Barreiras tarifárias, a face protecionista da China no intercâmbio comercial com o Brasil

Da Redação

Brasília – A China é, desde 2009, o principal parceiro comercial do Brasil, e o país asiático responde por quase um terço de todas as exportações realizadas pelo país. Mas a China é também um dos países que mais barreiras tarifárias ou não-tarifárias impõem às exportações dos produtos brasileiros, além de restringir a quase zero a entrada de produtos manufaturados nacionais em seu mercado.

De acordo com estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a China aplica imposto de importação sobre uma série de produtos como suco de laranja e café, impõe limites máximos de radiação para rochas, estabelece embargos às importações de pet food, pratica políticas de subsídios que restringem as exportações brasileiras de alumínio, borracha, ferro, aço, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, exige registro de produtores estrangeiros de alimentos e certificado sanitário para couro wet blue e proíbe a importação de carnes de aves de estados brasileiros, como o Rio Grande do Sul.

Imposto de Importação aplicado ao suco de laranja

O suco de laranja não figura entre os itens de destaque na pauta exportadora brasileira para a China. Isso se deve especialmente ao Imposto de Importação aplicado pelo governo chinês ao produto através de uma tarifa de 7,5% para o suco de laranja a -18º. C, que sobe para 30% se produto é exportado com uma temperatura acima de 18º. C. Essa tarifa foi reduzida para 15%, mas ainda torna o produto brasileiro pouco competitivo no mercado chinês.

Com essa barreira, nas últimas dez safras registrou-se uma queda de 30% nas exportações de suco de laranja para a China. A definição de uma temperatura de congelamento de -18º. C difere do padrão aceito por outros mercados relevantes, como os Estados Unidos e a União Europeia -principais mercados para o suco de laranja brasileiro.

Na percepção da CNI, a medida objetiva proteger a produção chinesa de suco de laranja, ainda incipiente, afetando o acesso do suco brasileiro àquele mercado e impactando nos custos produtivos por parte das indústrias nacionais. Com a redução temporária da alíquota para 15%, de 2020 a 2024 registrou-se um aumento de 153% nas exportações brasileiras de suco de laranja para a China.

Em 2025, mesmo com a redução da alíquota, as vendas para o mercado chinês somaram apenas US$ 99 milhões, com uma queda de 28,40% em relação ao ano anterior e corresponderam a 2,8% das exportações totais brasileiras. De janeiro a maio, os embarques para a China totalizaram apenas US$ 25 milhões (queda de 42.5% sobre o mesmo período de 2025), com uma participação de 2,5% em todo o volume exportado pelo Brasil.

Imposto aplicado ao café

O estudo da CNI também destaca o Imposto de Importação incidente sobre o café, citando que diz respeito ao estabelecimento de mecanismos de controle com o objetivo de eliminar os incentivos a eventuais produtores de café e à indústria cafeeira.

O documento destaca que existe uma proteção exagerada e estímulo sobretudo à indústria local. O problema encontrado nesse setor diz respeito à escalada tarifária promovida pelo governo chinês que inibe a exportação de produtos de maior valor agregado para o mercado doméstico da China. Atualmente, a tarifa aplicada é de 12% para café solúvel e extratos/concentrados.

A CNI ressalta que a medida tem um forte impacto negativo na competitividade dos produtos brasileiros no mercado chinês. Em comparação com outros concorrentes, os países que assinaram acordos de livre comércio com a China pagam tarifas convencionais 3% inferiores. Países como Laos, Camboja, Birmânia e outras nações em desenvolvimento ou subdesenvolvidos têm direito a tarifas preferenciais ou tarifa zero, o que significa uma grande vantagem comercial.

Segundo o documento da CNI, como o volume do comércio de café entre o Brasil e a China é grande, as tarifas de importação aplicadas ao café brasileiro representam verdadeiras barreiras às exportações nacionais.

Mesmo com essas barreiras, a China é um dos mercados mais promissores para o café brasileiro. De acordo com dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, as exportações totais do produto somaram US$ 14,9 bilhões, dos quais US$ 449 milhões foram embarcados para o país asiático. Apesar da forte alta de 115,10% sobre o ano anterior, as vendas para os chineses corresponderam a apenas 3,1% do total exportado.

