Superávit comercial cresce 10,8% e soma US$ 7,823 bilhões em maio com fortes altas nas exportações de soja e cobre

Exportações superaram importações em US$ 7,823 bilhões

Da Redação (*)

Brasília – O aumento nas exportações de soja e de cobre fez o superávit da balança comercial crescer em maio, divulgou nesta quinta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 7,823 bilhões.

O resultado representa alta de 10,8% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o superávit ficou em US$ 7,059 bilhões. Desde o início da série histórica, em 1989, o superávit é o quarto maior para o mês, só perdendo para maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões), de 2021 (US$ 8,536 bilhões) e de 2024 (US$ 8,302 bilhões).

O valor das exportações e das importações ficou o seguinte:

  • Exportações: US$ 31,904 bilhões, alta de 6,6% em relação a maio do ano passado;
  • Importações: US$ 24,081 bilhões, alta de 5,3% na mesma comparação.

Tanto no caso das exportações como das importações, os valores são o segundo maior para meses de maio desde o início da série histórica. Em relação às exportações, só perde para o mesmo mês de 2023. Em relação às importações, para maio de 2022.

Acumulado do ano

Nos cinco primeiros meses do ano, a balança comercial registra superávit de US$ 32,662 bilhões, valor 34,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Além da recuperação das commodities (bens primários com cotação internacional), o crescimento deve-se à importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação que não se repetiu em 2026.

A composição ficou a seguinte:

  • Exportações: US$ 148,571 bilhões, alta de 8,7% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado;
  • Importações: US$ 115,908 bilhões, alta de 3,2% na mesma comparação.

O superávit acumulado é o terceiro maior da série histórica, só perdendo para os cinco primeiros meses de 2024 (US$ 35,227 bilhões) e de 2023 (US$ 34,540 bilhões).

Exportações por setores

Na distribuição por setores da economia, as exportações em maio variaram da seguinte forma em relação ao mesmo mês do ano passado:

  • Agropecuária: +9,8%, com alta de 6,1% no volume e de 2,8% no preço médio;
  • Indústria extrativa: -1,9%, puxada pelo petróleo, com queda de 26,6% no volume e crescimento de 33,8% no preço médio;
  • Indústria de transformação: +9%, com alta de 1% no volume e de 7,4% no preço médio.

Principais produtos exportados

Os principais produtos responsáveis pela alta das exportações em maio foram os seguintes:

  • Agropecuária: soja (+14,6%); algodão bruto (+45,3%); e milho não moído, exceto milho doce (+267,2%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (-9,3%); minério de ferro (-15,2%) compensados pelo crescimento das vendas de minério de cobre (+149,4%);
  • Indústria de transformação: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+50,2%); combustíveis (+75,2%); e ouro não monetário (+56,7%).

Em valores absolutos, os dois itens que mais puxaram o crescimento mensal foi a soja, com alta de US$ 804,1 milhões nas exportações em relação a maio do ano passado, motivada pela safra e pela alta nos preços. Em seguida, vem o minério de cobre, com alta de US$ 617,9 milhões.

No caso do petróleo bruto, as exportações recuaram US$ 390,8 milhões, com o volume recuando 42,1%, apesar da alta de 56,7% no preço médio, provocada pela guerra no Oriente Médio. A queda no volume está parcialmente relacionada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março como medida para segurar a alta dos combustíveis após o início do conflito.

Apesar do crescimento das exportações agropecuárias, as vendas de café despencaram em maio. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 297,6 milhões a menos do que em maio de 2025 (-24,5%). A queda deveu-se à redução de 8,6% no volume e de 13,4% no preço médio.

Importações

Em relação às importações, a alta está vinculada principalmente a veículos, cujas compras do exterior subiram US$ 833,5 milhões em maio na comparação com o mesmo mês de 2025. Na divisão por categorias, os principais produtos são os seguintes:

  • Agropecuária: pescados (+38,1%); produtos hortícolas (+26,6%); e soja (+24,4%);
  • Indústria extrativa: fertilizantes brutos (exceto adubos) (+68,4%); carvão não aglomerado (+59,8%); e linhita e turfa (+115,1%);
  • Indústria de transformação: combustíveis (+45,2%); válvulas e tubos termiônicos (+49%); e automóveis de passageiros (+80,1%).

Projeções de superávit comercial

Para este ano, o MDIC projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões em 2025.

