MDIC e ApexBrasil lançam 2ª edição do Prêmio de Inclusão Racial no Comércio Exterior

Iniciativa do MDIC e da ApexBrasil estará com inscrições até 27 de abril

Da Redação (*)

Brasília – Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior, lançado na sexta-feira (20/3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pela ApexBrasil, no âmbito do Programa Raízes Comex.

O prêmio reconhece empresas que promovem equidade racial e avançam na ocupação de posições estratégicas por profissionais negros nas organizações. As inscrições vão até 27 de abril. Com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR), a ação integra a agenda de inclusão produtiva e fortalecimento da inserção internacional do país.

“A segunda edição do prêmio consolida essa agenda como prioridade. O próximo passo é ampliar seu alcance, incentivando mais empresas a incorporar a diversidade como vetor de crescimento”, afirma a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres. “Dessa forma, os benefícios do comércio exterior poderão atingir um número cada vez maior de pessoas e contribuir para ambientes empresariais mais inclusivos e representativos”.

Apoio à internacionalização de empresas

Na primeira edição, em 2025, 20 empresas foram reconhecidas por práticas de inclusão racial, evidenciando o interesse e o avanço da pauta no ambiente empresarial. Daquelas, 19 foram contempladas com certificado de reconhecimento e jornada de capacitação para internacionalização, e a empresa Input Post Production foi premiada com uma agenda internacional customizada, que incluiu a participação na South by Southwest – SXSW 2026, em Austin e Texas.

Nesta 2ª edição serão selecionadas até dez empresas brasileiras para agenda de negócios personalizada em mercado internacional ou participação em ação de promoção comercial organizada pela ApexBrasil.

“O prêmio ajuda a reforçar a atuação internacional de empresas lideradas por pessoas negras e comprometidas com a agenda de equidade. Com o apoio governamental, as empresas que já exportam podem ter acesso a canais para alavancar sua presença internacional”, destacou a diretora do Departamento de Promoção das Exportações do MDIC, Janaína Silva.

O Programa Raízes Comex atua para ampliar o acesso de pessoas negras às oportunidades do comércio exterior, com ações de capacitação, promoção da cultura exportadora e estímulo à inserção profissional no setor.

>> Edital Completo AQUI.

>> Inscrições AQUI.

(*) Com informações do MDIC

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OMC abre inscrições para o Programa de Jovens Líderes do Comércio de 2026

Da Redação (*)

Brasília – A Organização Mundial do Comércio (OMC) está recebendo inscrições para o Programa de Jovens Líderes do Comércio de 2026, uma iniciativa que visa promover uma melhor compreensão do trabalho da OMC e do comércio internacional entre os jovens e criar uma rede de Jovens Líderes do Comércio em todo o mundo.

Jovens entre 18 e 28 anos com forte interesse em comércio internacional são encorajados a se candidatar.

Sobre o Programa Jovens Líderes Comerciais

O Programa Jovens Líderes do Comércio foi criado em 2024 para estreitar os laços entre os jovens e a OMC. Os candidatos selecionados para o programa “Jovens Líderes do Comércio” serão jovens excepcionais que demonstram uma clara compreensão de como o comércio pode beneficiar as pessoas e o planeta. Eles trarão novas perspectivas e ideias sobre o papel do comércio e da OMC, além de terem a oportunidade de aprender sobre o trabalho da organização e desempenhar um papel no avanço de sua missão.

Como se inscrever

Os Jovens Líderes Comerciais são selecionados para um período de um ano. Para mais detalhes sobre o programa de 2026 e informações sobre como se candidatar, consulte a nota informativa .

O prazo para apresentação de candidaturas termina em 1 de maio de 2026 (23h59 CET).

Os candidatos pré-selecionados serão convidados a participar de uma entrevista em maio de 2026.

A data de início para os candidatos aprovados é 1 de julho de 2026.

Benefícios

Os Jovens Líderes Comerciais selecionados têm a oportunidade de:

  • Adquirir uma melhor compreensão do funcionamento da OMC e do comércio internacional.
  • Publicar artigos, blogs, podcasts e conteúdo para redes sociais sobre temas relacionados ao comércio.
  • Participar de um programa de treinamento presencial de um dia na OMC em Genebra.
  • coordenar uma sessão durante o Fórum Público anual da OMC
  • aproveitar os programas de treinamento existentes da OMC
  • Aproveite os conselhos e a mentoria do Secretariado da OMC.
  • receber apoio ao organizar atividades relacionadas à OMC em seus países de origem

 Os líderes selecionados terão a oportunidade de participar de cursos de treinamento organizados pela OMC, beneficiar-se do aconselhamento e da mentoria do Secretariado da OMC e receber apoio na organização de atividades relacionadas à OMC em seus países de origem.

Eles não receberão remuneração, mas serão convidados a viajar para Genebra para participar do Fórum Público da OMC de 2026, em setembro.

Informações adicionais sobre o Programa estão disponíveis aqui .

(*) Com informações da OMC

 

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DataSmart Shipping 2026 destaca dados, ciência e decisões como pilares da descarbonização no setor marítimo

Da Redação (*)

Brasília – O segundo dia da DataSmart Shipping Conference 2026 aprofundou o debate sobre descarbonização no transporte marítimo, colocando os dados e a ciência no centro das decisões estratégicas do setor. A programação, liderada pelo DatamarLab, foi estruturada em dois grandes momentos — uma sessão técnica e uma discussão de mercado — que, juntas, mostraram como a inteligência aplicada pode transformar a forma como o comércio exterior mede, gerencia e responde à sua pegada ambiental.

Painel DatamarLab: Pegada Ambiental no Comércio Exterior

A primeira sessão trouxe uma abordagem técnica e inovadora sobre o uso de dados operacionais reais para medir e modelar emissões no transporte marítimo. O professor Walter Teixeira Lima Junior, Ph.d, Professor e Pesquisador da UNIFESP e Cientista Chefe – DatamarLab apresentou uma visão provocadora ao afirmar que o grande desafio atual não está na falta de dados, mas na capacidade de identificar os “vetores estruturantes” dentro de um volume massivo de informações.

