Exportações do estado do Rio crescem 20% no acumulado do ano; importações têm queda de 16%, aponta boletim da Firjan

O aumento das exportações de petróleo no estado do Rio pode ser explicado pelo crescimento de 207% nos embarques destinados à Índia (US$ 2,7 bilhões) e de 51% à China (US$ 16,9 bilhões). Em contrapartida, as vendas para os EUA diminuíram 50%, um valor total de US$ 1,3 bilhão.

Da Redação (*)

Brasília – As exportações do estado do Rio somaram US$ 38,3 bilhões, entre janeiro e agosto deste ano, representando um aumento de 20% em comparação ao mesmo período de 2025. A indústria de petróleo e gás foi responsável pelo desempenho positivo, com o mesmo índice de crescimento, atingindo US$ 30,5 bilhões, o que representa 80% da pauta exportadora estadual. Os dados são do Boletim Rio Exporta, produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

A análise revela também que, no total, a balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 55,3 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 251 bilhões e importações de US$ 196 bilhões. O estado do Rio se mantém entre os principais participantes nacionais, contribuindo com 12% deste montante, correspondentes a US$ 54,8 bilhões.

O aumento das exportações de óleos brutos de petróleo no estado do Rio de Janeiro pode ser explicado pelo crescimento de 207% nos embarques destinados à Índia (US$2,7 bilhões) e de 51% à China (US$16,9 bilhões) – principal parceiro comercial fluminense. Em contrapartida, os negócios exteriores com os Estados Unidos diminuíram 50%, um valor total de US$1,3 bilhão.

No que se refere às importações de petróleo, o volume somado no período foi de US$ 1,9 bilhão, indicando uma variação positiva de 24% em relação ao mesmo período de 2025. As compras originárias da Arábia Saudita, principal fornecedora do insumo (US$ 1,4 bilhão; 72% do total importado), apresentaram aumento de 17%.

Crescimento fora do mercado de petróleo

As exportações fluminenses, desconsiderando petróleo, registraram crescimento de 22% (US$ 7,8 bilhões). O mercado estadunidense manteve-se como o principal destino nesta categoria, com participação de 34% e movimentação de US$ 2,7 bilhões. No entanto, houve redução de 52% nas exportações para os Países Baixos (US$ 103 milhões), em decorrência da redução de 96% nas vendas de óleos combustíveis (US$ 3,4 milhões). O destaque ficou para os embarques de automóveis de passageiros, com aumento de mais de 1.000%, somando US$ 69,3 milhões, principalmente destinados ao México.

Um segmento que também registrou boa performance na balança foi o de indústria de Máquinas e equipamentos. O crescimento de 34%, totalizando US$ 907 milhões, foi impulsionado pelo aumento de 31% nas exportações de bombas, compressores, ventiladores e coifas (US$356 milhões). Também destaca-se a alta de 119% nos embarques de rolamentos e engrenagens, partes e peças (US$ 94,8 milhões).

Queda de 16% nas importações

No total, as importações fluminenses somaram US$ 16,5 bilhões no acumulado de janeiro a agosto, representando uma queda de 16% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A principal indústria importadora foi a de Outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores, com US$ 3,3 bilhões em importações, mas com variação negativa de 48%. O recuo é atribuído, principalmente, à pequena aquisição de motores e turbinas para aviação e suas partes, que representou menos de 1% da pauta importadora do estado (US$ 56,0 milhões) e caiu 98%, em relação a 2025.

Destaca-se ainda a redução de 16% nas importações dos “demais produtos” (US$ 6,3 bilhões), categoria que reúne todos os itens fora dos 15 principais do ranking e que respondeu por 38% do total importado, impactando na redução da categoria.

Nas importações fluminenses, excluindo petróleo, a queda foi de 20% do valor acumulado de 2026 (US$ 14,6 bilhões), devido, entre outras questões, ao recuo de 16% das compras do Mercosul (US$ 791 milhões). Contudo, as importações do estado apresentaram expansão junto a cinco dos dez principais parceiros comerciais dessa categoria, com destaque para a Alemanha, cujas aquisições somaram US$ 1,2 bilhão (alta de 15%), devido ao desembarque de tubos de ferro fundido, ferro ou aço e seus acessórios (US$ 324 milhões; + 472%).

(*) Com informações da Firjan

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Fiscalização digital expõe riscos para importadores que usam planilhas, alerta Saygo Group

Avanço da Receita Federal na integração de dados exige maior controle sobre documentos, câmbio e logística para evitar erros, custos extras e atrasos nas operações

Da Redação (*)

Brasília – Enquanto a Receita Federal avança na digitalização do comércio exterior, parte das empresas brasileiras ainda controla documentos, pagamentos internacionais e processos logísticos por meio de planilhas e sistemas desconectados. A contradição ganha importância com a ampliação do uso obrigatório da Declaração Única de Importação (Duimp), prevista no cronograma de 2026 do governo federal. A mudança integra informações no Portal Único de Comércio Exterior e exige maior consistência nos registros utilizados pelos importadores.

Para Fabiane Oliveira, formada em Administração de Empresas e fundadora da Saygo Group, empresa especializada em assessoria e gestão de operações de importação e exportação, o principal desafio está na falta de comunicação entre os departamentos. “A fiscalização está se tornando mais digital, mas muitas empresas continuam trabalhando com informações espalhadas. O risco aparece quando o financeiro tem um registro, a logística trabalha com outro e os documentos apresentados à Receita não refletem o que aconteceu na operação”, explica.

A transformação faz parte do Novo Processo de Importação, que substitui gradualmente a antiga Declaração de Importação pela Duimp. Em setembro de 2026, a Receita reforçou a necessidade de adequação dos sistemas e procedimentos internos para as próximas etapas da migração.

Fiscalização digital amplia atenção aos erros documentais

Com a integração de informações no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), divergências na descrição de mercadorias, classificação fiscal, valores declarados e documentos comerciais podem ganhar maior visibilidade. Dependendo da irregularidade, essas inconsistências podem provocar atrasos na liberação de cargas, despesas adicionais e penalidades.

A fundadora explica que parte dos problemas começa antes da chegada da mercadoria ao Brasil, quando informações negociadas com fornecedores estrangeiros não são devidamente conferidas. “Uma informação errada pode atravessar várias etapas sem ser percebida. Quando a divergência aparece no desembaraço, a empresa já tem compromissos financeiros assumidos e prazos para cumprir. Isso pode significar mais armazenagem, atrasos e custos que poderiam ter sido evitados”, afirma.

Segundo a especialista, a conferência deve começar na negociação internacional e continuar até a entrada da mercadoria no estoque, garantindo coerência entre documentos, pagamentos e registros aduaneiros.

Falta de integração também compromete o resultado financeiro

Os efeitos da desorganização vão além da fiscalização. Quando contratos de câmbio, despesas logísticas, tributos e pagamentos internacionais são acompanhados separadamente, a empresa pode ter dificuldade para calcular o custo efetivo de uma importação e identificar onde sua margem está sendo pressionada.

Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo Group, a gestão das importações precisa deixar de ser uma atividade isolada dos departamentos operacionais. “O empresário não pode descobrir no fechamento que uma importação custou mais do que o previsto porque ninguém reuniu todas as despesas. Quando os dados não estão conectados, a empresa perde a capacidade de antecipar problemas e tomar decisões com segurança”, destaca.

O executivo ressalta que a integração também fortalece a governança e o compliance, conjunto de práticas voltadas ao cumprimento das exigências legais e regulatórias. Informações consolidadas permitem acompanhar compromissos financeiros, identificar atrasos recorrentes e comparar custos previstos com os efetivamente realizados.

Tecnologia pode reduzir pontos cegos nas importações

A necessidade de reunir informações operacionais e financeiras levou a Saygo a desenvolver o Vision, plataforma que centraliza dados relacionados a embarques, pagamentos, câmbio e exigências regulatórias. A ferramenta permite acompanhar processos e identificar pendências, reduzindo a dependência de controles manuais.

