Muito além das tarifas: pragmatismo supera discursos

Márcio Coimbra (*)

O tabuleiro do comércio global sofreu um realinhamento profundo, e o Brasil agiu tarde demais diante de Washington. A confirmação de que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu a investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, recomendando tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros, é um revés severo. Representa o ápice do protecionismo técnico da administração Trump e expõe fragilidades crônicas na nossa diplomacia corporativa e governamental. Como alguém que dirigiu a promoção de exportações da Apex-Brasil, posso garantir que o anúncio traz lições amargas sobre nossa incapacidade de antecipar o risco regulatório global.

Diferente do açodado tarifaço de 2025, derrubado nos tribunais americanos por seu caráter político, a investida de Jamieson Greer possui blindagem técnica sofisticada. Ao ancorar as penalidades nas conclusões da Seção 301, os EUA ergueram barreiras de difícil reversão. O USTR apontou seis práticas injustas: barreiras ao comércio digital, assimetrias em pagamentos eletrônicos, distorções em tarifas preferenciais, morosidade na propriedade intelectual, disputas no etanol e desmatamento ilegal. Ao usar a pauta ambiental como dumping ecológico, Washington desarmou a retórica de Brasília, provando que a defesa de seus interesses não tem amarras ideológicas, mas objetivos práticos.

O desenho cirúrgico das sobretaxas revela a realpolitik americana destes tempos. Ao poupar setores estratégicos como aeroespacial (preservando a Embraer), combustíveis fósseis, minerais críticos, café e carne bovina, Washington protegeu sua indústria e eleitores da inflação. Onde o Brasil tem indispensabilidade estrutural, o pragmatismo prevaleceu; onde somos substituíveis, houve revés. O governo brasileiro tem sua parcela de culpa, uma vez que alimentou a retórica antiamericana e falhou em deter o processo nos bastidores, escancarando que nossa diplomacia perdeu densidade técnica e interlocução com o poder americano.

Para agravar, enfrentamos a contaminação de agendas, aquilo que chamo de linkage diplomacy. A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais por Washington fundiu a governança econômica à segurança nacional dos EUA. O comércio virou moeda de troca geopolítica, um tabuleiro onde Brasília tem dificuldade de se mover.

Diante disso, o Brasil precisa redesenhar sua defesa comercial, devolvendo o protagonismo à diplomacia corporativa privada e aos setores produtivos. Se o canal intergovernamental falha por saturação ideológica, o empresariado deve assumir a liderança, como fizemos em 2025. Como sempre ressaltei, o setor privado precisa ir a Washington demonstrar, com dados econômicos, como a taxa de 25% afetará a competitividade das próprias indústrias e consumidores americanos que dependem de nossos insumos. Foi assim que derrubamos centenas de tarifas em nossa mais recente incursão nos corredores da capital americana. A partir de agora, o jogo recomeça.

A lição da Seção 301 é clara: a inserção internacional do país não pode depender de voluntarismos políticos. O protecionismo contemporâneo não se combate com notas de repúdio, mas com inteligência comercial, previsibilidade e presença ativa onde as regras são escritas. Sem eficiência interna e estabilidade regulatória, perderemos mercados que levamos décadas para conquistar.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Especialistas apontam classificação fiscal como eixo estratégico das empresas na reforma tributária

Da Redação (*)

Brasília – O novo modelo da reforma tributária impõe uma mudança de paradigma que vai além da adaptação burocrática à simplificação de impostos. Nesta dinâmica, a classificação fiscal de mercadorias e serviços migra do campo operacional para o eixo estratégico das companhias. Segundo Kleber Martins, especialista em Desenvolvimento de Negócios da RGC Consultoria, o erro na tipificação de um item não resulta mais apenas em autuações isoladas, mas em um efeito cascata sobre a carga tributária.

“As consequências foram redefinidas: falhas no cadastro geram distorções prolongadas que afetam diretamente o compliance, a formação de preços e a margem de lucro, comprometendo a competitividade da empresa no longo prazo”, afirma.

Com a introdução do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o modelo de apurações consolidadas — que permitia o uso de tributos postergados como capital de giro — dá lugar ao split payment. Este mecanismo prevê o recolhimento do imposto no ato da transação, conferindo ao Governo Federal capacidade de fiscalização a cada transação.

