Conheça em Congonhas (MG), o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, obra-prima de Aleijadinho e Patrimônio Mundial da Unesco

Conheça em Congonhas (MG) A cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, destino abriga o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, famoso pelos 12 Profetas em pedra-sabão e por um dos mais importantes conjuntos do barroco brasileiro

Da Redação (*)

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1985, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), reúne um dos mais importantes conjuntos artísticos e religiosos do Brasil. O complexo preserva a basílica, seis capelas que retratam a Paixão de Cristo e as famosas esculturas dos 12 Profetas, consideradas a principal obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A construção do santuário começou em 1757, após uma promessa feita pelo minerador português Feliciano Mendes, que atribuiu ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos  sua recuperação de uma grave doença. Ao longo dos séculos 18 e 19, o monumento recebeu a contribuição de importantes artistas do Período Colonial, como Aleijadinho e Mestre Ataíde, tornando-se uma das maiores referências da arte barroca na América Latina.

Reconhecimento

A Unesco reconheceu o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos por representar uma das mais importantes realizações da arte barroca na América Latina. O conjunto reúne a basílica, as esculturas dos 12 Profetas em pedra-sabão e as seis capelas dos Passos da Paixão, que preservam 66 esculturas em madeira policromada (pintada em várias cores) representando os últimos momentos da vida de Jesus Cristo.

Grande parte dessas obras foi produzida por Aleijadinho entre o fim do século 18 e o início do século 19. Consideradas o ponto mais alto de sua carreira, as esculturas tornaram-se um dos principais símbolos do barroco brasileiro e foram decisivas para o reconhecimento internacional do santuário.

O que fazer

Entre os principais atrativos estão:

  • Santuário do Bom Jesus de Matosinhos: principal cartão-postal da cidade, reúne a basílica e todo o conjunto reconhecido pela Unesco.
  • 12 Profetas: esculturas em pedra-sabão, produzidas por Aleijadinho entre 1800 e 1805, consideradas uma das maiores obras da arte barroca brasileira.
  • Capelas dos Passos da Paixão: seis capelas preservam 66 esculturas em madeira policromada, que retratam cenas da Paixão de Cristo.
  • Salão dos Ex-Votos: espaço que reúne objetos deixados por fiéis em agradecimento por graças alcançadas ao longo de mais de dois séculos de devoção.
  • Museu de Congonhas: apresenta exposições sobre a história do santuário, a obra de Aleijadinho e a formação da cidade.
  • Beco dos Canudos: preserva construções do Período Colonial, que hoje abrigam lojas de artesanato em pedra-sabão, madeira, cerâmica e outros produtos típicos.

Quem tiver mais tempo também pode visitar a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a antiga Estação Ferroviária, importantes marcos da história de Congonhas.

Quando visitar

O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos pode ser visitado durante todo o ano, mas algumas celebrações tornam a experiência mais especial:

  • Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (setembro): principal festa religiosa da cidade, reúne milhares de romeiros de diferentes estados.
  • Semana Santa: procissões, celebrações religiosas e encenações da Paixão de Cristo movimentam o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e as igrejas históricas da cidade.
  • Corpus Christi: fiéis confeccionam tapetes ornamentais, que cobrem as ruas próximas ao santuário; tradição que integra as celebrações religiosas da data.
  • Natal: missas, concertos e apresentações culturais integram a programação de fim de ano nas igrejas e espaços históricos da cidade.

Ao longo do ano, Congonhas também promove eventos culturais, exposições e atividades ligadas ao patrimônio histórico e ao barroco mineiro.

Como chegar

Congonhas está na região Central de Minas Gerais, a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte. Quem chega de avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins) e seguir de carro, ônibus ou traslado até o município. Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-040, rodovia que liga Belo Horizonte à cidade. Também há linhas regulares de ônibus partindo da capital mineira.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de Valor Universal Excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

(*) Com informações do MTur

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Amcham defende manutenção do diálogo de alto nível e das negociações no trato do contencioso Brasil-EUA

Da Redação (*)

Brasília – A intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os governos brasileiro e americano, com o objetivo de reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e construir um entendimento que preserve e amplie o comércio e os investimentos bilaterais deve ser o caminho prioritário para a superação da grave crise que Brasil e Estados Unidos enfrentam em seu comércio exterior. Essa posição foi defendida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), através de nota oficial divulgada hoje (14).

No comunicado, a Amcham Brasil informa que acompanha com atenção a decisão do governo brasileiro, divulgada em 13 de agosto, de iniciar a análise do pleito previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em relação às medidas comerciais recentemente adotadas pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 da legislação americana.

Apoio maciço do empresariado ao diálogo

Na percepção da instituição, essa posição reflete a visão predominante do setor empresarial consultado pela Amcham. Em pesquisa recente, 90,5% das empresas defenderam a intensificação do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% apontaram a adoção de medidas de reciprocidade como estratégia preferencial.

Ao avaliar a possibilidade de o governo brasileiro vir a utilizar os dispositivos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica em relação aos Estados Unidos, a Amcham avalia que “a abertura desse procedimento não representa, neste momento, decisão pela adoção de contramedidas pelo Brasil. O rito ordinário adotado prevê consultas diplomáticas com o governo dos Estados Unidos, análise de enquadramento e consulta pública como parte do processo prévio de avaliação.

