Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira

 

 

Da Redação (*)

Brasília Diferentemente das exportações, as importações de calçados seguem em elevação e atingiram o recorde da série histórica – iniciada em 1997 – para os primeiros cinco meses do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 43,78 milhões, elevações tanto em volume (+14,6%) quanto em receita (+14,7%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Destacam-se as principais origens asiáticas do mês: China (991,3 mil pares e US$ 3,62 milhões, incrementos de 22,8% em volume e queda de 0,5% em receita ante maio de 2025); Vietnã (958,97 mil pares e US$ 19,96 milhões, queda de 4% em volume e aumento de 4,9% em receita); e Indonésia (459,3 mil pares e US$ 9,18 milhões, queda de 9,1% em volume e incremento de 20,3% em receita).

No acumulado dos cinco meses, as importações somaram 22,9 milhões de pares e US$ 258,93 milhões, elevações de 18,2% e 14%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. As principais origens foram: China (9,28 milhões de pares e US$ 22,35 milhões, incrementos de 28,8% e 11,6% ante o mesmo período de 2025); Vietnã (5,6 milhões de pares e US$ 124,55 milhões, crescimentos de 5,4% e 19,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado); e Indonésia (3,27 milhões de pares e US$ 61,96 milhões, queda de 10% em volume e incremento de 5,1% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025).

Exportações em queda
Em maio, a indústria calçadista brasileira embarcou 6,42 milhões de pares por US$ 64,53 milhões – quedas de 5,2% e 17,4%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, quedas tanto em volume (-10,7%) quanto em receita (-18,3%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que os dados seguem refletindo os impactos da política tarifária estadunidense e do contexto macroeconômico e concorrencial na Argentina.

“Mesmo os Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro, tendo retirado a tarifa adicional de 40% para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025”, explica o executivo, destacando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação. “Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40%”, acrescenta.

Além disso, o dirigente ressalta que a queda registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 – mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia. “Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5% o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.

Ferreira manifesta preocupação, ainda, com a manutenção da incerteza regulatória no mercado norte-americano, inclusive em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais que podem alcançar 37,5% – 25% com base nas investigações relacionadas ao Brasil e 12,5% com base nas investigações gerais relativas à trabalho forçado – sobre importações brasileiras.

Estados Unidos, o principal mercado

Em maio, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foram os Estados Unidos, para onde foram exportados 984,5 mil pares que geraram US$ 13,65 milhões, quedas de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que em maio importou 402,73 mil pares verde-amarelos por US$ 6,48 milhões, quedas de 63,2% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras para a Argentina somaram 2,42 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, quedas de 57,8% e 59,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que em maio importou 900,87 mil pares de calçados brasileiros por US$ 4,3 milhões, altas de 59,2% e 19,2%, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado. No acumulado dos cinco meses, foram embarcados para lá 3,6 milhões de pares por US$ 20,2 milhões, queda de 8,2% em volume e incremento de 14,3% em receita na relação com intervalo correspondente de 2025.

RS: maior exportador do Brasil

O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e maio, as fábricas gaúchas embarcaram 12,9 milhões de pares, que geraram US$ 172,1 milhões, quedas de 6,2% e 14,1%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem os estados do Ceará – com a exportação de 12,58 milhões de pares por US$ 67,14 milhões, quedas de 18,1% e 25,4%, respectivamente -, e São Paulo – que embarcou 2,5 milhões por US$ 35,68 milhões, quedas de 19,3% e 19,4% ante o ano passado.

Projeções indicam quedas em volume e receita

Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1% e 8,9%, conforme a Inteligência de Mercado da Abicalçados. Apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.

(*) Com informações da Abicalçados

O post Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira

 

 

Da Redação (*)

Brasília Diferentemente das exportações, as importações de calçados seguem em elevação e atingiram o recorde da série histórica – iniciada em 1997 – para os primeiros cinco meses do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 43,78 milhões, elevações tanto em volume (+14,6%) quanto em receita (+14,7%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Destacam-se as principais origens asiáticas do mês: China (991,3 mil pares e US$ 3,62 milhões, incrementos de 22,8% em volume e queda de 0,5% em receita ante maio de 2025); Vietnã (958,97 mil pares e US$ 19,96 milhões, queda de 4% em volume e aumento de 4,9% em receita); e Indonésia (459,3 mil pares e US$ 9,18 milhões, queda de 9,1% em volume e incremento de 20,3% em receita).

No acumulado dos cinco meses, as importações somaram 22,9 milhões de pares e US$ 258,93 milhões, elevações de 18,2% e 14%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. As principais origens foram: China (9,28 milhões de pares e US$ 22,35 milhões, incrementos de 28,8% e 11,6% ante o mesmo período de 2025); Vietnã (5,6 milhões de pares e US$ 124,55 milhões, crescimentos de 5,4% e 19,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado); e Indonésia (3,27 milhões de pares e US$ 61,96 milhões, queda de 10% em volume e incremento de 5,1% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025).

Exportações em queda
Em maio, a indústria calçadista brasileira embarcou 6,42 milhões de pares por US$ 64,53 milhões – quedas de 5,2% e 17,4%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, quedas tanto em volume (-10,7%) quanto em receita (-18,3%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que os dados seguem refletindo os impactos da política tarifária estadunidense e do contexto macroeconômico e concorrencial na Argentina.