Segundo o MDIC, as exportações deverão encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2025. As importações deverão chegar a US$ 280,2 bilhões em 2026, aumento de 4,2% na comparação com o ano passado.

As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Ministério, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em julho. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.

As estimativas do Mdic estão menos otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial encerrará o ano com superávit de US$ 76,2 bilhões, projeção que subiu após o início da guerra no Oriente Médio.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Lula diz que Brasil vai buscar novos parceiros para diminuir impactos comerciais com taxação de 25% imposta pelos EUA

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.

“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Importância da negociação

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Por que o CFO virou o maior comprador de tecnologia do Comex

Anna Valle (*)

Historicamente, o Diretor Financeiro (CFO) era visto como o “freio de mão” dos investimentos em tecnologia, uma figura cuja atuação tradicional focava puramente na redução de custos imediatos e na contenção de despesas de capital. No cenário atual do comércio exterior brasileiro — marcado por oscilações violentas de frete, gargalos logísticos crônicos e severa complexidade cambial —, essa postura tornou-se insustentável. A migração das planilhas manuais para plataformas automatizadas transforma profundamente o CFO: de um mero controlador de despesas retroativo, ele assume o papel de motor de eficiência operacional e previsibilidade financeira da organização.

A transformação começa na natureza fundamental da informação disponível. Nas planilhas, o CFO opera predominantemente com dados do passado. Ele descobre o que aconteceu, mas raramente consegue antecipar o que vai acontecer. Em um ambiente de Comex de alta volatilidade, essa defasagem tem custo real: decisões tomadas com dados atrasados, provisões de custo subestimadas e surpresas desagradáveis no fechamento do mês.

Essa falta de visibilidade em tempo real é o terreno fértil para o “efeito chicote”, um dos fenômenos mais custosos e menos discutidos nas operações de comércio exterior. Quando cada elo da cadeia toma decisões com base em informações defasadas ou parciais, pequenas variações na demanda real se amplificam progressivamente ao longo da cadeia de suprimentos.

O importador pede um pouco mais por precaução; o exportador produz ou reserva mais espaço do que o necessário; o operador logístico superdimensiona a capacidade. O resultado são estoques inflados em vários pontos simultaneamente, gerando capital imobilizado, custos de armazenagem desnecessários e, eventualmente, a necessidade de liquidar posições a preços desfavoráveis. O problema central não reside na má gestão individual de nenhum elo, mas sim na ausência crônica de informação compartilhada e sincronizada entre eles.

As plataformas integradas de Comex atacam exatamente essa raiz. Ao consolidar em tempo real as variáveis críticas — como cotações de frete, posição cambial, status documental, prazos alfandegários e a performance dos fornecedores de transporte —, elas reduzem drasticamente a assimetria de informação. Cada elo passa a decidir com base na demanda real, e não em projeções infladas pela incerteza. O resultado direto é a racionalização dos estoques: menos capital imobilizado em posições defensivas, maior giro e melhor alinhamento entre o que se compra, o que se produz e o que o mercado efetivamente absorve.

Além disso, há uma mudança profunda na previsibilidade do capital de giro. Operações internacionais imobilizam recursos por semanas ou meses em cartas de crédito, adiantamentos cambiais e tributos antecipados. Com visibilidade automatizada sobre o ciclo financeiro de cada embarque e estoques dimensionados com precisão, o CFO consegue orquestrar melhor o fluxo de caixa, reduzir o custo de carregamento e liberar capital para investimentos estratégicos.

Os Riscos Invisíveis do Excel em Operações Bilionárias

Muitas empresas ainda resistem à digitalização porque “as planilhas sempre funcionaram”. O fato é que elas funcionaram durante anos para organizar informações estanques, mas nunca foram criadas para gerenciar cadeias globais dinâmicas e complexas. O maior risco corporativo é justamente aquele que a liderança não enxerga.

Planilhas de Comex acumulam camadas perigosas de complexidade ao longo do tempo: fórmulas herdadas de gestões anteriores, abas desatualizadas, versões paralelas circulando livremente por e-mail e controles que dependem do conhecimento exclusivo de poucas pessoas. Um único erro de digitação em uma Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), em uma alíquota de imposto ou em uma data de vencimento de licença pode desencadear consequências severas, desde o recolhimento incorreto de tributos até multas expressivas, perda de benefícios fiscais e atrasos operacionais gravíssimos.