Nesse contexto, a Amcham considera fundamental que esse procedimento seja conduzido com equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa de seus potenciais impactos, assegurando ampla participação do setor empresarial. Ao mesmo tempo, a Amcham considera que a adoção de eventuais contramedidas deve ser evitada, diante do considerável risco de

elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e levar a uma escalada comercial e política na relação com os Estados Unidos, reduzindo o espaço para o diálogo e tornando mais difícil alcançar uma solução negociada.

Segundo a nota, a Amcham seguirá contribuindo com o setor empresarial e com autoridades brasileiras e norte-americanas para favorecer a construção de um entendimento capaz de superar as atuais divergências e preservar uma relação econômica equilibrada, previsível e mutuamente benéfica.

(*) Com informações da Amcham

 

 

 

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Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 12,2% no ano; importações voltam a crescer, aponta Amcham

Produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas registram queda de 31,5% entre janeiro e julho; vendas brasileiras ao mercado americano somam US$ 21 bilhões

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos. Os dados são da nova edição do Monitor do Comércio Brasil – Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados de julho do Comexstat.

O levantamento mostra que a retração é ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas (hoje entre 25% e 37,5% e antes em até 50%). No acumulado do ano, as exportações desses itens recuaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, queda de US$ 1,4 bilhão.

“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Analisando apenas o mês de julho, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompe a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas.

Assim como no acumulado do ano, entre os bens submetidos às sobretaxas mais elevadas (atualmente entre 25% e 37,5%), a retração foi mais forte no mês: 25,7%. Já os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.

Entre os principais produtos com quedas mais elevadas no acumulado do ano – e sujeitas às sobretaxas mais elevadas – estão: sebo de bovinos, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas. Além desses, produtos sujeitos à Seção 232 com semimanufaturas de ferro e aço seguem em queda.

Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Depois de sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos norte-americanos cresceram, ainda que de maneira tímida (em 0,6%), alcançando US$ 4,3 bilhões.

Com exportações em queda e importações praticamente estáveis no mês, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos em julho. No acumulado de janeiro a julho, o déficit brasileiro chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Exportações aos Estados Unidos têm desempenho inferior ao restante do mundo

O Monitor também mostra uma diferença relevante entre o desempenho das vendas brasileiras aos Estados Unidos e para os demais mercados.

Enquanto as exportações aos Estados Unidos recuaram 12,2%, as exportações totais do Brasil ao mundo cresceram 10,5% entre janeiro e julho. Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, quatro apresentaram retração no mercado norte-americano ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para o restante do mundo. É o caso de óleos brutos de petróleo (-25,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%).

Entre os principais produtos sobretaxados, o movimento também chama atenção: cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos registraram queda no acumulado do ano, enquanto todos esses produtos apresentaram crescimento nas vendas para o restante do mundo.

Principais números | Janeiro a julho de 2026

– Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 21,0 bilhões | -12,2%
– Importações Estados Unidos→ Brasil: US$ 23,2 bilhões | -10,4%
– Déficit brasileiro: US$ 2,3 bilhões | +122,3%
– Bens sem sobretaxa: US$ 11,1 bilhões | -9,7%
– Bens com sobretaxa: US$ 9,8 bilhões | -14,4%
– Produtos sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,2 bilhões | -31,5%

As análises do Monitor consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

(*) Com informações da Amcham

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Fluxo turístico China-Europa tem aumento expressivo em ambas as direções com política chinesa de isenção unilateral de vistos

Da Redação (*)

Brasília – Sob a política chinesa de isenção unilateral de vistos, viajantes de países como França, Alemanha e Itália podem permanecer no país por até 30 dias. Mais de 30 países europeus têm acesso à China sem necessidade de visto.

Graças a essa política, a China registrou 17,8 milhões de entradas de cidadãos estrangeiros, europeus e pessoas de outras regiões, sem visto no primeiro semestre de 2026, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.

Durante uma viagem de quase três semanas por Beijing, Shanghai e pela província de Yunnan, no sudoeste da China, o blogueiro de viagens alemão Sorin Liviu Jurj descobriu que um passaporte e um smartphone eram tudo o que ele precisava para aproveitar grande parte do que a China tinha a oferecer.

“Na China, seu telefone não é apenas um telefone. Ele é sua carteira, mapa, tradutor, ferramenta para chamar táxi, comprar ingressos e um dispositivo de comunicação”, escreveu ele em um guia de viagem publicado em maio. “A China foi um dos países mais descomplicados, modernos e surpreendentes que já visitei”.

Jurj faz parte de um fluxo crescente de viajantes europeus que se dirigem à China neste verão. Dados da plataforma chinesa de viagens Trip.com mostram que as reservas feitas por europeus para atrações turísticas aumentaram mais de 20 vezes em relação ao ano anterior.

O crescimento das viagens entre China e Europa não é unidirecional. Turistas chineses também estão viajando cada vez mais para a Europa, atraídos por suas cidades históricas, experiências culturais e eventos esportivos e culturais de grande destaque.