Para Thiago, o benefício vai além da organização documental. O histórico das operações também pode ajudar a identificar padrões de custos, gargalos logísticos e oportunidades de melhoria na gestão. “Digitalizar não é simplesmente substituir uma planilha por uma ferramenta. É fazer com que as informações trabalhem juntas. Quando conseguimos enxergar quanto custa importar de determinado fornecedor, quais etapas apresentam atrasos e onde o dinheiro está sendo consumido, passamos a tomar decisões mais estratégicas”, explica.

Fabiane ressalta que a tecnologia não substitui o conhecimento técnico. A classificação correta das mercadorias e o cumprimento das exigências aduaneiras continuam sendo fundamentais. “Um sistema pode ajudar a identificar inconsistências, mas é preciso ter critérios para analisar o que está sendo declarado. Sem processos bem estruturados, a empresa apenas transfere a desorganização para uma plataforma digital”, afirma.

Como preparar a empresa para os novos controles

A adequação começa pelo mapeamento dos processos internos, com definição de responsáveis pela conferência documental, padronização dos cadastros de produtos e integração entre as áreas financeira, comercial e logística. Também é necessário acompanhar o cronograma da Duimp, cuja obrigatoriedade varia conforme as características de cada operação.

Para o CEO, a mudança deve ser encarada como uma oportunidade de aprimorar a gestão empresarial. “A empresa precisa saber quanto cada importação realmente custa, quais fornecedores entregam dentro do prazo e onde estão os riscos. A fiscalização digital reforça essa necessidade, mas ter informações confiáveis também é fundamental para proteger a margem, planejar o caixa e crescer com controle”, conclui.

(*) Com informações da Saygo Group

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Brasil reforça ambiente favorável para avanço do Acordo Mercosul-Canadá na Brazil Week em Toronto

Durante a Brazil Week, em Toronto, delegação brasileira apresenta potencial brasileiro a negociadores canadenses para expandir participação do país em um mercado que importa mais de US$ 500 bilhões ao ano.

Da Redação (*)

Brasília – O governo brasileiro e o setor produtivo intensificaram nesta semana as tratativas para a conclusão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá. Durante a Brazil Week, realizada em Toronto, autoridades e empresários debateram estratégias para diversificar a pauta de exportações e ampliar a presença de produtos e investimentos brasileiros no mercado canadense, que atualmente importa mais de US$ 500 bilhões anuais. Hoje, a fatia do Brasil nesse mercado é de apenas 1,3%.

A urgência em finalizar o tratado comercial foi o tema central das discussões bilaterais. O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, que lidera a delegação nacional no evento, destacou o empenho em estreitar laços com a contraparte canadense, que tem suas tratativas conduzidas por Aaron Fowler, Diretor-Chefe de Negociação do Acordo Mercosul–Canadá.

“A ideia é, principalmente, acelerar, criar um bom ambiente para que o Acordo Mercosul-Canadá possa ser finalizado logo”, afirma. “O contexto geopolítico atual, marcado pela instabilidade nas cadeias globais e pelas recentes tarifas impostas pelo atual governo dos Estados Unidos a ambos os países, reforça a necessidade de diversificação”. Segundo o presidente da ApexBrasil, o cenário gera nova oportunidade tanto para o comércio quanto para investimentos.

Agronegócio, orgânicos e o valor da sustentabilidade

Em 2025, o comércio bilateral entre os países somou US$ 10,4 bilhões, mas as exportações do Brasil continuam altamente concentradas, com ouro e alumina representando mais de 65% do total vendido ao país norte-americano. A conclusão do acordo tarifário tem como meta abrir espaço competitivo para produtos de maior valor agregado.

A estratégia comercial mira a expansão das vendas de carne bovina de alta qualidade, frutas, orgânicos e itens naturais da sociobiodiversidade amazônica. A base dessa expansão é a complementaridade econômica: o Canadá é um fornecedor estratégico de fertilizantes, enquanto o Brasil consolida-se como potência global em agricultura tropical.

Transição energética e processamento de minerais críticos

O setor industrial, com foco na cadeia de minerais críticos, forma o outro pilar de possibilidades. Essenciais para a transição energética global — cuja demanda deve quadruplicar até 2040 —, esses recursos têm no Brasil um de seus maiores expoentes mundiais, com destaque para a segunda maior reserva global de terras raras.

A recém-sancionada Política Nacional para Minerais Críticos estabelece segurança jurídica e estabilidade para atrair o capital estrangeiro. O objetivo é romper com o modelo restrito à extração mineral bruta e focar no processamento tecnológico.

O Canadá, que abriga o principal polo de financiamento à mineração do mundo, demonstrou receptividade. “Eles estão muito interessados naquilo que o Brasil quer, que é construir no Brasil uma indústria de processamento e de agregação de valor dos minerais críticos e dos minerais raros, que a nossa legislação acabou de trazer”, explica Laudemir Müller. “Eu acho que isso é uma grande oportunidade, eles têm alto interesse, e o Canadá pode ser um grande parceiro para desenvolver essa indústria no Brasil”.

Expansão além das commodities

O esforço em Toronto também envolve captar uma fatia maior do capital canadense. Apesar de ser o terceiro maior destino de investimentos diretos estrangeiros no mundo, o Brasil recebe atualmente apenas 1% dos mais de C$ 2,4 trilhões que o Canadá mantém investidos no exterior.

Para reverter esse quadro, a ApexBrasil articula parcerias que vão além da indústria pesada e do agronegócio, englobando tecnologia para agricultura (AgriTech), economia criativa, produção de games, desenvolvimento de softwares e o setor audiovisual. A delegação brasileira reforça que a previsibilidade oferecida por uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis e a confiança mútua consolidada entre as duas nações formam a base segura para essa integração econômica de longo prazo.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Variação cambial preocupa empresas brasileiras: o que dizem os especialistas do IamForexTrader

Brasília – A oscilação do dólar continua sendo um dos principais desafios para empresas brasileiras que atuam no comércio internacional. Uma mudança aparentemente pequena na taxa de câmbio pode aumentar o custo de uma importação, reduzir a rentabilidade de uma exportação e comprometer o planejamento financeiro de negócios que dependem de fornecedores ou clientes estrangeiros.

Para compreender esses impactos, é necessário olhar além da cotação diária. O IamForexTrader, plataforma especializada em análises de corretoras, mercado Forex e educação financeira, apresenta uma perspectiva sobre os riscos cambiais e as estratégias que podem ajudar empresas a enfrentar a volatilidade das moedas.

A questão central não é apenas descobrir se o dólar vai subir ou cair. Para importadores e exportadores, o desafio está em preservar as margens comerciais e manter a previsibilidade dos resultados, mesmo quando o mercado segue uma direção inesperada.

Por que a variação cambial preocupa o comércio exterior brasileiro?

A variação cambial ocorre quando o valor de uma moeda muda em relação a outra. No Brasil, as oscilações do dólar americano recebem atenção especial porque grande parte das operações internacionais utiliza a moeda como referência.

Quando o real se desvaloriza, empresas que precisam comprar dólares para pagar fornecedores estrangeiros passam a enfrentar custos maiores. Por outro lado, exportadores que recebem pagamentos em dólares podem se beneficiar da conversão dessas receitas para reais.

Entretanto, essa relação não é tão simples quanto parece.

Uma indústria exportadora pode receber mais reais por suas vendas internacionais e, simultaneamente, pagar mais caro por máquinas, combustíveis e matérias-primas importadas. Dependendo da estrutura de custos, o ganho cambial sobre as receitas pode ser parcialmente ou totalmente compensado pelo aumento das despesas.

O problema se intensifica quando existe um intervalo significativo entre a assinatura de um contrato e o pagamento efetivo.

Durante esse período, mudanças nas cotações podem alterar o resultado financeiro de uma operação que inicialmente parecia lucrativa.