Durante sua apresentação, Walter destacou o desenvolvimento de um aplicativo baseado na base de dados da Datamar, que integra algoritmos de cálculo de distâncias marítimas, motores de emissões e metodologias científicas. A evolução desse trabalho — que começou com provas de conceito em um único navio — já avança para modelos preditivos com machine learning e para a construção de um “digital twin”, capaz de simular cenários operacionais com maior precisão, reduzir margens de erro e até individualizar a alocação de emissões por carga.

Complementando essa visão, Thiago Nobre Mascarenhas, Chefe de Dados e Arquitetura que atua no  DatamarLab e na Engineering Brasil apresentou a necessidade de substituir modelos tradicionais, baseados em estimativas agregadas, por uma abordagem bottom-up, construída a partir de dados reais e granulares. Ao considerar variáveis como tipo de motor, velocidade, condição do casco e características da carga, essa metodologia permite uma medição muito mais precisa das emissões, além de viabilizar modelos preditivos mais robustos. Para ele, o avanço da descarbonização depende diretamente da aproximação entre academia e indústria, garantindo que o conhecimento produzido seja efetivamente aplicado no setor.

A sessão contou também com a participação de Marcos Silva, M.Sc, CIO da Datamar, reforçando a importância de conectar o conhecimento técnico à aplicação prática no ambiente corporativo e de transformar pesquisa em soluções reais para o setor.

Painel DatamarLab: Discussão de Mercado sobre a Pegada Ambiental

Na segunda sessão, o foco saiu do campo técnico e avançou para a aplicação prática, reunindo executivos e especialistas para discutir como essas soluções podem ser implementadas no dia a dia da cadeia logística.

Walter Teixeira Lima Junior, Ph.d, Professor e Pesquisador da UNIFESP e Cientista Sênior – DatamarLab retomou a discussão trazendo uma reflexão crítica sobre o conceito de “inteligência artificial”, destacando que seu valor não está na tecnologia em si, mas na capacidade de gerar cognição e apoiar decisões. Ele também reforçou que a descarbonização é, acima de tudo, um desafio econômico e cultural, que exige mudanças estruturais na forma como o setor compartilha dados e colabora.

Thiago Nobre Mascarenhas, Chefe de Dados e Arquitetura, que atua no DatamarLab e na Engineering Brasil aprofundou o papel da IA como ferramenta essencial para lidar com decisões complexas e de alta carga cognitiva, como trade-offs entre velocidade, custo e emissões. Segundo ele, já existem dados extremamente granulares disponíveis — inclusive em nível de segundos nas operações portuárias — e a inteligência artificial é o que permite transformar esse volume massivo de informação em simulações, projeções e recomendações práticas para o negócio.

Do ponto de vista operacional, Jeferson Kalckmann Gilgen, Coordenador de Pricing e Planejamento Comercial do Porto Itapoá trouxe uma visão realista sobre a transição energética nos portos. Embora iniciativas como a eletrificação de equipamentos já representem avanços concretos, ele destacou que o setor ainda enfrenta desafios relevantes de custo e escala para a adoção de combustíveis alternativos. A evolução, segundo ele, dependerá de alinhamento econômico e pressão regulatória.

Cecílio Perez, Diretor Executivo do RCGI-USP Carbon Registry reforçou que a urgência da agenda ambiental já é impulsionada pelos impactos das mudanças climáticas, cada vez mais visíveis na sociedade. Ele destacou o papel crescente do escopo 3 — que envolve emissões indiretas ao longo da cadeia — e os desafios associados à sua mensuração, como a necessidade de dados confiáveis e o risco de distorções como o greenwashing. Nesse contexto, soluções baseadas em dados ganham relevância ao trazer transparência e rastreabilidade para o mercado.

Encerrando o painel, Marcos Silva, M.Sc, CIO da Datamar e Cristiano Kaehler, Gerente de Business Intelligence da Datamar destacaram o gap histórico entre academia e mercado e a necessidade de transformar conhecimento em aplicação prática. Cristiano chamou atenção para a jornada do próprio mercado diante da inovação — que passa do entusiasmo inicial à cautela e, por fim, ao desafio real de implementação — reforçando que o maior obstáculo atual não é tecnológico, mas de execução e gestão.

Painel Descarbonização no Shipping

O painel sobre descarbonização no shipping reuniu diferentes visões — acadêmica, regulatória e empresarial — para discutir os caminhos da transição energética no setor marítimo, evidenciando que o tema já se consolidou como uma das principais agendas estratégicas da indústria.

Na abertura, Andrew Lorimer, CEO da Datamar, destacou a relevância do debate ao lembrar que o transporte marítimo responde por cerca de 2,8% das emissões globais de gases de efeito estufa, reforçando a necessidade de avançar em transparência, mensuração e uso de dados para apoiar decisões mais sustentáveis. Ele também conectou o tema às iniciativas em inteligência artificial e ao crescente impacto do mercado de carbono, apontando que a complexidade técnica do assunto exige cada vez mais conhecimento aprofundado e integração entre diferentes áreas.

Momento de inflexão

Na sequência, Cristiane de Marsillac, CEO da Marsalgado Brasil, trouxe uma perspectiva histórica e estratégica, destacando que o setor vive um momento de inflexão semelhante a outras grandes transições tecnológicas, como a passagem da vela para o vapor. Segundo ela, a diferença agora é que a mudança é impulsionada não apenas por eficiência, mas também por pressões ambientais, regulatórias e sociais.

Cristiane enfatizou que a estratégia energética passa a ser um fator central de competitividade e que a regulação terá papel decisivo ao criar previsibilidade e viabilizar investimentos, especialmente em um contexto em que novas tecnologias ainda apresentam custos elevados. Nesse cenário, ela destacou o potencial do Brasil, com sua base consolidada de biocombustíveis, como uma vantagem competitiva relevante na nova economia de baixo carbono.

Complementando essa visão, o professor Tiago Lopes, Ph.D., cientista e professor do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI) da USP, trouxe uma análise técnica e pragmática sobre a transição energética, ressaltando que o principal fator de decisão no setor continua sendo o custo ao longo da vida útil dos ativos. Para ele, a descarbonização não ocorrerá de forma espontânea, mas será impulsionada por regulações e pela pressão crescente da sociedade diante dos impactos das mudanças climáticas. Tiago destacou ainda que não haverá uma solução única: diferentes tecnologias deverão coexistir, com a eletrificação avançando em aplicações mais leves, enquanto alternativas como o hidrogênio e outros combustíveis de alta densidade energética ganham espaço no transporte pesado de longa distância.

