Tarifaço dos EUA e invasão de calçados asiáticos geram queda nas exportações e alta nas importações do setor calçadista

Da Redação (*)

Brasília – Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), apontam que 2025 encerrou com as importações em elevação e as exportações estáveis. No mês de dezembro, as importações, em receita, somaram US$ 56,98 milhões e 3,58 milhões de pares, incrementos tanto em dólares (+33,6%) quanto em volume (+12%) em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado, as importações somaram US$ 585 milhões e 43,2 milhões de pares, incrementos tanto em receita (+22,5%) quanto em volume (+20,6%) ante 2024.

Respondendo pela maior parte dos calçados importados pelo Brasil, Vietnã, China e Indonésia aumentaram seus embarques para o País ao longo de 2025. No ano, foram importados do Vietnã o equivalente a US$ 287 milhões e 14,43 milhões de pares, altas tanto em receita (+28,2%) quanto em volume (+21,4%) em relação a 2024. Da China, vieram US$ 46,53 milhões e 10,4 milhões de pares, incrementos de 15,7% e de 6%, respectivamente, ante 2024. Já da Indonésia, as importações alcançaram US$ 142,35 milhões e 9 milhões de pares, elevações tanto em receita (+29%) quanto em volume (+32,8%) em relação a 2024.

Impacto do tarifaço nas exportações
No ano passado, as exportações de calçados geraram US$ 958,2 milhões por 103,94 milhões de pares embarcados ao exterior, queda de 1,8% em receita e aumento de 6,7% em volume no comparativo com 2024. No recorte do mês de dezembro, as exportações registraram US$ 72,9 milhões e 9,74 milhões de pares, incrementos de 0,8% em receita e de 24,4% em volume em relação ao último mês de 2024.

O impacto do tarifaço dos Estados Unidos, que aplica, desde agosto de 2025, sobretaxa de 50% ao calçado brasileiro importado pelo país, foi determinante para a baixa performance das exportações. “O resultado só não foi pior, porque embarques para outros países, como Espanha, Paraguai, e Equador aumentaram após o tarifaço”, destaca o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. No entanto, continua o dirigente, “os produtos exportados pelo Brasil para esses países possuem um valor médio menor, o que acabou impactando na rentabilidade dos exportadores”. Em relação a 2024, o preço médio do calçado embarcado pelo Brasil caiu 8%, para US$ 9,20 por par (média de 2025).

Destinos
Principal destino do calçado brasileiro no exterior, os Estados Unidos importaram, em 2025, o equivalente a US$ 211,9 milhões pelo embarque de 10,2 milhões de pares, quedas tanto em receita (-2%) quanto em volume (-1%) em relação a 2024. No recorte de dezembro, as exportações para os Estados Unidos foram de US$ 13,47 milhões e 761 mil pares, quedas tanto em receita (-20,1%) quanto em volume (-23,2%) em relação a dezembro de 2024.

As exportações para o segundo principal destino do calçado brasileiro no exterior também caíram, em receita, em dezembro. Em todo o ano passado, as exportações para a Argentina somaram US$ 179,66 milhões e 13,68 milhões de pares, queda de 11% em receita e incremento de 8,6% em volume no comparativo com os resultados de 2024. Já no recorte de dezembro, as exportações para a Argentina atingiram US$ 4,46 milhões e 394,3 mil pares, quedas tanto em receita (-47,7%) quanto em volume (-31,3%) em relação ao mesmo mês de 2024.

Na terceira colocação do ranking apareceu o Paraguai que, no ano passado, importou o equivalente a US$ 48 milhões pela importação de 9,47 milhões de pares verde-amarelos, incrementos de 12,6% e de 13,6%, respectivamente, ante 2024. No recorte de dezembro, as exportações para o país vizinho registraram US$ 3,76 milhões e 527,28 mil pares, incremento de 75,2% em receita e queda de 2,5% em volume na relação com o mesmo mês de 2024.

Estados exportadores
Em 2025, o Rio Grande do Sul foi o principal exportador do setor calçadista em receitas geradas. No ano, as fábricas gaúchas geraram US$ 457,7 milhões com o embarque de 31,96 milhões de pares, quedas de 5,7% em receita e de 1% em volume ante 2024.

Na sequência, entre os exportadores, apareceram o Ceará (US$ 189,43 milhões e 32,6 milhões de pares, queda de 4,9% em receita e incremento de 8% em volume ante 2024) e São Paulo (US$ 100,98 milhões e 6,7 milhões de pares, incrementos de 10,6% e de 14,7%, respectivamente, ante 2024).

(*) Com informações da Abicalçados

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Como a manufatura digital fortalece a indústria brasileira no mapa global da produtividade

Jenner Marques (*)

A economia global vive uma profunda transformação, impulsionada pela necessidade incessante de eficiência, rastreabilidade e a capacidade de customizar produtos em massa.

É a chamada “corrida industrial”: de um lado, temos potências econômicas intensificando investimentos em automação, Inteligência Artificial e digitalização; de outro, temos países emergentes correndo para não se manterem restritos a um modelo de manufatura obsoleto, de baixa produtividade e pouca rastreabilidade.

No setor industrial brasileiro, que é historicamente robusto em diversidade, estamos no limite da Indústria 4.0, pois ainda lidamos com a fragmentação de dados e processos manuais. A aceleração da transformação digital é o fator que pode evitar a perda de competitividade e garantir a sobrevivência econômica.