Como o dólar afeta importadores e exportadores?

Cenário cambial Impacto sobre importadores Impacto sobre exportadores
Valorização do dólar Aumento dos custos de compras em moeda americana Maior valor em reais das receitas em dólares
Desvalorização do dólar Redução dos custos de compras em dólares Menor valor em reais das receitas em dólares
Alta volatilidade Dificuldade para calcular custos e definir preços Incerteza sobre receitas e margens futuras
Maior estabilidade Mais previsibilidade nas compras internacionais Melhor planejamento de receitas e investimentos

Os efeitos apresentados são gerais. O impacto efetivo depende das condições contratuais, da composição dos custos, das moedas utilizadas e das estratégias de proteção financeira adotadas.

Quanto uma oscilação cambial pode custar a uma empresa?

Imagine uma importadora brasileira que negocia a compra de equipamentos no valor de US$ 100 mil.

No momento da negociação, a cotação utilizada no planejamento financeiro é de R$ 5,00 por dólar. Portanto, a empresa calcula que precisará desembolsar R$ 500 mil para pagar ao fornecedor.

No entanto, o pagamento será realizado somente após a entrega dos equipamentos.

Nesse intervalo, o dólar pode apresentar diferentes comportamentos.

Cotação do dólar Valor da importação Diferença em relação ao orçamento
R$ 4,80 R$ 480.000 Economia de R$ 20.000
R$ 5,00 R$ 500.000 Sem alteração
R$ 5,20 R$ 520.000 Custo adicional de R$ 20.000
R$ 5,40 R$ 540.000 Custo adicional de R$ 40.000

Exemplo hipotético, sem considerar spread cambial, tarifas bancárias, impostos ou despesas logísticas.

Se a cotação passar de R$ 5,00 para R$ 5,40, a importadora terá um custo adicional de R$ 40 mil, equivalente a 8% do valor inicialmente previsto em reais.

Para uma empresa que trabalha com margens comerciais reduzidas, esse aumento pode comprometer uma parcela significativa do lucro esperado.

A situação se torna ainda mais complexa quando existem diversos contratos internacionais, com diferentes prazos e moedas de pagamento.

O que a análise do IamForexTrader revela sobre os riscos cambiais?

A principal conclusão da análise é que a exposição cambial precisa ser tratada como parte do planejamento financeiro, e não apenas como uma consequência inevitável das operações internacionais.

O mercado Forex reúne moedas negociadas globalmente e reage a fatores como decisões de política monetária, inflação, expectativas econômicas e acontecimentos geopolíticos.

Esses movimentos são relevantes tanto para participantes dos mercados financeiros quanto para empresas que realizam transações comerciais internacionais.

Na perspectiva apresentada pelo IamForexTrader, três aspectos merecem atenção especial.

1. Prever o dólar não é o mesmo que controlar riscos

Empresas podem acompanhar indicadores econômicos, decisões dos bancos centrais e tendências de mercado, mas nenhuma dessas informações permite prever com segurança a direção futura das cotações.

Por isso, uma estratégia financeira baseada exclusivamente na expectativa de valorização ou desvalorização de uma moeda pode aumentar a exposição ao risco.

A alternativa consiste em avaliar diferentes cenários e preparar o negócio para resultados desfavoráveis.

2. O prazo da operação é tão importante quanto a cotação

Uma importadora que precisa comprar dólares amanhã enfrenta uma situação diferente daquela que possui pagamentos programados para os próximos seis meses.

Quanto maior a distância entre a contratação e a liquidação financeira, maior pode ser a incerteza sobre o custo final da operação.

A análise das datas de recebimento e pagamento permite identificar períodos de maior exposição e planejar medidas de proteção.

3. A proteção cambial deve preservar a atividade principal

Importadores e exportadores não precisam transformar suas operações comerciais em estratégias especulativas sobre moedas.

O objetivo da gestão cambial é reduzir a incerteza financeira e proporcionar condições mais previsíveis para a continuidade dos negócios.

Uma empresa que consegue estimar seus custos futuros pode negociar preços, planejar estoques e administrar seu capital de giro com maior segurança.

A prioridade de uma política cambial não deve ser acertar a próxima cotação do dólar, mas garantir que oscilações inesperadas não comprometam a sustentabilidade financeira da empresa.

Hedge cambial: como proteger operações internacionais?

Entre as alternativas de gestão financeira, o hedge cambial é uma das mais utilizadas para reduzir a exposição às oscilações das moedas.

A estratégia consiste em utilizar mecanismos que possam compensar, limitar ou neutralizar determinados efeitos das variações cambiais sobre receitas e obrigações futuras.

Existem diferentes instrumentos disponíveis, cada um com características específicas.

Contratos a termo e NDF

Os contratos a termo permitem estabelecer antecipadamente determinadas condições para operações cambiais futuras.

Uma modalidade conhecida é o NDF (Non-Deliverable Forward), no qual ocorre uma liquidação financeira baseada na diferença entre a taxa contratada e uma taxa de referência.

Para uma importadora, esse mecanismo pode ajudar a reduzir a incerteza sobre o custo de uma obrigação em moeda estrangeira.

Contudo, a proteção também pode impedir que a empresa aproveite integralmente movimentos favoráveis da taxa de câmbio.

Contratos futuros de dólar

Os contratos futuros negociados em mercados organizados permitem assumir posições destinadas a compensar parcialmente os efeitos de movimentos cambiais.

No Brasil, a B3 oferece instrumentos que podem ser utilizados para essa finalidade.

É importante considerar, entretanto, que contratos futuros podem exigir garantias e ajustes financeiros diários.

Assim, uma operação de proteção economicamente adequada também precisa ser compatível com a capacidade de caixa da empresa.

Opções cambiais

As opções oferecem ao comprador o direito, mas não a obrigação, de realizar uma operação sob condições previamente estabelecidas.

Dependendo da estrutura contratada, elas podem limitar perdas decorrentes de movimentos desfavoráveis e preservar parte dos benefícios de uma oscilação positiva.

Essa flexibilidade normalmente envolve o pagamento de um prêmio.

Hedge natural

Nem toda proteção exige a contratação de derivativos financeiros.

Uma empresa exportadora que recebe em dólares e também realiza pagamentos internacionais na mesma moeda pode utilizar parte dessas receitas para cumprir suas obrigações.

Essa combinação reduz a necessidade de conversões cambiais, desde que respeitados os prazos financeiros, as exigências operacionais e a regulamentação aplicável.

Como empresas podem reduzir os riscos da variação cambial?

Uma estratégia eficiente começa pela identificação das operações que realmente apresentam exposição às moedas estrangeiras.

Antes de contratar instrumentos financeiros, a empresa precisa entender quando receberá recursos, quando deverá realizar pagamentos e quais valores poderão sofrer alterações.

Algumas práticas ajudam a estruturar essa gestão:

  1. Mapear pagamentos e recebimentos internacionais. Registrar valores, moedas utilizadas e datas previstas para cada operação.
  2. Calcular a exposição cambial líquida. Considerar receitas e despesas na mesma moeda e seus respectivos vencimentos.
  3. Simular diferentes cenários. Avaliar os efeitos de valorizações e desvalorizações sobre custos, receitas e margens.
  4. Estabelecer limites de risco. Definir o nível de oscilação financeira que a empresa consegue suportar.
  5. Avaliar instrumentos de proteção. Comparar os custos, benefícios e obrigações associados a cada alternativa.
  6. Revisar periodicamente a estratégia. Atualizar as projeções conforme contratos comerciais e condições de mercado mudam.

Também é importante definir responsabilidades internas.

Em empresas de maior porte, decisões relacionadas à exposição cambial geralmente envolvem os departamentos financeiro, comercial e de gestão de riscos.

Já pequenos importadores e exportadores podem buscar orientação de instituições autorizadas e profissionais especializados para selecionar alternativas compatíveis com suas operações.