Isenção de vistos torna a China mais acessível aos europeus

Para viajantes como Jurj, um processo de entrada mais simples é parte do que tornou a China mais acessível. Sob a política chinesa de isenção unilateral de vistos, viajantes de países como França, Alemanha e Itália podem permanecer no país por até 30 dias. Mais de 30 países europeus têm acesso à China sem necessidade de visto.

Graças a essa política, a China registrou 17,8 milhões de entradas de cidadãos estrangeiros, europeus e pessoas de outras regiões, sem visto no primeiro semestre de 2026, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior, segundo a Administração Nacional de Imigração.

As companhias aéreas também observaram uma demanda crescente de viajantes internacionais. Na rota Shanghai-Atenas da Juneyao Air, passageiros estrangeiros representaram 32% do tráfego até agora neste ano. Ji Hao, gerente-geral da filial grega da companhia aérea, disse que a rota transportou 21.694 passageiros estrangeiros até 5 de agosto, quase igualando o total de todo o ano passado.

A conectividade aérea também se expandiu em outras rotas, com a Air China aumentando seu serviço Beijing-Varsóvia de quatro voos semanais para uma operação diária a partir de 12 de abril.

Fluxo de turistas chineses para a Europa cresce 28% em 2026

Enquanto isso, as viagens da China para a Europa registram um crescimento expressivo. Após a vitória da Espanha na Copa do Mundo neste verão, a plataforma de viagens chinesa Qunar observou um aumento repentino no interesse por destinos espanhóis, com as buscas por voos Shenzhen-Barcelona disparando 33 vezes em apenas uma hora.

Um relatório da Comissão Europeia de Viagens, divulgado no início deste ano, projetou que o número de chegadas de chineses à Europa aumentaria 28% em relação ao ano anterior em 2026.

Dados do Escritório de Estatísticas da República da Sérvia mostraram que visitantes chineses registraram 85.025 pernoites no país nos primeiros três meses de 2026, tornando a China um dos principais mercados de turismo receptivo da Sérvia.

Marija Labovic, CEO da Organização Nacional de Turismo da Sérvia, disse que os turistas chineses estão indo cada vez mais além das compras e da visitação de pontos turísticos famosos, buscando experiências mais personalizadas com o cotidiano local.

“Há uma mudança clara em direção a viagens focadas na vivência do destino e em sua autenticidade”, disse ela.

Essa mudança também é visível em outras partes da Europa. A China foi o principal mercado emissor asiático de turistas para a Polônia em maio, com 12.551 turistas chineses hospedados em estabelecimentos com pelo menos 10 leitos e totalizando 23.062 diárias no país, segundo estatísticas oficiais.

Laços comerciais em franca expansão

Além dos gastos com turismo, o aumento das viagens entre a China e a Europa também está remodelando os pagamentos transfronteiriços e a cooperação empresarial.

Em fevereiro, a Comissão Europeia de Viagens, a Mastercard e o Banco Industrial e Comercial da China lançaram um cartão de crédito de marca compartilhada, projetado para facilitar pagamentos de transporte, hospedagem, alimentação e experiências culturais para viajantes chineses que visitam a Europa.

“A China continua sendo um dos mercados emissores de longa distância mais importantes para a Europa”, disse o diretor-executivo da Comissão Europeia de Viagens, Eduardo Santander, destacando que o cartão fortalecerá “a ponte Europa-China, apoiando viagens mais sustentáveis ​​e benefícios tangíveis para as economias e comunidades locais”.

A cooperação também está se intensificando no setor hoteleiro. Em junho, o grupo hoteleiro francês Accor e o chinês H World Group anunciaram a expansão da cooperação entre suas plataformas de reserva direta e de fidelidade na China, na Europa e no Oriente Médio, proporcionando aos membros acesso a mais hotéis e estabelecimentos, tarifas exclusivas e outros benefícios.

Santander disse que o turismo entre a China e a Europa deverá se desenvolver ainda mais. “A prioridade é garantir um acesso mais fácil, oferecer um produto turístico mais diversificado e focado em experiências, e proporcionar uma experiência acolhedora e integrada aos visitantes”.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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Brasil se consolida como principal destino das exportações de veículos de nova energia (NEVs) da China

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil se tornou o maior destino das exportações de veículos de nova energia (NEVs) da China e o segundo maior mercado das exportações totais de veículos do país no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados industriais.

Impulsionadas tanto pela estratégia de localização quanto pela competitividade dos produtos, as montadoras chinesas têm alcançado um aumento constante nas vendas no mercado brasileiro, delineando uma trajetória de evolução que vai da “exportação de produtos” à “expansão internacional da indústria” e, por fim, ao “enraizamento do ecossistema”.

O Brasil está se tornando um mercado fundamental para as exportações automotivas da China e a cooperação na área de veículos de nova energia passou a ser um destaque nas relações comerciais bilaterais.

Entre janeiro e junho deste ano, as exportações acumuladas de veículos de nova energia da China totalizaram 2,42 milhões de unidades, um aumento anual de 70%, de acordo com dados recém-divulgados pela Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA, sigla em inglês).

