elias Rosa e dos presidentes da ApexBrasil, Laudemir Müller, e da ABDI, Olavo Noleto, além de representantes do setor produtivo e outras autoridades.

Durante o encontro, a ApexBrasil apresentará o Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia, com recorte específico para o Rio de Janeiro. O levantamento identifica 602 produtos com oportunidades de exportação no estado e oferece informações estratégicas para orientar empresas interessadas no mercado europeu.

A identificação de oportunidades no mercado europeu se alinha aos esforços do Plano de Diversificação de Exportações da ApexBrasil, que apoia empresas brasileiras afetadas pelas medidas tarifárias dos Estados Unidos na busca por novos destinos para seus produtos. Nesse contexto, conhecer o potencial do Acordo Mercosul–União Europeia ajuda as empresas a planejar sua expansão internacional e reduzir a dependência de um único mercado.

A edição conta com o apoio da Firjan, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Indústria fluminense e as oportunidades do Acordo Mercosul – UE

A União Europeia já ocupa uma posição relevante no comércio exterior fluminense. Em 2025, o Rio de Janeiro exportou US$ 48,975 bilhões, dos quais US$ 10,045 bilhões foram destinados ao bloco europeu — cerca de 20,5% do total.

Disponível no portal da ApexBrasil, o estudo “Perfis dos Estados Brasileiros – Oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia”, elaborado em parceria com o MDIC, analisa o comércio exterior e o potencial exportador de cada estado para o mercado europeu. Para o Rio de Janeiro, a publicação destaca 24 produtos com oportunidades, sendo 22 da indústria e dois do agronegócio, além de registrar 567 empresas fluminenses exportadoras para a União Europeia. O levantamento oferece subsídios para diversificar a pauta exportadora do estado e orientar empresas na identificação de novos negócios.

Durante o evento, também será apresentado o Painel Acordo Mercosul–União Europeia: Oportunidades por Estado: https://bit.ly/4dqKc50 . A ferramenta permite consultar produtos e mercados com potencial de exportação a partir da oferta produtiva de cada estado brasileiro, além de apresentar informações sobre tarifas e prazos de redução tarifária previstos no acordo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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