De janeiro a maio deste ano, as exportações de café para a China registraram uma queda acentuada de 61,70% para US$ 63 milhões, comparativamente com os cinco primeiros meses do ano passado. Isso fez com que a participação chinesa nas exportações totais do produto se reduzissem a apenas 1,2%;

 

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Em tempos de volatilidade, dólar digital via USDT ganha espaço como proteção cambial em meio à pressão inflacionária global

Dados de mercado indicam avanço do uso de stablecoins por empresas e investidores brasileiros em cenário de volatilidade econômica e alta nos custos de energia

Da Redação

Brasília – O aumento da volatilidade cambial e da pressão inflacionária no Brasil tem ampliado a busca por ativos dolarizados. Dados recentes da Receita Federal mostram crescimento expressivo das operações com USDT (Tether), stablecoin pareada ao dólar, utilizada por empresas e investidores como alternativa de proteção patrimonial e operacional.

O movimento ganhou força em meio à escalada dos custos globais de energia após tensões logísticas no Estreito de Ormuz, que impactaram o preço internacional do petróleo e pressionaram cadeias de transporte e alimentação no Brasil.

Nesse cenário, empresas expostas ao comércio exterior passaram a buscar instrumentos de previsibilidade cambial e liquidez imediata. Relatórios baseados em dados disponíveis da Receita Federal apontam que o volume de operações com USDT já supera o do Bitcoin no Brasil em aproximadamente quatro vezes, evidenciando uma mudança no perfil de utilização dos criptoativos no país. A análise também mostra aumento relevante da participação de empresas nas operações com stablecoins, reforçando o uso corporativo para gestão de caixa e pagamentos internacionais.

Segundo levantamento sobre operações com USDT no Brasil, o volume total negociado ultrapassou R$ 271 bilhões no período analisado, com crescimento exponencial tanto no valor movimentado quanto na quantidade de operações realizadas. O pico mensal registrado superou R$ 32 bilhões em negociações.

Além da pressão cambial, o cenário inflacionário também voltou a impulsionar fenômenos como a “shrinkflation”, prática de redução do tamanho de produtos sem alteração nominal de preço. A combinação entre inflação persistente, instabilidade geopolítica e oscilação do real ampliou a procura por ativos atrelados ao dólar.

USDT como instrumento de proteção cambial

Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, o avanço das stablecoins representa uma mudança estrutural no comportamento financeiro de empresas e investidores brasileiros. “O mercado passou a olhar para o USDT menos como ativo especulativo e mais como instrumento de proteção cambial e eficiência operacional. Em momentos de estresse econômico, a busca por previsibilidade aumenta significativamente”, afirma Pereira.

Ainda segundo o executivo, o crescimento das operações envolvendo empresas indica amadurecimento do mercado. “Há um movimento claro de companhias utilizando stablecoins para pagamentos internacionais, proteção de margem e redução de custos operacionais ligados ao câmbio tradicional”, explica.

Na avaliação do especialista, a tendência reflete uma busca crescente por mecanismos alternativos de dolarização e os dados de mercado reforçam esse avanço corporativo. O número de CNPJs envolvidos em operações com criptoativos apresentou crescimento relevante ao longo dos últimos anos, acompanhando a expansão do volume financeiro negociado.  “Nesse contexto, o USDT passou a ser utilizado não apenas como instrumento de reserva de valor, mas também como ferramenta operacional para dolarização rápida e pagamentos internacionais. A facilidade de acesso, a liquidez e a agilidade das transações estão entre os fatores que explicam o crescimento da adoção no país”, detalha Pereira.  “Além do uso empresarial, investidores individuais também passaram a utilizar stablecoins como estratégia de preservação de valor em períodos de desvalorização do real e instabilidade econômica”, complementa o especialista.

Confira dicas para proteção patrimonial em cenários de volatilidade:

  • Avaliar a exposição cambial da carteira e diversificar ativos;
  • Utilizar stablecoins apenas em plataformas com liquidez e estrutura confiáveis;
  • Evitar concentração excessiva em um único ativo;
  • Monitorar indicadores macroeconômicos e geopolíticos;
  • Estruturar estratégias de hedge alinhadas ao fluxo financeiro da empresa;
  • Buscar orientação especializada antes de operar ativos digitais.