As exportações de NEVs para o mercado brasileiro chegaram a 299.803 unidades nos primeiros seis meses, subindo 158% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso contribuiu diretamente para que o Brasil substituísse a Bélgica como o maior mercado de exportação de veículos de nova energia da China.

O avanço constante na localização da produção, com a implantação de fábricas pelas montadoras chinesas, foi um fator importante para o aumento acentuado das exportações ao Brasil, disse Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA.

Considerando o volume total das exportações automotivas da China, o Brasil ocupou o segundo lugar de janeiro a junho, com 410.825 veículos, ficando atrás apenas da Rússia, com 448.157 veículos. Já em 2025, o Brasil ficou na quinta posição desse ranking.

Segundo Cui, os principais impulsionadores do crescimento das exportações deste ano continuam sendo os altos preços do petróleo, o aumento da competitividade dos produtos chineses e o crescimento contínuo da demanda dos países do Sul Global.

Atualização da lógica de localização

Diferentemente da exportação tradicional de veículos completos, cada vez mais montadoras chinesas construíram fábricas no Brasil, integrando a cadeia industrial ao mercado local e acelerando seu posicionamento industrial sistemático no país.

Em março de 2024, a BYD iniciou oficialmente as obras do complexo da fábrica de veículos elétricos em Camaçari, no estado da Bahia, a primeira planta da marca fora da Ásia destinada à produção de automóveis. Em 16 de julho deste ano, o 100 milésimo veículo de nova energia saiu oficialmente da linha de produção nessa fábrica e o número de funcionários em atividade na fábrica atingiu 5.500 pessoas.

A Great Wall Motor (GWM) inaugurou em agosto de 2025 sua primeira fábrica no continente americano em Iracemápolis, no estado de São Paulo, a primeira planta da marca no Hemisfério Sul e a terceira de produção de veículos completos fora da China. Em fevereiro deste ano, a GWM fechou um acordo com o governo do Espírito Santo sobre sua segunda fábrica no país, acelerando sua presença industrial local.

Também em novembro do ano passado, a Renault da França e a Geely da China anunciaram o investimento de R$ 3,8 bilhões (US$ 751,03 milhões) no estado do Paraná, onde as duas montadoras estabeleceram uma parceria local para a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de NEVs, entre outros.

“Não nos limitamos a vender e fabricar carros, estamos comprometidos em trazer tecnologias, empregos, cadeia industrial e ecossistema, integrando-nos plenamente ao desenvolvimento local”, destacou Tyler Li, presidente da BYD Brasil.

Por meio da promoção contínua da produção localizada e do aperfeiçoamento da rede de vendas, o Brasil poderá oferecer um importante apoio à expansão das marcas automotivas chinesas para os mercados da América do Sul, observou Liu Yan, especialista da Aliança para a Inovação e o Desenvolvimento Internacional das Montadoras Chinesas.

Coexistência de oportunidades e desafios

Os veículos de nova energia da China atendem à demanda do povo brasileiro por mobilidade ecológica, enquanto o mercado desses carros no Brasil apresenta tanto oportunidades quanto desafios.

Desde 2024, o governo brasileiro vem retomando a cobrança do imposto de importação sobre carros elétricos e híbridos em quatro etapas. Conforme o cronograma, todos os veículos eletrificados importados pagariam uma tarifa máxima de 35% a partir de 1º de julho de 2026.

Segundo a decisão recente do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), os veículos eletrificados semidesmontados (SKD) terão a tarifa de importação de 35% a partir de julho e os modelos desmontados (CKD) continuarão com a alíquota reduzida de 14% até o fim de 2026, passando também para 35% em janeiro de 2027.

Quanto aos dados de junho, o crescimento anual dos NEVs vendidos pelas marcas chinesas no mercado brasileiro caiu para 2%, enquanto países como a Bélgica e o Reino Unido registraram aumentos superiores a 100%.

Liu Yan afirmou que, diante do complexo cenário internacional, o modelo que depende exclusivamente da exportação de produtos é insustentável. Buscar novos mercados, construir um ecossistema industrial e reformular a identidade da marca estão se tornando os três principais pilares estratégicos para que a indústria automotiva chinesa supere os desafios da expansão internacional.

Carlos Augusto Serra Roma, diretor técnico da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), disse que a China possui escala industrial, expertise tecnológica e capacidade de investimento em tecnologias verdes, e o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com enorme potencial nas áreas de biocombustíveis, minerais críticos, agricultura sustentável e indústria verde.

A combinação dessas vantagens gerou oportunidades de cooperação históricas, que não apenas beneficiam o Brasil e a China, mas também contribuem de forma concreta para a descarbonização global, de acordo com Roma.

(*) Com informações da Agência Xinhua

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DUIMP e Reforma Tributária: obrigação ou oportunidade?

Renato Figueiredo (*)

Atuando no Comex há 14 anos, algumas coisas não mudaram. Desde o início do projeto Sped, NF-e, DUE, DUIMP e agora Reforma Tributária, sempre que pergunto para a maioria das empresas com as quais converso: como estão as coisas? Como estão os projetos? As respostas são as mesmas: um caos, corrido demais, tendo que atender às novas “mudanças legais”. Destaco o termo “mudanças legais” porque é a forma com que as empresas encaram estes projetos.

