Inteligência Artificial, governança e competitividade: lições europeias para o Brasil

Victoria Luz (*)

Participar do The International AI Summit 2025, na Bélgica, em dezembro passado, foi menos sobre conhecer novas ferramentas de Inteligência Artificial e mais sobre entender como a IA se tornou um tema central de estratégia econômica e política. Em Bruxelas, a discussão já não gira em torno de experimentação, mas de escala, governança e competitividade sistêmica.

Esse contraste ajuda a iluminar um ponto sensível para o Brasil: enquanto a Europa discute como estruturar a próxima década com IA, nós ainda debatemos se devemos regular, investir ou simplesmente “esperar o mercado”.

Inteligência artificial como política de desenvolvimento

Um dos aprendizados mais claros do evento foi o enquadramento da IA como política de Estado. Representantes da Comissão Europeia reforçaram que a adoção em larga escala só acontece quando há confiança. Essa visão está no centro do AI Act, o marco regulatório europeu.

Segundo a Comissão Europeia, no documento oficial do EU Artificial Intelligence Act (2024), o objetivo da regulação não é frear inovação, mas criar previsibilidade jurídica, classificar riscos e permitir que empresas saibam exatamente o que podem e o que não podem fazer ao desenvolver e usar sistemas de IA.

Para o Brasil, esse ponto é crucial. O debate em torno do Projeto de Lei 2338/2023, que cria o Marco Legal da IA, muitas vezes se perde entre o medo da burocratização e a defesa de uma autorregulação vaga. O que a Europa mostra é que regulação bem desenhada pode ser um catalisador de adoção, especialmente em setores tradicionais da economia.

Infraestrutura deixou de ser detalhe técnico

Outro eixo central da conferência foi infraestrutura. Não se falou apenas de modelos ou aplicações, mas de data centers, energia, chips e capacidade computacional. Segundo a International Energy Agency, no relatório Electricity 2024 Analysis and Forecast, os data centers já representam cerca de 1,5% do consumo global de eletricidade e podem dobrar esse percentual até 2030, impulsionados principalmente pela demanda de inteligência artificial. Esse dado apareceu repetidamente nos painéis como justificativa para tratar IA como tema estratégico de soberania.

Na prática, a União Europeia está investindo em AI Factories e Giga Factories, centros públicos de supercomputação voltados à pesquisa, inovação e uso industrial de IA. A lógica é simples: quem não controla minimamente sua infraestrutura não controla sua capacidade de inovar.

Para o Brasil, a analogia é direta. Hoje, somos quase totalmente dependentes de infraestrutura estrangeira para treinar modelos, rodar sistemas críticos e escalar aplicações. Isso não é um problema imediato, mas é um risco estrutural para setores como finanças, agronegócio, saúde e governo.

O maior gargalo não é tecnologia, é gente

Um ponto que apareceu de forma quase unânime nos debates foi o fracasso de projetos de IA por razões organizacionais, não técnicas. De acordo com a OCDE, no relatório AI in the Workplace (2024), mais de 70% dos projetos de inteligência artificial em grandes organizações europeias não avançam para produção por falta de capacitação, governança clara e integração com processos de negócio. A tecnologia existe, mas as pessoas e as estruturas não acompanham.

Esse diagnóstico conversa diretamente com a realidade brasileira. Vemos empresas pressionando times a “usar IA”, sem oferecer formação prática, diretrizes de uso ou clareza sobre objetivos. O resultado é uma profusão de pilotos que nunca viram resultado real.

Na Europa, a resposta tem sido investimento pesado em capacitação, desde programas de requalificação profissional até a inclusão de competências digitais e de IA nos sistemas educacionais. O aprendizado para o Brasil é direto: alfabetização em IA não pode ser restrita a desenvolvedores ou áreas técnicas. Ela precisa chegar à liderança, ao setor público e às pequenas empresas.

Pequenas e médias empresas no centro da estratégia

Outro aspecto relevante observado na conferência foi o foco explícito em pequenas e médias empresas. Diferente do discurso comum de que IA é território exclusivo de big techs, a Europa vem desenhando políticas para democratizar o acesso.

Segundo o World Bank, no relatório AI and Productivity Growth (2024), os maiores ganhos econômicos da IA não vêm apenas de inovações disruptivas, mas do aumento de produtividade média em pequenas e médias empresas. Por isso, países que conseguem levar IA para esse segmento tendem a capturar mais valor no longo prazo.

Na prática, isso se traduz em sandboxes regulatórios, hubs de inovação, acesso subsidiado à infraestrutura e apoio técnico. Para o Brasil, onde mais de 90% das empresas são PMEs, essa é talvez a lição mais importante: se a IA não chegar a esse grupo, o impacto macroeconômico será limitado.

O Brasil ainda tem tempo, mas não muito

O sentimento que fica após acompanhar as discussões na Bélgica é que o Brasil não está atrasado de forma irreversível, mas está em uma encruzilhada. Ainda temos a chance de aprender com a experiência europeia e adaptar essas lições à nossa realidade.

Segundo a OCDE, no estudo Global AI Policy Observatory (2024), países que conseguem alinhar regulação, infraestrutura e capacitação nos primeiros estágios da adoção de IA tendem a reduzir desigualdades e acelerar ganhos de produtividade de forma mais sustentável.