“Mesmo os Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro, tendo retirado a tarifa adicional de 40% para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025”, explica o executivo, destacando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação. “Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40%”, acrescenta.

Além disso, o dirigente ressalta que a queda registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 – mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia. “Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5% o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.

Ferreira manifesta preocupação, ainda, com a manutenção da incerteza regulatória no mercado norte-americano, inclusive em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais que podem alcançar 37,5% – 25% com base nas investigações relacionadas ao Brasil e 12,5% com base nas investigações gerais relativas à trabalho forçado – sobre importações brasileiras.

Estados Unidos, o principal mercado

Em maio, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foram os Estados Unidos, para onde foram exportados 984,5 mil pares que geraram US$ 13,65 milhões, quedas de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que em maio importou 402,73 mil pares verde-amarelos por US$ 6,48 milhões, quedas de 63,2% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras para a Argentina somaram 2,42 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, quedas de 57,8% e 59,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que em maio importou 900,87 mil pares de calçados brasileiros por US$ 4,3 milhões, altas de 59,2% e 19,2%, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado. No acumulado dos cinco meses, foram embarcados para lá 3,6 milhões de pares por US$ 20,2 milhões, queda de 8,2% em volume e incremento de 14,3% em receita na relação com intervalo correspondente de 2025.

RS: maior exportador do Brasil

O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e maio, as fábricas gaúchas embarcaram 12,9 milhões de pares, que geraram US$ 172,1 milhões, quedas de 6,2% e 14,1%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem os estados do Ceará – com a exportação de 12,58 milhões de pares por US$ 67,14 milhões, quedas de 18,1% e 25,4%, respectivamente -, e São Paulo – que embarcou 2,5 milhões por US$ 35,68 milhões, quedas de 19,3% e 19,4% ante o ano passado.

Projeções indicam quedas em volume e receita

Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1% e 8,9%, conforme a Inteligência de Mercado da Abicalçados. Apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.

(*) Com informações da Abicalçados

O post Calçados asiáticos a preço de dumping: importações em forte alta são ameaça e desafio para a indústria brasileira apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Cooperação Sul-Sul: O Papel de Malásia, Brasil e ASEAN

Embaixador Mohammad Ali bin Selamat (*)

Em um mundo cada vez mais interconectado, porém fragmentado, no qual tensões geopolíticas, interrupções nas cadeias de suprimentos e a competição tecnológica estão remodelando o comércio global, a Malásia, o Brasil e a ASEAN têm a oportunidade de demonstrar o valor de parcerias resilientes, mercados abertos e uma cooperação Sul-Sul pragmática.

À medida que os países buscam diversificar suas relações econômicas e fortalecer sua resiliência diante de choques externos, a crescente parceria entre a Malásia e o Brasil oferece um ótimo exemplo de como potências médias podem trabalhar juntas para criar novas oportunidades entre diferentes regiões.

Uma Parceria Bilateral Resiliente

O Brasil é o segundo maior parceiro comercial da Malásia na América Latina e responde por mais de 66% do comércio total da Malásia com o MERCOSUL. O comércio bilateral cresceu 16,6% em 2024, alcançando US$ 4,46 bilhões (R$ 24,53 bilhões). Mesmo com a moderação da atividade econômica global em 2025, o intercâmbio comercial permaneceu resiliente, atingindo US$ 3,97 bilhões (R$ 21,84 bilhões), evidenciando a profundidade estrutural da relação.

A Malásia exporta para o Brasil produtos manufaturados de alto valor agregado, especialmente bens elétricos e eletrônicos (E&E), máquinas, componentes automotivos, equipamentos ópticos e científicos, além de oleoquímicos avançados. O Brasil, por sua vez, desempenha um papel fundamental no apoio à segurança alimentar e de recursos da Malásia.

A próxima fase dessa cooperação concentra-se cada vez mais em tecnologia verde, diversificação das cadeias de suprimentos de semicondutores, energia renovável, manufatura avançada e na conexão do setor do agronegócio brasileiro com o ecossistema halal da Malásia, reconhecido mundialmente.

O que começou como uma relação comercial complementar está evoluindo para uma parceria mais ampla, baseada em inovação, sustentabilidade e resiliência econômica de longo prazo.

A Economia da Malásia Ganha Impulso

A economia da Malásia expandiu-se 5,4% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela forte demanda doméstica, gastos das famílias, condições favoráveis do mercado de trabalho e crescimento contínuo dos investimentos.

O Índice Global de Oportunidades 2026 do Milken Institute classificou a Malásia como o principal destino emergente de investimentos do Sudeste Asiático e o 23º do mundo, destacando instituições sólidas, um setor financeiro bem desenvolvido e fundamentos macroeconômicos consistentes.

O setor manufatureiro do país continua se beneficiando do aumento da demanda global por produtos elétricos e eletrônicos relacionados à inteligência artificial, semicondutores, eletrônicos automotivos e infraestrutura de data centers. O Banco Central da Malásia (Bank Negara Malaysia) projeta crescimento entre 4% e 5% para o ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional revisou recentemente para cima a previsão de crescimento do país em 2026, para 4,7%.