Na verdade, vivemos a maior oportunidade para alavancar resultados, reduzir custos e aumentar margem está acontecendo agora, e muitas empresas ainda não se deram conta disso. Tratam destes temas apenas como mais obrigações legais que têm que cumprir.

Durante décadas, o comércio exterior foi tratado dentro das empresas como uma área essencialmente operacional. Seu papel era garantir conformidade, atender exigências governamentais, cumprir prazos e reduzir riscos aduaneiros. Isso é passado. O comércio exterior moderno ocupa uma posição muito mais relevante dentro da estratégia corporativa. Em um cenário de pressão por eficiência, aumento da competitividade global e necessidade constante de ganho de produtividade, ele se tornou uma fonte direta de geração de valor, impacto financeiro e vantagem competitiva.

As empresas que ainda enxergam mudanças como DUIMP e Reforma Tributária apenas como novas obrigações regulatórias estão perdendo a principal mensagem por trás dessa transformação. Estamos vivendo uma das maiores jornadas de simplificação da história do comércio exterior brasileiro.

Conformidade não é diferencial, não é opcional, é OBRIGAÇÃO

Ao surgirem novos requisitos regulatórios, grande parte da energia é direcionada apenas para garantir que a empresa continue cumprindo essas obrigações legais. Se você resolveu descer para o play e jogar esse jogo, conformidade é o mínimo que sua empresa tem que entregar. Para o Radar, há leis e requisitos mínimos que devem ser cumpridos. Para ter um benefício fiscal, a utilização de algum Regime Aduaneiro Especial ou certificações como OEA, seja qual for, há regras, leis e requisitos próprios. Cumpri-los é requisito, não opção.

Toda empresa que importa ou exporta precisa atender às exigências regulatórias. Isso não gera vantagem competitiva. Apenas permite que ela comece ou continue a operar. O diferencial surge quando a organização utiliza os movimentos de transformação regulatória como oportunidade para repensar processos, eliminar atividades manuais, integrar informações e construir uma operação mais eficiente e inteligente.

A janela de simplificação precisa ser aproveitada

Projetos como o PUCOMEX e a DUIMP representam uma mudança estrutural na forma como o Brasil realiza operações de comércio exterior. A proposta do Portal Único é simplificar processos, reduzir redundâncias, integrar órgãos governamentais, padronizar informações e aumentar a eficiência da cadeia logística e aduaneira. Não estamos falando apenas de substituir sistemas ou trocar documentos. Estamos falando da possibilidade de revisar processos que, em muitos casos, permanecem praticamente inalterados há décadas.

Saímos de um cenário de documentos, processos e fiscalização para um cenário de dados, processos e documentos. Essa é uma oportunidade para que as empresas automatizem atividades repetitivas, eliminem controles paralelos em planilhas, estruturem dados com qualidade, utilizem inteligência para tomada de decisão, reduzam custos operacionais, aumentem previsibilidade e governança e usem de forma inteligente estratégias fiscais e tributárias.

As companhias que aproveitarem esse momento para transformar seus processos sairão da transição mais fortes do que entraram.

O impacto não está apenas na operação, mas na margem

Muitas lideranças ainda associam comércio exterior exclusivamente à movimentação física de mercadorias. Não faltar estoque, não faltar matéria-prima que atrase uma linha de produção ou não deixar faltar estoque para venda e distribuição são as prioridades. Mas, na prática, uma gestão moderna da área influencia diretamente indicadores financeiros da companhia.

Ganhos de eficiência operacional, correta utilização de regimes aduaneiros, melhor gestão tributária, redução de retrabalho, aumento da produtividade das equipes e maior visibilidade sobre custos logísticos podem representar impactos significativos na rentabilidade do negócio.

Ainda vejo empresas com custos altos com demurrage e armazenagem, sendo penalizadas com multas pela simples falta de documentos ou erros de digitação e ainda empresas que estão no Brasil com suas margens sendo consumidas por negociações globais, como frete, para ficar apenas em um exemplo. A sua operação de Comex pode impactar diretamente a margem da sua companhia.

Reforma Tributária e DUIMP fazem parte da mesma visão de futuro

Outro ponto importante é compreender que Reforma Tributária e Portal Único não são iniciativas isoladas. Ambas fazem parte de um movimento muito maior de modernização do ambiente de negócios brasileiro.

A Reforma Tributária busca simplificar o sistema tributário nacional, reduzir complexidades históricas e aumentar a previsibilidade para empresas. A nova estrutura baseada em CBS e IBS foi concebida justamente para criar um ambiente mais simples e eficiente. Imaginem: leis e impostos federais, 27 unidades federativas e quase 6 mil municípios com legislação própria que serão substituídas por uma única legislação, Lei Complementar 214/2025.