Diante dessa transição, o cruzamento de dados torna-se imediato, e a digitalização total de processos, como a DUIMP e o Catálogo de Produtos, reduz drasticamente a possibilidade de interpretações ambíguas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), transformando a classificação fiscal em um dos principais alvos de auditoria.

Para atender a esse novo padrão de conformidade, Roberto Feitosa, head de Soluções de Tecnologia e Inovação da RGC, destaca que a tecnologia será a única saída para gerenciar o volume de dados exigido. “Hoje é impossível monitorar milhares de itens sem suporte sistêmico robusto. A inteligência artificial passa a ser um assistente essencial para garantir a acurácia, mas a palavra final deve ser sempre do especialista em classificação fiscal”, explica Feitosa.

Riscos no mercado interno e harmonização

Mas afinal, onde está o maior risco? Um dos maiores pontos de atenção para os gestores é o mercado nacional. Tradicionalmente, as empresas em geral constroem governança para classificação fiscal somente para as importações com pouca revisão para produtos fabricados ou comercializados internamente. Com a reforma, a exposição a riscos nestas operações no mercado local aumenta significativamente.

A falta de harmonização nas classificações fiscais entre fornecedores e clientes é outro desafio na revenda de produtos de fornecimento local. Se um parceiro de negócio classificar um item de forma distinta, essa divergência ficará muito mais evidente com o novo modelo e, consequentemente, mais fácil de ser identificada em fiscalização. A empresa compradora pode, então, enfrentar dificuldades para justificar sua tributação ou até ser penalizada por irregularidades na cadeia.

Para mitigar riscos, Martins defende que a revisão de processos e cadastros precisa ser imediata, pois o avanço do cronograma da reforma deixa pouco espaço para adaptações tardias. Mais que uma obrigação fiscal, a antecipação torna-se uma medida de sobrevivência para garantir a eficiência do negócio no novo sistema.

(*) Com informações da RGC Consultoria

 

 

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Transferências internacionais entraram no centro da estratégia comercial

René Abe (*)

O comércio exterior brasileiro está mudando de forma silenciosa. Durante muito tempo, eficiência significava discutir porto, frete, armazenagem, desembaraço e prazo de entrega. Tudo isso continua relevante. Mas já não explica sozinho a competitividade de uma operação internacional.

Em um ambiente comercial mais dinâmico, o fluxo financeiro passou a influenciar diretamente a capacidade de uma empresa de fechar negócios e preservar prioridade junto ao fornecedor. O ponto não é fazer o dinheiro correr mais rápido que a carga. A carga seguirá o seu tempo físico. O que mudou foi a velocidade da decisão comercial.

Hoje, em muitas relações internacionais, especialmente com fornecedores asiáticos, quem consegue transmitir capacidade de pagamento com rapidez, previsibilidade e menor atrito, tende a ganhar prioridade. Se o comprador demora para organizar o pagamento, esclarecer a operação ou concluir a execução financeira, o fornecedor pode simplesmente atender antes quem executa primeiro.

É nesse momento que a transferência internacional deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a ocupar posição estratégica. Quando o fluxo financeiro introduz hesitação, retrabalho ou incerteza, a perda não é apenas administrativa. Ela aparece em condição comercial pior, menor previsibilidade e, em alguns casos, perda efetiva de prioridade na operação.

Esse tema ganha ainda mais peso porque o restante do comércio exterior já começou a acelerar. A digitalização documental, o uso de inteligência artificial e a evolução do Portal Único com a DUIMP apontam para fluxos menos manuais, menos sequenciais e mais coordenados. O vetor é claro: reduzir atrito e encurtar a distância entre decisão e execução.

Nesse contexto, o financeiro não pode continuar funcionando como uma instância que reabre incerteza quando a operação já deveria estar resolvida. Ele precisa operar como infraestrutura de execução. Isso exige rigor regulatório, leitura documental consistente e capacidade de liquidação compatível com a dinâmica atual do comércio internacional.

Durante anos, a competitividade no comércio exterior foi pensada sobretudo a partir da infraestrutura física e da burocracia estatal. Esse debate continua importante. Mas uma nova variável ganhou peso estratégico: a qualidade da execução financeira. Em mercados mais dinâmicos, pagar com previsibilidade e sem atrito passou a influenciar a própria capacidade de negociar bem.

No comércio internacional contemporâneo, transferência internacional eficiente já não é detalhe de backoffice. É parte da estratégia comercial.