Já Luís Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), trouxe a discussão para a realidade operacional da cabotagem brasileira, destacando que, na prática, a escolha de combustíveis ainda depende de fatores como custo, disponibilidade e infraestrutura. Ele reforçou que, apesar de ser o modal mais eficiente do ponto de vista ambiental, a cabotagem ainda tem baixa participação na matriz logística nacional, o que representa uma oportunidade imediata de redução de emissões por meio de sua expansão.

Resano apontou o biodiesel como uma solução viável no curto prazo, justamente por sua compatibilidade com a infraestrutura existente, mas alertou para a necessidade de políticas públicas claras e investimentos consistentes que garantam previsibilidade ao setor.

Descarbonização gradual e multifacetada

Na mesma linha, Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística, reforçou que a descarbonização deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar uma decisão estratégica de negócio. Ela destacou os desafios de uma indústria intensiva em capital e baseada em decisões de longo prazo, ressaltando que a transição exige investimentos, inovação e coragem para avançar mesmo diante de incertezas.

Entre as iniciativas já em curso, citou o uso de tecnologias como o shore power (AMP), além de melhorias operacionais para aumentar a eficiência energética. Luiza também enfatizou o papel da cabotagem como solução sustentável, capaz de reduzir significativamente o número de caminhões nas estradas, mas destacou que sua expansão depende de avanços na multimodalidade e de uma mudança cultural no país.

De forma geral, o painel evidenciou que a descarbonização no shipping será um processo gradual, multifacetado e dependente de colaboração entre todos os elos da cadeia. Mais do que uma tendência, o tema se consolida como um elemento central para a competitividade do setor, exigindo integração entre tecnologia, regulação, infraestrutura e estratégia empresarial.

Ao final do segundo dia, ficou evidente que o setor marítimo já dispõe de dados, tecnologia e conhecimento suficientes para avançar na agenda de descarbonização. O grande desafio agora está em integrar esses elementos, promover colaboração entre os diferentes atores da cadeia e, principalmente, transformar informação em decisões concretas que gerem impacto real.

(*) Com informações da Datamar

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Soberania em Xeque – Classificação de narcoterrorismo pode salvar o Brasil

Márcio Coimbra (*)

A soberania de uma nação é tradicionalmente medida pela rigidez de suas fronteiras e pela solidez de suas instituições. No entanto, o cenário contemporâneo impôs ao Brasil um desafio peculiar: uma erosão silenciosa das estruturas de governança promovida pelo crime organizado. Grupos como PCC e Comando Vermelho atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal, desafiando as ferramentas jurídicas tradicionais.

Observa-se hoje um processo de camuflagem institucional. Organizações criminosas utilizam a estrutura estatal para expandir seus domínios, gerindo serviços essenciais — como transporte público, coleta de resíduos e até unidades de saúde — para converter verbas públicas em capital de giro ilícito. Controlam municípios em sua totalidade e ampliaram sua atuação para os três poderes e esferas institucionais, infiltrados nos poderes executivo, legislativo e judiciário. Este fenômeno aponta para um risco iminente de “mexicanização”. Diante deste cenário, a integridade da democracia é posta em xeque, exigindo análise que transcenda a segurança pública e alcance a defesa nacional.

Essa complexidade agrava-se com a transformação do território nacional em um entreposto logístico global, atraindo redes criminosas internacionais. A convergência entre o narcotráfico doméstico e presença de células terroristas extrarregionais altera a percepção de risco sobre o país. Como confirmado pela Operação Carbono Oculto, grupos internacionais utilizam a capilaridade das facções brasileiras para operações de financiamento e suporte logístico, acredite, conectando o crime urbano às instabilidades do Oriente Médio.

Um pilar central dessa vulnerabilidade é a arquitetura financeira. O Brasil carece de uma lei robusta de triagem de investimentos estrangeiros, similar ao modelo de economias centrais. A inexistência de filtros que escrutinem “investimentos” mantém as portas abertas para ativos perigosos. Através de engenharias societárias em paraísos fiscais, o capital do crime e do terrorismo é reciclado na economia real, como na infraestrutura, agronegócio, portos, indústria, terras raras, atingindo nossa soberania ao financiar desestabilização institucional, expondo o sistema bancário a graves riscos reputacionais.

É neste vácuo jurídico que surge uma estratégia de defesa contemporânea: a convergência com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) proposta pelos EUA. Sob a ótica da Realpolitik, o apoio a essa medida não é submissão, mas a adoção de um multiplicador de forças indispensável. Ao integrar PCC e CV a este regime, o Brasil ganha acesso a um arsenal de sanções financeiras e inteligência de alta tecnologia que isoladamente levaria décadas para desenvolver. A classificação retira as facções da zona de conforto do direito penal comum, permitindo que o Estado promova higidez nos capitais empresarial e financeiro.

A verdadeira soberania manifesta-se na capacidade de reconhecer ameaças e buscar alianças que potencializem a autoridade estatal. O apoio à iniciativa americana e a implementação de leis rigorosas de triagem de investimentos são as faces de uma mesma moeda. O enfrentamento ao narcoterrorismo exige um pragmatismo soberano que infelizmente tem faltado ao nosso país.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Exporta Mais Brasil Frutas traz 17 compradores internacionais de 16 países para agenda de negócios em São Paulo

Iniciativa da ApexBrasil  em parceria com Abrafrutas, CNA e Sebrae, reúne 39 empresas brasileiras e reforça expectativa de ampliar exportações após resultados positivos da edição inaugural em 2025

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil atualmente se consolida como um dos principais exportadores mundiais de frutas frescas, com amplo crescimento nos últimos anos. Para potencializar esses resultados, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realiza, de 23 a 27 de março, mais uma edição do programa Exporta Mais Brasil voltada ao setor de frutas frescas, em paralelo à Fruit Attraction São Paulo.

A iniciativa, feita em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), CNA e Sebrae, irá promover encontros estratégicos entre empresas brasileiras e compradores internacionais. O objetivo é reforçar o posicionamento do país como um dos principais fornecedores globais do segmento.