A AI International Conference 2025 deixou uma mensagem clara: a próxima década não será definida por quem tem o modelo mais avançado, mas por quem cria as melhores condições para que a inteligência artificial gere valor real para a economia e para a sociedade.

E isso, definitivamente, não é apenas uma decisão tecnológica. É uma escolha estratégica de país.

(*) Victoria Luz é especialista em Inteligência Artificial aplicada aos negócios e autora do best-seller “Além do Hype: Implementando IA com Propósito e Impacto”

 

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Em sua 7ª. Edição, Anuga Brazil promove a maior rodada de negócios já realizada em uma feira na América Latina

Evento de alimentos e bebidas tem a expectativa de movimentar R$ 200 milhões em três dias de reuniões entre compradores e expositores

Da Redação (*)

Brasília – Com expectativa de promover a maior rodada de negócios já realizada em uma feira na América Latina, a Anuga Select Brazil chega à sua 7ª edição como uma das principais plataformas de geração de oportunidades para a indústria de alimentos e bebidas no país. O evento será no Distrito Anhembi, entre os dias 7 e 9 de abril. Para bater a meta, cerca de cinco mil reuniões serão agendadas com mais de 300 expositores, o que representa 60% das marcas participantes do evento.

Foi confirmada pela organização a presença de 120 grandes compradores dos mercados nacional e internacional, que devem movimentar R$ 200 milhões. “O evento é construído com base em conexão, conteúdo e oportunidades comerciais. Quando reunimos um número significativo de expositores e promovemos a maior rodada de negócios da América Latina, estamos demonstrando a força do setor e impulsionando a economia deste segmento”, explica Polliana Claudino, gerente de Projetos da Anuga Brazil, promovida pela Koelnmesse Brasil.

A participação expressiva de empresas brasileiras e de mais de 38 nacionalidades na exposição somada à presença qualificada de compradores, com representação de diversos países da América Latina, reforça o espaço como um ambiente estratégico para o desenvolvimento do mercado. Nesse cenário, a rodada de negócios foi estruturada para acelerar negociações, expandir o mercado, encurtar o ciclo de fechamento de contratos e ampliar as chances de parcerias efetivas, conectando fornecedores preparados a compradores com intenção real de aquisição.

Na última edição, a rodada contou com mais de 60 hosted buyers trazidos pelo evento, com compradores internacionais convidados pela Apex-Brasil e com representantes de redes hoteleiras ligadas ao Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Ao todo, foram realizadas 2654 reuniões. Em 2026, ambos mantêm a parceria com o evento, que ainda vai contar com compradores indicados pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi).

Além do impacto econômico, o evento também se destaca pelo compromisso com a responsabilidade social. A parceria com o Sesc Mesa Brasil amplia novamente o alcance social da iniciativa e contribui diretamente para o combate ao desperdício de alimentos e o apoio a instituições sociais, alinhando o crescimento do setor a práticas sustentáveis e de impacto positivo.

Novas Atrações

Nesta edição, a programação traz novidades que ampliam a experiência dos visitantes e fortalecem a conexão entre conteúdo, negócios e tendências de mercado. Um dos destaques é a Private Label Brazil, evento dedicado ao mercado de Marcas Próprias e Terceirização Industrial, que passa a ser realizado junto à Anuga Brazil a partir de 2026. Ele tem foco no desenvolvimento da estratégia de Marcas Próprias em categorias variadas no varejo e no estímulo à terceirização e comanufatura nas indústrias.

Outra estreia na agenda é o Cooking Show sob o comando da Casa Flora, que contará com demonstrações ao vivo, receitas exclusivas e a participação de chefs renomados apostando em produtos importados e experiências gastronômicas diferenciadas. Além disso, o evento contará ainda com o espaço Burger Trends, criado em parceria com a Speed Burger, que além do podcast Burger no Papo com convidados de destaque do setor, promoverá uma competição inédita entre os maiores hamburgueiros do Brasil, apresentando inovações e lançamentos do segmento.

“O Brasil reúne todos os atributos para ampliar sua relevância no mercado global de alimentos e bebidas. O país tem uma base produtiva sólida, com diversidade agrícola e capacidade de inovação, o que torna a indústria cada vez mais preparada, inclusive para competir internacionalmente”, destaca Polliana.

“O segmento de food service, por exemplo, é um dos motores desse crescimento, com um mercado em constante expansão, que movimenta centenas de bilhões de reais por ano e, consequentemente, demanda renovação constante, desenvolvimento de novos conceitos e soluções cada vez mais eficientes. Justamente por esse potencial e pela força do segmento, a Anuga Select Brazil tem investido na criação de espaços dedicados a empresas que atuam com o modelo de negócio”, finaliza.

Serviço

ANUGA SELECT BRAZIL

Dias: 7,8 e 9 de abril de 2026

Horário: 10 às 19h

Local: Distrito Anhembi

Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana, São Paulo – SP, 02001-900

Mais informações: https://anuga-brazil.com.br/

(*) Com informações da Koelnmesse Brasil

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Parque Nacional do Iguaçu recebeu 252 mil visitantes no melhor mês de janeiro da história

Da Redação (*)

Brasília – O Parque Nacional do Iguaçu iniciou o ano de 2026 quebrando recordes e posicionando-se entre os atrativos mais buscados por turistas em todo o mundo. Em janeiro, a casa das Cataratas do Iguaçu recebeu 252.803 visitantes, estabelecendo um novo marco para o mês e superando em 2,79% o maior número até então (245.934), conquistado em janeiro de 2020, período anterior à pandemia. O aumento é 7.86% superior se comparado com o do mesmo período do ano passado, quando 234 mil visitantes passaram pelo parque.