(*)  René Abe é CEO Brasil da Tensec, fintech global de serviços financeiros cross-border

 

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Exportações para os EUA caem pelo 10.o mês consecutivo. E podem cair ainda mais com novas tarifas anunciadas por Trump

Maio de 2026 registra o décimo mês consecutivo de queda das exportações para os EUA; cenário reforça importância de avanços nas negociações bilaterais em curso

Da Redação (*)

Brasília – O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, queda de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a retração simultânea das exportações e importações.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 14,0 bilhões entre janeiro e maio, recuo de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o menor valor para o período desde 2022. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também registraram queda, de 12,6%, somando US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão.

Entre os principais fatores que explicam a retração das exportações estão as quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Do lado das importações, destacam-se as reduções nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, e óleos brutos de petróleo.

Exportações e importações seguem trajetória de queda

Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 3,1 bilhões, queda de 14,0% em relação ao mesmo mês de 2025, marcando o décimo mês consecutivo de retração. As importações recuaram 11,0%, registrando o sexto mês seguido de queda.

“O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O levantamento mostra ainda que as vendas brasileiras para os Estados Unidos apresentaram desempenho significativamente inferior ao das exportações brasileiras para o mundo. Enquanto as exportações totais do Brasil cresceram 8,7% entre janeiro e maio, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 16% no mesmo período. Os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais registraram retração ainda mais intensa, de 22,6%.

O cenário ocorre em meio aos relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Caso sejam confirmadas as medidas propostas nesses relatórios, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, reduzindo sua competitividade no mercado norte-americano em relação a concorrentes de outros países.

(*) Com informações da Amcham Brasil

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Dados, algoritmos e futebol: o que muda na Copa do Mundo de 2026

Rodrigo Cabot (*)

A Copa do Mundo de 2026 deve marcar uma mudança de patamar no uso da tecnologia no futebol. Durante muito tempo, ela esteve presente mais como apoio. Agora, passa a influenciar de forma mais direta o desempenho físico, a análise tática, a arbitragem e a experiência de quem acompanha o torneio ao redor do mundo.

Essa mudança aparece em diferentes frentes. A FIFA vem avançando no uso de Inteligência Artificial e análise de dados para apoiar rendimento, leitura tática e assistência arbitral. Ao mesmo tempo, sensores integrados, reconstruções em 3D e sistemas automatizados voltados a detectar trajetórias e apoiar decisões em tempo real mostram que a tecnologia já não atua apenas depois do lance: ela passa a interferir mais diretamente na forma como o jogo é analisado e administrado.

No Brasil, a implantação do impedimento semiautomático nos 19 estádios da Série A ajuda a ilustrar esse movimento. A tecnologia entra agora em nova fase, com integração ao VAR, softwares complementares, testes finais e treinamento dos árbitros antes da liberação para uso. Ou seja: mais do que colocar uma ferramenta em campo, a mudança depende de integração entre sistemas, preparação operacional e capacidade de fazer a tecnologia funcionar com precisão em tempo real.

Mas o que muda em 2026 vai além do jogo em si. A Copa também deve expor o tamanho da infraestrutura tecnológica necessária para sustentar um evento global dessa magnitude. Serão 48 seleções, 104 partidas, milhões de pessoas nos estádios e bilhões de espectadores interagindo simultaneamente com plataformas digitais, aplicativos móveis, transmissões ao vivo e sistemas de informação em tempo real. Em uma operação assim, tecnologia deixa de ser apoio e passa a ser parte da própria entrega.

É por isso que a discussão fica mais ampla. Por trás de cada transmissão, credenciamento, sistema de ingressos, plataforma de streaming ou decisão arbitral, existe uma arquitetura tecnológica que precisa funcionar com margem mínima para erro. Quando falha, o impacto deixa de ser técnico e passa a afetar experiência, reputação e continuidade. Em eventos desse porte, qualidade de software, testing automatizado, monitoramento contínuo e cibersegurança deixam de ser temas de bastidor e ganham papel estratégico.

Essa transformação também muda a lógica de gestão do esporte. A IA já não serve apenas para analisar o que aconteceu em uma partida, mas para identificar padrões, antecipar cenários e apoiar decisões antes que um problema apareça. É uma dinâmica que aproxima o futebol de setores como saúde, logística, banca e finanças, onde o uso de dados em tempo real já ajuda a otimizar operações, reduzir riscos e melhorar a tomada de decisões.