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Pesquisa da FGV RJ destaca que EUA são mais confiáveis que a China para entrevistados do Centro-Oeste e Norte do Brasil

Uma pesquisa inédita de opinião pública na fronteira agrícola do Brasil mostra que dependência econômica não se converte em alinhamento político

Da Redação (*)

Brasília – A Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV RI) apresenta o relatório “Como a Fronteira Agrícola Vê as Relações Internacionais”, resultado de uma pesquisa inédita de opinião pública nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil sobre temas de política internacional.

O principal achado do relatório desafia uma premissa amplamente aceita: a de que a dependência comercial gera alinhamento político. A China absorveu 80% das exportações de soja e 86% das exportações de carne bovina da fronteira em 2022 — mas os moradores da região confiam substancialmente mais nos Estados Unidos.

Enquanto 21,8% dos entrevistados descrevem os EUA como “muito confiáveis”, apenas 12,6% dizem o mesmo da China — uma diferença de mais de 9 pontos percentuais. A confiança na China recuou quase 20 pontos percentuais desde 2017, mesmo com o crescimento dos volumes comerciais entre os dois países.

“A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirma Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores da pesquisa.

Regulação ambiental da UE: aceita, mas questionada

Em relação à União Europeia, os dados revelam uma postura de conformidade pragmática. Quase três quartos dos entrevistados (74,3%) concordam que cumprir os requisitos ambientais da UE fortaleceria a reputação internacional do Brasil. Ao mesmo tempo, 66,9% acreditam que a conformidade reduziria a competitividade dos produtos brasileiros, e 61,5% entendem que as regulações servem principalmente aos interesses econômicos europeus.

Para os pesquisadores, as três avaliações coexistem sem se cancelarem: a fronteira aceita as regras da UE como o preço de acesso a um mercado valioso, mas não as endossa como expressão de valores compartilhados.

Uma região antiestatista

O relatório também traça o perfil político da região. Uma pluralidade de 83,5% dos moradores se identifica como de direita ou centro, enquanto apenas 16,5%, de esquerda. Maiorias expressivas acreditam que o governo interfere demais na vida das pessoas (55,9%) e que a regulação governamental dos negócios faz mais mal do que bem (64,3%).

Essa cultura política antiestatista, segundo os autores, é a lente por meio da qual todas as pressões externas são filtradas — e explica, em parte, tanto a vantagem de credibilidade dos EUA quanto o ceticismo em relação às regulações da UE e ao modelo de Estado chinês.

Implicações para a política externa brasileira

O estudo alerta que, à medida que o peso eleitoral da fronteira cresce — seus estados respondem por aproximadamente 15% do eleitorado nacional —, as preferências da região impõem restrições reais às posições que Brasília pode adotar de forma crível perante Washington, Pequim e Bruxelas.

“Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, afirma Spektor.

(*) Com informações da FGV

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A política monetária com características chinesas

(*) Allan Gallo

Quando nós, brasileiros, acompanhamos a economia chinesa, costumamos procurar o que seria equivalente à Selic. É uma atitude compreensível, tendo em vista o papel central dela em nosso sistema, mas é um erro grosseiro. A China possui juros, compulsório e operações de mercado aberto, mas não possui a mesma concepção de política monetária que prevalece no Ocidente.

Durante boa parte das últimas décadas, o Banco Popular da China não utilizou os juros como principal instrumento de política econômica. Em vez disso, adotou metas para o crescimento da oferta monetária e do crédito, inspiradas em versões adaptadas da teoria quantitativa da moeda. Enquanto bancos centrais ocidentais migravam para regimes de metas de inflação, Pequim continuava monitorando agregados monetários, como o M2, e a expansão do financiamento da economia.

Nas economias desenvolvidas, a política monetária atua principalmente sobre o preço do dinheiro. Elevam-se os juros para conter a inflação e reduzem-se os juros para estimular a atividade econômica. Na China, no entanto, o objetivo sempre foi mais amplo. O Banco Popular da China procura influenciar simultaneamente o preço, a quantidade e a distribuição do crédito. Não basta determinar quanto custa financiar uma fábrica; também importa quais setores terão acesso preferencial ao financiamento.
Essa lógica ajuda a explicar por que Pequim continua recorrendo a instrumentos pouco usuais em economias avançadas. Além de administrar juros e liquidez, as autoridades utilizam compulsórios, programas de refinanciamento direcionado, orientações administrativas aos bancos, gestão cambial e controles de capitais para favorecer atividades consideradas estratégicas, como manufatura avançada, tecnologia, infraestrutura e transição energética.