“O crescimento nesse período reflete a busca por experiências em contato com a natureza, a ampliação das atividades no Parque Nacional do Iguaçu e as melhorias no atendimento ao visitante. Mais que resultados pontuais, esse avanço traduz a visão de futuro da Urbia+Cataratas, ampliando o contato responsável das pessoas com a natureza. Os esforços conjuntos de todo o trade turístico da região têm sido fundamentais para o desempenho”, destaca o CEO Mario Macedo Junior.

Destaque para os brasileiros

Os cidadãos do Brasil corresponderam a 64% dos visitantes no mês, com 163.648 pessoas, vindos principalmente dos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Do quadro geral, os estrangeiros correspondem a 36%, com 89.155 visitantes. Os principais turistas de outros países são os vizinhos argentinos e paraguaios, seguidos dos estadunidenses, alemães, chineses, chilenos, peruanos e franceses.

Expectativas superadas

Pensando no aumento de público durante a alta temporada de final de ano e férias escolares, a Urbia+Cataratas ampliou em uma hora o atendimento entre os 20 de dezembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, esperando receber cerca de 340 mil visitantes. Nesse período, 349.886 pessoas visitaram a unidade, superando em 2,91% as expectativas.

Carnaval nas Cataratas

Para uma melhor experiência do visitante, o Parque Nacional do Iguaçu abrirá uma hora mais cedo durante os dias 14, 15, 16 e 17 de fevereiro, período em que a visitação deve aumentar devido ao feriado de Carnaval. Além disso, uma programação especial com atividades interativas, músicas e feirinha vão marcar o período comemorativo. A experiência exclusiva com café da manhã, Amanhecer nas Cataratas, será realizada em datas extras durante os quatro dias.

Para visitar o Parque Nacional do Iguaçu, é recomendado adquirir o ingresso antecipadamente pelo site oficial cataratasdoiguacu.com.br. Para uma visita mais tranquila, a gestão da Urbia+Cataratas aconselha a chegada também antecipada com relação ao horário do bilhete, garantindo um embarque mais rápido.

(*) Com informações do Parque Nacional do Iguaçu

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Região Sudeste domina os céus do Brasil com 47% dos passageiros do mercado doméstico em 2025

De pontes aéreas lotadas a rotas internacionais estratégicas, região concentra passageiros, cargas e os aeroportos mais movimentados do país

Da Redação (*)

Brasília – O transporte aéreo brasileiro em 2025 teve um protagonista absoluto: a Região Sudeste. Sozinha, ela concentrou aproximadamente 47% dos passageiros do mercado doméstico, reafirmando seu papel como principal eixo da aviação nacional. Os dados foram compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) a partir de relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Ao todo, 101 milhões de pessoas circularam pelos aeroportos da região ao longo de 2025. Entre os terminais da região dois clássicos continuam no topo do movimento doméstico: Guarulhos/SP respondeu por 14,7% do total, enquanto Congonhas/SP ficou logo atrás, com 11,8%. Juntos, ajudam a explicar por que São Paulo segue sendo o grande coração aéreo do país.

No mercado internacional, a concentração é ainda mais expressiva. Os aeroportos de Guarulhos (SP) e do Galeão (RJ) somaram 38,7% de todo o mercado internacional brasileiro, processando mais de 22 milhões de passageiros que cruzaram as fronteiras em 2025. Em outras palavras, a cada dez viajantes internacionais no Brasil, quase quatro passaram por esses dois aeroportos.

Congonhas-Santos Dumont, rota de destaque

Dentro da região, algumas rotas se destacam como verdadeiros corredores aéreos. A mais movimentada do ano foi a clássica ponte aérea Congonhas/SP–Santos Dumont/RJ, que transportou 3,9 milhões de passageiros e somou 36 mil voos. Um fluxo diário que reflete a intensa ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Logo atrás aparece a rota Congonhas/SP–Brasília/DF, com 2,3 milhões de passageiros e mais de 17 mil voos, reforçando a conexão entre o centro político do país e seu principal polo econômico.

O domínio da região não se limita ao transporte de pessoas. No segmento de cargas aéreas, o Sudeste também lidera. Guarulhos concentrou 27% de todo o mercado, seguido por Viracopos, com 10,8%. A rota de carga mais representativa de 2025 foi Guarulhos/SP–Miami/EUA, responsável pelo transporte de mais de 77 mil quilos de produtos, evidenciando a força da ligação logística entre o Brasil e os Estados Unidos.

Com tamanha concentração de passageiros, cargas e rotas estratégicas, o Sudeste consolida sua posição não apenas como o maior centro operacional do país, mas como um elemento vital para a conectividade aérea brasileira.