Nesta edição, o programa reúne 17 compradores internacionais, provenientes de 16 países, distribuídos por quatro continentes: África do Sul; Antigua e Barbuda; China; Eslováquia; Estados Unidos; Honduras; Índia; Israel; Itália; México; Omã; Países Baixos; Reino Unido; Romênia; Rússia; e Singapura. Esses participantes representam mercados relevantes e diversificados, com forte atuação na importação e distribuição de frutas frescas. Ao todo, 39 empresas brasileiras de diversas regiões participam das rodadas de negócios, incluindo cinco cooperativas, evidenciando a diversidade e a capilaridade da oferta exportadora nacional.

Programação inclui visitas técnicas e rodadas de negócios

A agenda do Exporta Mais Brasil Frutas inclui atividades voltadas à promoção comercial e ao fortalecimento de parcerias. Entre elas, estão o seminário de boas-vindas, participação na feira Fruit Attraction São Paulo e, principalmente, rodadas de negócios realizadas entre os dias 24 e 26. A abertura do evento terá a participação do gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller.

A programação também contempla visitas técnicas a fazendas de frutas da região, proporcionando aos compradores internacionais a oportunidade de conhecer, de forma prática, a produção brasileira, seus padrões de qualidade e a diversidade do setor. Além disso, estão previstos momentos de networking, fóruns temáticos e encontros institucionais, criando um ambiente propício para a geração de negócios e a troca de conhecimento entre os participantes.

Resultados positivos de 2025 impulsionam nova edição

A expectativa para 2026 é impulsionada pelos resultados da primeira edição do Exporta Mais Brasil Frutas, realizada em agosto de 2025, em Mossoró (RN). Na ocasião, o programa contou com 13 compradores de 12 países e a participação de 28 empresas brasileiras, representando nove estados. Durante o evento, foram realizadas 274 reuniões de negócios, com expectativa de geração de US$ 6,05 milhões (cerca de R$ 33,2 milhões). Os números reforçam a efetividade da iniciativa como ferramenta de promoção comercial e abertura de mercados.

Expectativas para 2026

Para este ano, a ampliação do número de compradores e empresas participantes, aliada à realização do evento em São Paulo, principal hub de negócios do país, deve potencializar ainda mais os resultados. A diversidade dos mercados representados e o perfil qualificado dos compradores indicam oportunidades concretas de expansão das exportações brasileiras de frutas.

Além disso, a integração com a Fruit Attraction São Paulo, amplia a visibilidade internacional do setor e fortalece o networking entre os principais players da cadeia produtiva. O evento internacional é um dos principais do setor de frutas e hortaliças no Hemisfério Sul. Organizada pela IFEMA Madrid em parceria com a Fiera Milano Brasil, a feira reúne produtores, exportadores, compradores, distribuidores e especialistas de toda a cadeia produtiva.

Setor de frutas segue em crescimento

O desempenho do setor de frutas brasileiras reforça o cenário promissor para iniciativas como o Exporta Mais Brasil. Em 2025, o Brasil consolidou-se como o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás apenas de China e Índia. As exportações atingiram US$ 1,45 bilhão e 1,29 milhão de toneladas, estabelecendo um novo recorde. O crescimento foi expressivo em relação a 2024, com alta de 12,03% em valor e 19,63% em volume. Entre os principais produtos exportados, destacam-se manga, melão, limão/lima e melancia. Já os principais destinos incluem Países Baixos, Reino Unido, Estados Unidos, Espanha e Portugal.

O setor também se destaca pelo impacto socioeconômico, com cerca de 5 milhões de empregos diretos e uma área plantada de aproximadamente 2,5 milhões de hectares no país. Diante desse cenário, o Exporta Mais Brasil Frutas Frescas se consolida como uma plataforma estratégica para conectar produtores brasileiros a mercados internacionais ao impulsionar a competitividade e ampliar a presença global das frutas nacionais.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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Três sinais do atual momento político brasileiro

Ives Gandra da Silva Martins (*)

Quero trazer aos amigos leitores algumas considerações sobre o atual momento político brasileiro.

A primeira delas diz respeito ao Partido dos Trabalhadores, que sempre afirma não ter relação alguma com os escândalos divulgados diariamente na imprensa, mas que se opõe ou procura obstruir a instalação das Comissões Parlamentares de Inquérito conduzidas pelo Poder Legislativo, não querendo, por exemplo, a CPMI do INSS nem a do Master, seja votando contra, seja criticando incisivamente.

Ora, se o PT e seus correligionários — deputados, senadores e o próprio governo — não estão envolvidos nos escândalos, não precisam ter receio da instalação de nenhuma CPMI, nem de seus desdobramentos, investigações e convocações. É extremamente curioso que eles afirmem não estar vinculados aos vergonhosos fatos que vêm sendo divulgados, mas não queiram que as investigações sejam aprofundadas.

Um bom governo é aquele que procura saber tudo o que existe de irregular para corrigir. Este é, pois, o primeiro aspecto que quero trazer: a minha perplexidade diante do fato de o governo e seus apoiadores negarem qualquer envolvimento com os escândalos noticiados, mas, ao mesmo tempo, trabalharem e atuarem firmemente para evitar que as Casas Parlamentares convoquem, ouçam depoimentos, apurem e obtenham informações dos envolvidos, impedindo que o Poder Legislativo exerça sua função fiscalizadora.

A segunda reflexão que quero fazer é sobre a probabilidade de que tenhamos dois candidatos conservadores nas eleições à Presidência da República este ano: Flávio Bolsonaro e outro nome, sendo Ratinho Jr. o que apresenta mais chances no momento. Caso se confirmem duas candidaturas, será indispensável o estabelecimento de um pacto de não agressão entre ambos.

Um exemplo a ser seguido é o caso da eleição no Chile, onde quatro candidatos conservadores disputaram a presidência contra um único nome da esquerda, que acabou indo para o segundo turno. Naquela ocasião, os quatro conservadores firmaram um pacto: aquele que avançasse para o segundo turno receberia o apoio imediato dos demais.

Ora, no contexto brasileiro, este pacto de não agressão significa que, havendo dois candidatos conservadores, estes possuirão um único adversário comum: o presidente Lula.