É verdade que, nos últimos anos, a China modernizou parte de seu sistema monetário. Reformas fortaleceram o papel de taxas de mercado, como a Loan Prime Rate (LPR), e aprimoraram os mecanismos de transmissão da política monetária, mas, ainda assim, o país não abandonou os instrumentos quantitativos e administrativos que marcaram sua trajetória de desenvolvimento.

Os resultados desse modelo de condução de política monetária para a China são difíceis de ignorar, mas o desafio atual é particularmente complexo e envolve, em certa medida, um desgaste do sistema. Após décadas preocupado com a inflação, o Banco Popular da China enfrenta agora pressões deflacionárias associadas à crise imobiliária, ao envelhecimento populacional e à desaceleração da demanda doméstica. Isso tem obrigado as autoridades a buscar um delicado equilíbrio entre estimular a atividade econômica e evitar o acúmulo de novos desequilíbrios financeiros. Um delicado equilíbrio de pratos.

A China não convergiu para o modelo americano nem preservou integralmente o sistema que construiu nos anos 1990. O retrato do resultado atual é um arranjo híbrido, no qual mecanismos de mercado convivem com uma forte capacidade estatal de coordenação econômica. Compreender essa política monetária exige certo traquejo de especialistas e curiosos que insistem, em vão, em tentar encontrar um equivalente perfeito chinês para a nossa Selic, pois a questão central não é qual é a taxa de juros da China, mas entender por que Pequim acredita que um banco central deve fazer muito mais do que apenas controlar a inflação.

(*) Allan Gallo é professor de Economia e Direito Internacional na Universidade Presbiteriana Mackenzie, pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber) e coordenador do Núcleo de Estudos sobre a China (NECH)

 

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Turismo, câmbio e Copa: como a valorização do dólar impacta o consumo de brasileiros no exterior

Taisa Bilecki (*)

A relação entre turismo internacional e câmbio nunca foi tão visível quanto no atual ciclo econômico. À medida que a alta temporada de viagens se aproxima, impulsionada por grandes eventos esportivos, como a Copa, o comportamento do turista brasileiro no exterior se torna um termômetro claro da economia: quando o dólar sobe, o consumo muda; quando cai, ele explode.

Os números recentes ajudam a dimensionar esse fenômeno. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os brasileiros gastaram cerca de US$6,04 bilhões em viagens internacionais, o maior valor da série histórica do Banco Central e uma alta de 21,9% em relação ao ano anterior. O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas pelo contexto: esse crescimento ocorreu em um momento de valorização do real frente ao dólar, o que aumentou o poder de compra dos viajantes.

Esse ponto é central. O turismo internacional brasileiro é altamente sensível ao câmbio, talvez mais do que em outros países. Quando o dólar recua, viajar deixa de ser exceção e volta a ser um projeto possível para a classe média. O resultado aparece imediatamente nas estatísticas: mais passagens compradas, maior permanência no destino e, principalmente, aumento no consumo.

Por outro lado, em cenários de dólar valorizado, como o que pode ocorrer em ciclos de instabilidade global ou eventos de grande demanda internacional, como a Copa, o efeito tende a ser o inverso: o brasileiro viaja, mas consome menos. A decisão de viajar já foi tomada, muitas vezes com antecedência, mas o comportamento no destino muda. Trocam-se restaurantes por mercados, hotéis por acomodações alternativas e compras por experiências mais controladas.

Outro aspecto relevante é a forma de pagamento. O avanço dos meios digitais transformou o padrão de consumo do turista brasileiro. Em 2025, os gastos com cartões no exterior ultrapassaram US$ 8,2 bilhões apenas entre janeiro e julho, com forte concentração na Europa e nos Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Além disso, contas internacionais em dólar e fintechs ampliaram o acesso à moeda estrangeira, permitindo planejamento cambial prévio, o que suaviza, mas não elimina, o impacto da valorização da moeda americana.