(*) Com informações da ANAC

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Caso Banco Master revela como crises nascem antes da manchete

Lucas Mantovani (*)

Durante anos, crises corporativas obedeceram a uma lógica relativamente estável. Eram desencadeadas por reportagens, investigações formais ou disputas judiciais visíveis, o que concedia às empresas algum grau de previsibilidade e tempo de reação. Essa lógica não apenas se esgotou como passou a induzir respostas equivocadas. Insistir nesse modelo revela uma leitura ultrapassada de como o poder reputacional opera no ambiente digital.

Atualmente, crises não surgem de fatos tornados públicos, mas de narrativas em formação. Elas se iniciam em grupos fechados de mensagens, interações fragmentadas nas redes sociais, fóruns privados e canais informais de circulação de informação. Quando alcançam a esfera pública, já não são potenciais crises, e sim crises consolidadas, sustentadas por percepções, emoções e julgamentos prévios. Tratar esse momento como ponto de partida é ignorar que o processo decisivo já ocorreu fora do alcance institucional.

O episódio envolvendo o Banco Master evidencia com clareza essa dinâmica. A investigação sobre a suposta contratação de influenciadores para atacar o Banco Central, independentemente de seu desfecho jurídico, demonstra como versões passam a circular, ganhar adesão emocional e se solidificar antes de qualquer manifestação institucional. É a narrativa que se organiza em torno do fato, em um ambiente descentralizado e acelerado, que efetivamente estabelece a crise.

Esse deslocamento expõe um problema estrutural, em que instituições continuam operando com tempos de resposta incompatíveis com a velocidade do digital. Dados da Social Rails indicam que 90% das crises se espalham primeiro pelas redes sociais antes de alcançarem a imprensa tradicional, e empresas com planos estruturados de gestão de crise sofrem até 67% menos danos reputacionais e apresentam até 89% mais retenção de clientes quando as crises são tratadas de forma profissional.

A diferença não está na comunicação posterior, e sim na capacidade de antecipação e leitura do ambiente. Isso significa que, quando a resposta formal ocorre, ela costuma ser tardia, reativa e desconectada do debate real que já está em curso. O ponto mais crítico dessa transformação está na origem das crises. Elas deixaram de nascer em ambientes regulados, mediados por critérios jornalísticos, jurídicos ou institucionais. Formam-se em espaços que escapam às ferramentas tradicionais de compliance, gestão de risco e comunicação corporativa.

É nesses ambientes que percepções são moldadas, culpabilidades são atribuídas e reputações começam a ser corroídas, frequentemente sem contraditório, contexto ou verificação. No Brasil, esse cenário é agravado por uma fragilidade estrutural de governança. Segundo a pesquisa “O Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil em 2025”, da Knewin, 88% das empresas afirmam não estar preparadas para lidar com crises reputacionais. O dado expõe uma compreensão limitada do que efetivamente constitui risco no ecossistema digital contemporâneo.

Persistir na ideia de que crises são eventos excepcionais é um erro estratégico. Crises, hoje, são processos contínuos, silenciosos e cumulativos. Acionar áreas jurídicas e de comunicação apenas quando o problema se torna público equivale a reagir ao efeito e ignorar deliberadamente a causa. Em um ambiente descentralizado, essa postura não reduz danos, tende a amplificá-los.

Ignorar a gestão de riscos reputacionais como eixo da governança corporativa já não é uma opção viável, o que exige a integração entre jurídico, comunicação, tecnologia e liderança estratégica em processos permanentes de monitoramento, análise de narrativas e tomada de decisão ágil. Não se trata de vigilância excessiva, mas de inteligência institucional voltada à compreensão do ambiente antes que ele imponha suas próprias conclusões.

Diante disso, crises que nascem no digital não são falhas pontuais de comunicação. São sintomas claros de governança incapaz de se adaptar à lógica contemporânea da informação. Em um cenário hiperconectado, governança deixa de ser apenas cumprimento de normas e passa a exigir leitura estratégica de contexto, capacidade de antecipação e respostas coerentes com a complexidade do ambiente. Desconsiderar essa mudança equivale a aceitar que riscos silenciosos se transformem em crises públicas, previsíveis, evitáveis e cada vez mais frequentes.

(*) Lucas Mantovani é sócio cofundador da SAFIE Consultoria, especialista em Direito Empresarial e da Tecnologia pela PUC/MG. Com vasta experiência na implementação de programas de conformidade e governança corporativa, Mantovani destaca-se por sua abordagem prática e solução-orientada, ajudando empresas a transformar obrigações legais em alavancas estratégicas para o crescimento sustentável

 

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Datamar lança DatamarLab: novo hub de excelência em IA e pesquisa aplicada para o comércio exterior na América do Sul

Da Redação (*)

Brasília – A Datamar, líder em inteligência de dados de comércio marítimo, anuncia o lançamento do DatamarLab. Concebido como um braço estratégico de inovação, o laboratório nasce com a missão de ser o principal centro de excelência em pesquisa aplicada e formação de talentos no ecossistema de Inteligência de Cargas da América do Sul.

Em um cenário global marcado por disrupções logísticas e pela urgência da transição sustentável, o DatamarLab integra Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning à base histórica de dados da Datamar para transformar informações brutas em inteligência acionável.