Por que acompanhar apenas a cotação do dólar não é suficiente?

Uma dificuldade recorrente no comércio exterior é confundir a cotação divulgada em portais financeiros com a taxa efetivamente utilizada em uma operação de câmbio.

No Brasil, o Banco Central divulga referências cambiais, incluindo a PTAX, que servem a diferentes finalidades econômicas e financeiras.

Entretanto, a taxa negociada por uma empresa com uma instituição autorizada pode ser diferente dessas referências.

Além da cotação, o custo efetivo de uma operação pode incluir spread cambial, tarifas e tributos, conforme suas características.

Por essa razão, uma comparação adequada deve considerar todos os componentes relevantes, e não apenas o valor apresentado em um gráfico de mercado.

O Banco Central do Brasil disponibiliza dados históricos de cotações que podem auxiliar análises financeiras e estudos sobre o comportamento das moedas.

Essas informações são úteis para identificar movimentos anteriores, mas não garantem que padrões observados no passado se repetirão.

Agronegócio e indústria: setores especialmente expostos

Os efeitos da variação cambial não se limitam a empresas especializadas em importação e exportação.

No agronegócio brasileiro, por exemplo, produtores de commodities podem negociar vendas internacionais com preços referenciados em dólares, enquanto parte dos custos de produção depende de insumos importados.

Fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas e determinados equipamentos podem sofrer influência das condições cambiais.

Uma valorização do dólar pode beneficiar receitas de exportação, mas também aumentar custos associados à preparação de safras futuras.

Na indústria, a situação apresenta características semelhantes.

Fabricantes que dependem de componentes estrangeiros podem enfrentar pressão sobre margens quando o real perde valor, principalmente se houver dificuldade para repassar aumentos de custos aos consumidores.

Ao mesmo tempo, uma moeda brasileira mais fraca pode favorecer a competitividade internacional de determinados produtos fabricados no país.

O resultado depende da participação dos insumos importados, da formação dos preços e das condições de demanda em cada mercado.

Os erros que podem comprometer a rentabilidade

A volatilidade cambial faz parte do ambiente internacional. Entretanto, algumas decisões empresariais podem ampliar seus efeitos negativos.

Entre os erros mais comuns estão:

  • Orçamentos sem margem de segurança: calcular preços considerando apenas uma cotação e desconsiderar possíveis oscilações.
  • Descompasso entre receitas e despesas: assumir pagamentos em moeda estrangeira sem avaliar quando os recursos estarão disponíveis.
  • Ausência de planejamento: contratar fornecedores internacionais sem analisar o impacto cambial sobre o resultado final.
  • Proteção inadequada: utilizar instrumentos financeiros incompatíveis com o valor ou o prazo das obrigações comerciais.
  • Excesso de confiança nas previsões: adiar decisões importantes esperando uma cotação considerada ideal.

Também é necessário diferenciar operações destinadas à proteção de estratégias de negociação que buscam lucro com movimentos de mercado.

A utilização de alavancagem e derivativos sem compreensão de seus riscos pode criar obrigações financeiras adicionais, em vez de reduzir a exposição da empresa.

Gestão cambial pode se tornar uma vantagem competitiva

Em um mercado internacional competitivo, administrar corretamente a exposição cambial pode representar uma vantagem importante.

Empresas que conseguem projetar seus custos com maior precisão possuem melhores condições para negociar contratos de longo prazo, planejar investimentos e preservar margens comerciais.

Essa previsibilidade também contribui para decisões relacionadas a estoques, expansão internacional e seleção de fornecedores.

A proteção cambial não elimina todos os riscos do comércio exterior e tampouco garante resultados positivos. Sua função é ajudar a reduzir a dependência de movimentos imprevisíveis das moedas.

Para importadores, exportadores e empresas com operações internacionais, compreender a dinâmica do mercado Forex é uma parte relevante desse processo.

Conclusão

A variação cambial continuará influenciando as decisões de empresas brasileiras que compram, vendem ou mantêm compromissos financeiros no exterior.

A valorização ou a desvalorização do dólar pode criar oportunidades, mas também provocar aumentos inesperados de custos e alterações importantes nas margens de lucro.

A análise apresentada pelo IamForexTrader reforça a importância de combinar conhecimento sobre o mercado de moedas com planejamento financeiro, avaliação de riscos e instrumentos adequados de proteção.

Mais importante do que tentar antecipar cada movimento do dólar é construir uma estratégia que permita à empresa manter sua competitividade mesmo diante de mudanças inesperadas no cenário internacional.

Para o comércio exterior brasileiro, essa capacidade de adaptação pode ser tão importante quanto a negociação de bons preços e a conquista de novos mercados.

 

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Aos 40 anos, eComex amplia investimentos em IA e projeta nova transformação no comex

Com crescimento médio de 30% ao ano, empresa aposta em automação inteligente, expansão regional e novas soluções para impulsionar os negócios

Da Redação (*)

Brasília –  A eComex, empresa especializada em soluções para gestão de comércio exterior, completa 40 anos em 2026 mantendo uma trajetória de expansão sustentada e inovação. Com crescimento médio de 30% ao ano, a companhia investe em soluções baseadas em inteligência artificial, amplia sua atuação na América Latina e prepara uma nova etapa de desenvolvimento dos negócios.

“A companhia vem crescendo muito, é uma empresa lucrativa e pagadora de dividendos. Nos próximos anos, vamos continuar focando no crescimento, na conquista de novos clientes e na ampliação da nossa atuação. Essas mudanças tecnológicas abrem possibilidades para o desenvolvimento de novos negócios e para apoiar os clientes com soluções cada vez mais modernas”, afirma André Barros, CEO da eComex.

Um dos movimentos recentes que reforçam essa estratégia foi a aquisição da D2P, startup de tecnologia voltada à digitalização de processos de comércio exterior, concluída em 2024 por R$20 milhões. A operação ampliou o mercado endereçável da eComex, permitindo que a empresa expandisse sua atuação para além das áreas tradicionais de importação e exportação.

“Se antes nosso foco estava concentrado principalmente no importador, hoje conseguimos atender outros stakeholders envolvidos na cadeia, como planejamento, compras e trade compliance, além de novos segmentos e prestadores de serviço”, explica Barros.

A companhia também prepara sua expansão regional, iniciando uma operação estruturada na Argentina, um dos principais mercados da América Latina.

Inteligência artificial no centro da estratégia

Para a eComex, a inteligência artificial representa a maior transformação tecnológica das últimas décadas. A empresa vem desenvolvendo soluções baseadas em IAagêntica, capazes de executar atividades operacionais, processar informações e apoiar a tomada de decisão de forma autônoma.

“Não será mais o colaborador executando todas as tarefas que fazia anteriormente. O agente de inteligência artificial realizará grande parte dessas atividades e o profissional passará a aprovar, supervisionar e orquestrar os processos. É o conceito do human in the loop. Com isso, devolvemos às pessoas o tempo consumido por tarefas repetitivas e ampliamos seu papel estratégico dentro das organizações”, afirma.

Quatro décadas acompanhando a evolução do comércio exterior

Fundada em junho de 1986 por Roberto Garcia, a eComex surgiu em uma época em que as operações de comércio exterior eram conduzidas majoritariamente por documentos físicos, formulários, telefonemas e processos manuais.

Desde então, a empresa acompanhou as principais transformações tecnológicas do mercado, da digitalização dos processos e popularização da internet à computação em nuvem e, mais recentemente, à inteligência artificial. Entre os principais marcos da trajetória estão as parcerias com Oracle e SAP nos anos 1990, o lançamento da primeira plataforma corporativa de comércio exterior baseada na internet nos anos 2000 e a entrada no Grupo Cassis, em 2014, ampliando sua capacidade de investimento e inovação.