O setor externo da Malásia também alcançou níveis históricos em abril de 2026. O comércio total cresceu 28,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo RM 336,73 bilhões (R$ 7,75 bilhões), o maior valor mensal já registrado. As exportações aumentaram 36,9%, alcançando RM 182,74 bilhões (R$ 237,56 bilhões), marcando dez meses consecutivos de crescimento.

As exportações de produtos elétricos e eletrônicos cresceram 46,4%, chegando a RM 88,16 bilhões (R$ 114,61 bilhões), representando quase metade das exportações totais. O superávit comercial acumulado da Malásia entre janeiro e abril de 2026 dobrou em relação ao ano anterior, atingindo RM 91,92 bilhões (R$ 119,50 bilhões), enquanto o comércio total ultrapassou RM 1 trilhão (R$ 1,30 trilhão) nos primeiros quatro meses do ano.

Esses resultados refletem não apenas um forte desempenho econômico, mas também a contínua integração da Malásia às cadeias globais de valor, especialmente nos setores de alta tecnologia.

Brasil e ASEAN: Uma Relação Estratégica

O comércio entre o Brasil e a ASEAN expandiu-se mais de dezesseis vezes nos últimos vinte e cinco anos, ultrapassando US$ 37 bilhões (R$ 203,50 bilhões) em 2024 e tornando a ASEAN um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil no mundo.

Um marco importante ocorreu em 2022, quando o Brasil tornou-se oficialmente Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN, reforçando seu engajamento estratégico com o Sudeste Asiático.

Com uma população combinada superior a 670 milhões de pessoas e algumas das economias mais dinâmicas do mundo, a ASEAN oferece oportunidades significativas de cooperação em segurança alimentar, desenvolvimento sustentável, transformação digital, transição energética e indústrias relacionadas ao clima.

Os dados comerciais da Malásia de abril de 2026 demonstraram ainda mais o dinamismo econômico da ASEAN. As exportações para todos os Estados-membros registraram crescimento de dois dígitos, incluindo Vietnã (+65%), Camboja (+73,1%) e Brunei (+52,7%).

Além da economia, Malásia e Brasil compartilham outra característica importante. Ambos são potências médias influentes, com visão global e forte compromisso com o multilateralismo, o diálogo e a cooperação internacional. À medida que o sistema internacional se torna mais fragmentado, a cooperação entre países que valorizam a abertura, a resiliência e o engajamento construtivo torna-se cada vez mais relevante.

A distância entre Kuala Lumpur e Brasília pode ser considerável, mas os interesses estratégicos da Malásia, do Brasil e da ASEAN nunca estiveram tão próximos.

Turismo, Economia Halal e Soft Power

O turismo continua sendo um importante pilar do engajamento internacional da Malásia. O país recebeu aproximadamente 25 milhões de visitantes internacionais em 2024 e atualmente promove a campanha Visit Malaysia 2026.

Portadores de passaporte brasileiro desfrutam de entrada sem necessidade de visto na Malásia e podem conhecer um país reconhecido por sua diversidade cultural, hospitalidade de classe mundial, infraestrutura moderna e ricas atrações naturais. De locais reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO a ilhas tropicais, cidades vibrantes e destinos de ecoturismo, a Malásia oferece uma experiência asiática única.

A economia halal representa outra importante via de cooperação

A Malaysia International Halal Showcase (MIHAS 2026), programada para ocorrer entre 23 e 26 de setembro de 2026, em Kuala Lumpur, continua sendo uma das principais feiras globais do setor halal.

A edição anterior gerou mais de US$ 1,3 bilhão (R$ 7,15 bilhões) em oportunidades de negócios, atraiu mais de 50 mil visitantes e contou com 2.400 estandes de 80 países. Além de alimentos e bebidas, a MIHAS abrange os setores farmacêutico, cosmético, finanças islâmicas, tecnologia verde, moda e logística halal.

Para empresas brasileiras dos setores de agronegócio, alimentos, farmacêutico e cosméticos, a MIHAS oferece acesso direto aos mercados da ASEAN, do Oriente Médio e de outras regiões em rápido crescimento, por meio de parcerias empresariais, certificações e redes globais de compradores.

O Brasil ajuda a alimentar o mundo, enquanto a Malásia ajuda a conectar produtos halal aos mercados globais. Juntos, os dois países formam uma parceria poderosa.

MATRADE São Paulo: Conectando Mercados

No centro dessa relação em expansão está a MATRADE São Paulo, o escritório comercial da Embaixada da Malásia no Brasil.

A MATRADE atua como ponte entre empresas brasileiras e malaias, facilitando acesso a mercados, encontros de negócios, promoção de investimentos e participação em grandes feiras comerciais e iniciativas empresariais.

À medida que as empresas buscam cada vez mais diversificar mercados e fortalecer a resiliência de suas cadeias de suprimentos, a MATRADE permanece comprometida em apoiar parcerias que gerem valor de longo prazo para ambas as economias.