Nesse contexto, a vantagem competitiva tende a depender menos da simples presença da tecnologia e mais da capacidade de usá-la com precisão, integração e inteligência. No fundo, é isso que a Copa de 2026 deve deixar mais visível: a mudança não está só em gerar mais dados, mas em conseguir transformá-los em decisões úteis, respostas rápidas e operações mais consistentes em tempo real. Essa lógica já atravessa empresas de diferentes setores e ajuda a explicar por que o futebol passa a funcionar, cada vez mais, como uma vitrine de transformações que vão muito além do esporte.

(*) Rodrigo Cabot é Gerente de P&D da Ecosistemas Global. Engenheiro de Computação pela UNLAM, possui pós-graduações em Administração de Organizações Financeiras (UBA) e em Gestão Estratégica de Inteligência Artificial (UCEMA). Atualmente lidera iniciativas de inovação tecnológica da empresa em diversos países, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Espanha, México e Estados Unidos. Com mais de 25 anos de experiência em TI, coordenou projetos de transformação digital, automação e melhoria contínua em setores como bancos, seguros, energia e saúde.

(*) Rodrigo Cabot, Gerente de P&D – Ecosistemas Global

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A Inteligência Artificial na implementação e avanços em ESG

Alcione Pereira (*)

Num primeiro momento, é possível que muitos não percebam bem a relação e se perguntem o que a Inteligência Artificial tem a ver com ESG. Quando pensamos na infinidade de dados gerados por qualquer operação, sabemos que o trabalho de análise desses dados pode perfeitamente ser feito por uma pessoa. Porém, o recurso humano também pode ser perfeitamente mais bem aproveitado para desenhar estratégias a partir das análises feitas pela IA, que, diga-se de passagem, faria isso em muito menos tempo. Portanto, a questão aqui é muito mais de otimização de recursos.

Como acontece com tudo na vida, existem prós e contras no uso da IA, claro. E não é de hoje que os grandes empresários, os mais inovadores e, principalmente, os que permanecem por mais tempo num mercado altamente volátil, já se deram conta de que não vale a pena nem resistir às mudanças nem focar no lado negativo, nas ameaças. Conhecê-las é uma questão de sobrevivência, mas colocar atenção em criar oportunidades é ainda mais vital.

Trazendo essa visão para os negócios de impacto, o cenário não é diferente. Para ser sustentável de maneira abrangente, e não apenas para o próprio negócio, uma empresa precisa ter disponíveis as informações mais precisas possíveis sobre cada área que afeta o seu resultado. Em especial, os indicadores que mostram, de maneira objetiva, o seu impacto positivo em cada letra da sigla ESG.

Para o Meio Ambiente, a IA pode trazer benefícios para o monitoramento ambiental. Isto é, a tecnologia pode ser usada para acompanhar, em tempo real, a qualidade do ar, da água e do solo, permitindo que as empresas identifiquem e solucionem problemas de forma mais rápida e eficiente. Na gestão de recursos, a IA pode otimizar o uso de eletricidade e água, por exemplo, reduzindo o consumo e as emissões de gases de efeito estufa. E também pode ser um importante aliado para desenvolver e aprimorar tecnologias de energia renovável, agricultura sustentável e outros campos relacionados ao meio ambiente.

No que diz respeito ao âmbito Social, a IA pode contribuir para a gestão da cadeia de suprimentos, ajudando as empresas a identificar e eliminar violações de direitos humanos e práticas trabalhistas abusivas em suas cadeias de suprimentos. Além disso, pode ser usada para promover a diversidade e a inclusão no local de trabalho, por exemplo, através de ferramentas de recrutamento e seleção imparciais, assim como para identificar e prevenir riscos à saúde e segurança dos trabalhadores.

Para a Governança, a tecnologia pode auxiliar as organizações a identificar e gerenciar riscos climáticos, regulatórios e de corrupção. Também pode fornecer insights para auxiliar na tomada de decisões estratégicas relacionadas aos critérios ESG. Por meio da IA, é possível melhorar a comunicação, e promover e aumentar a transparência das empresas em relação ao seu desempenho em todas as áreas, por exemplo, através da geração de relatórios automatizados.