“Nascemos com o propósito de automatizar o que era burocrático. A visão continua a mesma, mas a tecnologia evoluiu de forma extraordinária. Hoje conseguimos criar soluções que não apenas organizam informações, mas também interpretam dados, geram insights e apoiam decisões”, destaca Barros.

Os desafios do futuro

Apesar dos avanços tecnológicos, Barros avalia que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para incorporar inovação em meio à rotina intensa das operações de comércio exterior.

“O comércio exterior é uma atividade crítica. As empresas precisam manter as operações funcionando enquanto implementam novas tecnologias. Ter que escolher entre as atividades do presente e a inovação, que representa o futuro, nem sempre é uma escolha óbvia. Em muitas ocasiões, deixamos a inovação de lado, pois, as demandas do presente sempre têm prioridade”, afirma.

Outro desafio é integrar as novas gerações aos processos de transformação digital. Segundo o executivo, esses profissionais chegam ao mercado com uma visão menos condicionada pelos modelos tradicionais e tendem a acelerar a inovação dentro das organizações.

Ao completar quatro décadas de atuação, a eComex vê o comércio exterior diante de uma das maiores transformações de sua história, impulsionada pela inteligência artificial, pela modernização dos processos governamentais e pela entrada de novas gerações no mercado de trabalho.

“Estamos entrando em uma era sem precedentes. A tecnologia deixará de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir um papel ativo nas operações, permitindo que as pessoas se concentrem em decisões, estratégia e inovação”, conclui Barros.

(*) Com informações da eComex

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Exportações de frutas crescem 8% em receita no terceiro trimestre; volume recua 7,5%

Faturamento alcança US$ 354,2 milhões entre julho e setembro de 2026, enquanto o volume exportado recua 7,5%.

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras de frutas registraram crescimento de 8% em faturamento no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a receita passou de US$ 328,1 milhões para US$ 354,2 milhões. No mesmo intervalo, o volume embarcado caiu 7,5%, de 290,6 mil para 268,8 mil toneladas.

O resultado evidencia um cenário de desempenho desigual entre receita e quantidade exportada. Embora o setor tenha movimentado menos toneladas, o valor médio por tonelada aumentou aproximadamente 16,8%, passando de US$ 1.129 para US$ 1.318. O indicador sugere uma valorização média das exportações, que pode refletir mudanças na composição dos produtos vendidos, nos preços praticados e nos mercados atendidos.

O balanço reforça a importância de analisar o comércio exterior da fruticultura para além do volume físico. A receita obtida, a composição das vendas e a capacidade de atender às exigências dos compradores internacionais também ajudam a compreender a evolução do setor.

Manga, uva e abacate se destacam entre as altas

Entre as principais frutas exportadas, a manga apresentou um dos resultados positivos mais expressivos. O faturamento cresceu 35%, passando de US$ 97,3 milhões para US$ 131,4 milhões. Em volume, os embarques aumentaram 14,1%, de 83,3 mil para 95 mil toneladas.

A uva também registrou avanço nos dois indicadores. A receita passou de US$ 16,8 milhões para US$ 19,7 milhões, alta de 17,4%, enquanto o volume exportado cresceu 6,3%, de 6,8 mil para 7,3 mil toneladas.

O abacate teve crescimento expressivo em relação à base de comparação. O faturamento aumentou 81,8%, de US$ 7 milhões para US$ 12,6 milhões, enquanto o volume avançou 140,9%, de 3,8 mil para 9,2 mil toneladas. Os números mostram uma ampliação significativa dos embarques da fruta no período. Outros produtos também apresentaram resultados positivos.

“Os resultados do terceiro trimestre mostram que a fruticultura brasileira mantém capacidade de gerar receita no mercado internacional, mesmo diante de desafios que afetam determinadas culturas. O setor precisa continuar investindo em competitividade, qualidade, abertura de mercados e diversificação dos destinos para ampliar as oportunidades de exportação e reduzir a exposição a oscilações comerciais”, afirma Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas.

Apesar do crescimento na receita total das exportações brasileiras de frutas no terceiro trimestre de 2026, algumas culturas registraram retração. O melão apresentou queda de 22,5% no faturamento e de 25,3% no volume embarcado. A melancia recuou 20,8% em receita e 26,1% em volume. Já os limões tiveram redução de 8,7% no faturamento e de 18,3% na quantidade exportada. A banana registrou as maiores retrações entre essas frutas, com queda de 55,5% na receita e de 59% no volume.

(*) Com informações da Abrafrutas

 

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Internacionalização: seu produto funciona no Brasil. Isso não significa que sua empresa esteja pronta para exportar

“Internacionalizar não é pegar uma operação que deu certo, mudar o idioma e replicar em outro país. Em muitos aspectos, a empresa precisa aprender a vender de novo”, afirma Daniel Dabés, CRO e cofundador do Ouvidor Digital

Da Redação (*)

Brasília – Disponibilizar um software em outro país pode ser simples. Construir um negócio naquele mercado exige entender como os clientes compram, adaptar a oferta e conquistar confiança. Foi esse percurso que Daniel Dabés encontrou ao levar o Ouvidor Digital para Portugal, onde a empresa atua com a marca WhistleOn.

Daniel é CRO e cofundador do Ouvidor Digital e CEO e cofundador da WhistleOn. Com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de produtos, passou por empresas como Oi, GVT/Vivo, NET/Claro, TIM e BliP antes de empreender. Hoje, acompanha a expansão de uma empresa brasileira de tecnologia que atende mais de 5 mil organizações em mais de 30 países. Para ele, uma das primeiras armadilhas está em confundir a capacidade de entregar um produto internacionalmente com a capacidade de construir mercado fora do Brasil.

“Internacionalizar não é pegar uma operação que deu certo, mudar o idioma e replicar em outro país. Em muitos aspectos, a empresa precisa aprender a vender de novo. Você continua conhecendo profundamente o seu produto, mas passa a conversar com um cliente que pode perceber o problema de outra maneira, ter outras referências e tomar decisões seguindo uma lógica diferente daquela com a qual você estava acostumado.”

A jornada em Portugal começou em 2021, com a participação no StartOut Brasil, da ApexBrasil, em uma missão a Lisboa. As conexões com empresários e potenciais clientes, apoiadas pela Atlantic Hub, ajudaram a avaliar a aderência da solução e a oportunidade de atender à nova demanda por canais de denúncias na Europa. Daniel mudou-se para Portugal para conduzir a expansão.

Validar o mercado exige colocar o repertório em dúvida

Quando uma companhia cresce no mercado de origem, aprende como os clientes compram, quais argumentos funcionam e quais objeções costumam aparecer. Ao entrar em outro país, parte desse repertório continua útil. Outra parte precisa ser testada. Na experiência de Daniel, a proximidade da língua não eliminou as diferenças: os materiais precisaram ser adaptados ao português europeu, o ciclo comercial se mostrou mais longo e a reputação conquistada no Brasil precisou ser construída também no novo mercado.

“Talvez uma das coisas mais difíceis para quem já construiu uma empresa seja voltar a não saber. Você passou anos entendendo o seu mercado e, de repente, precisa fazer perguntas que já não fazia no Brasil. Se chegar acreditando que conhece todas as respostas porque conhece muito bem o seu produto, provavelmente vai demorar mais para entender o novo mercado.”

A própria marca foi uma dessas adaptações. O nome Ouvidor Digital não comunicava a proposta da empresa em Portugal. A escolha de WhistleOn buscou facilitar essa compreensão e o uso da marca em outros países. O aprendizado também levou a uma oferta mais simples, voltada às necessidades dos compradores locais, além de ajustes em contratos, onboarding e infraestrutura, com servidor na União Europeia. A decisão exige distinguir o que precisa mudar no produto do que depende de posicionamento ou do processo de venda.

“Nem todo ‘não’ de um potencial cliente significa que falta alguma coisa no produto. Pode significar que você ainda não conseguiu demonstrar valor da forma certa para aquele mercado. Antes de adaptar a tecnologia, é preciso entender se o problema está realmente nela ou na maneira como estamos apresentando, vendendo e construindo a relação”, explica Dabés.