Esse movimento revela uma mudança comportamental. O brasileiro não apenas viaja mais, mas também está mais sofisticado financeiramente. Ele compara taxas, antecipa câmbio e diversifica meios de pagamento. Ainda assim, a elasticidade do consumo permanece evidente: o câmbio continua sendo o principal determinante do quanto se gasta no exterior.

Com a proximidade da Copa do Mundo, por exemplo, esse cenário tende a se intensificar. A combinação de alta demanda, preços inflacionados nos destinos e possíveis oscilações cambiais cria um ambiente desafiador para o turista brasileiro. Mais do que decidir viajar, será preciso decidir como viajar.

No fim das contas, o câmbio não define apenas o destino, define o comportamento. Entre duty free e controle de gastos, entre parcelamento e planejamento, o brasileiro segue adaptando seu consumo a uma variável que, embora externa, influencia diretamente suas escolhas. E, em tempos de Copa, essa equação fica ainda mais evidente: viajar continua sendo prioridade, mas gastar — isso depende do dólar.

(*) Taisa Bilecki – Head de Câmbio do Banco Braza

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Brasil avalia que tarifaço dos EUA foi politizado mirando eleições; Alckmin critica Flávio Bolsonaro

Representantes de Brasília e Washington seguem negociando acordo

Da Redação (*)

Brasília – Em meio às tratativas sobre as taxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil, os negociadores brasileiros têm atuado levando em conta que as medidas foram politizadas em um contexto eleitoral no qual a Casa Branca tem interesse nos resultados do pleito presidencial de outubro de 2026, aqui no Brasil.

Ambos os governos seguem negociando um possível acordo comercial. O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os países do que as tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

Na última quarta-feira (24) o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro em relação ao tarifaço estadunidense, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. Na publicação, o Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por meio dos canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.

Alckmin critica ação de Flávio Bolsonaro

Após participar de evento sobre Mercosul-União Europeia nesta sexta-feira (26), em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e pré-candidato à Presidência da República, em negociar a questão das tarifas com os EUA. “Na realidade, são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito”, disse.

O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas, é o dia 15 de julho. O governo brasileiro tem uma agenda de reuniões até lá com os representantes da Casa Branca e acredita que é possível, apesar de difícil, conseguir um acordo com os estadunidenses.

Ao mesmo tempo, existe a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Nesse contexto, essa não seria uma negociação estritamente comercial, até porque os EUA tem superávit com o Brasil, mas sim uma negociação inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump de buscar a reinserção dos EUA no mundo sobre novas bases.

A nova política de segurança nacional de Trump, publicada em dezembro de 2025, afirma que os EUA devem buscar a “proeminência” na América Latina enquanto área de influência de Washington, afastando atores de fora do Hemisfério da região, em um recado à China.

Nesta semana, Donald Trump compartilhou artigo que afirma que a eleição no Brasil é um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina. O texto repercutido por Trump defende que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.

A aplicação da Seção 301 e a reação do Brasil

A recomendação da USTR para taxar o Brasil é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Gastos de turistas internacionais no Brasil crescem 11%, batem recorde histórico e chegam a R$ 25 bilhões em 2026

Resultado de janeiro a maio é 11% maior em relação ao ano passado; só em maio, crescimento é de 19%

Da Redação (*)

Brasília – Os gastos de turistas internacionais atingiram em 2026 o maior valor da história entre janeiro e maio: R$ 25 bilhões. O valor é 11% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, quando as despesas atingiram R$ 22,6 bilhões.

Em maio, os gastos também foram recordes: R$ 4,08 bilhões e 19% maior que o valor registrado no mesmo mês de 2025, quando atingiram R$ 3,42 bilhões.

Os dados, analisados pelo Ministério do Turismo, foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Banco Central.

Para o ministro do turismo, Gustavo Feliciano, os números reforçam a confiança do turista internacional no Brasil.

“O aumento registrado em maio e no acumulado do ano mostram que o turismo está mais aquecido do que nunca. Isso significa mais hotéis cheios, mais restaurantes movimentados, comércio e serviços faturando mais. É o turismo gerando emprego, renda e se tornando um dos principais setores que impulsionam a economia brasileira”, afirmou.