Nesse contexto, surge a manufatura digital como a “estrada para a modernidade” da indústria do Brasil: mais do que a simples automação de tarefas, ela representa a integração completa entre dados, processos e pessoas por meio da união do ambiente físico (máquinas, sensores e recursos de Internet das Coisas) com o ambiente digital (análise de dados, relatórios e insights).

Trata-se de uma mudança estrutural, que redefine como a indústria do nosso País é capaz de aperfeiçoar a cadeia produtiva em nível internacional.

Plataforma SAP é o “cérebro” da manufatura digital

Para potencializar o uso da manufatura digital, o SAP deve ser visto como o “cérebro”, ou o fator de inteligência da fábrica digital, ao criar a estrutura tecnológica ideal para o ambiente Digital Twin (ou “Gêmeo Digital”), que consiste na criação da réplica virtual de toda a operação fabril, permitindo a consolidação dos dados da cadeia de suprimentos em uma plataforma integrada.

Consequentemente, a simulação de cenários, a previsão de gargalos e a otimização de processos (como novas sequências de produção) ocorre em um ambiente virtual seguro antes que algo realmente aconteça na operação, minimizando riscos e maximizando o retorno.

Quatro pilares da manufatura digital com SAP

A manufatura digital com SAP também é sinônimo de prática com retorno mensurável para a indústria brasileira a partir de quatro pilares:

  • Manutenção preditiva: os sensores conectados ao SAP coletam dados contínuos sobre o funcionamento das máquinas, tais como vibração e temperatura. Esse monitoramento  não apenas detecta anomalias, mas utiliza algoritmos para prever falhas, agendando manutenções de forma proativa, o que reduz custos   e evita paradas inesperadas na operação.
  • Rastreabilidade total: em setores regulamentados, a capacidade de rastrear cada componente, lote e etapa de produção é vital. A digitalização com SAP garante uma rastreabilidade voltada para  qualidade dos dados e conformidade regulatória.
  • Otimização da cadeia de suprimentos: com dados integrados pelo SAP, as empresas ajustam estoques, prazos e transportes com agilidade.
  • Qualidade 4.0: os sistemas inteligentes do SAP analisam imagens e dados de forma contínua. Com o auxílio de Inteligência Artificial, é possível identificar desvios de processo e corrigir os problemas na fonte, evitando retrabalho e desperdício de recursos.

Esses quatro pilares não apenas melhoram os indicadores operacionais, mas também elevam o patamar de maturidade digital das empresas, abrindo espaço para inovações contínuas.

Abordagem evolutiva na manufatura digital para impulsionar a competitividade do Brasil

A transformação é uma jornada contínua e, para que essa estratégia de manufatura digital tenha sucesso, os líderes devem  adotar uma abordagem evolutiva.

O primeiro passo é definir um projeto-piloto de alto impacto, que conecte aprendizado estratégico com Retorno sobre o Investimento (ROI).

A partir de então, a empresa pode escalar gradualmente suas iniciativas, sempre com uma visão de longo prazo e metas crescentes. Cada etapa deve agregar valor e ser integrada com foco na padronização do SAP.

Portanto, esse é o caminho ideal para que a transformação de uma fábrica tradicional em uma manufatura digital gere a oportunidade de reposicionar a indústria brasileira no mapa global da inovação e da produtividade.

(*) Jenner Marques, CEO da EVOX

 

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Até quando o Brasil seguirá relegando terras raras a um segundo plano? Ativo é considerado estratégico pelos EUA e pela China

Enquanto grandes potências estruturam cadeias completas de produção de ímãs de neodímio, o Brasil segue dependente da importação de componentes críticos, apesar de possuir reservas relevantes de terras raras.

Da Redação

Brasília – Terras raras deixaram de ser um tema restrito à mineração para se tornarem um dos principais vetores da disputa econômica global. Esses elementos químicos — entre eles o neodímio — são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes de alta performance, usados em motores elétricos, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos médicos, sistemas de defesa e automação industrial.

A importância estratégica desses materiais explica por que Estados Unidos e China passaram a tratá-los como ativos de segurança econômica e industrial. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global por minerais críticos pode crescer até 500% até 2040, impulsionada pela transição energética, pela eletrificação da economia e pela automação industrial. Ao mesmo tempo, a produção segue altamente concentrada, criando um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda.

Hoje, a China responde por cerca de 60% da produção global de terras raras e por aproximadamente 90% da fabricação mundial de ímãs de neodímio, de acordo com dados do U.S. Geological Survey (USGS). Essa posição não é fruto apenas da disponibilidade mineral, mas de uma estratégia industrial de longo prazo que integrou mineração, refino, separação química e indústria de transformação.

“Terras raras não são estratégicas porque estão no subsolo, mas porque alguém decidiu dominar toda a cadeia”, afirma Rodolfo Midea, especialista em importação de ímãs de neodímio. “A China entendeu isso há décadas. O controle está no refino e na transformação, não apenas na extração.”

Para os EUA, questão de soberania nacional

Diante dessa concentração, os Estados Unidos passaram a tratar a dependência de terras raras como um risco à segurança nacional. Relatórios do Departamento de Energia norte-americano classificam esses materiais como críticos para setores estratégicos, como defesa, energia e tecnologia. Nos últimos anos, o país destinou bilhões de dólares em subsídios e incentivos para reativar minas, desenvolver capacidade de refino e firmar parcerias com países detentores de reservas.