Agora pensando na cadeia de alimentos e em como reduzir o desperdício, a Inteligência Artificial pode: ajudar a criar e monitorar uma efetiva estratégia ESG que contemple, entre outros pontos, dar maior visibilidade de onde surgem as perdas e o desperdício, para que seja possível eliminar essas fontes ou, ao menos, reduzi-las; fornecer a informação necessária para a geração de treinamentos específicos para os colaboradores direta e indiretamente envolvidos no fluxo das perdas e do desperdício; e mapear os impactos ambientais dos excedentes antes e depois de serem transformados em alimento bom para ser doado.

Tudo isso tem o potencial de gerar cada vez mais inovação de maneira realmente sustentável. Por isso, nunca é demais lembrar que é muito importante que a matriz de materialidade das empresas de toda a cadeia de produção alimentícia, considere seus excedentes como alimentos, e não como resíduos. Afinal, esses artigos que, por qualquer motivo, deixam de poder ser comercializados não têm mais vida econômica, mas ainda têm uma vida social.

(*) Alcione Pereira, fundadora da Connecting Food

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Comércio internacional se mantém firme apesar do conflito no Oriente Médio e dos altos preços da energia, diz  OMC

Da Redação (*)

Brasília – O comércio global de bens se manteve resiliente no primeiro semestre de 2026, apesar dos obstáculos decorrentes do conflito em curso no Oriente Médio, que parecem ter sido parcialmente compensados ​​pelo aumento da demanda por componentes eletrônicos relacionados a investimentos em inteligência artificial, de acordo com o último Barômetro do Comércio de Mercadorias da OMC.

O Barômetro do Comércio de Mercadorias é um indicador composto que antecipa a trajetória do comércio mundial em relação às tendências recentes. Valores do barômetro superiores a 100 estão associados a volumes de comércio acima da tendência, enquanto valores inferiores a 100 indicam que o volume de comércio está abaixo da tendência.

A leitura atual de 101,7 para o índice barômetro está ligeiramente abaixo do valor de janeiro, de 102,3, sugerindo que o crescimento do comércio de mercadorias pode estar começando a desacelerar. O índice barômetro também está acima de seu valor de referência de 100, indicando que o volume de comércio permanece acima da tendência. Os volumes reais de comércio trimestrais estão acima da tendência desde o início de 2025.

De acordo com o estudo da OMC, o impacto negativo do conflito no Oriente Médio pode ter sido parcialmente compensado pelo aumento da demanda por componentes eletrônicos relacionados a investimentos em IA.

Os índices componentes do barômetro estão todos próximos de seu valor base comum de 100, com exceção do índice de componentes eletrônicos (105,5), que subiu firmemente acima da tendência. O índice de matérias-primas agrícolas (98,9) e o índice de produtos automotivos (99,8) estão ambos ligeiramente abaixo da tendência, enquanto o índice de encomendas de exportação (100,5), altamente preditivo, está ligeiramente acima.

Outros sinais indicativos de expansão do comércio

Os índices relacionados ao transporte de mercadorias, incluindo frete aéreo (102,2) e transporte marítimo de contêineres (102,4), continuam a sinalizar expansão, embora em ritmo mais lento do que há alguns meses. No geral, os índices mostram sinais de resiliência, indicando um crescimento relativamente estável do comércio global de mercadorias.

O relatório mais recente da Secretaria da OMC sobre Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global (GTOS), de 19 de março, previu um crescimento do comércio de mercadorias de 1,9% em 2026, em um cenário base, ou de 1,4% em um cenário de preços elevados de energia, refletindo os impactos negativos do conflito no Oriente Médio, enquanto o investimento contínuo em IA poderia adicionar 0,5 ponto percentual à taxa de crescimento. A próxima previsão comercial da OMC está prevista para outubro de 2026.

O volume do comércio mundial de mercadorias cresceu acentuadamente no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, à medida que os importadores aceleraram as compras antecipando os aumentos tarifários previstos. O crescimento desacelerou no restante do ano, mas ainda assim superou as expectativas, impulsionado pela demanda por produtos que utilizam inteligência artificial.