Perspectivas Futuras

O panorama geral é claro: Malásia e Brasil já não estão conectados apenas pelos fluxos comerciais. Como portas de entrada estratégicas para a ASEAN e para a América do Sul, respectivamente, ambos os países estão cada vez mais posicionados para contribuir para uma maior conectividade inter-regional, cadeias de suprimentos mais resilientes, desenvolvimento sustentável e crescimento impulsionado pela inovação.

Em um mundo moldado pela incerteza estratégica, Malásia e Brasil têm a oportunidade de demonstrar como potências médias podem construir pontes entre regiões, fortalecer a resiliência econômica e criar parcerias práticas que gerem benefícios concretos para empresas e sociedades.

O futuro dessa relação não é apenas comercial — é cada vez mais estratégico.

(*) Dato’ Mohammad Ali bin Selamat é Embaixador da Malásia no Brasil

O post Cooperação Sul-Sul: O Papel de Malásia, Brasil e ASEAN apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Lula participa na Cúpula do G7 e gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne brasileira pela UE

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (14) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira

Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões”, apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão

Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

(*) Com informações da Agência Brasil

O post Lula participa na Cúpula do G7 e gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne brasileira pela UE apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Tática da abertura – Investimento externo muda o jogo

Márcio Coimbra (*)

Por décadas, o Brasil operou sob a premissa de que o que é nosso dispensa validação externa. Essa mentalidade autárquica, que moldou a industrialização por substituição de importações no século XX, encontrou espelho fiel em nossos gramados. O futebol brasileiro, pilar da identidade nacional, orgulhava-se de uma autossuficiência mística.

Contudo, a contratação do italiano Carlo Ancelotti para a Seleção rompeu esse lacre ideológico. A chegada do treinador simboliza o colapso do último bastião do protecionismo cultural e serve de metáfora sobre a urgência de abertura do Brasil na economia globalizada.

O paralelo entre política comercial e gestão desportiva é evidente: ambos adotaram a reserva de mercado. Enquanto o mundo se integrava, o futebol brasileiro estagnou em uma autoconfiança anacrônica, pagando o preço com o isolamento técnico e duas décadas de jejum em Copas. Como na economia, o fechamento cobrou seu tributo em obsolescência.

Essa quebra de paradigma começou nos clubes com a importação de técnicos. As passagens de Jorge Jesus no Flamengo e Abel Ferreira no Palmeiras trouxeram novos processos, expondo o atraso metodológico local. O mercado doméstico, antes blindado, viu-se obrigado a expandir horizontes.

Essa oxigenação estendeu-se às quatro linhas: a vinda de craques como Luis Suárez e Memphis Depay chancelou o retorno do país como polo atrativo. Ao subirem a régua da concorrência, esses atletas forçaram a elevação do nível interno, de forma idêntica a multinacionais que, ao se instalarem aqui, dinamizam a cadeia produtiva local.

Paralelamente, a estrutura de propriedade passou por metamorfose. Viabilizada pela Lei das SAFs em 2021, essa transição funcionou como o marco regulatório para a atração de Investimento Estrangeiro Direto, resgatando clubes asfixiados por dívidas. O aporte de R$ 1 bilhão do City Football Group no Bahia exemplifica essa virada. Essa enxurrada de capital, atrelada a práticas de governança, injetou liquidez, impôs auditorias e sepultou o amadorismo dos antigos cartolas.

Nesta transição, a maior lição do futebol para a gestão pública reside na correlação entre equilíbrio fiscal e dominância. Palmeiras e Flamengo são emblemáticos: abdicaram do populismo em prol da austeridade. Após reestruturarem suas dívidas, alcançaram faturamentos bilionários e converteram superávits em hegemonia esportiva, demonstrando que a responsabilidade fiscal é o único meio sustentável para financiar o sucesso a longo prazo. É uma cartilha para Brasília, pois atesta que o respeito às contas gera a previsibilidade para atrair capitais e garantir estabilidade.

O diagnóstico para o futebol e para a macroeconomia brasileira guarda a mesma essência: o protecionismo e a leniência fiscal concedem uma ilusão de alívio imediato, mas cobram o preço do fracasso no longo prazo. Se o Brasil vencerá com Ancelotti é uma incógnita, mas a quebra do dogma mostra que a evolução dos clubes ecoou na CBF. A modernização é irreversível e deveria pavimentar o caminho para reconduzir o país a uma nova era de vitórias sustentáveis além dos gramados.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

O post Tática da abertura – Investimento externo muda o jogo apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Mercosul-União Europeia: Tatiana Prazeres destaca papel da regulação na implementação do Acordo

Tatiana Prazeres abordou aspectos regulatórios e desafios relacionados à implementação do Acordo Mercosul-União Europeia

Da Redação (*)

Brasília – O papel da regulação na implementação do Acordo Mercosul-União Europeia esteve no centro dos debates do segundo dia do Encontro de Reguladores, realizado nos dias 9 e 10 de junho, em Brasília (DF).

A palestra foi conduzida pela secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (SECEX/MDIC), Tatiana Prazeres, e teve como tema os impactos do acordo para a regulação brasileira.