“O movimento dos Estados Unidos não é pontual, é estrutural”, explica Midea. “Eles entenderam que depender quase integralmente de um único fornecedor para insumos críticos é um risco econômico e político.”

O Brasil, por sua vez, ocupa uma posição paradoxal. Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país possui cerca de 10% do potencial geológico mundial de terras raras, mas responde por menos de 1% da produção global. Mais do que isso: o país não domina as etapas mais valiosas da cadeia, como refino e produção de ímãs.

Na prática, isso significa que o Brasil exporta potencial mineral e importa tecnologia. Estimativas do setor apontam que mais de 90% dos ímãs de neodímio utilizados pela indústria brasileira são importados, o que expõe empresas a variações cambiais, gargalos logísticos e rupturas de fornecimento.

“O Brasil tem o recurso, mas não tem projeto”, afirma Midea. “Sem uma estratégia industrial clara, continuamos dependentes de produtos de alto valor agregado, mesmo tendo matéria-prima.”

Essa dependência tem impacto direto na competitividade industrial. Em setores altamente automatizados, a falta de um componente crítico pode paralisar linhas de produção inteiras. Segundo estimativas de mercado, o custo de parada de uma fábrica automatizada pode chegar a milhões de reais por dia, considerando perdas de produção, contratos e penalidades.

Para Midea, a discussão sobre terras raras no Brasil precisa mudar de patamar. “Não é uma pauta ambiental ou mineral. É uma pauta econômica e industrial. Quem controla a cadeia de materiais críticos controla parte relevante da economia moderna.”

 

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ApexBrasil comemora recorde histórico de US$ 629,1 bilhões na corrente de comércio exterior em 2025

Da Redação (*)

Brasília – De acordo com os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Brasil bateu recorde de US$ 349 bilhões em exportações e US$ 280,4 bilhões em importações em 2025, com superavit da balança comercial de quase US$ 70 bilhões.

O Brasil encerrou o ano de 2025 com recorde de US$ 629,1 bilhões na corrente de comércio internacional, considerado o maior valor já registrado na série histórica. As exportações alcançaram US$ 348,7 bilhões. O resultado supera em US$ 9 bilhões, o recorde anteriormente registrado em 2023. As importações brasileiras também atingiram patamar recorde em 2025, somando US$ 280,4 bilhões. O superávit da balança comercial fechou o ano em US$ 68,3 bilhões, consolidando-se como o terceiro maior já alcançado pelo país.

Os dados, divulgados nesta terça-feira (6) pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin confirmam o desempenho histórico da balança comercial brasileira em um cenário internacional marcado por instabilidades, como o “tarifaço” imposto ao Brasil em 2025.

Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, este resultado reafirma a capacidade do país de ampliar sua presença internacional, conquistar novos mercados e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras no exterior.

“O fluxo de comércio do Brasil com o mundo aumentou mais do que o fluxo de comércio mundial. Foi quase o dobro. O mundo cresceu cerca de 2,5% e o Brasil 5,7%. O comércio exterior brasileiro cresceu 3,4% num ano que não foi tão fácil. Teve tarifaço e, mesmo com o tarifaço, o Brasil quebrou recorde”, comemorou o presidente da ApexBrasil. O percentual de 5,7% é mais do que o dobro do previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para o crescimento do fluxo global de comércio em 2025, que foi de 2,4%.

Projeção de corrente comercial de US$ 700 bilhões em 2026

Na avaliação de Jorge Viana as previsões para 2026 são ainda melhores. “O Brasil pode ter um fluxo de comércio próximo de US$ 700 bilhões, com crescimento nas exportações e, obviamente, uma presença maior no comércio internacional”, afirmou.

O desempenho recorde das exportações em 2025 reflete uma estratégia consistente de inserção internacional do Brasil, baseada na diversificação de destinos, no aumento do valor agregado dos produtos exportados e no fortalecimento de setores estratégicos da economia.

O presidente da Apex destacou a fala do vice-presidente Alckmin e disse que os recordes obtidos são resultado de um trabalho que o presidente Lula fez com dedicação pessoal nesses últimos três anos. “Nós, da Apex também ajudamos nisso, junto com o Itamaraty e com o Ministério da Agricultura. O trabalho está sendo recompensado. Esse saldo na balança comercial de quase US$ 70 bilhões é o terceiro maior da histórica. O Brasil está fazendo sua parte, seu dever de casa”, ressaltou Jorge Viana.

Ao longo de 2025, mais de 40 mercados registraram recordes de compras de produtos brasileiros, com destaque para países como Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega, evidenciando o avanço da diversificação da pauta exportadora brasileira para além dos destinos tradicionais.

Segundo o presidente da ApexBrasil, esses indicadores refletem um comércio exterior mais dinâmico e integrado às cadeias globais de valor, ao mesmo tempo em que evidenciam a importância do fortalecimento das exportações como vetor de crescimento econômico sustentável.

“São números muito positivos, que nos estimulam a seguir trabalhando com ainda mais dedicação. Esse resultado é fruto do esforço conjunto do governo federal, do presidente Lula, do vice-presidente Alckmin, do Itamaraty, do Ministério da Agricultura e da Apex”, finalizou.