Este pacto é fundamental para garantir que o candidato que avançar para o segundo turno conte não apenas com o apoio partidário e institucional do aliado, mas com a transferência da sua base de eleitores. Ao evitar a agressão mútua, preserva-se a imagem de ambos e impede-se a geração de ofensas e insultos que, no futuro, dificultariam uma aliança autêntica. Mais do que uma trégua, esse pacto assegura que as críticas permaneçam voltadas ao adversário comum, evitando que o eleitor se sinta confuso pela troca de ataques dentro do seu próprio espectro ideológico.

Diante do cenário de duas candidaturas de oposição ao presidente Lula, a estratégia mais eficaz seria a adoção desse modelo inspirado na experiência chilena em primeiro turno. O objetivo central é pavimentar o caminho para o segundo turno, garantindo que o candidato remanescente herde a totalidade do capital político e a confiança dos eleitores do outro candidato.

A terceira e última reflexão que gostaria de trazer aos amigos leitores é um dado extremamente relevante que circula no meio jornalístico: a informação de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão, no momento, decepcionados com o governo Lula. O movimento parece ser de autoproteção: os magistrados buscam se afastar de qualquer responsabilidade direta pelos rumos da gestão federal para preservar a imagem da Corte.

Essa percepção de distanciamento ganha força quando observamos que diversos dos escândalos divulgados estão sob o exame do STF, do Congresso Nacional e do ministro André Mendonça. A pressão se intensifica com a atuação da CPMI do INSS e as movimentações em torno do Banco Master. Não sou jornalista, mas a leitura que faço “nas entrelinhas” das colunas e painéis políticos é a de que o presidente Lula tenta se eximir de responsabilidades para não contaminar sua candidatura à reeleição.

Entretanto, há aqui uma contradição que não podemos ignorar. Em 2022, muitos analistas apontaram que o STF e o TSE garantiram o pleito que permitiu a eleição de Lula, inclusive restringindo a atuação de emissoras e veículos alinhados ao então presidente Bolsonaro — como a Gazeta do Povo, Brasil Paralelo, Rádio Jovem Pan e outros canais — que publicavam matérias críticas, baseadas em fatos, mas que foram proibidas de circular.

Naquela época, houve uma blindagem institucional; agora, nota-se uma tentativa de desvincular o Supremo de qualquer ligação com o Executivo.

Enfim, são três pontos a serem refletidos pelos protagonistas que formatarão o futuro das Instituições e do país.

Enfim, são três pontos a serem refletidos pelos protagonistas que formatarão o futuro das Instituições e do país. É imperativo que se compreenda a gravidade desse cenário, pois o equilíbrio entre os Poderes e a transparência das ações governamentais constituem os pilares de sustentação do Estado de Direito, sem os quais qualquer projeto de nação se torna frágil diante das crises.”

(*) Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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Amcham promove evento para debater impacto das tarifas, eleições americanas, comércio e investimentos

Da Redação (*)

Brasília – No dia 07 de abril, a Amcham reúne lideranças empresariais, especialistas e representantes do setor público para discutir os impactos das sobretaxas, das eleições americanas e dos rearranjos globais sobre comércio, investimentos e estratégia.

Entre os nomes confirmados estão Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, Luis Renato Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Ana Elena Sancho Calvino, diretora do Global Trade Alert, e Cila Schulman, CEO do Ideia Instituto de Pesquisa. Uma discussão essencial para quem atua ou acompanha oportunidades no eixo BR-US.

De acordo com a Amcham, o comércio entre Brasil e Estados Unidos vive um momento de desafios, com a política comercial americana fazendo uso intensivo de instrumentos tarifários e investigações. Dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA mostram que, em fevereiro de 2026, as exportações brasileiras somaram US$ 2,5 bilhões, com queda de 20,3% na comparação anual e sete meses seguidos de retração. No acumulado do bimestre, as vendas recuaram 23,2%, para US$ 4,9 bilhões.

A queda mais acentuada das exportações ampliou o déficit brasileiro, que chegou a US$ 900 milhões no início de 2026 — alta de 142,3% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a relação bilateral segue sólida: os Estados Unidos mantêm cerca de US$ 250 bilhões em investimentos no Brasil, sustentando um fluxo relevante de comércio e integração produtiva, e continuam sendo o 2º maior destino das exportações brasileiras.

Virada tarifária nos EUA

O principal fator de pressão foi o aumento de tarifas ao longo de 2025, que chegaram a 40%–50% para diversos produtos brasileiros. Esse cenário mudou no fim de fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos EUA considerou inadequado o instrumento legal utilizado, e o Executivo dos EUA revogou essas sobretaxas. Após a decisão, Trump adotou novas sobretaxas globais de 10% utilizando outro instrumento legal – a Seção 122.

A decisão reduziu significativamente o custo de acesso ao mercado americano e abre espaço para recuperação das exportações, ao menos temporariamente. Por outro lado, a política comercial dos EUA mantém incertezas e riscos de novas medidas e aumento das sobretaxas, na medida em que o país tem anunciado novas investigações sob a Seção 301, nas quais o Presidente detém autoridade para sua aplicação.

Contexto empresarial

Nesse contexto, a agenda empresarial passa a demandar uma atuação mais sofisticada, combinando advocacy, inteligência comercial e revisão de estratégias empresariais. A relação Brasil–EUA continua estratégica — mas cada vez mais dependente de agilidade, leitura regulatória e capacidade de adaptação.

INSCREVA-SE

(*) Com informações da Amcham Brasil

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O investimento em IA e o conflito no Oriente Médio moldam as perspectivas do comércio global

Robert Staiger (*)

As perspectivas para o comércio mundial em 2026 serão moldadas por duas forças poderosas e opostas. Por um lado, o extraordinário ímpeto do investimento em inteligência artificial (IA) continua a impulsionar a demanda global por bens de alta tecnologia e serviços digitais. Por outro lado, o conflito no Oriente Médio — e o consequente aumento nos custos de energia e transporte — poderá afetar significativamente o comércio e a produção mundiais.

O mais recente relatório Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global 2026, da Secretaria da OMC,  captura esse cenário em evolução, apresentando os dados mais recentes para 2025, bem como novas projeções para 2026 e 2027. Embora o comércio tenha se mostrado mais resiliente do que o esperado em 2025, alguns dos fatores que contribuíram para essa resiliência — como a antecipação de importações em função dos aumentos tarifários e o investimento em infraestrutura relacionada à inteligência artificial — devem estar ausentes ou reduzidos neste ano. Prevê-se que isso cause uma desaceleração no crescimento do volume do comércio global em 2026, antes de uma retomada em 2027.