Moderado pelo secretário de Competitividade e Política Regulatória do MDIC, Pedro Ivo Sebba Ramalho, o painel focou nos desafios e oportunidades decorrentes do acordo comercial que entrou em vigor no último dia 1º de maio.

Durante sua apresentação, Tatiana destacou que o acordo foi concluído em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, transformações econômicas e reconfiguração das cadeias globais de valor. Segundo ela, nesse cenário, a integração econômica ganha ainda mais relevância para ampliar oportunidades de comércio, investimentos e competitividade.

“O acordo criou oportunidades concretas para o Brasil, mas é fundamental que os reguladores conheçam seus dispositivos, compreendam seus impactos e se reconheçam como atores centrais na sua implementação”, afirmou.

A secretária apresentou dados que demonstram o potencial econômico do acordo para o Brasil. Estimativas do MDIC apontam efeitos positivos de longo prazo sobre diversos indicadores econômicos, incluindo aumento de 0,34% no Produto Interno Bruto (PIB), crescimento de 0,76% nos investimentos, elevação de 0,42% nos salários reais, expansão de 2,65% nas exportações e de 2,46% nas importações, além de redução de 0,56% nos preços ao consumidor.

Tatiana também ressaltou a dimensão estratégica da parceria entre os dois blocos. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem 31 países, cerca de 718 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. A corrente de comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 100 bilhões pela primeira vez em 2025.

A secretária observou ainda que as importações brasileiras provenientes da União Europeia são compostas majoritariamente por bens de capital, insumos e bens intermediários, enquanto parcela significativa das exportações brasileiras para o bloco é formada por produtos de média e alta tecnologia.

Eliminação das tarifas reforça Regulação

Ao longo da palestra, Tatiana enfatizou que a eliminação de tarifas é apenas uma das dimensões do acordo. “A eliminação das tarifas abre portas, mas a regulação é que define se é possível atravessá-las com facilidade”, afirmou.

Segundo a secretária, os custos ao comércio internacional também estão relacionados a exigências regulatórias, certificações, inspeções, requisitos técnicos e procedimentos administrativos.

Com a redução das tarifas para entrar no mercado europeu, Tatiana acredita que a transparência, a previsibilidade, a cooperação institucional e a qualidade regulatória tornam-se fatores ainda mais decisivos para que se possa usufruir plenamente dos benefícios do acordo.

Outro ponto destacado foi a necessidade de fortalecer a coordenação entre diferentes instituições públicas envolvidas na implementação do acordo.

De acordo com Tatiana, a efetividade dos compromissos assumidos dependerá da atuação articulada de reguladores, ministérios setoriais, órgãos de comércio exterior, autoridades sanitárias, organismos de acreditação, certificação e demais entidades responsáveis pela aplicação das normas.

“O sucesso da implementação não será determinado apenas pelas questões tarifárias, mas também pela capacidade dos reguladores de transformar compromissos internacionais em procedimentos, normas e práticas que reduzam custos, aumentem a previsibilidade e preservem os objetivos legítimos de interesse público”, destacou.

Promovido pela Secretaria de Competitividade e Política Regulatória (SCPR) do MDIC, o Encontro de Reguladores reuniu representantes de órgãos reguladores federais, especialistas e gestores públicos para discutir boas práticas regulatórias, cooperação institucional e os desafios da competitividade brasileira.

(*) Com informações do MDIC

O post Mercosul-União Europeia: Tatiana Prazeres destaca papel da regulação na implementação do Acordo apareceu primeiro em Comex do Brasil.

OMC destaca protagonismo do Brasil por avanços no Portal Único de Comércio Exterior

Durante revisão do Acordo de Facilitação do Comércio, país reforça protagonismo na facilitação do comércio com soluções que reduzem burocracia, custos e prazos para empresas exportadoras e importadoras

Da Redação (*)

Brasília – Durante a 2ª revisão do Acordo de Facilitação do Comércio (AFC), realizada entre 10 e 12 de junho, o país compartilhou na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, os avanços do Portal Único de Comércio Exterior e outras iniciativas de modernização do comércio exterior brasileiro.

Durante as reuniões, os membros da OMC compartilharam experiências e discutiram formas de simplificar processos, reduzir custos e aumentar a eficiência das operações de exportação e importação.

Nesse contexto, a delegação brasileira apresentou iniciativas concretas que não apenas cumprem os compromissos do AFC, mas avançam além deles, com foco em eficiência regulatória, digitalização e redução de custos operacionais para empresas.

A participação ativa do país reforça seu papel como referência internacional em facilitação do comércio e contribui para dar visibilidade aos avanços implementados no ambiente doméstico, com impactos diretos na competitividade das empresas brasileiras.

Avanços estruturantes

Nos últimos anos, o Brasil tem promovido uma agenda consistente de modernização do comércio exterior, baseada na integração e digitalização de processos e na gestão de riscos. Essas medidas vêm reduzindo prazos, eliminando redundâncias e aumentando a previsibilidade para operadores privados.

Destaques que já fazem diferença para as empresas e foram levados ao foro multilateral como boas práticas:

  • Integração dos órgãos intervenientes ao Portal Único de Comércio Exterior, permitindo a realização dos processos em um ambiente digital único, com maior coordenação, transparência e eficiência.