Com o desempenho histórico da balança comercial em 2025, o Brasil consolida sua relevância no comércio internacional e reforça as bases para a expansão das exportações e atração de investimentos nos próximos anos, contribuindo para o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e o fortalecimento da inserção do país na economia global.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Especialistas analisam impactos da operação dos EUA na Venezuela no agronegócio brasileiro

Especialistas apontam que os impactos da operação dos EUA tendem a ser indiretos, com reflexos em energia, fretes, contratos e exigências regulatórias

Da Redação

Brasília – A recente operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, reacendeu alertas no agronegócio brasileiro sobre os efeitos indiretos de crises geopolíticas em cadeias globais de produção, logística e comércio. Embora não haja impacto bilateral direto relevante, especialistas apontam que o setor pode ser afetado por custos, volatilidade e maior rigor regulatório.

Para André Aidar, sócio e head de Direito do Agronegócio do Lara Martins Advogados, doutor e mestre em Agronegócio, a reconfiguração da relação entre Estados Unidos e Venezuela tende a gerar reflexos econômicos indiretos, mas relevantes, para o agro brasileiro. “Alterações nos fluxos de energia, commodities e insumos estratégicos afetam preços internacionais, logística e competitividade. Tensões prolongadas podem reforçar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos, mas também ampliam a exposição a volatilidade cambial, custos de frete, combustíveis e fertilizantes”, avalia.

Segundo Aidar, o cenário exige atenção redobrada à gestão de riscos, com diversificação de mercados, revisão contratual e monitoramento constante de sanções, barreiras comerciais e exigências sanitárias, que podem mudar rapidamente em contextos de instabilidade internacional.

Na mesma linha, Adhemar Michelin Filho, pós-graduado em Direito Empresarial e em Direito Ambiental, e sócio da Michelin Sociedade de Advogados, destaca que os principais impactos para o agronegócio tendem a ocorrer via energia e logística. “Ruídos geopolíticos costumam aumentar a volatilidade do petróleo, pressionando diesel, fretes e custos logísticos no Brasil. Isso repercute diretamente em cadeias como a de proteína animal, onde transporte, refrigeração e distribuição têm peso relevante”, explica.

Michelin também chama atenção para o aumento das exigências de compliance e rastreabilidade nas cadeias internacionais. “Mesmo empresas que não negociam com a Venezuela podem enfrentar maior rigor em due diligence, checagem de contrapartes e exigências de bancos e seguradoras, o que impacta prazos, contratos e liquidez”, afirma.

Para os especialistas, o cenário reforça a necessidade de tratar riscos geopolíticos como um fator transversal no agronegócio, combinando gestão de custos, contratos mais resilientes, planejamento logístico e fortalecimento de práticas de compliance, a fim de preservar margens, garantir embarques e manter competitividade em um ambiente global cada vez mais instável.

 

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Plano Brasis: Embratur reforça geração de negócios e promoção do turismo brasileiro no exterior em 2026

Presença em eventos globais busca expandir e fortalecer o posicionamento do Brasil no turismo internacional e ampliar a geração de emprego e renda dando visibilidade aos destinos nacionais em feiras

Da Redação (*)

Brasília – Em 2026, a Embratur estará presente em 19 feiras internacionais, com edital para coexpositores. Contemplando os segmentos de multiprodutos, luxo, náutico e MICE, as ações marcam uma nova fase na promoção do turismo brasileiro, utilizando o Plano Brasis – Plano Internacional de Marketing Turístico 2025–2027 – para consolidar os recordes de entrada de turistas e divisas internacionais registrados em 2025.

A participação em feiras internacionais é uma ferramenta de promoção e apoio à geração de negócios. Esses eventos criam oportunidades para que estados, municípios e o trade turístico brasileiro se reúnam com operadores internacionais, criem redes de contato e firmem parcerias, fortalecendo a entrada e a permanência de turistas internacionais nos destinos brasileiros.

Conforme explica o presidente da Agência, Marcelo Freixo, em sinergia com outras ações e iniciativas, as feiras são oportunidades para ampliar a visibilidade internacional dos destinos. Nessa dinâmica, o estande do Brasil, que foi reformulado para posicionar o país como um anfitrião de excelência, serve como ponto de encontro para reuniões com agências, lançamento de parcerias e promoção de experiências imersivas.

“Queremos que o operador internacional veja o Brasil como um produto de alta qualidade e pronto para o mercado. Nosso foco é gerar negócios e atrair divisas que chegam na ponta, no município, gerando emprego e renda para o povo brasileiro”, explica Marcelo Freixo.

Agenda cheia

Confira a agenda da Embratur em feiras internacionais para 2026:

Fitur, de 21 a 25 de janeiro, em Madri (Espanha)

Anato, de 25 a 27 de fevereiro, em Bogotá (Colômbia)

BTL, de 25 de fevereiro a 1º de março, em Lisboa (Portugal)

ITB Berlim, de 3 a 5 de março, em Berlim (Alemanha)

BMT, de 12 a 14 de março, em Nápoles (Itália)

Seatrade Cruise Global, de 13 a 16 de abril, em Miami (EUA)

Imex Frankfurt, de 19 a 21 de maio, em Frankfurt (Alemanha)

ITB China, de 26 a 28 de maio, em Xangai (China)

FIEXPO , de 8 a 11 de junho, em San José (Costa Rica)

Global Bird Fair, de 10 a 12 de julho, em Ruthland (Reino Unido)

IFTM Top Resa, de 15 a 17 de setembro, em Paris (França)

FIT América Latina, de 26 a 29 de setembro, em Buenos Aires, Argentina

TTG, de 8 a 10 de outubro, em Rimini (Itália)