O avanço das receitas acompanha o crescimento do fluxo de turistas estrangeiros para o Brasil. Em maio, o país registrou o melhor desempenho da série histórica para o mês, com a entrada de 486.262 visitantes internacionais. O volume representa um aumento de 5,4% em relação a maio de 2025, quando 461.341 turistas desembarcaram em destinos brasileiros.

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil recebeu quase 5 milhões de turistas internacionais, mantendo o nível do mesmo período do ano passado.

Fluxo de turistas chineses cresce 43% em cinco meses

O Brasil também registrou recorde histórico na chegada de turistas chineses em maio de 2026. No mês passado, 15.380 visitantes da China desembarcaram no país. O número é 75% maior em relação a maio de 2025, quando o Brasil recebeu 8.767 chineses.

No acumulado do ano também houve aumento de chineses no Brasil. De janeiro a maio, 55.260 visitantes da China vieram para o país – número 43% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, quando 38.607 chegaram ao Brasil.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, cumpriu agenda recentemente na China, com objetivo de atrair mais turistas para o Brasil.

Ele participou da ITB China 2026, uma das principais feiras de turismo voltadas ao mercado asiático. A agenda ocorreu dias depois do Governo do Brasil anunciar a isenção de vistos para chineses que vêm ao país.

A medida, que passou a valer em 11 de maio, é válida até 31 de dezembro deste ano. A isenção engloba viagens para turismo ou negócios.

Na China, ele apresentou o potencial turístico do país à associação que reúne mais de 3 mil agências de turismo do país asiático, intensificando a estratégia de divulgar os destinos brasileiros naquele mercado.

O ministro também negociou a abertura de novas rotas entre os dois países e articulou parceria com a gigante Trip.com, uma das maiores companhias digitais de viagem do mundo. A proposta é que os destinos brasileiros sejam divulgados na plataforma da empresa, numa ação em parceria com a Embratur.

Ainda em Xangai, o Ministério do Turismo lançou o guia de investimentos em mandarim, com projetos que podem chegar a US$ 4,5 bilhões. O objetivo é ampliar a presença de turistas e investidores chineses no Brasil.

(*) Com informações do MTur

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Acordo Mercosul-União Europeia: MDIC inicia agenda nacional para ampliar oportunidades de negócios

Primeira edição do Conexões Produtivas reuniu empresários, setor produtivo e autoridades em São Paulo e deu início a uma agenda nacional que percorrerá diferentes estados brasileiros

Da Redação (*)

Brasília – Três em cada dez empresas exportadoras brasileiras já vendem seus produtos para a União Europeia. Em 2025, foram 8.769 empresas. Para ampliar ainda mais as oportunidades abertas pelo Acordo Mercosul-União Europeia, o governo brasileiro lançou, nesta sexta-feira (26/6), o Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) que percorrerá diferentes regiões do país para aproximar o setor produtivo das oportunidades abertas pelo acordo comercial.

A primeira edição foi realizada em São Paulo e marcou o início da agenda nacional, que terá sua próxima etapa no Acre, em 1º de julho.

O encontro contou com a participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; do ministro MDIC, Márcio Elias Rosa; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; do presidente da ABDI, Olavo Noleto; além de empresários, representantes da indústria, especialistas e lideranças do setor produtivo.

Alckmin: “acordo é uma vitória do diálogo”

“O Acordo Mercosul-União Europeia responde às necessidades e às potencialidades do Brasil. Ele amplia oportunidades para as empresas brasileiras, fortalece nossa política industrial, impulsiona a integração produtiva e aproxima o setor produtivo de um dos maiores mercados do mundo”, destacou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Estudos da ApexBrasil identificaram 543 oportunidades de exportação com redução tarifária imediata em 25 países da União Europeia, abrangendo setores como alimentos, máquinas e equipamentos, produtos químicos, artigos manufaturados e segmentos da indústria de transformação.