Ter clientes fora não significa ter um mercado internacional

Empresas de tecnologia podem conquistar contratos internacionais antes mesmo de estruturar uma operação fora do Brasil. Isso comprova a capacidade de atendimento, mas não significa que exista uma estratégia replicável para crescer naquele mercado. A WhistleOn também fez tentativas de entrada na França. O aprendizado foi que a estratégia de vendas em Portugal é diferente da necessária para o mercado francês: cada país exige uma abordagem comercial adequada à sua cultura e à maneira como seus clientes compram.

“Fechar uma venda fora é importante, mas uma venda não constrói um mercado. Internacionalização começa a ganhar consistência quando você entende como gerar novas oportunidades, construir relacionamento, atender bem e repetir esse processo. Se cada novo cliente depende de uma circunstância completamente diferente, você ainda está descobrindo o caminho.”

A experiência reforçou a necessidade de escolher onde concentrar investimento e relacionamento. Atender organizações em diferentes países e construir uma operação comercial em cada um deles são movimentos distintos. Para Daniel, a Europa reúne mercados com línguas, culturas empresariais e canais de venda diferentes. Cada nova frente exige validar a aderência da oferta e a capacidade de gerar negócios de forma consistente.

“Existe uma sedução no número de países. Parece que quanto mais bandeiras você consegue colocar numa apresentação, mais internacional a empresa se tornou. Só que presença não é profundidade. É preciso escolher onde realmente faz sentido investir tempo, estrutura e relacionamento.”
Confiança local também faz parte da estratégia comercial

Para fortalecer a área comercial, Daniel apostou na contratação de uma profissional experiente em vendas, com conhecimento dos mercados português e francês e fluência em diferentes idiomas. A familiaridade com a cultura empresarial local contribuiu para adaptar a abordagem comercial e construir relações de confiança com potenciais clientes. A presença do fundador, as conexões com parceiros e a participação em eventos também fizeram parte desse processo de aproximação.

A estratégia comercial mudou conforme a WhistleOn passou a buscar grandes empresas. Além da aquisição digital, ganharam espaço os eventos e os encontros com potenciais clientes. A conquista da TAP contribuiu para o posicionamento e a reputação da empresa em Portugal. O caso ilustra como uma referência reconhecida no mercado local pode ajudar a abrir novas conversas comerciais.

Manter a equipe de tecnologia no Brasil trouxe uma vantagem para a operação, com receitas em euros e parte dos custos em reais. Mas essa estrutura também exigiu adaptação das equipes brasileiras e investimento local em profissionais, parceiros e presença comercial. Para Daniel, começar pequeno, ouvir o mercado e respeitar o ritmo e a cultura empresarial são orientações centrais para quem pretende expandir.

“Você não precisa esquecer o que aprendeu no Brasil. Precisa entender o que continua valendo e o que aquele novo mercado vai obrigá-lo a aprender de novo. Internacionalizar começa muito antes da primeira venda e não termina quando o contrato é assinado”, conclui Daniel Dabés, CRO e cofundador do Ouvidor Digital e CEO e cofundador da WhistleOn.

(*) Com informações do Ouvidor Digital

 

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eComex e Mackenzie unem forças para preparar profissionais de Comex para o futuro

Parceria busca aproximar conhecimento acadêmico das demandas do mercado e ampliar oportunidades de formação diante das transformações provocadas pela inteligência artificial

Da Redação (*)

Brasília – A eComex, empresa de tecnologia especializada em comércio exterior, e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas, firmaram uma parceria para   aproximar academia e indústria e contribuir para a formação continuada de profissionais de Comércio Exterior. A iniciativa conecta o conhecimento produzido no ambiente acadêmico às demandas e transformações do mercado de trabalho, em um cenário marcado pela evolução acelerada da inteligência artificial e pela necessidade de atualização constante das competências profissionais.

A parceria contempla membros da comunidade eComex Pulse Comm, iniciativa da eComex voltada a profissionais de Comércio Exterior e logística, que poderão acessar condições especiais em cursos de pós-graduação e MBA do Mackenzie. A proposta, no entanto, vai além da capacitação formal: as instituições buscam ampliar o diálogo entre universidade e mercado, criar uma troca de conhecimento que permita à academia compreender desafios concretos da indústria e às empresas acompanhar novas perspectivas e conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico.

Interação entre empresas e universidade

Para André Barros, CEO da eComex, a aproximação é necessária diante da velocidade com que as demandas do mercado vêm mudando. “Existe uma distância histórica entre aquilo que a universidade ensina e o que as empresas de fato precisam. A indústria está em contato diário com as necessidades do mercado de trabalho e pode levar para a academia uma visão mais atualizada sobre tecnologia, inteligência artificial e as competências que estão sendo demandadas. Ao mesmo tempo, encontramos nas universidades profissionais e conhecimento que são importantes para a nossa própria estratégia. É uma troca necessária para os dois lados”, afirma.

A transformação provocada pela inteligência artificial reforça a importância desse diálogo. Segundo André, a tecnologia não deve ser vista apenas pela perspectiva da substituição de postos de trabalho, mas também como uma oportunidade para liberar profissionais de atividades burocráticas e abrir espaço para novas funções e competências. Nesse contexto, a formação continuada passa a ter papel central para preparar profissionais para um mercado em constante transformação.

Esse cenário também amplia a importância de combinar hard skills e soft skills. Para a eComex, além do conhecimento técnico específico, profissionais de Comércio Exterior precisam desenvolver competências como liderança, comunicação, gestão de projetos, capacidade de adaptação e protagonismo. A própria comunidade eComex Pulse Comm tem trabalhado essa perspectiva ao promover conteúdos técnicos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento profissional e comportamental.

Universidade vê evolução com parceria

Na visão de Leopoldo Soares, Diretor Acadêmico do Centro de Ciências e Tecnologia do Mackenzie, a parceria também representa uma evolução no papel da universidade diante da sociedade. “A universidade contemporânea entendeu que é necessário romper com a distância que historicamente existia entre a produção do conhecimento e a sociedade. A aproximação com o ambiente profissional permite que o conhecimento produzido tenha significado e dialogue melhor com as necessidades reais das pessoas e das organizações”, explica.

O professor destaca ainda a importância de uma formação que combine especialização e conhecimentos transversais. “O profissional precisa ter profundidade na sua área de atuação, mas também desenvolver conhecimentos que ampliem sua capacidade de atuação. Essa combinação entre verticalidade e transversalidade pode alavancar uma carreira, seja para aumentar a eficiência naquilo que o profissional já faz, seja para prepará-lo para novos caminhos”, afirma.

Segundo Leopoldo, a relação também beneficia o ambiente acadêmico ao levar problemas concretos para dentro da universidade. “O objetivo não é simplesmente oferecer um serviço de educação, mas estabelecer uma relação dialógica entre a teoria e a necessidade prática da sociedade. Essa interação dá aos professores ferramentas para contribuir de maneira mais adequada com problemas sociais e profissionais relevantes e, ao mesmo tempo, oferece às pessoas uma formação mais concreta e conectada à realidade”, complementa.

Aprendizado contínuo

A iniciativa também está alinhada ao conceito de lifelong learning, ou aprendizado contínuo, que ganha relevância à medida que novas tecnologias transformam funções e competências. Para a eComex e o Mackenzie, a formação profissional passa a ser um processo permanente, que combina educação formal, troca de experiências e contato com desafios reais do mercado.

Nesse sentido, a parceria também pode abrir espaço para iniciativas que aproximem estudantes e empresas de problemas concretos da indústria, como hackathons e outras atividades de inovação. Ao levar desafios reais para o ambiente acadêmico, essas iniciativas permitem que estudantes explorem novas perspectivas e soluções com maior liberdade, aproveitando seu repertório e criatividade para contribuir com questões enfrentadas pelas empresas.