FITPAR, de 10 a 12 de outubro, em Assunção (Paraguai)

Imex America, de 13 a 15 de outubro, em Las Vegas (EUA)

WTM, de 3 a 5 de novembro, em Londres (Reino Unido)

ITB Américas, de 10 a 12 de novembro, em Guadalajara (México)

IBTM World, de 17 a 19 de novembro, em Barcelona (Espanha)

ILTM, de 30 de novembro a 3 de dezembro, em Cannes (França)

Editais
A seleção dos coexpositores para participação nas feiras é realizada por edital de chamamento público disponibilizado no site da Embratur. Esse processo garante isonomia, transparência e alinhamento à estratégia dos mercados emissores prioritários, e assegura a participação de parceiros qualificados para a promoção da diversidade cultural e natural do país junto a operadores, agentes de viagem, público final, investidores e demais tomadores de decisão globais.

Segundo a Embratur, é importante destacar que o processo de seleção de coexpositores para o primeiro trimestre de 2026 aconteceu em outubro último.

A previsão de lançamento dos editais das feiras Seatrade, ITB China, IMEX Frankfurt e FIEXPO é 19/01. Já os editais das feiras de multiprodutos do segundo semestre, assim como das feiras MICE (Imex Las Vegas e IBTM World) e da ILTM, têm lançamento previsto para 22/06.

(*) Com informações da Embratur

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O que o Brasil pode aprender com a revolução digital da saúde na China

Andréa Rangel (*)

No segundo semestre de 2025, participei de uma missão comercial à China para conhecer tecnologias e modelos de operação que hoje colocam o país na vanguarda da saúde global. O impacto foi imediato, a China, que possui hoje 1,4 bilhão de habitantes, opera com um nível de integração, automação e precisão que causa estranhamento no olhar brasileiro. Nada ali parece “promissor”, na verdade é real, cotidiano e escalável.

Com mais de 39 mil hospitais, cerca de 8 milhões de leitos e mais de 3 bilhões de atendimentos anuais, o país transformou tecnologia em política pública e isso se reflete em hospitais inteligentes, diagnósticos acelerados por IA e um ambiente industrial pronto para sustentar a saúde digital.

No Brasil, o SUS cobre 100% da população, mas conta com uma infraestrutura menor, com cerca de 7.500 hospitais e 500 mil leitos, resultando em 2 leitos por mil habitantes, contra mais de 5 leitos por mil habitantes na China.

Mas o número bruto chinês não é o que mais impressiona, mas, sim, a transformação digital, inovação, o uso intensivo de inteligência artificial, automação, conectividade 5G e sistemas integrados de dados, e logística por drones. É justamente isso que tem chamado executivos brasileiros para observar, comparar e adaptar soluções ao contexto nacional da saúde no Brasil. A missão comercial que participei revelou, dia após dia, como essa integração funciona na prática.

Tecnologia integrada como padrão, não exceção

Em Shenzhen, cidade da China, no centro de inovação da Huawei, fornecedora global de soluções de tecnologia da informação e comunicação, testemunhei como a China levou a integração ao extremo. Plataformas de IoT monitoram hospitais em tempo real, sistemas de armazenamento tratam milhões de imagens médicas com resiliência e segurança da informação, e algoritmos de IA auxiliam médicos na tomada de decisão, organizam agendas e personalizam tratamentos.

O que impressiona não é apenas a existência dessas tecnologias, mas o fato de funcionarem juntas. Na China, diagnósticos, históricos clínicos, dados de imagem e informações administrativas trafegam em um ecossistema padronizado, interoperável e pensado desde o início para escalar.

Por que a China consegue interoperar dados em saúde com sucesso?

Três fatores explicam essa maturidade e ajudam a entender o contraste com o Brasil:

– Um Estado que centraliza padrões e exige interoperabilidade: O governo chinês criou diretrizes e padrões nacionais obrigatórios para sistemas de prontuário, plataformas hospitalares, equipamentos, dados clínicos e protocolos digitais. Na prática, isso significa que independentemente da cidade ou hospital, os sistemas “falam a mesma língua”.

– Investimento massivo em infraestrutura digital: A China investiu por anos na construção de uma espinha dorsal tecnológica composta por redes de fibra ótica, 4G, 5G e data centers nacionais. Esse ambiente preparado facilita a integração de dados e uso de IA em larga escala.

– Integração entre governo, universidades e indústria: Empresas como Huawei, MicroPort e United Imaging trabalham lado a lado com universidades e centros de pesquisa, e seus produtos já nascem interoperáveis, conectados e orientados por padrões nacionais.

O resultado é um sistema fluido, capaz de cruzar informações clínicas entre regiões, ampliar diagnósticos remotos e reduzir desigualdades geográficas. Uma meta que o Brasil ainda tenta alcançar.

A engenharia por trás da saúde chinesa

Em visita a um complexo fabril da Huawei de 1,3 milhão de m², presenciei a filosofia dos “três zeros”: Zero luz, Zero pessoas, Zero erros. Robôs, processos automatizados e esteiras inteligentes realizam tarefas de forma totalmente integrada e a precisão supera padrões. Esse rigor industrial abastece diretamente o setor de saúde, com equipamentos avançados, sensores de alta confiabilidade e sistemas preparados para grandes redes hospitalares.