” O Acordo Mercosul-União Europeia é uma vitória do diálogo. Agora, o desafio é fazer negócios, ampliar vendas e aproveitar as oportunidades. Em um cenário internacional cada vez mais complexo, ampliar exportações e diversificar mercados é fundamental. “, afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Painel: Oportunidade por Estados

Durante o evento, foi lançado o Painel Acordo Mercosul-União Europeia: Oportunidades por Estado, plataforma desenvolvida pela ApexBrasil com dados do MDIC que permite identificar, por unidade da Federação, os produtos brasileiros que poderão se beneficiar da redução e da eliminação gradual das tarifas previstas no acordo. A ferramenta amplia o acesso das empresas à inteligência comercial e facilita a identificação de oportunidades de negócios em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

A iniciativa integra a estratégia do governo brasileiro de apoiar a implementação do Acordo Mercosul-União Europeia, ampliar o acesso das empresas à inteligência comercial e transformar as oportunidades abertas pelo acordo em resultados concretos para o setor produtivo.

“O Acordo Mercosul-União Europeia é uma das grandes ferramentas para ampliar e diversificar as exportações brasileiras. Vamos realizar 150 ações voltadas ao mercado europeu, com investimento de R$ 130 milhões, beneficiando cerca de 2.600 empresas brasileiras, para transformar as oportunidades abertas pelo acordo em resultados concretos para as empresas”, ressaltou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

“O trabalho conjunto da ABDI, da ApexBrasil e do MDIC busca aproximar o setor produtivo brasileiro das oportunidades abertas pelo acordo, preparando nossas empresas para ampliar sua competitividade, gerar mais empregos e fortalecer a indústria nacional”, disse o presidente da ABDI, Olavo Noleto.

O Conexões Produtivas – Rotas de Oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia integra a estratégia do governo brasileiro para aproximar empresas das oportunidades abertas pelo acordo comercial, ampliar o acesso à inteligência de mercado e fortalecer a inserção internacional do setor produtivo. A iniciativa percorrerá diferentes estados brasileiros, levando informações, ferramentas e oportunidades para empresas de todas as regiões do país.

(*) Com informações do MDIC

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eComex chega à Argentina com plataforma em nuvem e IA para transformar gestão de comex

Com o lançamento do eComex Pulse Edition Argentina, a companhia consolida sua expansão internacional e leva ao mercado argentino uma solução nativa, integrada à aduana local e equipada com o AI Digital Army

Da Redação (*)

Brasília –  A eComex, empresa especializada em tecnologia para gestão de comércio exterior, anuncia o lançamento do eComex Pulse Edition ARG, nova versão de sua plataforma desenvolvida para atender às exigências regulatórias e operacionais do mercado argentino. O movimento consolida a presença da companhia no país e amplia sua estratégia de expansão na América Latina, com uma solução em nuvem integrada à aduana local e equipada com inteligência artificial para automatizar processos e apoiar a gestão das operações.

Embora já atue na Argentina há vários anos, com hub e equipe local, a empresa formaliza agora sua entrada no mercado com uma oferta estruturada para atender às particularidades do comércio exterior do país. A plataforma já está em operação em grandes indústrias e responde à demanda por modernização tecnológica em um mercado ainda marcado pelo uso de sistemas legados.

“A Argentina é uma das economias mais relevantes da América Latina e um mercado regulado, que exige soluções atualizadas e alinhadas às demandas locais. Estamos ampliando nossa atuação com uma plataforma desenvolvida para atender essa realidade e apoiar as empresas na gestão de suas operações de comércio exterior”, afirma André Barros, CEO da eComex.

O eComex Pulse Edition ARG conta com integração com os sistemas aduaneiros locais e atualização contínua conforme mudanças legais e operacionais do país. A solução foi preparada para atender particularidades regulatórias do mercado argentino, incluindo processos vinculados ao KIT María, rastreabilidade documental e exigências específicas de controle e compliance das operações de importação e exportação.

Gestão de operações de importação e importação em um único ambiente

Desenvolvida especificamente para o país, a plataforma possui estrutura própria, equipe dedicada e arquitetura baseada na Oracle Cloud Infrastructure. A eComex é parceira ISV (Independent Software Vendor) da Oracle na América Latina e foi reconhecida pela companhia com um prêmio latino-americano de inovação.