No comércio exterior, a insistência no controle manual traduz-se em custos adicionais de armazenagem e demurrage, pagamentos incorretos de fretes, falhas gritantes de compliance regulatório e perda de prazos críticos. Do ponto de vista de governança, o cenário é igualmente alarmante: a planilha não possui rastreabilidade nativa. Ela não registra de forma estruturada quem alterou determinada informação, quando a alteração ocorreu ou qual foi a justificativa. Em uma fiscalização ou processo de auditoria, essa ausência de trilha de auditoria transforma-se em um passivo relevante para a organização.

Muitas vezes, o C-Level acredita que o processo está saudável porque os embarques continuam chegando. O que a diretoria não enxerga é o enorme esforço operacional, manual e frequentemente heroico da equipe que sustenta essa aparente normalidade. A automação não apenas reduz erros; ela torna os riscos visíveis, rastreáveis e mensuráveis. Esse é o primeiro passo para que a empresa passe a gerenciá-los de forma institucional, com governança e previsibilidade, em vez de depender da dedicação individual para manter a operação viva.

Retenção de Talentos e a Cultura Data-Driven

O perfil dos profissionais de finanças e comércio exterior mudou drasticamente. Hoje, os talentos mais qualificados do mercado buscam analisar cenários, mitigar riscos e gerar valor estratégico para o negócio. Eles não aceitam mais passar horas copiando dados, preenchendo controles paralelos e conferindo dados manualmente entre sistemas obsoletos. Manter profissionais seniores e altamente capacitados dedicados a tarefas puramente mecânicas gera profunda frustração e, consequentemente, alta rotatividade.

A modernização tecnológica do Comex atua diretamente como uma estratégia de atração e retenção de talentos. Ao automatizar o trabalho braçal, as empresas permitem que seus especialistas atuem onde são mais valiosos: na negociação estratégica, no planejamento financeiro e na resolução de problemas complexos. Além disso, a digitalização consolida uma cultura verdadeiramente data-driven, na qual as discussões executivas deixam de ser baseadas em percepções ou intuições e passam a ser sustentadas por dados confiáveis, unificados e atualizados em tempo real.

Construindo o Business Case para o Conselho

Para convencer o CEO e o Conselho de Administração a apoiar essa transição, o CFO deve traduzir a modernização tecnológica em indicadores financeiros tangíveis. O retorno sobre o investimento (ROI) na transição para plataformas integradas de Comex apoia-se firmemente em quatro pilares principais:

  1. Redução de perdas evitáveis: Mensuração clara de multas por atraso documental, custos de demurrage por falta de visibilidade antecipada e perda de benefícios fiscais importantes (como Drawback e Ex-Tarifário) por falhas de controle. São despesas frequentemente camufladas como “custo padrão da operação”, mas que são inteiramente elimináveis.
  2. Ganho de produtividade operacional: Horas de trabalho liberadas pela automação de tarefas repetitivas, redução do lead time documental e aceleração do desembaraço aduaneiro. O CFO pode facilmente converter esse ganho em FTE (equivalente de headcount) para justificar financeiramente a adoção da plataforma.
  3. Otimização e redução de estoques: Este é um dos vetores de ROI mais subestimados na conversa sobre tecnologia no Comex. Operações baseadas em incertezas acumulam estoques defensivos robustos para compensar os gargalos de prazo e variações de demanda. Com visibilidade em tempo real sobre toda a cadeia, a empresa passa a operar com estoques mais enxutos e precisos. Em operações de grande volume, a redução de apenas alguns dias no estoque médio libera dezenas de milhões de reais que estavam imobilizados de forma desnecessá
  4. Liberação de capital de giro: A maior previsibilidade sobre o ciclo financeiro de cada embarque diminui substancialmente o custo de carregamento e os dias de capital imobilizado em cartas de crédito, adiantamentos cambiais e tributos antecipados.

Apresentar esses quatro vetores simultaneamente, utilizando o histórico de perdas da própria empresa como linha de base, é a estratégia definitiva para transformar um debate orçamentário sobre “gasto com TI” em uma decisão corporativa inadiável sobre maximização de valor, blindagem financeira e governança no Comex.

*Anna Valle é engenheira, estrategista de operações e COO da Flowls, onde lidera a transformação da gestão no Comércio Exterior através da engenharia de processos e alta tecnologia. Reconhecida por sua capacidade de converter operações logísticas complexas em modelos de alta performance, Anna defende a substituição da burocracia tradicional por uma arquitetura de gestão baseada em dados, automação e densidade de talento.