Hospitais que funcionam como centros de alta tecnologia

No Sun Yat-sen University Cancer Center, o maior centro oncológico integrado da China, localizado na cidade de Guangzhou, tudo flui de forma surpreendentemente coordenada. Com mais de 2.200 leitos, o centro realiza cerca de 2 milhões de atendimentos por ano e mais de 45 mil cirurgias anuais, números que o colocam entre as instituições oncológicas mais produtivas do mundo. Uma operação milimetricamente orquestrada por tecnologias que permitem uma jornada do paciente digital com check-in automático, reconhecimento facial para prontuários, redução drástica do tempo de admissão, sistemas preditivos para gestão de leitos, entrega de medicamentos feitas por robôs que circulam pelos corredores dos hospitais, radioterapia guiada digitalmente, ressonâncias analisadas com IA que reduzem até 50% o tempo de interpretação, com até 95% de precisão dependendo do exame.

Na cidade de Xangai, a MicroPort, empresa global de dispositivos médicos, apresentou casos de telecirurgias realizadas entre distâncias de até 12 mil quilômetros, sustentadas por redes 5G de alta estabilidade. Já a United Imaging Healthcare, fabricante de tecnologia médica, exibiu PET/CT de corpo inteiro, tomógrafos de 640 fatias e plataformas de IA aplicadas diretamente a fluxos clínicos.

O clássico Hospital Ruijin é uma das instituições mais avançados da China em terapias de alta complexidade. Um de seus marcos é o investimento em terapia de prótons, modalidade de radioterapia que utiliza partículas aceleradas para tratar tumores com extrema precisão, reduzindo danos a tecidos saudáveis. Este hospital é um modelo observado por estrangeiros por conseguir unir investimento consistente em ciência e tecnologia, integração entre universidades, governo e indústria, padronização de dados, digitalização abrangente e infraestrutura tecnológica de alta escala.

Por que a China investe tanto em pesquisa e educação em saúde

Essa capacidade tecnológica é sustentada por uma política de longo prazo:

– Educação como prioridade nacional: Universidades chinesas formam milhares de engenheiros, médicos, cientistas de dados e físicos médicos todos os anos, com programas diretamente financiados pelo governo.

– Pesquisa aplicada e orientada ao mercado: Em vez de pesquisas dispersas, a China direciona investimentos a áreas estratégicas, como IA médica, biotecnologia, nanotecnologia, fusão diagnóstico-tratamento, equipamentos hospitalares, farmacêuticos e 5G/6G.

– Parceria entre governo e indústria: Projetos de saúde costumam nascer de cooperação entre hospitais, empresas e universidades, o que reduz o tempo entre pesquisa e aplicação real.

– Continuidade de políticas públicas: Diferentemente do Brasil, a política científica chinesa é estável e de longo prazo. O plano de inovação em saúde não muda a cada eleição.

O contraste com o Brasil: o que nos impede de avançar na mesma velocidade

Apesar dos avanços do SUS e de sua relevância social, o Brasil enfrenta barreiras profundas, como fragmentação de sistemas e falta de padrões nacionais de dados; infraestrutura desigual, especialmente fora das capitais; burocracia nas compras públicas, que dificulta adoção de novas tecnologias; escassez de profissionais especializados em engenharia hospitalar, IA médica e interoperabilidade; investimentos instáveis em pesquisa e inovação; baixa automação hospitalar e dependência de processos manuais; e rede 5G ainda restrita, sendo um impeditivo para telecirurgia e monitoramento avançado. São desafios reais, mas que podem ser superados com políticas de longo prazo, parcerias tecnológicas e investimento inteligente.

Um futuro possível para o Setor da saúde no Brasil

Em 2025, Brasil e China firmaram cooperações para construir o primeiro hospital inteligente do país, em São Paulo, com mais de 800 leitos e infraestrutura avançada de IA. Parcerias também envolvem pesquisa em vacinas, oncologia e dispositivos médicos de última geração.

Se a China oferece a visão de um sistema massivo e altamente digitalizado, o desafio brasileiro é adaptar essas práticas à realidade nacional, mantendo a essência do SUS, que é ser universal, gratuito e integral.

A missão à China não me mostrou um modelo a ser copiado, mas um horizonte para ser adaptado. A China prova que tecnologia e saúde pública podem caminhar juntas e que integração, interoperabilidade e IA podem fortalecer um sistema universal como o SUS.

A distância entre nossos países ainda é grande, mas não intransponível. O Brasil tem talento, escala e necessidade. Falta transformar tudo isso em estratégia. Modernizar a saúde brasileira se mostra possível e urgente.

(*) Andréa Rangel,  Head de Negócios em Saúde da Hexa IT. Bacharel em Letras com habilitação para tradutor e intérprete, e possui especialização em Comércio Internacional pelo Institute of Export, em Londres. Além de uma pós-graduação em Automação na saúde e na Medicina, pela FMUSP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

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Comércio exterior bate em 2025 recordes históricos de exportação, importação e corrente de comércio, apesar do tarifaço

Importações e corrente de comércio também tiveram as melhores marcas desde o início da série, em 1989

Da Redação (*)

Exportações brasileiras batem recorde histórico em 2025 e somam US$ 349 bilAs exportações brasileiras alcançaram recorde histórico em 2025, mesmo sob cenário internacional adverso. Dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) mostram que as exportações do Brasil no ano passado somaram US$ 348,7 bilhões, superando em US$ 9 bilhões o recorde anterior, que era de 2023. Os últimos três anos apresentam os melhores resultados históricos para a balança comercial.