Atualmente há 17 órgãos intervenientes, e todos estão integrados ao Portal Único. Com isso, houve a redução da utilização de diversos sistemas por parte dos operadores. A anuência de produtos sujeitos ao controle da Anvisa, como exemplo, possuía protocolo de processo, pagamento de taxa de exercício de poder de polícia e relatório de inspeção de mercadorias efetuados em sistemas não integrados. Hoje todo o processo ocorre no Portal Único.

  • Pagamento Centralizado de Comércio Exterior, simplificando a arrecadação e a quitação de taxas e tributos por meio de uma plataforma unificada. Anvisa e MAPA possuem suas taxas integradas ao módulo PCCE, com redução média de 48 horas de tempo de análise. Exército e Inmetro estão em processo de integração de suas taxas ao PCCE.
  • Licenças Flex, proporcionando maior agilidade, previsibilidade e flexibilidade na gestão do tratamento administrativo das operações de comércio exterior. Com o novo tipo de licença já houve redução de 80% na quantidade de licenças emitidas pelos órgãos anuentes, quando comparado o primeiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior.
  • Despacho antecipado de mercadorias, permitindo a conclusão dos procedimentos aduaneiros antes da chegada da carga, com significativa redução dos tempos de permanência em portos.

O Despacho sobre Águas constitui importante medida de facilitação do comércio exterior ao permitir o processamento antecipado das formalidades aduaneiras durante o trânsito marítimo da mercadoria. Levantamento realizado pela Receita Federal demonstrou redução média de cerca de 70% no tempo decorrido entre a chegada da carga e sua efetiva entrega ao importador.

  • Nova modalidade de tratamento administrativo de monitoramento, com abordagem mais moderna e proporcional de controle estatal, sem intervenção direta do órgão no fluxo do comércio exterior.

Baseado em dados e gestão de riscos, o tratamento administrativo de monitoramento permite que os órgãos acompanhem as operações após seu registro, subsidiando decisões regulatórias futuras. Como resultado, a Agência Nacional de Energia Elétrica passou a atuar exclusivamente por monitoramento, enquanto o Ministério da Defesa reduziu aproximadamente 80% de suas licenças, concentrando suas exigências em um único LPCO.

Essas iniciativas se somam a esforços contínuos de integração entre órgãos governamentais, adoção de gestão de risco e simplificação normativa, criando um ambiente mais favorável ao comércio exterior.

Impactos para as empresas

Os avanços já se traduzem em benefícios concretos para o setor produtivo, incluindo:

  • Redução dos custos logísticos e administrativos associados às operações de comércio exterior.
  • Ampliação da previsibilidade e da segurança quanto aos prazos de liberação de mercadorias.
  • Simplificação de procedimentos, com eliminação de etapas burocráticas e exigências redundantes.
  • Fortalecimento da competitividade internacional das empresas brasileiras e melhoria do ambiente de negócios. O Novo Processo de Importação tem contribuído diretamente para o fortalecimento da competitividade internacional das empresas brasileiras e para a melhoria do ambiente de negócios ao reduzir custos, aumentar a previsibilidade das operações e simplificar procedimentos de comércio exterior.

Os resultados já são concretos: em fevereiro de 2026, o Portal Único de Comércio Exterior passou a processar mais da metade das importações brasileiras, proporcionando redução média de 19 horas no tempo de permanência das cargas nos portos.

Com a implementação integral do programa, estima-se uma economia superior a R$ 40 bilhões anuais para o setor privado, decorrente da diminuição de custos logísticos e administrativos, do aumento da eficiência operacional e da maior integração entre os órgãos governamentais, fatores essenciais para ampliar a inserção competitiva do Brasil no comércio internacional.

Nesse contexto, o Brasil se destaca na vanguarda da modernização do comércio exterior, implementando soluções reconhecidas internacionalmente e contribuindo para o aperfeiçoamento dos modelos de facilitação do comércio em âmbito global.

(*) Com informações do MDIC

 

O post OMC destaca protagonismo do Brasil por avanços no Portal Único de Comércio Exterior apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Setor têxtil enfrenta concorrência asiática, balança comercial deficitária e gargalos logísticos para alavancar exportações

Da Redação (*)

Brasília – Uma das maiores e mais completas cadeias produtivas do Brasil, o setor têxtil emprega milhões de trabalhadores direta e indiretamente, principalmente mulheres, e é responsável por um faturamento de mais de R$ 200 bilhões. Mas, apesar de números tão representativos, o setor enfrenta desafios importantes.

Um deles diz respeito à balança comercial. A indústria têxtil importa muito mais do que exporta, resultando em déficit. O último levantamento, realizado em 2024 pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, a ABIT, demonstrou que o setor somou US$ 908 milhões em exportações, mas US$ 6,6 bilhões em importações.

Dificuldades de logística na indústria têxtil hoje

A importação de materiais como tecidos, principalmente, é responsável pela maior parte do montante das importações. Os custos dos materiais vindos de fora, principalmente da Ásia, são menores, o que, além de diminuir os custos para os produtores nacionais, ainda permite uma margem maior de lucratividade.