(*) Anna Valle, COO da Flowls

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Geraldo Alckmin defende o diálogo para evitar nova tarifa dos EUA a produtos brasileiros

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (2/6), vice-presidente e ministros Márcio Elias Rosa e Dario Durigan rebateram os argumentos dos Estados Unidos, ressaltaram que o PIX não está na mesa de negociação e criticaram a ação eleitoreira da oposição

Da Redação (*)

Brasília – Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (2), o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmaram que o governo do Brasil considera injusta a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de taxar em 25% os produtos brasileiros.

O governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. É uma recomendação feita pelo USTR e o caminho é o caminho do diálogo, aliás, que já vinha ocorrendo. Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público. O caminho vai ser trabalhar, dialogar, para que elas não se convertam e mostrar todos os argumentos para a gente poder avançar mais”
– Geraldo Alckmin, vice-presidente da República

“O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação, a proposta do USTR ao presidente Trump”, ressaltou Geraldo Alckmin, que criticou as manobras realizadas junto ao governo dos Estados Unidos por representantes da família Bolsonaro e classificou a recomendação como “descabida”.

“O governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. É uma recomendação feita pelo USTR e o caminho é o caminho do diálogo, aliás, que já vinha ocorrendo. Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público. O caminho vai ser trabalhar, dialogar, para que elas não se convertam e mostrar todos os argumentos para a gente poder avançar mais”, prosseguiu o vice-presidente.

Ao longo da entrevista, Geraldo Alckmin apresentou uma defesa do país em relação às outras justificativas do USTR para taxar em 25% os produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos EUA cita o PIX, as “big techs”, acordos do Mercosul com a Índia e o México, o combate à corrupção, a questão da propriedade intelectual, o etanol e o desmatamento ilegal em sua conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.

Pix

O vice-presidente afirmou que, das colocações feitas na Seção 301, a primeira delas se refere à questão do PIX. “O PIX é um patrimônio nacional. É uma conquista do povo brasileiro. A tecnologia a serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O PIX não tem a menor lógica de entrar nisso, porque ele não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”, continuou o vice-presidente.

A Seção 301 da legislação comercial norte-americana prevê a adoção, pelo Governo dos Estados Unidos, de medidas comerciais coercitivas como instrumento unilateral de pressão para a abertura de mercados às exportações e aos investimentos externos norte- americanos.

Fora da mesa de negociação

Ainda sobre a questão do PIX, Márcio Elias Rosa deixou claro que esse é um tema do qual o Brasil não abre mão. “Só não há o retrocesso efetivo porque o presidente Lula age com muita coerência, com muita clareza, com muita transparência, e não vai permitir jamais que qualquer tema caro à soberania nacional, como o PIX, por exemplo, fique na mesa de negociação. Ele não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre que possível demonstrar, não apenas para o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil”.

Pix, símbolo da soberania financeira

Para o ministro da Fazenda, a importância do PIX para o Brasil vai além de questões tarifárias. “Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao PIX. O PIX é expresso nas investigações que foram abertas pelos Estados Unidos em relação à 301. É evidente que está fora de debate. O PIX é o maior símbolo da nossa soberania financeira. Há um orgulho do nosso país, há um orgulho do nosso povo em relação ao PIX, porque, de fato, a gente inovou e gerou uma tecnologia que hoje é cobiçada, é invejada por

outros países”, afirmou Dario Durigan.“O PIX, como esse símbolo maior da nossa soberania financeira, será protegido, será resguardado pelo governo do presidente Lula. Nós precisamos nos conscientizar todos, seja o Governo Federal, seja o Congresso Nacional, seja o Supremo Tribunal Federal, o Judiciário, todo brasileiro. Nós precisamos concentrar as nossas energias em proteger a nossa economia e proteger os nossos empregos. Esse é o momento de a gente focar no que é importante: mitigar o impacto da guerra, ajudar os empresários que estão sendo alvo de uma empreitada injusta da oposição que está botando interesse eleitoral na frente do interesse nacional. Nós não vamos admitir isso. A soberania nacional, o PIX e o interesse do povo brasileiro sempre vêm em primeiro lugar”, prosseguiu o ministro da Fazenda.