Inovação com Rigor Acadêmico e Prática de Mercado

O laboratório conta com a consultoria do Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior, pesquisador em Sistemas Cognitivos Artificiais e Robótica Social da UNIFESP. Um diferencial do projeto é a colaboração ativa de mestrandos e doutorandos vinculados a grupos de pesquisa acadêmica, o que assegura o compromisso da iniciativa em unir a vanguarda acadêmica à realidade prática do setor.

“Existe uma lacuna histórica entre o conhecimento científico e a prática corporativa. No DatamarLab, não buscamos IAs que entreguem respostas prontas, mas sim caminhos baseados em dados que sejam avaliados sob critérios de eficiência e contexto real”, afirma o professor Walter.

Eixos Estratégicos de Atuação

O DatamarLab estrutura suas atividades em eixos que abrangem desde a inovação disruptiva até a capacitação técnica:

  • P&D Experimental e Aplicado: Exploração de tecnologias disruptivas e desenvolvimento de soluções baseadas em IA/ML focadas em problemas reais do comércio exterior.
  • Agilidade em Prototipagem: Desenvolvimento de MVPs e provas de conceito para validar inovações com rapidez e eficiência.
  • Inteligência Estratégica: Análises aprofundadas de competitividade, participação de mercado e mapeamento de novas fronteiras comerciais na América do Sul.
  • Transferência de Conhecimento: Produção de relatórios técnicos, artigos científicos e estudos de caso que elevam o padrão de informação do setor.
  • Fomento ao Ecossistema: Construção de pontas entre a Datamar, o ambiente acadêmico (universidades/pesquisadores) e hubs de tecnologia.
  • Educação e Cultura: Formação de talentos especializados através de hackathons e treinamentos práticos de alto impacto.

Soluções para o Futuro do Setor

As soluções do DatamarLab focarão em áreas críticas, como a otimização de rotas, cálculo de custos logísticos e monitoramento de impactos ambientais, garantindo que exportadores, importadores e formuladores de políticas públicas tenham ferramentas de ponta para sua tomada de decisão.

Com o objetivo de expandir o impacto dessas frentes de atuação, o DatamarLab mantém um programa contínuo de colaboração com o mercado. Detalhes institucionais completos, bem como as diretrizes para parcerias estratégicas e cotas de patrocínio, estão disponíveis no portal oficial da iniciativa.

Organizações que buscam liderar a agenda de inovação no comércio internacional podem acessar benefícios exclusivos, incluindo participação em conselhos consultivos e acesso antecipado a pesquisas proprietárias. Maiores informações serão disponibilizadas diretamente através do website oficial da iniciativa.

(*) Com informações da Datamar

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Estudo da ApexBrasil identifica 378  produtos com potencial de exportação para a Índia

Estudo mapeia setores estratégicos e identifica mais de 370 produtos brasileiros com potencial de exportação.

Da Redação (*)

Brasília – A ApexBrasil lançou o estudo Perfil de Comércio e Investimentos Índia 2026, que apresenta uma análise estratégica da relação econômica entre o Brasil e uma das maiores e mais dinâmicas economias do mudo. O material detalha o avanço do comércio bilateral, oportunidades para exportações brasileiras e o crescimento dos investimentos entre os países.

Com a maior população do planeta, estimada em 1,5 bilhão de habitantes, e um PIB de aproximadamente US$ 4,18 trilhões (o 5° maior do mundo), a Índia combina escala, crescimento acelerado e demanda crescente por alimentos, energia, infraestrutura e tecnologia. Esses fatores tornam o país um mercado prioritário para a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras.

No campo do comércio exterior, o estudo aponta uma evolução significativa da presença brasileira no mercado indiano. Entre 2005 e 2025, a Índia passou da 23° para a 10° posição entre os principais destinos das exportações do Brasil, com crescimento médio anual de 9,4%, percentual superior à média global. Somente em 2025, as exportações brasileiras para o país alcançaram US$ 6,9 bilhões, valor seis vezes maior que o registrado em 2005.

A pauta exportadora brasileira para a Índia é liderada por produtos como petróleo, açúcares e melaços, óleos vegetais, minério de ferro e algodão em bruto, refletindo a forte demanda do país por matérias-primas e insumos essenciais ao seu crescimento econômico.

Diversificação da pauta exportadora brasileira, o grande desafio

Além do comércio tradicional, o estudo identifica oportunidades concretas para a diversificação das exportações brasileiras. Ao todo, foram mapeados 378 produtos com potencial de inserção no mercado indiano, com destaque para combustíveis minerais, ouro, minérios, celulose, máquinas e equipamentos industriais e de geração de energia, além de matérias-primas e commodities como soja e minério de ferro.

A ApexBrasil mantém atualmente sete projetos setoriais dedicados à exportação em setores como alimentos, construção, máquinas e equipamentos, moda, tecnologia e saúde. Projetos que reforçam o apoio institucional às empresas brasileiras interessadas em atuar no mercado indiano.

No que diz respeito ao acesso ao mercado, 2025 marcou avanços importantes na relação bilateral. Foram anunciadas aberturas para produtos brasileiros como limão tahiti, limão siciliano, tangerina e similares, além de derivados de ossos bovinos para produção de gelatina e chifres e cascos para uso industrial, ampliando as possibilidades de exportação do agronegócio e da indústria nacional.