Toda essa produção abastece tanto o mercado interno quanto o externo. O ritmo de exportação tem crescido, inclusive. Porém muitas varejistas asiáticas têm investido bastante e ganhado espaço no cenário internacional, aumentando a competitividade, por conta de seus processos mais modernos e sustentáveis.

Outro problema enfrentado pelo Brasil é a própria dificuldade logística. Abastecer o mercado é um grande desafio, afinal, as coleções precisam ser produzidas e chegar a tempo às lojas e suas vitrines e araras. É mais sério ainda quando se trata de abastecer o mercado internacional.

Levantamento da CNI, a Confederação Nacional da Indústria, aponta que o custo do transporte é um dos principais agravantes para a logística para o exterior. Depois vem a ineficiência dos portos para manuseio e embarque de cargas, as limitações de rotas de navegação marítima e a disponibilidade de espaço em contêineres.

Oportunidades para o enfrentamento dos entraves

A ABIT, por sua vez, tem sido otimista com o acordo fechado entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo a associação, a eliminação de barreiras tarifárias deve aumentar os investimentos e, consequentemente, a exportação, bem como a geração de empregos e o parque tecnológico brasileiro.

A aproximação entre os dois blocos, além de investimentos governamentais para a solução de entraves estruturais, burocráticos e tributários, com maior coordenação entre setor público e privado, são ações que podem contribuir para melhorar o escoamento da produção nacional e uma maior abertura e aceitação dos mercados externos.

As empresas também precisam se estruturar. Para tanto, o investimento em tecnologia é fundamental. Buscar soluções como um ERP para indústria têxtil pode ser a chave para melhorar a integração entre os sistemas de compras, vendas, estoque, e-commerce, produção e, claro, logística.

Com um melhor gerenciamento, é possível escalar muito mais a produção e seu alcance. Ainda que o cenário internacional sofra com reveses, ajustar a empresa com tecnologia é a melhor maneira de se ter mais controle operacional e logístico para estar preparado para o mercado nacional e internacional.

 

O post Setor têxtil enfrenta concorrência asiática, balança comercial deficitária e gargalos logísticos para alavancar exportações apareceu primeiro em Comex do Brasil.

A volatilidade do petróleo e seus impactos na operação das empresas

Cristian Bazaga (*)

Nos últimos meses, o mercado global de petróleo tem mostrado como pequenas oscilações nos estoques e na oferta conseguem gerar impactos relevantes em toda a cadeia logística. A recente revisão das projeções para o mercado de óleo em 2026 pela Agência Internacional de Energia (IEA), diante de um cenário de maior volatilidade geopolítica e incerteza econômica, reforça um contexto que exige atenção das empresas. Em paralelo, analistas apontam que os estoques globais seguem pressionados por mudanças rápidas entre oferta, demanda e produção da OPEP+.

Os reflexos desse cenário vão muito além do setor de energia. A alta do petróleo afeta diretamente a economia global e o dia a dia das empresas, impactando desde combustíveis e fretes até alimentos, energia e custos industriais. Isso acontece porque o petróleo continua sendo uma das principais bases da economia mundial, influenciando praticamente toda a cadeia produtiva.

Para quem depende de combustível como parte estratégica da operação, a consequência é um ambiente cada vez menos previsível. O impacto vai muito além do preço na bomba. Quando o mercado oscila, o custo operacional aumenta, o planejamento logístico perde previsibilidade, as margens ficam mais pressionadas e as decisões precisam ser tomadas mais rápido.

É justamente nesse cenário que a gestão deixa de ser apenas controle e passa a ser inteligência operacional. Empresas que conseguem monitorar o consumo em tempo real, identificar desvios rapidamente e trabalhar com dados confiáveis reduzem a exposição à volatilidade e ganham capacidade de resposta. O mercado pode continuar instável, mas a previsibilidade operacional não precisa depender dele, e sim de estratégia, tecnologia e gestão eficiente.

(*) Cristian Bazaga é CEO da Excel

O post A volatilidade do petróleo e seus impactos na operação das empresas apareceu primeiro em Comex do Brasil.

Agro bate recorde histórico e responde por 50,2% das exportações totais brasileiras em maio

Setor registra alta de 8,2% no mês; no acumulado do ano, exportações somam US$ 70,5 bilhões e alcançam recorde histórico para o período

Da Redação (*)

Brasília – As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 16 bilhões em maio de 2026, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. O desempenho garantiu ao setor participação de 50,2% nas exportações totais do Brasil no período.

No acumulado de janeiro a maio, as vendas externas do agronegócio alcançaram US$ 70,5 bilhões, crescimento de 4,6%, também recorde para os cinco primeiros meses do ano.

Em relação a maio do ano passado, o volume exportado pelo setor cresceu 3,6%, enquanto o preço médio dos produtos vendidos ao exterior registrou alta de 4,4%. As importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,6 bilhão, recuo de 3,6% na mesma comparação, resultando em um superávit de US$ 14,4 bilhões no mês, aumento de 9,7%.

China lidera compras do agro brasileiro

A China manteve a liderança entre os destinos das exportações do agronegócio brasileiro, com aquisições de US$ 6,3 bilhões em maio e participação próxima de 40% na pauta exportadora do setor. O valor representa crescimento de 12,8% em relação a maio de 2025.