Da mesma forma, a DUIMP foi criada para simplificar operações, integrar informações e aumentar a eficiência dos processos de importação. É uma iniciativa brasileira, mas faz parte de um movimento global de modernização e facilitação do comércio exterior baseado no conceito Single Window (Janela Única de Comércio Exterior), promovido por organismos como OMA/WCO. Detalhe: o Brasil tem sido protagonista em todo esse processo.

Sob uma perspectiva estratégica, os dois movimentos apontam para a mesma direção: mais simplicidade, mais transparência, mais produtividade e mais competitividade para as empresas brasileiras. Por isso, é um erro encará-los apenas como exigências legais. Eles são, na verdade, instrumentos de transformação.

Inovar não pode esperar o fim da transição

Muitas empresas estão adiando investimentos em automação, inteligência de dados e modernização tecnológica porque estão concentradas exclusivamente em atender aos cronogramas das novas regulamentações. Estão caindo em uma armadilha, pior, criada por elas mesmas. A transformação regulatória não deve interromper a inovação, mas acelerá-la.

As organizações mais bem-sucedidas serão justamente aquelas que utilizarão esse período para construir processos digitais, integrar áreas, elevar a qualidade dos dados e criar uma operação preparada para os próximos anos. Quem esperar a transição terminar para iniciar sua transformação provavelmente chegará atrasado.

Um projeto para as empresas e para o Brasil

O verdadeiro significado do Portal Único, da DUIMP e da Reforma Tributária são iniciativas concebidas para simplificar o ambiente de negócios, reduzir burocracias históricas e aproximar o Brasil das melhores práticas internacionais. O sucesso desses projetos beneficia simultaneamente empresas, governo e sociedade.

Empresas tornam-se mais competitivas, o comércio exterior ganha eficiência e o país reduz barreiras operacionais e fortalece sua inserção global.

Por isso, talvez a principal pergunta que os executivos deveriam fazer neste momento não seja se suas empresas estarão preparadas para atender às novas exigências. A pergunta correta é: Como minha empresa pretende aproveitar a maior oportunidade de transformação e simplificação do comércio exterior brasileiro das últimas décadas?

(*) Renato Figueiredo, Diretor Comercial eComex

 

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Internacionalização de empresas: capacitação irá preparar startups e MPE para o mercado exterior

Sebrae desmistifica a internacionalização de pequenos negócios, com trilhas completas que incluem consultorias especializadas e rodadas de negócios

Da Redação (*)

Brasília – Os pequenos negócios representam atualmente cerca de 40% das empresas brasileiras que exportam. Para incentivar o crescimento dessa participação, o Sebrae oferece uma jornada completa para apoiar micro e pequenas empresas (MPE) e startups a ampliarem as vendas para outros países. Por meio do Programa de Internacionalização de Pequenos Negócios, MPE e startups são capacitadas para disputarem espaço no mercado global, promovendo inovação, geração de empregos e ganho de competitividade dentro e fora do Brasil.

“Exportar não é um privilégio apenas de grandes empresas. O mercado global está aberto à inovação, à sustentabilidade e à qualidade dos produtos e serviços dos pequenos negócios brasileiros”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. Ele cita como exemplo a Hannover Messe 2026, considerada a mais importante feira de tecnologia industrial no mundo, realizada na Alemanha entre 20 e 24 de abril. A comitiva brasileira registrou a participação de mais de 300 empresas, das quais 190 MPE e startups apoiadas pelo Sebrae.

“Nós conseguimos abrir nos últimos anos, graças à atuação do governo federal e da ApexBrasil, cerca de 657 novos mercados. Quando uma MPE cruza as fronteiras, ela ganha maturidade, melhora seus processos e se torna muito mais competitiva no mercado interno, além de novos clientes em outros países”, diz Soares.

Ações do Sebrae como o Programa de Internacionalização de Pequenos Negócios têm o propósito, segundo Rodrigo Soares, de provar que a internacionalização é um caminho viável, seguro e transformador para o empreendedor.

Da sensibilização à consolidação

Para guiar os empresários nesse desafio, o Sebrae estruturou a Jornada de Exportação dos

Pequenos Negócios, um caminho dividido em sete etapas personalizadas de acordo com a maturidade de cada empreendimento:

  1. Sensibilização e engajamento:Mapeamento e conscientização do empresário de que o mercado externo é uma oportunidade real, por meio de capacitações, eventos com especialistas, webinars e cases de sucesso.
  2. Diagnóstico e estratégia :Avaliação do potencial exportador da empresa, inteligência de mercado e elaboração do plano de exportação, com apoio do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), em parceria com a ApexBrasil.
  3. Adequação do negócio: Apoio para certificações, ajuste de produtos, rótulos, embalagens, materiais promocionais em outros idiomas e preços para exigências internacionais, com suporte de soluções como o Sebraetec.
  4. Preparação comercial: Treinamento em comércio exterior, apoio na construção de estratégias, simulação de negociações e desenvolvimento de pitch comercial para compradores estrangeiros.
  5. Acesso a mercados: Conexão direta com clientes globais por meio de missões empresariais, feiras internacionais e rodadas de negócios.
  6. Exportação digital: Capacitação para atuação em e-commerce cross-border, marketplaces globais e estratégias de marketing digital internacional.
  7. Consolidação e crescimento: Acompanhamento da jornada exportadora e fornecimento de inteligência de mercado para que a presença no exterior se transforme em um canal contínuo de receita.