Big techs e Mercosul

Geraldo Alckmin explicou a posição do Brasil em relação às big techs e ao acordo do Mercosul com Índia e México. “O governo é aberto à questão das big techs. As empresas nacionais e as empresas estrangeiras têm o mesmo tratamento equitativo no Brasil. Em relação ao acordo Mercosul, Índia e México, isso não tem nenhuma implicação, não restringe as compras dos produtos americanos, nem das empresas americanas. Então, o que se tem são entendimentos sobre linhas tarifárias de preferência, que não implicam em nenhuma restrição a nenhum produto americano nem empresas e dentro da lei”, explicou Alckmin.

Combate à corrupção e propriedade intelectual

Sobre o combate à corrupção, o vice-presidente destacou que o Brasil, nos últimos 20 anos, aprovou 30 dispositivos entre alterações legislativas de combate à corrupção. Ele igualmente explicou que, no que diz respeito à propriedade intelectual, quem mais se beneficia do trabalho do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) são justamente os Estados Unidos. “O maior beneficiário de todo o trabalho de reconhecimento de patentes são as empresas americanas. 30% das patentes são americanas”, afirmou Geraldo Alckmin.

Etanol e desmatamento

Segundo Alckmin, já existem acordos entre os dois países relativos ao comércio de etanol. “Nós temos uma tarifa de 18% para entrada no Brasil do etanol. A dos Estados Unidos é de 12,5%. É muito próxima a nossa e a dos Estados Unidos. E no caso do açúcar, nós só temos uma cota de 150 mil toneladas. O que passar disso para entrar nos Estados Unidos você tem 340 dólares a mais por tonelada, o que representa 80% de tarifa de importação”.

“Então, há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país. E destacar também a questão do desmatamento. Nós estamos tendo a maior queda de desmatamento. Se a gente pegar os seis biomas brasileiros, é a maior queda nos últimos sete anos. Na Amazônia caiu mais de 50%. O Brasil tem compromisso em zerar o desmatamento até 2030”, lembrou Alckmin.

Balança comercial

O vice-presidente ressaltou ainda que a balança comercial com os Estados Unidos não é favorável ao Brasil. “Ela é amplamente favorável aos Estados Unidos. Nós tivemos no ano passado, somando balança de produtos e serviços, 40 bilhões de dólares de superávit para os Estados Unidos. Então, há um enorme favorecimento. Quando nós temos as importações dos Estados Unidos para o Brasil, quando eles vendem para nós, dos 10 produtos que os Estados Unidos mais exportam, para oito produtos dos mais exportados a tarifa é zero. É chamado ex-tarifário. E a tarifa média é 3,1%. Por tudo isso que entendemos que é totalmente descabida a recomendação”.

(*) Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

 

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“Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós”, diz Lula sobre novo tarifaço anunciado pelos EUA contra o Brasil

Presidente respondeu à nova taxação a produtos brasileiros

Da Redação (*)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta terça-feira (2), o argumento do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas “irrazoáveis” na relação entre os dois países. Lula voltou a lembrar que os norte-americanos têm superávit na relação comercial com o Brasil. E, se alguém deveria aplicar tarifas, deveria ser o Brasil.

“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”. Lula lembrou também que tanto ele quanto o presidente dos EUA, Donald Trump, haviam concordado em dar 30 dias de prazo para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

“Vocês viram que faz pouco tempo que fui aos Estados Unidos. Tive três horas de conversa com o presidente Trump. O secretário do Comércio dele começou a dizer que havia taxação e eu disse que havia divergência entre o ministro de Comércio dele e o meu ministro do Comércio”, relatou o presidente, contando que entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil.

“Então, eu disse a ele [Trump], nós dois vamos dar 30 dias para eles provarem quem está certo e quem está errado. Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita. E demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, completou.

A conversa entre os dois, citada por Lula, ocorreu no início de maio, na Casa Branca. O presidente brasileiro foi recebido pelo seu homólogo estadunidense e teve como principal eixo a relação comercial entre os dois países, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos.

Em um dia em que, mais uma vez, os Estados Unidos propõem taxas contra os produtos brasileiros alegando deslealde comercial, Lula afirmou que sua guerra é a “guerra da verdade”.

“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira.”

Desta vez, o governo estadunidense alegou que o Brasil políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.

O relatório final da investigação prevê a imposição de “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros. Tendo por base essa possibilidade, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil”.

Apoio da oposição ao tarifaço

Lula discursou em evento de inauguração novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO). Na ocasião, ele também lembrou o posicionamento dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quando Trump aplicou tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA. Sem dizer o nome, citou uma postagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, à época, agradeceu a Donald Trump pelas tarifas contra produtos brasileiros.