Um desempenho comercial surpreendentemente forte em 2025, impulsionado por IA e antecipação de projetos.

O volume do comércio mundial de mercadorias expandiu 4,6% em 2025, quase o dobro do crescimento previsto para o ano anterior. Grande parte desse forte crescimento foi impulsionado pela “onda da IA”: investimentos crescentes em centros de dados, processadores, equipamentos semicondutores e outros produtos que viabilizam a inteligência artificial . Esses bens representaram quase metade do crescimento do comércio global em 2025, apesar de corresponderem a apenas um sexto do comércio total de mercadorias.

A Ásia foi, mais uma vez, o motor do comércio global. A região contribuiu com 71% do crescimento total do comércio de mercadorias, com resultados especialmente expressivos da China, Singapura, Taiwan e Tailândia. A América do Norte também registrou importações robustas no início do ano, em parte devido à antecipação das importações.

O setor de serviços também continuou sua normalização pós – pandemia. O crescimento do setor de viagens moderou com a redução da demanda reprimida , mas os serviços prestados digitalmente e outros serviços comerciais continuaram a apresentar um crescimento forte e constante.

Uma perspectiva mais amena, porém ainda positiva, para 2026.

O cenário base para o crescimento do comércio em nossas Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global aponta para um crescimento mais lento do comércio de mercadorias, de 1,9% em 2026, antes de uma leve recuperação para 2,6% em 2027. Espera-se que o comércio de serviços se expanda um pouco mais rapidamente, em 4,8% em 2026, subindo para 5,1% em 2027.

Duas questões em aberto aumentam a incerteza sobre nossas previsões para 2026: a persistência dos altos preços do petróleo e a durabilidade do boom da IA.

Por um lado, o impacto persistente do conflito no Oriente Médio sobre os custos de energia e transporte pode ter implicações negativas importantes para a produção e o comércio globais. Se o aumento do preço do petróleo persistir ao longo de 2026, estimamos que o crescimento do comércio mundial de mercadorias poderá cair 0,5 ponto percentual, passando de 1,9% para cerca de 1,4%.

O comércio de serviços, especialmente o de transportes e viagens, ficaria ainda mais exposto ao impacto do conflito no Oriente Médio. O crescimento do setor de serviços poderia cair para 4,1%, em comparação com a projeção inicial de 4,8%, com a expectativa de contração do comércio de serviços no Oriente Médio devido ao cancelamento de voos, à interrupção de rotas marítimas e ao aumento dos custos de seguros.

Por outro lado, os gastos relacionados à IA continuaram a superar as expectativas no início de 2026. Se esse ritmo persistir e a demanda por bens que utilizam IA se mantiver nos níveis de 2025 ao longo do ano, o crescimento do comércio global de mercadorias poderá adicionar 0,5 ponto percentual, compensando potencialmente grande parte do impacto negativo relacionado ao setor de energia .

Mudanças persistentes nos padrões do comércio global

Para além dos choques de curto prazo, diversas mudanças estruturais continuam a remodelar o comércio global.

Produtos com inteligência artificial estão se tornando uma força determinante no comércio global.

A participação de bens que utilizam inteligência artificial no comércio mundial aumentou de cerca de 13% em 2023 para quase 17% no final de 2025. O comércio desses produtos cresceu 21,9% em relação ao ano anterior, em 2025.

A América do Norte é atualmente o mercado de crescimento mais rápido para produtos relacionados à IA, mas a Ásia continua sendo o centro global, representando 62% do comércio total de produtos que impulsionam a IA.

As pressões de fragmentação se intensificaram.

Embora tenhamos observado alguma estabilização no comércio entre blocos comerciais geopoliticamente alinhados durante 2023 e 2024, o ano passado trouxe um novo aumento na disparidade entre o comércio intrabloco e interbloco . Grande parte disso foi impulsionada pelo maior distanciamento entre os Estados Unidos e a China.

As importações dos EUA provenientes da China caíram 29% em 2025, a maior queda em anos. Enquanto isso, a China redirecionou os fluxos de exportação para a Ásia, África e América Latina, levando a um forte crescimento das importações em muitos mercados emergentes.

A participação do comércio mundial realizado com base nas taxas da nação mais favorecida (NMF) caiu em 2025, mas continua sendo a forma dominante de comércio entre as economias.

Um capítulo analítico em nosso relatório Global Trade Outlook and Statistics mostra que a parcela do comércio mundial realizada sob o princípio da não discriminação da OMC, que rege o tratamento de Nação Mais Favorecida (NMF), caiu de 80% em 2024 para cerca de 72% no início de 2026, refletindo tanto a proliferação de ações tarifárias quanto o uso crescente de acordos preferenciais. Ainda assim, quase três quartos do comércio mundial de mercadorias ainda cruzam fronteiras sob tarifas de NMF.

Em conclusão, as principais questões para o comércio global em 2026 são:

  • Será que o crescimento da inteligência artificial continuará impulsionando o comércio no mesmo ritmo?
  • Qual será a persistência do choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio?
  • As pressões de fragmentação do comércio irão se intensificar ou se estabilizar?

À medida que esses acontecimentos se desenrolam, a OMC continuará monitorando suas implicações para os fluxos comerciais, as cadeias de suprimentos e a economia global em geral.

(*) Robert Staiger – Economista-Chefe da OMC

 

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OMC projeta forte impacto da guerra no Oriente Médio sobre o comércio internacional

Da Redação (*)

Brasília – Relatório divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quinta-feira (19) projeta uma desaceleração do comércio internacional em 2026, após um crescimento mais forte do que o esperado em 2025, impulsionado pelo aumento do comércio de produtos que utilizam inteligência artificial. Economistas da OMC alertam que o conflito em curso no Oriente Médio pode reduzir ainda mais o crescimento do comércio se os preços da energia permanecerem elevados.

O relatório ” Global Trade Outlook and Statistics ” apresenta um cenário base de crescimento que exclui choques nos preços da energia, prevendo que o crescimento do comércio global de mercadorias desacelerará para 1,9% em 2026, ante 4,6% em 2025, à medida que o comércio se normaliza após um aumento nas demandas por produtos relacionados à inteligência artificial e a antecipação de importações para evitar novas tarifas.