A plataforma reúne, em um único ambiente, gestão das operações de importação e exportação, acompanhamento de processos, dashboards personalizados, integração com ERPs, gestão financeira e de fornecedores, além de recursos de compliance e suporte ao usuário.

Entre os diferenciais está o AI Digital Army, conjunto de agentes de inteligência artificial voltados ao comércio exterior. As ferramentas apoiam tarefas como leitura, inserção e validação de documentos, auditoria de processos, identificação de inconsistências e classificação fiscal.

“O Pulse Edition chega à Argentina acompanhado do nosso ecossistema de inteligência artificial, que contribui para automatizar etapas operacionais e permitir que as equipes atuem de forma mais estratégica”, destaca Barros.

Inicialmente, o foco comercial da empresa está nas grandes indústrias importadoras e exportadoras, perfil que já compõe sua principal base de clientes no Brasil. A companhia também prevê oportunidades entre despachantes aduaneiros, operadores logísticos e outros prestadores de serviços ligados à cadeia de comércio exterior.

Segundo André Barros, o lançamento representa mais um passo na estratégia regional da companhia. “A Argentina marca uma nova etapa da nossa expansão internacional e abre caminho para avançarmos em outros mercados da América Latina.”

 

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AEB promove webinar para debater a Seção 301 e seus impactos no comércio internacional

Workshop on-line e gratuito da AEB terá palestra de especialista na legislação americana 

Da Redação (*)

Brasília – A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) realiza o Diálogos AEB Section 301 em Foco: Consequências para Exportadores, Importadores e Cadeias Globais, nesta terça-feira (23), às 17h, de forma virtual e gratuita, mediante inscrição prévia. O workshop abordará os impactos do instrumento da legislação comercial dos Estados Unidos que tem sido utilizado como base para a adoção de medidas tarifárias e restrições comerciais com reflexos diretos sobre empresas, fluxos de comércio e cadeias globais de suprimentos.

Dispositivo da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, a Seção 301 autoriza o governo americano a investigar e adotar sanções contra práticas comerciais de outros países consideradas discriminatórias, injustas ou que afetem os interesses da sociedade estadunidense. O tema ganhou ainda mais relevância diante das recentes discussões envolvendo novas sobretaxas sobre produtos importados e seus possíveis efeitos para o comércio internacional.

O Diálogos AEB Section 301 em Foco, contará com a palestra de Fernando Merino, advogado do escritório internacional Steptoe, baseado em Washington, Estados Unidos, especialista em comércio internacional e temas regulatórios relacionados às políticas comerciais dos Estados Unidos, com forte atuação executiva na América Latina.

O debatedor será o advogado Luis Carlos Szymonowicz, presidente da Comissão de Comércio Exterior e Negócios da Ordem dos Advogados do Brasil seccional São Paulo (OAB/SP), consultor da FIA Business School e superintendente de Compliance, Governança e Risco da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex).

O debate contará ainda com a participação de Arthur Pimentel, presidente do Conselho de Administração da AEB, que fará a abertura, e de Roberta Portella, professora de Regulação do Comércio Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV) e vice-presidente da Comissão de Comércio Exterior e Negócios da OAB/SP.

Efeito cascata da Seção 301

“O atual cenário do comércio internacional exige que as empresas brasileiras acompanhem de perto as mudanças regulatórias das grandes potências. A aplicação da Seção 301 pelos Estados Unidos gera um efeito cascata nas cadeias globais de suprimentos. O papel da AEB com este evento é antecipar esses impactos e munir nossos exportadores e importadores com informação estratégica de alto nível, garantindo que mantenham sua competitividade diante das novas regras do jogo”, avalia Arthur Pimentel, presidente do Conselho de Administração da AEB.

Durante o encontro, os participantes terão a oportunidade de compreender os fundamentos da Section 301, seus desdobramentos práticos para exportadores e importadores e os possíveis impactos das medidas adotadas pelos Estados Unidos sobre a competitividade das empresas e a dinâmica do comércio global.

O evento é voltado a empresários, executivos, profissionais de comércio exterior, advogados, acadêmicos e demais interessados em acompanhar os desafios e tendências que influenciam o ambiente internacional de negócios.

As inscrições são gratuitas e as vagas, limitadas. As inscrições devem ser efetuadas pelo site.

(*) Com informações da AEB

 

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