“No dia que ele [Trump] taxou, vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro. Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo’”, lembrou. “O filho dele, que foi hoje à televisão dizer que não disse nada, agradeceu.”

Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu a Trump para não taxar os produtos brasileiros. Os dois se encontraram na Casa Branca no final de maio.

 

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Nova tarifa dos EUA sobre exportações brasileiras deve tornar comércio bilateral “mais seletivo e caro”, projetam especialistas

Da Redação

Brasília – A decisão preliminar do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), anunciada nesta terça-feira (2), com recomendação para uma nova tarifa de 25% sobre exportações brasileiras repercute intensamente junto a especialistas em comércio exterior e a instituições do setor como “um movimento de pressão comercial e diplomática, mais do que como uma simples decisão tarifária”.

O entendimento é de que a iniciativa do governo americano tem grande potencial para criar desvantagens competitivas para diversos produtos exportados por empresas brasileiras para a maior potência econômica do planeta. Segundo uma especialista, a medida representa mais um ponto de desgaste nas relações entre os dois países.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, afirma que “a proposta vem dentro de uma investigação da Seção 301, que permite aos EUA reagirem a práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, e mira temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso a mercado, etanol e desmatamento”. Além do componente eminentemente comercial, Jackson Campos sublinha que “o desenho da medida também é político, porque deixa fora produtos sensíveis para o consumidor americano, como carne, café, energia, terras raras e peças aeronáuticas”.

Em nota oficial divulgada nesta manhã, a Amcham Brasil aponta que “caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais”.

Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, “o relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas” e acredita que “o setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem os esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”.

Ao mesmo tempo em que expressa apreensão com as tarifas anunciadas hoje, a Câmara de Comércio Americana no Brasil chama a atenção para outras medidas tarifárias que o governo americano poderá impor ao Brasil ainda sob a Seção 301. E ressalta que acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos, vinculada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

Especialista vê desgaste na relação bilateral

De acordo com Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, “a medida já era esperada, uma vez que as investigações que deram origem a essa tarifação se iniciaram em julho de 2025. Em relação a prazos, as tarifas só iniciarão de fato no próximo dia 15 de julho, dependendo do resultado da consulta pública e de negociações realizadas pelo governo brasileiro”.

Sara Paixão menciona que “a medida conta com uma extensa lista de exceções, que inclui carnes, frutas, cereais, café, o que reduz os impactos sobre os setores exportadores brasileiros. Por isso, em termos econômicos, seu impacto deve ser limitado, tanto pelas exceções, quanto por medidas que já foram tomadas anteriormente para favorecer os setores com maior exposição aos Estados Unidos. Porém, esse representa mais um ponto de desgaste na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos e os embates anteriores, como a mudança na classificação das facções brasileiras, pode dificultar as negociações”.

Segundo a Analista da InvestSmart XP, é importante estar atento ao fato de que “novamente, para justificar a tarifação, o governo americano citou como ameaça o comércio digital e serviços de pagamento, sendo principalmente o Pix, que já foi citado pelo presidente Donald Trump como um fator que pode prejudicar a concorrência de empresas financeiras americanas. Além disso, o documento menciona as ações judiciais sobre empresas americanas de mídia social”.

Comércio mais seletivo e caro

Por sua vez, Jackson Campos acredita que “se a tarifa entrar em vigor, o comércio bilateral fica mais seletivo e mais caro. Os produtos brasileiros que não foram excluídos perdem competitividade no mercado americano, porque passam a chegar aos EUA com custo maior frente a concorrentes de outros países. O impacto tende a ser mais forte em bens duráveis, químicos, manufaturados e produtos com menor margem. Ainda há a chance de reversão ou redução, porque haverá consulta pública e audiência antes da aplicação prevista para julho, mas o Brasil precisará atuar com diplomacia tecnica e política ao mesmo tempo”.

O especialista em comércio exterior vê na decisão do governo Trump de classificar como “terroristas” as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como um elemento a mais para dificultar a margem de manobra do governo brasileiro nas negociações que devem ser iniciadas em breve.  Para ele, “o canal de diálogo ficou mais sensível porque o tema das facções foi recebido no Brasil como interferência política e gerou ruído diplomático. Isso dificulta a negociação, mas não elimina espaço par acordo. Em comércio exterior, muitas vezes a reversão vem por exceções, ajustes de lista, postergação ou negociação setorial. Portanto, a medida pode ser reduzida, calibrada ou adiada, mas dificilmente será revertida sem uma negociação direta e objetiva entre os dois governos”.