O volume do comércio mundial de mercadorias deverá crescer 2,6% em 2027. O crescimento do comércio de serviços comerciais diminuirá para 4,8% em 2026, após o aumento de 5,3% deste ano, e voltará a acelerar para 5,1% em 2027. Juntos, o comércio de bens e serviços crescerá 2,7% em 2026, em comparação com 4,7% em 2025. O crescimento do PIB global deverá moderar ligeiramente, de 2,9% em 2025 para 2,8% tanto em 2026 quanto em 2027.

Segundo a Diretora-Geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, “a perspectiva reflete a resiliência do comércio global, impulsionada pelo comércio de produtos de alta tecnologia e serviços digitais, adaptações nas cadeias de suprimentos e a prevenção de retaliações tarifárias recíprocas. No entanto, essa previsão básica está sob pressão devido ao conflito no Oriente Médio. Aumentos contínuos nos preços da energia podem aumentar os riscos para o comércio global, com potenciais repercussões na segurança alimentar e pressões de custos sobre consumidores e empresas. Mesmo assim, os membros da OMC podem ajudar a amortecer o impacto e aliviar o fardo econômico sobre as pessoas em todo o mundo, mantendo políticas comerciais previsíveis e fortalecendo a resiliência da cadeia de suprimentos.”

O relatório destaca que além dos combustíveis, o bloqueio do Estreito de Ormuz interrompeu o fornecimento de fertilizantes essenciais para a agricultura global, visto que cerca de um terço das exportações mundiais de fertilizantes normalmente passam por essa hidrovia. Grandes produtores agrícolas como Índia, Tailândia e Brasil dependem do Golfo para 40%, 70% e 35% de suas importações de ureia, respectivamente. Os países do Golfo também enfrentam um desafio em relação à segurança alimentar, com uma dependência de importação que chega a 75% para o arroz e ultrapassa 90% para milho, soja e óleo vegetal – produtos que teriam custos mais elevados em rotas alternativas.

Economistas da OMC observam que também existe algum potencial de crescimento se o conflito for de curta duração e se os gastos relacionados à IA permanecerem fortes ao longo de 2026 e em 2027, caso em que o crescimento do comércio de mercadorias poderia ser impulsionado em 0,5 ponto percentual, levando a um crescimento de até 2,4% este ano e 2,7% no próximo ano.

Crescimento do comércio em 2025

Em 2025, o volume do comércio mundial de mercadorias aumentou 4,6%, com base em dados disponíveis até 10 de março, sujeitos a revisão. O crescimento do comércio no ano passado superou o aumento de 2,4% previsto na edição de outubro de 2025 do relatório Global Trade Outlook and Statistics, mas ficou próximo da projeção de referência que o fundamentou. O impacto negativo geral das tarifas em 2025 foi menor do que o previsto devido à suspensão de novas tarifas americanas até agosto, à limitada retaliação de outras economias e às numerosas isenções tarifárias.

Além disso, o aumento na demanda por bens que viabilizam a IA compensou o impacto negativo das tarifas mais altas e da incerteza no comércio global. Em termos de valor, o comércio de bens que viabilizam a IA cresceu 21,9% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 4,18 trilhões em 2025, ante US$ 3,43 trilhões no ano anterior. Esses produtos representaram 42% do crescimento total do comércio global em 2025, apesar de corresponderem a apenas um sexto do comércio mundial. Notavelmente, bens essenciais para a IA, como chips, semicondutores e equipamentos de transmissão de dados, estão isentos da maioria das novas tarifas.

Para 2026, os recentes desenvolvimentos tarifários representaram, em grande parte, ajustes de abordagem, e não mudanças fundamentais nas políticas. Em um capítulo analítico especial, economistas da OMC estimam que a parcela do comércio mundial conduzida com base no princípio da nação mais favorecida (NMF) atingiu 72% no final de fevereiro de 2026, após flutuar ao longo de 2025 em decorrência de mudanças políticas sem precedentes. A análise confirma que as tarifas NMF continuam sendo a estrutura dominante que rege o comércio internacional na maioria dos setores da economia global.

Projeções regionais do comércio de mercadorias

No cenário base, espera-se que a Ásia registre o crescimento mais rápido das importações de mercadorias em 2026 (3,3%), seguida pela África (3,2%), América do Sul (2,5%), Europa (1,3%) e Oriente Médio (1,0%). As importações de mercadorias da América do Norte permaneceriam estáveis ​​(0,3%) nesse cenário, enquanto as da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) contrairiam (-2,0%).

No lado das exportações de mercadorias, a Ásia apresentaria novamente o crescimento mais rápido entre todas as regiões (3,5%), assim como a América do Sul (3,5%), seguida pela América do Norte (1,4%), CEI (1,3%) e África (1,2%). Por outro lado, as exportações de mercadorias do Oriente Médio desacelerariam acentuadamente (0,6%), enquanto as da Europa continuariam estagnadas (0,5%).

Segundo o cenário base, os países menos desenvolvidos deverão registrar um crescimento de 4,5% nas importações de mercadorias e de 2,9% nas exportações de mercadorias em 2026.

No cenário de preços elevados de energia, as regiões importadoras líquidas de combustíveis, como a Ásia e a Europa, enfrentariam os maiores cortes no crescimento das importações de mercadorias entre os cenários de preços elevados de energia e o cenário base; as economias que são exportadoras líquidas de combustíveis e que ainda conseguem exportar, de forma geral, teriam mais renda e, portanto, maior crescimento das importações.

Comércio de serviços

Após um aumento de 5,3% em 2025, o volume do comércio global de serviços deverá crescer 4,8% em 2026 e 5,1% em 2027, de acordo com a previsão base. No entanto, no cenário ajustado com projeções de PIB revisadas que levam em consideração o impacto do conflito no Oriente Médio, o comércio de serviços apresentaria uma expansão um pouco menor (4,1%) em 2026 e se recuperaria em 2027, atingindo 5,2%. Isso corresponde a uma perda de 0,7 ponto percentual para 2026.

O conflito no Oriente Médio ameaça corredores de transporte globais cruciais, com o tráfego no Estreito de Ormuz caindo de 138 embarcações comerciais por dia para quase zero. A região responde por 7,4% das exportações globais de serviços de transporte e serve como um importante centro de conexão entre a Europa, a Ásia e a África, mas as interrupções já cancelaram mais de 40.000 voos e aumentaram os custos de transporte e seguro.