O estudo também destaca o crescimento dos investimentos indianos no Brasil. Em 2024, o estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) da Índia no país alcançou US$ 2,1 bilhões, colocando o país asiático como o 6° maior investidor da Ásia no Brasil. A presença indiana é especialmente relevante no setor de motocicletas, com empresas como Bajaj, Hero MotoCorp, e Royal Enfield investindo na instalação e expansão de fábricas e redes de concessionárias em todo o território brasileiro.

Com base nesses dados, o Perfil de Comércio e Investimentos Índia reforça o potencial do país como parceiro estratégico do Brasil e pavimenta o caminho das empresas brasileiras com informações para ampliar a presença de empresas brasileiras em um dos mercados mais promissores da economia global.

Acesse o estudo

(*) Com informações da ApexBrasil

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Fórum Empresarial Russo-Brasileiro debate oportunidades de negócios e parcerias em setores estratégicos

Evento busca abrir novas oportunidades de negócios e parcerias em setores estratégicos como segurança alimentar, agronegócio e inovação

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) promove nesta quinta-feira (5), às 14 horas, em Brasília–DF, o Fórum Empresarial Russo-Brasileiro, com a participação do vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Estarão presentes autoridades governamentais, lideranças empresariais e representantes dos setores produtivos dos dois países para discutir oportunidades de cooperação econômica, comercial, tecnológica e de investimentos.

O evento integra a agenda bilateral destinada a ampliar o diálogo estratégico entre Brasil e Rússia, fortalecendo laços históricos e abrindo novas perspectivas para empresas brasileiras em um cenário global em transformação.

“É um espaço para reafirmarmos o compromisso do Brasil com uma integração econômica que gere oportunidades concretas para nossas empresas”. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil

A cerimônia de abertura do Fórum Empresarial Russo-Brasileiro contará ainda com a presença do primeiro-ministro da Federação da Rússia, Mikhail Mishustin; da chefe do Escritório da ApexBrasil em São Paulo, Marcia Nejaim; do presidente da FIBRA/CNI, Jamal Jorge Bittar; do presidente do Conselho Empresarial Rússia-Brasil, também presidente da parte russa do Conselho Empresarial dos BRICS e da Associação Russa de Produtores de Fertilizantes, Andrei Gurvey; e do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café e do Conselho Empresarial Brasil-Rússia, Pavel Cardoso.

Em 2025, o Brasil exportou para a Rússia por volta de US$ 1,5 bilhão, principalmente carne bovina, café não torrado e soja. Já nas importações, as vendas russas totalizaram US$ 9,4 bilhões, concdentradas principalmente petróleo e fertilizantes embarcados para o mercado brasileiro.

O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 217 oportunidades de exportação de produtos nacionais para o mercado russo em segmentos como materiais de construção, couro, ferramentas, talheres, entre outros. A Agência tem sete projetos setoriais com foco no país nas áreas de alimentos e bebidas, agronegócio, saúde, máquinas e equipamentos. A demanda russa de alimentos converge com a oferta brasileira em setores estratégicos e amplia o potencial de crescimento na relação comercial.

Durante o evento, representantes de diversos segmentos da economia vão compartilhar experiências e discutir soluções para as cadeias produtivas. O objetivo é aproximar setores público e privado, explorar novas alternativas de comércio exterior, impulsionar parcerias voltadas ao desenvolvimento sustentável e identificar caminhos para expansão das exportações brasileiras. Os debates incluem a diversificação de mercados, segurança alimentar, inovação industrial, tecnologias emergentes e logística.

Serviço

Fórum Empresarial Russo-Brasileiro

Data: quinta-feira, dia 5 de fevereiro de 2026
Horário: 14h
Local: Palácio do Itamaraty – Sala San Tiago Dantas – Esplanada dos Ministérios – Bloco H – Brasília-DF

Credenciamento Fórum Econômico Brasil-Rússia Accreditation Brazil-Russia Economic Forum – Preencher o formulário

Perfil de Comércio de Investimentos – Rússia: clique aqui para acessar.

Programação:

14h00 – 15h00 – Welcome e credenciamento

15h00 -15h40 – Abertura do Fórum

15h45 – 16h30 – Painel I: Cooperação comercial e de investimento entre a Rússia e o Brasil: soluções para um futuro sustentável

16h30 – 17h15 – Painel II: Parceria entre a Rússia e o Brasil para garantir a segurança alimentar

17h15 – 18h00- Painel III: Perspectivas para o desenvolvimento do diálogo russo brasileiro no campo das tecnologias industriais e de TI

(*) Com informações da ApexBrasil

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Missão da ApexBrasil na África visa aprofundar cooperação e ampliar comércio bilateral com o continente

Iniciativa visa aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou, nesta segunda-feira (2), em Nairóbi, a estruturação de um programa de apoio às exportações brasileiras para o continente africano. O anúncio foi feito pelo presidente da Agência, Jorge Viana, durante a etapa queniana da Missão África 2026, iniciativa organizada pela ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o objetivo de aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos da África.

A missão em Nairóbi reuniu 26 empresas brasileiras e cooperativas, além de instituições parceiras como Sebrae, Anvisa e Embrapa, e promoveu 230 reuniões de negócios. O foco desta etapa está na segurança alimentar, no desenvolvimento da cadeia agroindustrial queniana, no fortalecimento do complexo industrial da saúde e na transferência de tecnologia – áreas consideradas prioritárias para a cooperação entre Brasil e Quênia.