Impacto no setor calçadista

Os Estados Unidos são, destacadamente, o principal mercado para a indústria calçadista brasileira e a decisão anunciada pelo governo em Washington chega quando a Associação das Indústrias Calçadistas Brasileiras (Abicalçados) comemora a recuperação das exportações para os EUA no mês de abril, depois de sucessivos meses de queda. Em abril, as vendas para os EUA cresceram em pares embarcados (16,5%) e em receita (40,5%) e no primeiro quadrimestre do ano o segmento amarga uma queda de 18,9% em faturamento, apesar da alta de 7,8% em número de pares exportados para os americanos.

Nesse contexto, a decisão americana repercutiu negativamente no setor calçadista e segundo o presidente-executivo da Abicalçados,  Haroldo Ferreira, embora a decisão, seja passível de reversão, a medida gera apreeensão para a entidade e para o setor calçadista: “historicamente, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de calçados. A medida é anunciada em um momento de recuperação, após queda do tarifaço de 50%, ocorrida no final de fevereiro. A possibilidade de nova tarifa adicional traz mais insegurança tanto para o exportador brasileiro quanto para o importador norte-americano. A iniciativa tem potencial de criar uma desvantagem competitiva para as exportações nacionais em benefício de outros exportadores para os Estados Unidos, em especial os asiáticos”.

 

 

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Firjan: tarifa adicional de 25% aplicada pelos EUA representa risco às exportações fluminenses e defende avanço nas negociações bilaterais

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro manifesta preocupação com a decisão preliminar do USTR e afirma que esta nova decisão contribui para o agravamento do cenário de imprevisibilidade e incerteza no relacionamento entre Brasil e EUA, impactando na geração de investimentos, empregos e renda em ambos os países

Da Redação (*)

Brasília – A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifesta preocupação com a decisão preliminar do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em recomendar imposição de tarifa adicional de 25% às exportações brasileiras aos EUA. A decisão ocorre no âmbito das investigações da Seção 301 e poderá resultar em uma tarifa adicional de 25% sobre todos os bens do Brasil, com isenções para categorias e produtos em 1.690 linhas tarifárias e para produtos incluídos na Seção 232.

A Firjan se habilitou junto ao USTR como parte na investigação em curso em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e demais representantes setoriais. As negociações precisam ser objetivas em defesa da indústria, dos investimentos e do importante relacionamento econômico e parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos.

Ao longo das Consultas e Audiências Públicas, os representantes da indústria compartilharam insumos para reiterar os compromissos brasileiros com a justa concorrência, sustentabilidade e as melhores práticas de comércio internacional.

“Apesar de não ter efeito imediato, esta nova decisão contribui para o agravamento do cenário de imprevisibilidade e incerteza no relacionamento entre Brasil e EUA, impactando na geração de investimentos, empregos e renda em ambos os países”, afirma o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Dessa forma, a Firjan reitera a importância do diálogo técnico entre governos, com participação do setor empresarial, para a retomada das negociações e estabilidade no relacionamento bilateral.

Consulta pública e contribuições da indústria fluminense

No dia 6 de julho, será realizada uma audiência pública para debater o assunto, além de receber comentários, as empresas associadas impactadas pelas medidas podem solicitar informações para a Firjan Internacional através do e-mail: comex@firjan.com.br

(*) Com informações da Firjan

 

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Brasil é o país mais procurado pelo turista chinês na América do Sul, indica plataforma internacional

Liderança reforça medidas do Ministério do Turismo para atrair mais viajantes do país asiático

Da Redação (*)

Brasília – Brasília – O Brasil aparece como principal destino sul-americano na preferência de turistas chineses, desempenho que coloca o país como um dos mercados mais relevantes para a expansão internacional do setor.

Entre os destinos brasileiros mais procurados pelos chineses estão São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Brasília, Porto Alegre, Manaus, Curitiba e Salvador.

O levantamento é da plataforma internacional Trip.com Group, controladora do Skyscanner, responsável por mais de 70% do mercado chinês entre operadores de turismo, e aponta o Brasil em primeiro lugar no ranking entre os dez destinos mais buscados da América do Sul pelos chineses, à frente de Argentina, Peru, Colômbia, Chile, Equador, Bolívia, Venezuela, Uruguai e Suriname.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, essa liderança reflete o comprometimento em consolidar o Brasil como destino prioritário para o público chinês. “Isso demonstra o potencial competitivo do Brasil, impulsionado pela diversidade e pela capacidade de oferecer experiências culturais, naturais e urbanas cada vez mais valorizadas pelo viajante internacional”.