Em relação a 2024, o aumento das exportações no ano passado, em valores, foi de 3,5%. Em volume, o crescimento foi ainda maior: 5,7%. Esse último percentual é mais do que o dobro do previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para o crescimento global em 2025, de 2,4%.

Além disso, mais de 40 mercados registraram recorde de compras de produtos brasileiros em 2025, com destaque para Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega.

“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos.”, afirma o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. “O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil (NIB) e com o Plano Brasil Soberano”.

Importações, corrente e superávit

As importações também bateram recorde em 2025, alcançando US$ 280,4 bi, valor 6,7% superior ao de 2024 e quase US$ 8 bi acima do recorde anterior, de 2022.

Com isso, a corrente de comércio somou US$ 629,1 bi, chegando ao maior patamar já registrado – com aumento de 4,9% sobre o ano passado. Já o superávit ficou em US$ 68,3 bi, terceiro maior da série histórica, atrás apenas de 2023 e 2024.

Dezembro de 2025

Os dados relativos apenas a dezembro de 2025 revelam exportação recorde de US$ 31 bilhões (+24,7%) para o mês; importações de US$ 21,4 bilhões (+5,7%); e saldo de US$ 9,6 bilhões (+107,8%), recorde para meses de dezembro. A Corrente de Comércio ficou em US$ 52,4 bilhões (+16,2%), também recorde para o mês.

Exportações por setores, produtos e países

No ano, as exportações da indústria de transformação cresceram 3,8% em valor, influenciadas pelo aumento de 6% em volume, alcançando o montante recorde de US$ 189 bilhões. Destacam‑se, neste setor, os recordes nas exportações de carne bovina (US$ 16,6 bi), carne suína (US$ 3,4 bi), alumina (US$ 3,4 bi), veículos automóveis para transporte de mercadorias (US$ 3,1 bi), caminhões (US$ 1,8 bi), café torrado (US$ 1,2 bi), máquinas e aparelhos elétricos (US$ 1,0 bi), máquinas e ferramentas mecânicas (US$ 729 mi), produtos de perfumaria (US$ 721 mi), cacau em pó (US$ 598 mi), instrumentos e aparelhos de medição (US$ 593 mi) e defensivos agrícolas (US$ 495 mi).

Já a indústria extrativa registrou aumento de 8% no volume exportado. Minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões de toneladas) bateram recordes de embarque. Os bens agropecuários cresceram 3,4% em volume e 7,1% em valor. O café verde atingiu valor recorde (US$ 14,9 bi), enquanto a soja registrou volume recorde (108 milhões de toneladas), assim como o algodão em bruto (3 milhões de toneladas).

Em relação aos destinos, a exportação para a China cresceu 6% e atingiu US$ 100 bilhões, impulsionada por soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro‑gusa. Para a União Europeia, o crescimento foi de 3,2%, com destaque para café, carne bovina, minério de cobre, milho e aeronaves. Para a Argentina, as exportações cresceram 31,4%, impulsionadas pelo setor automotivo.

Para os Estados Unidos, houve queda de 6,6% no ano, concentrada entre agosto e dezembro, como resultado do tarifaço imposto pelo governo norte-americano a parte dos produtos brasileiros. A maior redução ocorreu em outubro (–35,4%). Em dezembro, porém, houve melhora, com queda de apenas 7,2% e embarques acima de US$ 3 bilhões (US$ 3,4 bi).

Importações por setores, produtos e países

Nas importações, os bens de capital tiveram o maior aumento (+23,7%), seguidos por bens intermediários (+5,9%) e bens de consumo (+5,7%). As importações de combustíveis recuaram 8,6%.

Cresceram as importações originárias da China (11,5%), Estados Unidos (11,3%) e União Europeia (6,4%). A importação de produtos argentinos recuou 4,7%.

(*) Com informações Secex/MDIC

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A queda de Maduro: liberdade depende de expulsar castas corruptas

Márcio Coimbra (*)
O amanhecer de 2026 marca um ponto de inflexão decisivo para a Venezuela. A queda de Nicolás Maduro e sua transferência sob custódia para Nova Iorque simbolizam o colapso de um sistema que exauriu o Estado, convertendo instituições em engrenagens do crime transnacional. No entanto, o vácuo deixado por décadas de autoritarismo exige prudência absoluta. A transição demanda cautela na estabilização interna e na recuperação de uma indústria petrolífera dilapidada por quase trinta anos de uma gestão que priorizou o saque sistemático e a repressão em parceria com máfias estrangeiras.

A realidade atual ratifica as denúncias de Maria Corina Machado: a PDVSA foi, na prática, privatizada por máfias e potências revisionistas. Sob o manto da Lei Antibloqueio, o regime operou a transferência clandestina de ativos para figuras como Alex Saab e conglomerados sem expertise, como o Consórcio Petroluxe e a Tridente Servicios Petroleros.

A teia estendeu-se a empresas de fachada ligadas ao Irã, China e Rússia, incluindo a Sinohydro Corporation e as obscuras Anhui Guangda e Beijing Huasheng Rongcheng — cujos objetos sociais originais, como processamento de dados, mascaravam a exploração de hidrocarbonetos. Até a entidade turca Kase Finansal, de natureza financeira, tornou-se operadora petrolífera, evidenciando uma prioridade na engenharia financeira para lavagem de capitais em detrimento da técnica industrial.