(*) Com informações da OMC

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Veículos chineses invadem o mercado brasileiro e já são o principal item na pauta exportadora do gigante asiático para o Brasil

Da Redação

Brasília – Pelo segundo mês consecutivo, os veículos automotivos de passageiros ocuparam no mês de maio o primeiro lugar no ranking dos principais produtos exportados pela China ao Brasil, graças a uma alta de 240,1% sobre a marca recorde registrada em abril. No mês passado, as importações totalizaram US$ 3,7 bilhões, correspondentes a 12,1% de todas as vendas chinesas para o Brasil. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para se ter uma ideia da magnitude desses números e do impressionante avanço dos veículos de passageiros chineses no mercado brasileiro, vale destacar que em apenas cinco meses de 2026 as importações superaram o valor registrado em todo o ano de 2025, que somaram US$ 3,3 bilhões, correspondentes a apenas 4,6% de todo o volume de bens embarcados pela indústria chinesa para o mercado brasileiro.

Esses números incluem também as exportações de carros a combustão, que apesar de serem menos representativos, praticamente dobraram as vendas ao Brasil, numa prova de que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos modelos eletrificados.

Brasil, um dos mercados mais promissores para os elétricos chineses

Outro dado relevante: com os números já registrados entre os meses de janeiro e maio, o Brasil passou do sétimo para o terceiro principal destino dos veículos chineses em todo o mundo, atrás apenas da Rússia e do Reino Unido, e à frente de países como a Alemanha, França e muitos outros.

Em relação aos carros eletrificados, o Brasil passou do quinto para o terceiro lugar, após Bélgica e Reino Unido. Entre os modelos a combustão, o Brasil subiu da décima-sexta posição para o sétimo lugar com a alta das importações no primeiro semestre deste ano. Os dados são da Alfândega chinesa.

Segundo Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), esse aumento expressivo nas importações de veículos chineses deve ser visto como uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no cronograma de aumento das taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. Essas alíquotas devem passar de 28% para 35% no mês de julho para os veículos híbridos e plug-in e 25% os modelos eletrificados.

Cariello destaca ainda que a China é, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos ao Brasil, com uma participação de 97% no mercado nacional nos primeiros meses deste ano. No tocante aos híbridos plug-in, a China responde por 89% das importações brasileiras. No ano passado, os fabricantes chineses responderam por 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil, lideradas pela BYD, que ficou com uma fatia de 50,4% do mercado nacional no segmento.

BYD avança com produção no Brasil

O aumento impressionante nas exportações é acompanhado pelo crescimento igualmente expressivo na produção pela BYD na fábrica instalada em Camaçari, na Bahia. Mês passado, a montadora registrou mais um recorde histórico no Brasil ao ultrapassar a marca de 21 mil veículos emplacados em um único mês, alcançando pela primeira vez a quarta posição entre as montadoras que mais veículos emplacaram no país, com 8,5% do market share no mercado automotivo nacional.

Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil e Head de Marketing e Comercial da BYD Auto, “em maio de 2023, a BYD vendeu 390 carros no país. Em apenas três anos, as vendas mensais da marca cresceram aproximadamente 5.500%, um aumento de quase 56 vezes e um salto de menos de 400 veículos para quase 22 mil modelos comercializados no último mês de maio”.

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Convencer EUA de que acordo seria melhor que taxar em 25%, a difícil missão do governo brasileiro

Por outro lado, governo avalia improvável acordo para tarifa de 12,5%

Da Redação (*)

Brasília – O governo brasileiro está buscando um acordo tarifário com os Estados Unidos (EUA) que seja capaz de evitar que a Casa Branca adote a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações oriundas do Brasil.

O governo avalia que é possível, apesar de difícil, chegar a um acordo tarifário que seja mais vantajoso, para ambos os países, do que a sobretaxa de 25% sugerida pelo USTR. Isso porque, entre outros motivos, os EUA têm superávit comercial com o Brasil.

A recomendação da USTR, tornada pública na última semana, é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

Novo prazo

O Brasil agora trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema. Tal prazo ainda poderia, em tese, ser prorrogado.

Com isso, os negociadores brasileiros esperam ter mais tempo para um acordo, uma vez que o prazo inicial estipulado após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês passado, foi de 30 dias que terminam neste domingo (7).

Dificuldades das negociações

Entre as dificuldades da negociação, está o fato de os EUA estarem envolvidos em várias outras negociações tarifárias ao redor do mundo, além do conflito bélico que lidera no Oriente Médio contra o Irã.Enquanto isso, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro de Trump e Lula. Existe a possibilidade de os dois se encontrarem no G7, na França, entre os dias 15 a 17 de junho. Porém, não há ainda confirmação de um encontro bilateral.