Ao anunciar a iniciativa, Jorge Viana destacou que a ação se alinha à retomada da cooperação econômica do Brasil com o continente africano, uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana ressaltou ainda a necessidade de unir forças para impulsionar o comércio com a região. “Algo que precisamos também, é retomar o financiamento para exportações. Já tivemos e foi um erro ter acabado, é uma iniciativa que traz benefícios para o Brasil e também aos países africanos”, comentou.

O programa contará com aporte de recursos, colaboração de parceiros como a Embrapa, Sebrae e Fiocruz e atuação regionalizada da Agência, apoiando-se nas representações nas diferentes regiões da África para compreender as especificidades de cada mercado, gerar melhores resultados para as empresas brasileiras e estreitar os laços com parceiros locais e institucionais.

Atuação estratégica 

Durante a abertura do encontro, Jorge Viana ressaltou que o continente africano ocupa posição estratégica na política externa e comercial brasileira, tanto pelo potencial de crescimento quanto pelas afinidades históricas, culturais e produtivas. O presidente da ApexBrasil destacou que a atuação da Agência na África é organizada de forma regionalizada, abrangendo Norte da África, África Ocidental, África Oriental e Sul da África e que, nos últimos três anos, a Agência realizou sete missões empresariais em 16 países africanos, além de participar de feiras e ações no Quênia, Angola, Moçambique, África do Sul e Egito.

Durante o seminário, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, destacou que as áreas de saúde e segurança alimentar seriam prioritárias nos debates no Quênia. “Temos aqui um debate qualificado das duas partes e áreas com grande potencial de estabelecimento de parcerias, principalmente na transferência de tecnologia no setor agropecuário e no compartilhamento de experiências em toda a cadeia de valor de insumos farmacêuticos, desde a matéria prima ao produto finalizado”, afirmou.

A CEO da KEPROBA (Kenya Export Promotion and Branding Agency), Floyce Mukabana, ressaltou os fortes laços diplomáticos entre as duas nações. “O Brasil se destaca no cenário internacional na agricultura, energia e manufatura e podemos explorar essa parceria em prol de ambos os países”, disse Floyce.

A cerimônia de abertura contou ainda com a participação da encarregada de negócios da Embaixada do Brasil em Nairóbi, Daniella Araujo; do diretor do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Alex Giacomelli; do diretor de investimentos em infraestrutura da Invest Kenya, Rogers Amisi; da CEO da KEPROBA, Floice Mukabana; e do secretário principal para Promoção de Investimentos do Ministério de Investimentos, Comércio e Indústria do Quênia, Abubakar Hassan Abubakar.

Na sequência, foram realizadas apresentações sobre as conexões Brasil-Quênia, com contribuições de representantes do setor privado e institucional dos dois países, reforçando oportunidades de cooperação e investimento bilateral.

Programação 

A programação incluiu ainda dois painéis temáticos centrais. O painel sobre Saúde, Mobilidade e Tecnologia foi moderado pela diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, e reuniu Felipe Carvilhe, gerente de unidade de negócios da Fundação Butantan; Brenno Alves, diretor da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFIR); Moses Nderitu, diretor-geral da BasiGo; e o Dr. Eric Musau, presidente da Associação de Hospitais Privados do Quênia. O debate destacou o potencial de cooperação em inovação, mobilidade sustentável, equipamentos médicos e fortalecimento dos sistemas de saúde.

Já o painel sobre Segurança Alimentar foi moderado por Laudemir Muller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil, e contou com a participação de Juan Lebrón, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu; Rayane Alvarenga, coordenadora da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); José Ednilson Miranda, representante da Embrapa para a África Subsaariana; Marcos Brandalise, CEO da BrazAfric; e Tim Chesire, CEO da Makongi Agri Limited. O painel abordou soluções para o desenvolvimento agroindustrial, aumento da produtividade, mecanização agrícola e cooperação tecnológica para garantir segurança alimentar e crescimento sustentável.

A agenda em Nairóbi incluiu ainda sessões de networking, 230 reuniões de negócios e encontros institucionais, reforçando o papel da missão como plataforma concreta para geração de negócios e parcerias de longo prazo entre empresas brasileiras e africanas. Para as próximas etapas, a missão segue para Kigali, em Ruanda e em seguida Adis Abeba, na Etiópia.

Quênia – maior economia da África Oriental

O Quênia consolida-se como a maior economia da África Oriental, com crescimento projetado de 5,4% a partir de 2026, sustentado por reformas estruturais, maior integração regional e fortalecimento do setor de serviços. Em 2025, o Brasil exportou US$ 122,7 milhões para o Quênia, com crescimento médio anual de 19,7% entre 2021 e 2025.

De acordo com estudo da ApexBrasil, foram identificadas oportunidades para 179 produtos brasileiros no mercado queniano, com destaque para máquinas e equipamentos de transporte, artigos manufaturados, produtos alimentícios e animais vivos, além de produtos químicos. Com uma população em forte crescimento e jovem, com mais de 70% das pessoas com menos de 30 anos, o país apresenta um ambiente próspero e diverso para estabelecimento de negócios e parcerias.