Como parte da parceria, membros da eComex Pulse Comm terão 40% de desconto em cursos selecionados do Mackenzie: MBA em Gestão de Negócios com IA, MBA em Gestão de Projetos, MBA em Logística, Processos e Tecnologia para Inovação e Pós-graduação em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Os cursos são oferecidos na modalidade EAD, com aulas ao vivo e on-line, permitindo a participação de profissionais de diferentes localidades. As matrículas podem ser realizadas até 29 de janeiro de 2027, conforme as condições da parceria.

Para mais informações, acesse a página da comunidade.

(*) Com informações da eComex

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Comércio global acelera com a IA, mas competitividade ainda depende da logística, afirma especialista

OMC eleva previsão de crescimento para 3,9% em 2026, impulsionada pela demanda por semicondutores e servidores

Da Redação

Brasília – A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um dos principais motores do comércio internacional. A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou de 1,9% para 3,9% sua projeção de crescimento do volume global de mercadorias em 2026, impulsionada principalmente pela expansão dos investimentos em infraestrutura de IA. No primeiro semestre, produtos associados à tecnologia, como semicondutores e servidores, responderam por 47% do crescimento do comércio mundial em valor, com avanço de 67% nas transações desses bens em relação ao mesmo período de 2025. O movimento revela uma transformação estrutural: a IA não está apenas modificando a maneira como as empresas trabalham, mas também o que o mundo produz, transporta, importa e exporta.

Para Luiz Policarpo, fundador e CEO da Einship, logtech brasileira especializada em inteligência de dados e gestão de operações de comércio exterior, o novo cenário evidencia uma mudança na própria dinâmica da competitividade internacional. À medida que os investimentos em tecnologia ampliam a circulação de equipamentos, componentes e insumos entre diferentes países, cresce também a necessidade de coordenar cadeias de suprimentos mais complexas. Nesse ambiente, o acesso à informação deixa de ser suficiente: a vantagem competitiva passa a depender da capacidade de interpretar dados, antecipar riscos e tomar decisões logísticas e comerciais com maior precisão.

“O crescimento do comércio mundial impulsionado pela inteligência artificial revela dois movimentos simultâneos. De um lado, a IA está criando demanda por novos produtos e movimentando cadeias produtivas inteiras. Do outro, ela está transformando a maneira como essas cadeias precisam ser administradas. Não basta existir uma oportunidade de importação ou exportação. As empresas precisam identificar onde estão os melhores fornecedores, quais rotas oferecem maior confiabilidade, como os custos estão se comportando e quais riscos podem comprometer a operação. A inteligência passa a ser tão estratégica quanto a própria capacidade de transportar mercadorias”, analisa Policarpo.

Forte concentração no comércio de bens associados à IA

O relatório da OMC também evidencia que os benefícios dessa expansão estão distribuídos de maneira desigual. O comércio de bens associados à IA permanece fortemente concentrado em determinadas economias, especialmente na Ásia, enquanto a demanda por infraestrutura tecnológica impulsiona importações em grandes mercados consumidores. Em 2025, os dez maiores participantes desse segmento concentraram aproximadamente 85% das exportações e 80% das importações mundiais desses produtos. Para países como o Brasil, o desafio não se limita a participar diretamente da produção de componentes tecnológicos, mas também a desenvolver condições comerciais e logísticas para integrar cadeias internacionais de maior valor agregado.

Na avaliação do executivo, esse movimento exige uma mudança de postura das empresas brasileiras. Importadores precisam compreender como a concentração da produção tecnológica pode afetar disponibilidade, preços e prazos de fornecimento. Exportadores, por sua vez, devem acompanhar a reorganização da demanda internacional e identificar oportunidades em mercados que ampliam investimentos produtivos e tecnológicos. Em ambos os casos, decisões baseadas exclusivamente em cotações pontuais ou históricos de fornecedores tendem a ser insuficientes diante da velocidade das transformações.

“O Brasil não precisa necessariamente ser um grande fabricante de semicondutores para sentir os efeitos desse ciclo. Quando investimentos bilionários alteram a demanda global por equipamentos e componentes, eles também modificam fluxos comerciais, disponibilidade de transporte e estratégias de abastecimento. Isso exige que importadores e exportadores brasileiros tenham uma leitura mais ampla do mercado internacional. Quem conseguir interpretar essas mudanças antes terá melhores condições de negociar, diversificar fornecedores e proteger suas margens”, explica.

Da digitalização à inteligência nas decisões

A transformação ocorre em um momento em que o comércio exterior ainda enfrenta dificuldades relacionadas à fragmentação das informações. Dados sobre fornecedores, preços internacionais, fretes, rotas e andamento de embarques frequentemente permanecem distribuídos entre diferentes sistemas, planilhas e prestadores de serviços. Essa dispersão limita a capacidade das empresas de avaliar o custo total de suas operações e reagir rapidamente a mudanças nas condições de mercado.

É justamente nessa lacuna que Policarpo identifica uma das principais aplicações da inteligência artificial. À frente da Einship, empresa que desenvolve uma plataforma AI-native para integrar inteligência de mercado, análise de dados e gestão operacional, o executivo defende que a próxima etapa da modernização do comércio exterior não será caracterizada apenas pela automação de processos, mas pela capacidade de conectar informações comerciais e logísticas para orientar decisões estratégicas.

Na prática, a análise integrada de dados pode permitir que empresas comparem fornecedores considerando não apenas preços, mas também riscos de fornecimento, condições de transporte, histórico operacional e custos adicionais. A tecnologia também pode apoiar a identificação de padrões de variação dos fretes, a avaliação de alternativas logísticas e o planejamento de compras e embarques diante de cenários de instabilidade.

“Durante muito tempo, digitalizar o comércio exterior significou substituir processos manuais por sistemas. Esse avanço foi importante, mas não resolveu um problema central: as informações continuam fragmentadas e muitas decisões são tomadas sem uma visão completa da operação. A inteligência artificial permite avançar para outro estágio, no qual os dados deixam de servir apenas para registrar o que aconteceu e passam a apoiar decisões sobre o que fazer a seguir. O objetivo não é retirar o controle das pessoas, mas dar a elas melhores condições de decidir”, afirma o CEO.

A necessidade de maior capacidade de adaptação também aparece no relatório da OMC. Apesar das interrupções provocadas pelo conflito no Oriente Médio, o comércio internacional demonstrou resiliência no primeiro semestre de 2026, com redirecionamento de fluxos e utilização de fornecedores alternativos. A movimentação global de contêineres cresceu 3,9% no acumulado até julho, indicando que a capacidade de reorganização das cadeias logísticas tem sido determinante para sustentar as trocas internacionais.

Para Policarpo, o episódio reforça que a eficiência logística não pode mais ser avaliada exclusivamente pelo menor custo imediato. A possibilidade de identificar antecipadamente gargalos, comparar alternativas e responder a mudanças externas ganha importância em um ambiente no qual decisões comerciais dependem de variáveis cada vez mais interligadas.

“O comércio internacional está entrando em uma fase na qual crescimento e imprevisibilidade caminham juntos. A IA pode ampliar a demanda global, mas isso não significa que todas as empresas conseguirão capturar essas oportunidades. A diferença estará na capacidade de transformar informação em planejamento e planejamento em execução. O importador ou exportador mais competitivo não será necessariamente aquele que encontrar o frete mais barato, mas aquele que conseguir tomar a melhor decisão considerando custo, prazo, risco e impacto sobre o negócio”, conclui.