Como participar

Empresários interessados em avaliar o potencial exportador do seu negócio e iniciar a Jornada de Exportação podem procurar os canais de atendimento do Sebrae (0800 570 0800), os pontos de atendimento da instituição nos estados ou consultar os cursos sobre exportação na plataforma oficial da instituição.

(*) Com informações da Agência Sebrae de Notícias

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Canadá impõe sobretaxa de 25% sobre importações de móveis de madeira; medita afeta exportações brasileiras

Medida provisória de salvaguarda está em vigor desde 31 de julho e afeta produtos brasileiros enquadrados nos códigos tarifários abrangidos

Da Redação (*)

Brasília – O Governo do Canadá aplicou uma tarifa provisória de salvaguarda de 25% sobre as importações de determinados armários e gabinetes de madeira e seus subcomponentes. A medida entrou em vigor em 31 de julho de 2026 e poderá permanecer válida por até 200 dias.

Como o Brasil não integra a lista de países isentos, as importações canadenses dos produtos brasileiros enquadrados nos códigos tarifários afetados também passam a estar sujeitas à sobretaxa.

A medida reduz a competitividade de preço do mobiliário brasileiro no mercado canadense. Segundo o Ministério das Finanças do Canadá, a decisão busca conter possíveis desvios de comércio e proteger os fabricantes locais enquanto prossegue o inquérito de salvaguarda.

Próximos passos

O Tribunal Canadense de Comércio Internacional (Canadian International Trade Tribunal — CITT) será responsável pela condução do inquérito e deverá apresentar seu relatório final até 15 de janeiro de 2027.

Caso o Tribunal conclua que as importações não causam danos à indústria local, a sobretaxa será encerrada imediatamente. Se houver uma conclusão favorável à existência de dano, a tarifa poderá ser convertida em medida definitiva.

A Abimóvel, junto à equipe técnica da BMJ – Consultores Associados, acompanha os desdobramentos do processo e seus possíveis impactos sobre as exportações brasileiras do setor moveleiro.

(*) Com informações da Abimóvel

 

 

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Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 12,2% no ano e déficit da balança comercial cresce 122,3%, aponta Amcham

Produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas registram queda de 31,5% entre janeiro e julho; vendas brasileiras ao mercado americano somam US$ 21 bilhões

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos. Os dados são da nova edição do Monitor do Comércio Brasil – Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados de julho do Comexstat.

O levantamento mostra que a retração é ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas (hoje entre 25% e 37,5% e antes em até 50%). No acumulado do ano, as exportações desses itens recuaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, queda de US$ 1,4 bilhão.

“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Exportações caem 5% em julho com efeito das sobretaxas

Analisando apenas o mês de julho, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompe a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas.

Assim como no acumulado do ano, entre os bens submetidos às sobretaxas mais elevadas (atualmente entre 25% e 37,5%), a retração foi mais forte no mês: 25,7%. Já os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.

Entre os principais produtos com quedas mais elevadas no acumulado do ano – e sujeitas às sobretaxas mais elevadas – estão: sebo de bovinos, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas. Além desses, produtos sujeitos à Seção 232 com semimanufaturas de ferro e aço seguem em queda.

Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Depois de sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos norte-americanos cresceram, ainda que de maneira tímida (em 0,6%), alcançando US$ 4,3 bilhões.

 

Com exportações em queda e importações praticamente estáveis no mês, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos em julho. No acumulado de janeiro a julho, o déficit brasileiro chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Exportações aos Estados Unidos têm desempenho inferior ao restante do mundo

O Monitor também mostra uma diferença relevante entre o desempenho das vendas brasileiras aos Estados Unidos e para os demais mercados.

Enquanto as exportações aos Estados Unidos recuaram 12,2%, as exportações totais do Brasil ao mundo cresceram 10,5% entre janeiro e julho. Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, quatro apresentaram retração no mercado americano ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para o restante do mundo. É o caso de óleos brutos de petróleo (-25,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%).

Entre os principais produtos sobretaxados, o movimento também chama atenção: cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos registraram queda no acumulado do ano, enquanto todos esses produtos apresentaram crescimento nas vendas para o restante do mundo.

Principais números | Janeiro a julho de 2026

– Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 21,0 bilhões | -12,2%
– Importações Estados Unidos→ Brasil: US$ 23,2 bilhões | -10,4%
– Déficit brasileiro: US$ 2,3 bilhões | +122,3%
– Bens sem sobretaxa: US$ 11,1 bilhões | -9,7%
– Bens com sobretaxa: US$ 9,8 bilhões | -14,4%
– Produtos sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,2 bilhões | -31,5%

As análises do Monitor consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

(*) Com informações da Amcham Brasil 
 

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O avanço da IA e os limites da humanidade

Ives Gandra da Silva Martins (*)

O empresário Elon Musk declarou recentemente que, em até cinco anos, a inteligência artificial ultrapassará a capacidade humana. Por enquanto, prevalece a impressão de que dominamos a tecnologia e de que ela só pode fazer aquilo que o homem programa, pautando-se por relações lógicas, matemáticas e físicas. Trata-se, afinal, de um sistema projetado para processar, com extrema rapidez, soluções que a mente humana tem dificuldade de alcançar.