A União Europeia ocupou a segunda posição, com importações de US$ 2,4 bilhões, equivalentes a 15% das exportações do agro brasileiro no mês, e alta de 5,4% na comparação anual. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com US$ 837 milhões exportados e participação de 5,2%, apesar da retração de 28% em relação ao mesmo período do ano passado.

Também se destacaram mercados como Bangladesh, Tailândia, Vietnã, Paquistão, Turquia e Jordânia, que ampliaram significativamente suas compras de produtos agropecuários brasileiros no mês.

Soja e proteínas animais impulsionam resultado

A soja em grãos permaneceu como principal produto exportado pelo agronegócio brasileiro. As vendas externas alcançaram US$ 6,3 bilhões, aumento de 14,6% em relação a maio de 2025. O volume exportado chegou a 14,8 milhões de toneladas, crescimento de 5,1% na comparação anual.

As três principais proteínas animais exportadas pelo Brasil – bovina, de frango e suína – registraram recordes de valor e volume para o mês de maio.

As exportações de carne bovina in natura somaram US$ 1,7 bilhão, avanço de 50,2%, e embarques de 262 mil toneladas, com crescimento de 20,2% na comparação anual. A China permaneceu como principal destino do produto, com compras de US$ 1 bilhão, equivalentes a 61,4% das exportações brasileiras da proteína no período.

A carne de frango in natura alcançou US$ 883 milhões em exportações, crescimento de 40%, enquanto o volume embarcado atingiu 442 mil toneladas, aumento de 32,3%. O resultado, com embarques para mais de 135 destinos em maio, reflete a manutenção da confiança internacional na proteína brasileira.

Já a carne suína in natura registrou exportações de US$ 278 milhões, alta de 1,4%, e embarques de 111 mil toneladas, crescimento de 5%, também estabelecendo recorde para o período.

Segmentos entre os destaques

Entre os segmentos de maior destaque nas exportações do agronegócio em maio, o complexo soja somou US$ 7,5 bilhões, crescimento de 16,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

As proteínas animais alcançaram US$ 3,2 bilhões, avanço de 38%, enquanto fibras e produtos têxteis totalizaram US$ 483 milhões, alta de 39,6%.

Também registraram desempenho recorde para o mês o óleo de milho, com US$ 28,5 milhões exportados e crescimento de 798%; o algodão, com US$ 450 milhões e alta de 45,3%; e as miudezas de frango, que alcançaram US$ 62,5 milhões, aumento de 20,5%.

Produtos menos tradicionais também ampliaram sua participação na pauta exportadora brasileira. Entre os destaques estão sementes de gergelim, rações para animais domésticos, amendoim, óleo de milho, arroz, pães, biscoitos, produtos de pastelaria e erva-mate, todos com resultados recordes em valor ou volume exportado.

DDG amplia presença internacional

Entre os produtos com maior potencial de expansão no mercado internacional está o DDG (Dried Distillers Grains, ou grãos secos de destilaria), subproduto da indústria de biocombustíveis à base de milho utilizado principalmente na alimentação animal.

Entre janeiro e maio de 2026, as exportações brasileiras do produto somaram US$ 130 milhões, crescimento de 37,7%, enquanto o volume embarcado alcançou 555 mil toneladas, alta de 30,5%. Os números representam recordes históricos para o período.

O desempenho acompanha a estratégia de abertura e ampliação de mercados conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Desde 2023, foram abertos 21 novos mercados para o DDG brasileiro.

Nos cinco primeiros meses de 2026, os principais destinos do produto foram China (US$ 63,2 milhões), Turquia (US$ 31 milhões), Vietnã (US$ 11,5 milhões) e Nova Zelândia (US$ 7,5 milhões).

Confiança internacional e diversificação de mercados

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o desempenho demonstra a relevância do setor para a economia nacional. “Quando o agronegócio responde por metade das exportações brasileiras em um mês, estamos falando de renda no campo, emprego na indústria, fortalecimento das cooperativas e mais presença do Brasil no mundo. Esse resultado nasce do trabalho dos produtores, da agroindústria, dos exportadores e de uma atuação permanente do governo para abrir caminhos e ampliar mercados”, destacou.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, o resultado reflete a capacidade do Brasil de atender à crescente demanda global por fornecedores confiáveis e competitivos.

“Em um contexto global marcado por incertezas geopolíticas, reorganização de fluxos comerciais e maior exigência dos mercados consumidores, o Brasil tem conseguido se posicionar como um fornecedor previsível, competitivo e capaz de atender diferentes demandas. O resultado de maio mostra não apenas a força de grandes complexos, como soja e proteínas animais, mas também o avanço de produtos que vêm ganhando espaço na pauta exportadora. Desde 2023, já foram registradas 639 aberturas de mercado e mais de 250 ampliações, resultado de uma agenda estratégica que amplia destinos, reduz dependências, fortalece cadeias produtivas e transforma a capacidade do agro brasileiro em presença concreta no comércio internacional”.

(*) Com informações do Mapa

 

O post Agro bate recorde histórico e responde por 50,2% das exportações totais brasileiras em maio apareceu primeiro em Comex do Brasil.