Sob o domínio de Pequim, Teerã e Moscou, o patrimônio nacional foi desidratado para financiar a repressão interna e máquinas de guerra globais. Essa pilhagem reduziu a produção a níveis inferiores a 30% de sua capacidade histórica — um déficit de 70% causado por corrupção e negligência. Reerguer este setor vital exigirá agora o aporte tecnológico e a transparência que apenas os Estados Unidos e o mercado global legítimo podem oferecer.

Esta reconstrução é indissociável de um resgate ético. Não há soberania legítima quando o Estado submete o povo a uma ditadura brutal e invocar o Direito Internacional para proteger um tirano que converteu o país em santuário da tortura situa-se em um absoluto vácuo moral. Aqueles que evocam a “não-ingerência” silenciaram enquanto o terror era institucionalizado nos porões do SEBIN e da DGCIM. A intervenção liderada pelos EUA deve ser vista como um ato de responsabilidade internacional necessário para desmantelar um Estado-narcomafioso que ameaçava a segurança hemisférica.

Contudo, remover Maduro é apenas o primeiro passo. O desafio hercúleo reside na rede sistêmica de controle militar. Permanecem no território centenas de generais vinculados ao narcotráfico, como Vladimir Padrino López, Domingo Hernández Lárez e Diosdado Cabello, responsáveis por pilhar o erário. É impossível reconstruir o país removendo apenas a “cabeça” do regime e a sobrevivência da democracia exige uma limpeza institucional cirúrgica nas raízes dessa narcocorrupção. Sem desmantelar essa casta militar, qualquer mudança será apenas cosmética. O êxito desta nova era depende da coragem em erradicar as estruturas que ainda infestam o Estado, devolvendo, finalmente, a verdadeira soberania ao povo venezuelano.

(*Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

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Países aliam política à defesa comercial e nova onda de protecionismo se espalha pelo mundo, analisa especialista

Especialista em comércio exterior Jackson Campos aponta para uso político de medidas de proteção comercial e como exportadores precisam diversificar clientes para mitigar impactos

Da Redação

Brasília – A defesa comercial deixou de ser um instrumento técnico restrito do comércio exterior e se tornou uma ferramenta geopolítica. Na teoria, instrumentos mais usados, como o antidumping, compensatórios e salvaguardas, partem de uma lógica simples que é proteger setores domésticos de práticas de comércio que um país julga injustas ou de ondas de importação que ameacem a produção local. Na prática política, porém, as medidas viram instrumentos de barganha.

Países elevam tarifas ou abrem investigações quando desejam dar fôlego a uma indústria sensível por razões próprias ou quando precisam responder a choques externos. A OMC (Organização Mundial do Comércio) calculou que em outubro de 2024 todas as restrições de importação em vigor somavam impacto sobre US$ 2,942 bilhões em bens, o que representa 11,8% de tudo o que o mundo importa.

Em 2025 esse dado pode ser ainda maior, já que cada vez mais medidas protecionistas estão sendo adotadas e causam transtornos internos e externos. Jackson Campos, especialista em comércio exterior, chama atenção para o caráter político dessas decisões.

“Medidas como o ‘tarifaço’ têm efeito imediato sobre preços e cadeias, mas a retirada rápida também reflete pressão do mercado interno e cálculo político. É um jogo de xadrez e os movimentos dos países dependem tanto da diplomacia quanto de economia. Governos usam defesas comerciais para ganhar tempo, proteger produtores enquanto se busca ajuste estrutural ou renegociação internacional, mas pagam o preço em termos de competição e custo ao consumidor.”, analisa Campos.

OMC fragilizada contribui para medidas de proteção extrema

O enfraquecimento do poder de interferência e de conciliação da OMC fez com que cada vez mais países estabelecidos no comex começassem a tomar medidas de proteção extremas sem consequências graves, parando em longos processos litigiosos. Essas grandes economias frequentemente articulam medidas unilaterais com estratégia externa, barrando importações para proteger um setor e, simultaneamente, sinalizar prioridades geopolíticas. 

Para empresas e operadores de comércio, as implicações são operacionais e estratégicas. Mais que tarifas, o risco real vem de planejamentos logísticos e contratos internacionais que passam a incorporar cenários de instabilidade de tarifas repentinas. Campos observa que, diante dessa volatilidade, importadores e exportadores precisam reforçar a diversificação de mercados

“Quem depende de uma única rota ou fornecedor fica refém de decisões que não controlam e vão sofrer quando medidas mais extremas forem tomadas. Por isso, planejamento e alternativas comerciais são a melhor defesa privada, porque permitem que os exportadores sintam menos o impacto de mudanças como tarifaço, porque continuam tendo onde vender seus produtos, e mudanças de legislações”, explica o especialista.

Quando tarifas passam a ser empregadas de forma recorrente com objetivos de curto prazo ou como forma de pressão geopolítica, a previsibilidade do comércio se deteriora, os custos das cadeias produtivas sobem e o risco de ciclos de retaliação se amplia, afetando preços internos e decisões de investimento. “As tarifas deve ser exceção e não regra, sobretudo em economias que buscam expansão de mercados e estabilidade regulatória. Quando vira prática sistemática de política econômica, corre-se o risco de sacrificar a competitividade e o desenvolvimento nacional em nome de um protecionismo de curto prazo. Não há mais como fechar as portas e viver sozinho, é preciso agir com muita assertividade e inteligência para não sair prejudicado nesse jogo político-econômico”, conclui Campos.

 

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