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SIAL Paris 2026: Brasil busca ampliar e diversificar exportações de alimentos para o mercado europeu

Produtos brasileiros fazem sucesso em uma das maiores e mais importantes feiras do setor e conquistam espaço no comércio global com apoio da ApexBrasil

Da Redação (*)

Brasília – Do campo brasileiro direto para as prateleiras do mundo. O Brasil amplia suas fronteiras comerciais e avança na disputa pela liderança global na exportação de alimentos. O país chegou à edição da SIAL Paris 2026 (Salon International de l’ Alimentation), que teve início oficialmente neste sábado dia 17, nos arredores da capital francesa, com produtos de excelência de 156 empresas, apresentados a compradores de dezenas de mercados.

Ao inaugurar o Pavilhão Brasil, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, reforçou a importância da diversificação de mercados. “Do total das empresas que estão aqui, 74 foram afetadas, de alguma forma, pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos (EUA).

A ApexBrasil tem ajudado estes empreendedores na busca de outros mercados, com condições diferenciadas de apoio”, afirmou. Ele destacou a importância do agronegócio no avanço das exportações. “Apesar desse contexto de grandes desafios globais, o Brasil tem resultados muito positivos nas exportações e deve se tornar a oitava maior economia do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), além de avançar para se consolidar como o maior exportador de alimentos do mundo. O fato de o Brasil poder se tornar a oitava maior economia do mundo no próximo ano tem muito a ver com as exportações, que contribuem diretamente para a nossa política monetária e estão fortemente ligadas à participação expressiva do agronegócio na economia e no comércio exterior brasileiro”, ressaltou.

A presença do país ocorreu após um ano de forte desempenho comercial. Em 2025, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 169,2 bilhões, alta de 3% em relação a 2024 e equivalente a 48,5% das vendas externas brasileiras, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Esta é a primeira edição da feira após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026. A delegação reuniu grandes cadeias exportadoras, pequenas e médias empresas e cooperativas da agricultura familiar, com produtos que foram das proteínas animais a alimentos associados à sociobiodiversidade brasileira. Os números da participação brasileira mostram a pujança da produção nacional.

Nesta edição, o Brasil ocupou um espaço mais de dois mil metros quadrados em quatro pavilhões, distribuídos pelos halls 4, 5, 6 e 8 dos 12 halls do centro de exposições Paris Nord Villepinte. Até o próximo dia 21, compradores internacionais podem conhecer e provar produtos das 156 empresas nacionais participantes, incluindo os de 14 cooperativas da agricultura familiar.

A organização da feira, considerada uma das maiores e mais importantes do segmento de agroalimentação, estima um total de cerca de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups e mais de 400 mil produtos em exposição, além de 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Com 280 mil metros quadrados de área de exposição, o evento reúne compradores, importadores, distribuidores, redes de supermercados e representantes da indústria mundial de alimentos.

Entre os destaques comerciais estão cinco mil grandes compradores, com poder de compra estimado em aproximadamente € 60 bilhões de euros. Segundo a organização, em média, 83% dos compradores realizam transações durante o evento ou nos meses subsequentes.

Abertura de mercados amplia oportunidades para empresas brasileiras

 O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, lembrou que esta edição acontece no momento em que o Brasil alcançou a marca de 700 mercados abertos para produtos agropecuários, distribuídos por 99 destinos. Ele destacou a importância da parceria entre governo e iniciativa privada para ampliar as vendas externas e superar barreiras comerciais.

“Temos conseguido alcançar Esta é a primeira edição da feira após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026. A delegação reuniu grandes cadeias exportadoras, pequenas e médias empresas e cooperativas da agricultura familiar, com produtos que foram das proteínas animais a alimentos associados à sociobiodiversidade brasileira. Os números da participação brasileira mostram a pujança da produção nacional. Nesta edição, o Brasil ocupou um espaço mais de dois mil metros quadrados em quatro pavilhões, distribuídos pelos halls 4, 5, 6 e 8 dos 12 halls do centro de exposições Paris Nord Villepinte. Até o próximo dia 21, compradores internacionais podem conhecer e provar produtos das 156 empresas nacionais participantes, incluindo os de 14 cooperativas da agricultura familiar”.

A organização da feira, considerada uma das maiores e mais importantes do segmento de agroalimentação, estima um total de cerca de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups e mais de 400 mil produtos em exposição, além de 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Com 280 mil metros quadrados de área de exposição, o evento reúne compradores, importadores, distribuidores, redes de supermercados e representantes da indústria mundial de alimentos. Entre os destaques comerciais estão cinco mil grandes compradores, com poder de compra estimado em aproximadamente € 60 bilhões de euros. Segundo a organização, em média, 83% dos compradores realizam transações durante o evento ou nos meses subsequentes.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, reforçou que apesar dos desafios enfrentados pelo setor de carnes no mercado europeu, há expectativa de negociações que gerem bons negócios não apenas durante a feira. “A carne bovina brasileira tem uma presença muito importante no mercado internacional. A parceria entre a ABIEC e a ApexBrasil, com mais de 20 anos, tem contribuído para a promoção da carne bovina brasileira em diferentes países. Durante a feira, representantes do setor têm mantido diálogo e encontrado alternativas para superar as restrições comerciais impostas à proteína animal brasileira na Europa e buscar oportunidades em outros destinos”, destacou.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, está otimista com os resultados do trabalho conjunto com a ApexBrasil. “Esta parceria de anos tem sido fundamental para levar os produtos brasileiros a mercados internacionais. Esse trabalho fortaleceu a promoção de marcas como Brazilian Chicken, Brazilian Egg e Brazilian Breeds, projetos setoriais em conjunto com a ApexBrasl, e contribuiu para divulgar a qualidade sanitária e a capacidade produtiva do setor, além de apoiar a busca por soluções para a retomada de fluxos comerciais afetados por restrições sanitárias”, ressaltou.

Cooperativas da agricultura familiar conquistam espaço ino comércio global

A estreia de 14 cooperativas da agricultura familiar com estandes próprios foi um dos destaques brasileiros na SIAL Paris 2026. A iniciativa, que integrou o programa Cooperar para Exportar, da ApexBrasil, abriu espaço para pequenos produtores em uma das principais feiras mundiais de alimentos. A delegação pode mostrar a potenciais compradores estrangeiros produtos de diferentes biomas, como castanhas-do-Brasil, castanhas de caju, baru, derivados do Cerrado, mel e outros alimentos associados à biodiversidade e à bioeconomia.

A presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres, destacou o alcance econômico e social da iniciativa. “O mundo quer consumir os produtos da sociobiodiversidade. Cada contrato que nossas cooperativas firmam com um país da União Europeia significa mais renda e mais segurança alimentar no campo brasileiro”, afirmou.

Inovação brasileira recebe reconhecimento internacional

A inovação brasileira também ganhou destaque na SIAL Paris 2026 com a conquista do Beverages Award, na categoria Bebidas, do SIAL Innovation Awards pela AMZ Tropical. Fundada na Amazônia, a empresa foi a única brasileira entre as 28 vencedoras da premiação, que avaliou mais de 2,7 mil produtos. O CEO, Leandro Daher, recebeu o prêmio pelas quatro bebidas prontas inspiradas na biodiversidade amazônica: Amazônico Negroni, Limoncello Amazônico, Fitzgerald Amazônico e gin de jambu em versão associada à COP30. “

Estamos muito orgulhosos de poder ganhar este prêmio com estas bebidas que representam muito a Amazônia e nossas raízes. Trazer este prêmio para o Brasil e para a Amazônia tem um sabor incrível. Obrigada à ApexBrasil por sempre apoiar a nossa empresa e nossos projetos”, agradeceu Daher.

A inauguração do Pavilhão Brasil contou também com as presenças do chefe do Setor de Promoção Comercial e Investimentos (Secom) da Embaixada do Brasil na França, ministro Caio Renault; vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza; diretor global da ABPA, Luis Rua; da União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres; e dos gerentes de Relações Institucionais e Governamentais da ApexBrasl, Carla Duarte; de Agronegócio da ApexBrasil, Pedro Netto; de Eventos da ApexBrasil, Pablo Lira; compradores e visitantes.

(*) Com informações da ApexBrasil

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