O dado que mais impressiona — e que justifica a observação de Musk — é o ritmo vertiginoso dessa evolução. Não nos referimos apenas ao aumento do poder computacional, mas a uma mudança qualitativa: quando a computação deixa de ser mera ferramenta de cálculo para se tornar um agente decisório autônomo, a discussão ultrapassa a engenharia e alcança a dimensão ético-existencial.

Essa aceleração não se restringe apenas ao aumento do poder de processamento computacional, mas indica uma mudança qualitativa na própria forma como a tecnologia interfere na realidade. Quando a computação deixa de ser uma mera ferramenta de cálculo para se tornar um agente decisório autônomo, a discussão ultrapassa a engenharia e alcança a dimensão ético-existencial do próprio ser humano.

Em sua encíclica “Magnifica Humanitas”, o Papa Leão XIV já apontou a importância e os riscos da transformação social pela tecnologia. Ele demonstrou que esses sistemas evoluem continuamente. A inteligência artificial é mais rápida no trabalho, não faz greves nem gera encargos sociais. Seus alertas éticos mostram que corremos riscos gravíssimos se não houver cautela, pois a substituição da mão de obra humana pela eficiência produtiva da máquina pode gerar impactos sociais irreparáveis. Configura-se, assim, um dilema em que o lucro econômico imediato e a eficiência algorítmica atropelam a dignidade do trabalho e a coesão social.

No momento em que alcançarmos integrações também de natureza química — na mesma velocidade em que hoje ocorrem as de natureza digital —, haverá ainda mais motivos para preocupação. Afinal, a aceleração com que a inteligência artificial ganha terreno, conquista novos campos e consolida estruturas é impressionante.

Trata-se do ponto em que a tecnologia deixa de interagir apenas com circuitos de silício para se conectar diretamente com a biologia e com os processos neuroquímicos do cérebro humano. Ao atingirmos integrações de natureza química – na mesma velocidade em que hoje ocorrem as de ordem digital —, essa fronteira híbrida, embora promissora para a medicina e a biotecnologia, abrirá precedentes inéditos sobre o controle do comportamento e a manipulação da própria consciência. É por essa razão que os alertas sobre a velocidade com que a inteligência artificial ganha terreno e consolida estruturas se tornam tão urgentes.

Vale a pena recordar que o escritor e filósofo Umberto Eco, no final do século passado — quando a inteligência artificial consistia apenas em computadores mais rápidos na solução de determinados problemas —, já dizia que essa celeridade tornaria o homem descartável no futuro.

A discussão, portanto, ultrapassa os limites da tecnologia: o problema não está apenas no que as máquinas serão capazes de fazer, mas no que deixaremos de exigir do ser humano. Se a eficiência e a rapidez passarem a ser critérios suficientes para determinar o valor de uma atividade, corremos o risco de medir o homem pelos mesmos parâmetros que utilizamos para avaliar uma máquina.

O trabalho, entretanto, não representa apenas uma forma de produzir riqueza. Ele também participa da construção da identidade, da autonomia e do sentimento de pertencimento do indivíduo à sociedade. A substituição crescente do trabalho humano pela tecnologia, portanto, pode produzir consequências que vão muito além da economia: poderá atingir a própria percepção que o homem tem de sua utilidade e de seu lugar no mundo.

Por outro lado, em suas diretrizes éticas, o Papa Leão XIV, em sua encíclica, alerta que corremos riscos gravíssimos de ordem social se não houver cautela. Afinal, a substituição da mão de obra humana pela eficiência produtiva da inteligência artificial pode gerar grandes e irreparáveis impactos na vida humana.

Essa transformação alcança também atividades intelectuais que sempre dependeram do discernimento humano. No Direito, por exemplo, a inteligência artificial já pode realizar, em segundos, pesquisas e cruzamentos de informações que exigiriam horas de trabalho. Mas a decisão jurídica não se resume à localização da norma ou do precedente mais adequado. Interpretar, ponderar valores, avaliar circunstâncias concretas e assumir a responsabilidade pelas consequências de uma decisão são atividades que não podem ser reduzidas à velocidade de processamento de uma máquina. Quanto maior for a capacidade da inteligência artificial, portanto, maior será a necessidade de preservar a responsabilidade humana sobre aquilo que não pode ser decidido apenas pela eficiência.

Precisamos decidir quais limites jurídicos, econômicos e éticos serão impostos à inteligência artificial antes que a capacidade tecnológica determine, por si mesma, o nosso papel na sociedade. A previsão de Elon Musk – vinda de quem enriqueceu ao explorar o avanço tecnológico — deve servir como um alarme definitivo. Se não nos prepararmos  para impor balizas à automação, arriscamo-nos a caminhar para cenários de profunda desumanização, onde a ficção retratada em produções como no filme “O Exterminador do Futuro” deixará de ser um aviso distante para se tornar a nossa realidade.

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de S. Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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