Embora um conflito de curta duração provavelmente resulte em interrupções temporárias com rápida recuperação, uma crise prolongada poderia desencadear custos estruturalmente mais altos de combustível e transporte, redução da atividade de transbordo e mudanças nos padrões globais de viagens e comércio em direção a rotas alternativas.

O relatório completo está disponível  aqui.

(*) Com informações da OMC

 

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Conheça as atrações e a magia de Serra Negra, uma joia do Circuito das Águas Paulista

Uma sugestão de passeios, gastronomia e hospedagem na cidade

Da Redação (*)

Brasília – Localizada a 175 kms  de São Paulo e integrante do tradicional Circuito das Águas Paulista, Serra Negra mantém uma das estruturas turísticas mais consolidadas da região. Conhecida pelas fontes de águas minerais, pelo comércio de malhas e pelo clima de montanha, a cidade também reúne uma combinação de experiências, gastronomia e hospedagem cada vez mais diversificada. Confira abaixo algumas das melhores opções que a cidade tem a oferecer.

Passeios entre trilhas e montanhas

Uma das formas mais interessantes de explorar Serra Negra é através dos passeios de jipe, que percorrem estradas de terra, propriedades rurais e mirantes com vistas panorâmicas da região. Esses roteiros guiados costumam incluir paradas em fazendas tradicionais, onde é possível conhecer plantações de café, alambiques e pequenas produções artesanais de queijos, doces e cachaças.

Outra opção bastante procurada são os passeios rurais autoguiados, feitos de carro pelas rotas do interior da cidade. Ao longo do caminho, o visitante encontra sítios familiares que preservam tradições agrícolas e abrem suas portas para degustações e visitas. O cenário é marcado por montanhas da Serra da Mantiqueira, cafezais, vinhedos e paisagens típicas do interior paulista.

Entre os pontos mais conhecidos está o Alto da Serra, mirante a mais de mil metros de altitude que oferece uma vista ampla das montanhas e é considerado um dos melhores lugares da região para apreciar o pôr do sol. O local também é ponto de saída de voos de parapente e reúne estrutura com mesas, bancos e food trucks.

Gastronomia saborosa e diversificada

A cena gastronômica de Serra Negra tem se destacado cada vez mais, com restaurantes que valorizam ingredientes regionais e receitas tradicionais com tradições europeias.

Um dos endereços mais comentados da cidade é o Central Pizza e Bar, localizado na movimentada rua Coronel Pedro Penteado. A casa trabalha com pizzas de fermentação natural e ingredientes selecionados, em receitas que unem tradição italiana e inovação. O talento da equipe ganhou reconhecimento internacional neste mês, quando o pizzaiolo Caio Mainente conquistou o 3º lugar na PanAm Pizza Cup – Etapa Brasil, competição que reúne profissionais de diversos países da América Latina.

Para quem aprecia culinária italiana, outra parada obrigatória é a Cantina e Ristorante Famiglia Schiavo 2. Instalada próxima à praça central, a casa apresenta um cardápio baseado em receitas clássicas, com massas artesanais e pratos tradicionais como lasanha, parmegiana e ravioli recheado.

No interior do município, o Sítio Família Olivotto oferece uma experiência completa que mistura gastronomia regional e tradição rural. Além do restaurante, o espaço abriga um alambique artesanal, onde os visitantes podem participar de degustações de cachaças e licores produzidos na propriedade. A comida é uma das mais saborosas da região, com opções como o famoso torresmo de rolo, tiras de tilápia, arroz e feijão bem temperados. O sítio possui ainda um lago para pesca esportiva e uma loja de móveis.

Outra sugestão para quem gosta de ambientes modernos é o Dortmund Gastrobar, instalado dentro da fábrica da cervejaria Dortmund Bier. O espaço reúne alta gastronomia, petiscos elaborados e chope artesanal servido diretamente da fonte. O cardápio inclui pratos criativos que harmonizam com as cervejas da casa, além de drinks autorais e uma atmosfera descontraída.

Centenas de opções de hospedagem

A rede hoteleira de Serra Negra é diversificada e atende diferentes perfis de visitantes, desde quem busca resorts completos até hotéis tradicionais no centro da cidade. Entre os destaques está o Grand Resort Serra Negra, instalado em um edifício histórico da década de 1940 e cercado por cerca de 40 mil m² de jardins. O empreendimento reúne mais de 100 acomodações, piscinas, sauna, academia, restaurantes, varanda panorâmica e centro de convenções.

No coração da cidade, o Serra Negra Palace Hotel se destaca pela localização em frente à réplica da Fontana di Trevi local e pela estrutura que inclui piscina, brinquedoteca, academia e restaurante com pratos típicos. Outra opção é o Rovi Plaza Hotel, que oferece lazer completo com piscina, sauna, brinquedoteca, sala de cinema e academia, sendo bastante procurado por famílias. Já o Shelton Hotel Serra Negra, a poucos passos do centro e da rodoviária, combina praticidade e conforto, com cerca de 50 quartos e restaurante com jardim de inverno que serve refeições em sistema buffet ou à la carte.

Outras alternativas no centro incluem o Cordilheira Hotel, conhecido pela piscina na cobertura com vista panorâmica da cidade. Já o tradicional Hotel Da Vinci, localizado em uma das avenidas mais movimentadas em meio ao comércio, preserva um ambiente clássico e acolhedor, com um café da manhã colonial bastante elogiado. Completa o roteiro o Hotel Firenze Serra Negra, conhecido pelo conforto das acomodações temáticas, infraestrutura de lazer com piscina, redário, ofurô e sala de massagens, além de restaurante com buffet variado e wine bar com música ao vivo.

Para quem prefere uma estadia em meio à natureza, o Biazi Paradise Hotel está cercado por áreas verdes e montanhas, oferecendo piscina natural com bar, piscina aquecida com jacuzzi, trilhas, bosque, sauna e restaurante, além de estrutura pet friendly.

Para mais informações sobre o destino além de dicas de hospedagem e restaurantes acesse: https://visiteserranegra.com.br e www.instagram.com/visiteserranegraoficial

(*) Com informações  do Visite Serra Negra

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