(*) Com informações da ApexBrasil

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ApexBrasil visita empresa de torrefação de cafés especiais que vende o produto brasileiro nos Emirados Árabes

Empresa de Dubai esteve no Brasil em 2025 durante edição do programa Exporta Mais Brasil de Cafés Especiais que gerou R$ 134 milhões em negócios

Da Redação (*)

Brasília – Além de coordenar a delegação brasileira com 192 empresas na Gulfood 2026 – a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio -, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está com agenda intensa de prospecção e promoção da imagem do país na região.

Na sexta-feira (30), foi a vez de dar atenção ao setor de cafés especiais. O presidente da Agência, Jorge Viana, acompanhado do gerente de Agronegócio, Laudemir Muller, e da gerente geral do Escritório da ApexBrasil em Dubai (EA Dubai), Tatiana Riera, realizou visita técnica à Cypher Urban Roastery, empresa de cafés especiais fundada em Dubai em 2016. A Cypher conheceu os cafés especiais do Brasil em 2025, durante rodada do programa Exporta Mais Brasil voltado para o produto, e hoje vende cafés brasileiros especiais na região.

“Com a criação do Exporta Mais Brasil, focado em levar compradores do mundo inteiro para o Brasil, colocamos esses compradores de frente com o que temos para oferecer ao mundo, em diferentes regiões. Fizemos 25 eventos desses e temos uma programação para mais 40”, explicou Jorge Viana, destacando o importante papel dos escritórios internacionais da Agência que fazem a arregimentação desses compradores ao redor do mundo.

“Os escritórios da ApexBrasil pelo mundo estão cumprindo um papel extraordinário. Nos Emirados Árabes, nosso escritório viabilizou a ida de empresas que são hoje uma referência no mundo árabe, trabalham com foco em cafés especiais e tem um potencial enorme da vender os cafés do Brasil pra o mercado árabe”, destacou.

Tatiana Riera, gerente geral do EA Dubai, destacou o importante papel da ApexBrasil para o relacionamento do país com outros mercados e os exportadores brasileiros. “Esse é nosso principal papel, conectar o comprador internacional com o mercado local.

Somos essa ponte entre o Brasil e o mercado internacional – como fazemos aqui em Dubai”, afirmou. “Nossa parceria com os Emirados Árabes começou quando os convidamos para participar do Exporta Mais, esse projeto comprador o qual levamos todos ao Brasil para conhecer os produtos. Nesse caso da Cypher fomos às fazendas de café especial. Esse é um projeto muito especial”, reforçou.

Jommalyn Angeles foi a representante da Cypher Urban Roastery que participou das rodadas de negócios e visitas técnicas do Exporta Mais Brasil de Cafés Especiais no ano passado. O programa passou pelo Acre, Minas Gerais e Espírito Santo. Ao longo do percurso, cerca de 80 produtores brasileiros apresentaram seus produtos para 24 compradores internacionais de diferentes países, entre eles, Jommalyn. .

Ao longo da edição, eles participaram de degustações (cupping), visitas técnicas e rodadas de negócios com os produtores brasileiros, reforçando a conexão direta entre origem, qualidade e mercado. “Minha experiência no Brasil não tem paralelo. Foi incrível. Desde as pessoas, o solo, até a xícara. As histórias poderosas que os produtores brasileiros compartilharam com a gente foi incrível. A equipe da Apex é muito prestativa, têm muita paciência, pois receber um grupo grande não é fácil”, afirmou Jommalyn, parabenizando a Agência.

Na visita à Cypher, em Dubai, Jorge Viana e equipe da ApexBrasil foram recebidos pelo fundador e CEO da empresa, Mohamad Merhi, que apresentou toda a área de trabalho da empresa e reforçou o potencial do produto brasileiro na região. “O que vocês estão fazendo com esse programa é fantástico”, disse Mohamed. “Convidar as empresas de fora para conhecer e conversar diretamente com os produtores de café do seu país sobre o potencial deles, a história deles, é fantástico”, reforçou. “Aqui fazemos um blending de cafés de El Salvador, de Honduras, do Brasil, e assim termos um mix de diferentes países. Então essa é a vantagem que nós temos. A gente traz esses cafés para cá, prepara e vende”, explicou.

Expectativa de faturamento de US$ 3,5 bilhões na Gulfood

Enquanto isso, desde o dia 26 de janeiro, a delegação brasileira de empresas de diferentes segmentos, inclusive cafés especiais, seguem fazendo sucesso na Gulfood. Neste ano, a feira ocorre simultaneamente em dois locais: no Dubai World Trade Centre (DWTC) e no Dubai Exhibition Centre (DEC), na Expo City. A feira está dividida por setores, com carnes, proteínas e bebidas concentradas no DWTC, enquanto no DEC estão grãos, pulses, ‘world food’ e segmentos emergentes de alto valor agregado, como inovação alimentar, sustentabilidade, tecnologia para a indústria e startups.

Com cerca de 8,5 mil expositores de 130 países, esta edição do evento deve receber mais de 150 mil visitantes. A expectativa da ApexBrasil é que os negócios gerados pelo Brasil no evento ultrapassem US$ 3,5 bilhões.

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