Outra dificuldade para negociar com os EUA é que os norte-americanos costumam ter demandas muito amplas, o que abarcaria diversas reinvindicações em diferentes áreas.

Porém, por enquanto, o Brasil busca um acordo especificamente sobre questões tarifárias e comerciais, sem outras pautas que poderiam interessar os norte-americanos, como terras raras. Ao mesmo tempo, o governo afirma que o Pix não entra em qualquer negociação com Washington.

A tarifa de 12,5%

Por outro lado, a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a 60 países sob o argumento de que essas nações não combateriam, de forma eficiente, o trabalho análogo à escravidão é vista pelo governo brasileira como feita para não ser negociada.

Como é uma taxação imposta a boa parte do planeta, ela teria mais o objetivo de recompor, sob novas bases legais e argumentativas, o tarifaço anterior derrubado pela Suprema Corte de Justiça dos EUA.

A nova taxa afeta, além do Brasil, os aliados históricos de Washington, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, presidida por Javier Milei, que tem se posicionado sempre ao lado de Donald Trump nas questões internacionais.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Comex do Brasil e Remessa Online lançam parceria e reduzem custo de transações globais

Iniciativa inédita garante até 30% de desconto na taxa administrativa de operações de câmbio no primeiro mês para impulsionar a margem de importadores e exportadores.

Da Redação (*)

Brasília – O mercado de comércio exterior exige, cada vez mais, agilidade e previsibilidade financeira. Diante de um cenário global dinâmico e de margens competitivas apertadas, o Comex do Brasil anunciou oficialmente uma parceria estratégica com a Remessa Online, uma das principais plataformas de transferências internacionais do país. A cooperação surge com o objetivo de conectar a inteligência aduaneira à eficiência cambial, oferecendo soluções desburocratizadas tanto para Pessoas Físicas quanto para Pessoas Jurídicas (PJ).

A aliança foca diretamente em resolver uma das maiores dores de quem opera no mercado internacional: as taxas operacionais elevadas e a lentidão dos bancos tradicionais. Através da tecnologia da Remessa Online, os leitores e parceiros do portal passam a contar com transações seguras, agilidade de liquidação e total transparência.

O que a parceria acrescenta ao mercado e como funciona o desconto?

Mais do que uma facilidade operacional, a união entre as duas marcas representa uma entrega de inteligência de negócios. Para as empresas que importam ou recebem do exterior (exportadoras), o impacto é direto no custo operacional.

Para evitar distorções de mercado, a diretoria do portal ressalta um importante detalhe técnico: as condições especiais da parceria incidem diretamente sobre o custo da transferência internacional (a taxa administrativa/spread) praticado pela plataforma, e não sobre a cotação bruta ou taxa fixa da moeda estrangeira. Trata-se de uma redução real no preço do serviço de envio e recebimento de recursos.

Os benefícios integrados para a comunidade do Comex do Brasil incluem:

  • Condição Exclusiva de Lançamento (Mês #1): Para marcar o início da cooperação, durante o primeiro mês, as operações realizadas através do link do portal terão um voucher especial de 30% de desconto sobre a taxa de transferência.
  • Benefício Contínuo (15% OFF): Após o período de lançamento, o portal disponibilizará um voucher permanente de 15% de desconto na taxa administrativa, válido tanto para transações de Pessoa Física (PF) quanto de Pessoa Jurídica (PJ).
  • Velocidade e Isenção de Tarifas Ocultas: Processos de envio e recebimento 100% digitais e regulamentados pelo Banco Central (BACEN), eliminando custos burocráticos dos grandes bancos.

Construindo resultados passo a passo

Embora o mercado global muitas vezes busque soluções imediatas, a parceria é encarada pelas lideranças como um movimento estrutural de médio e longo prazo.

“O resultado no comércio exterior se constrói na constância. É um trabalho de conta-gotas onde cada pequena economia de taxa e cada minuto ganho no compliance documental se somam para gerar uma grande vantagem competitiva lá na frente”, destaca a equipe estratégica do Comex do Brasil.

A iniciativa reforça o posicionamento do Comex do Brasil não apenas como um canal líder em informação, mas como um ecossistema de soluções que apoia o empresário brasileiro do início ao fim da sua jornada de internacionalização.

Os links rastreáveis e os cupons exclusivos para garantir o desconto de lançamento de 30%estarão disponíveis no portal a partir da próxima semana.

(*) Com informações da Remessa Online

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