Fluxo para o Brasil em alta

Durante a agenda do ministro em Xangai, foi formalizada a entrada do Brasil na plataforma Trip.com Group, o que representa um passo importante para aumentar a visibilidade do país junto aos turistas e operadores chineses, hoje um dos maiores mercados emissores de turismo no mundo.

O interesse de viajantes chineses pelo Brasil reforça as ações do Ministério do Turismo de intensificar sua atuação no mercado asiático. O Brasil recebeu 103.122 turistas chineses em 2025, alta de 35% em relação a 2024. Apenas no primeiro quadrimestre de 2026, foram 39.880 visitantes, crescimento de 33,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Participação no ITB China 2026

De 24 a 28 de maio, o ministro cumpriu agenda em Xangai para uma série de compromissos voltados à promoção dos destinos turísticos brasileiros. Entre eles, participou da ITB China 2026, uma das principais feiras do setor que reuniu companhias aéreas, operadoras, redes hoteleiras, empresas de tecnologia e especialistas para discutir tendências, inovação e oportunidades de negócios.

A presença brasileira na ITB China contou com representação institucional e empresarial, incluindo estandes de estados brasileiros. “O Brasil apresentou um portfólio robusto e diversificado, capaz de dialogar com diferentes perfis de demanda do mercado chinês, do turismo cultural ao ecoturismo, passando por experiências de bem-estar e segmentos premium”, disse o ministro.

(*) Com informações do MTur

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Asfixia do crime: cresce a pressão global contra facções

Márcio Coimbra (*)

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as maiores facções brasileiras — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas internacionais representa um divisor de águas geopolítico. Longe de ser um formalismo burocrático, essa medida constitui uma oportunidade histórica e soberana para o Brasil golpear o coração do crime organizado, algo que as forças de segurança pública domésticas não conseguem consolidar sozinhas no plano global.

O grande mérito prático dessa dupla classificação é deslocar o combate à criminalidade da tradicional e inócua guerra de atrito nas favelas, periferias e fronteiras para uma guerra financeira de alta intensidade contra o topo da pirâmide criminosa. O crime organizado brasileiro há muito tempo deixou de ser questão paroquial de segurança pública para se transformar em um problema corporativo transnacional.

O diagnóstico do Ministério Público brasileiro ilustra a gravidade do cenário atual: uma única ação da Operação Carbono Oculto revelou que apenas seis fintechs, operando como bancos paralelos e ocultos para o PCC, movimentaram a impressionante cifra de R$ 26 bilhões.

Esse volume astronômico de recursos não permanece estático e passa a inundar o sistema financeiro e o comércio nacional ao custear esquemas de corrupção, fraudar licitações, controlar prefeituras, financiar campanhas eleitorais e destruir a livre iniciativa através de uma concorrência desleal imbatível baseada no fluxo infinito do narcotráfico.

A legitimidade dessa classificação norte-americana encontra eco na própria realidade factual do Brasil. Embora PCC e CV tenham nascido como quadrilhas de narcotráfico, a evolução de suas estratégias operacionais incorporou o terrorismo instrumental como método de coerção e demonstração de poder.

O crime organizado brasileiro não hesita em utilizar o terror psicológico coletivo, destruição de infraestruturas públicas e pânico em massa para subjugar o Estado e a sociedade civil, encaixando-se perfeitamente no conceito sociológico e jurídico de atos terroristas.

Ao contrário das narrativas que enxergam nessa medida uma violação da soberania ou pretexto para intervenções estrangeiras, a ação americana ajuda, fundamentalmente, a devolver à sociedade o direito de ocupar seu próprio território e suas instituições. Quem verdadeiramente viola a soberania nacional hoje são as facções, que impõem um poder paralelo armado.

O Brasil não perde sua autonomia territorial ou jurídica, uma vez que o monopólio da força operacional e as decisões judiciais dentro de nossas fronteiras permanecem estritamente sob o controle das autoridades brasileiras.

Argumentos que insistem na tese de “intromissão” distorcem os fatos para fins puramente políticos, ignorando que a soberania real se protege asfixiando os criminosos que subjugam o país, e não isolando o Brasil dos mecanismos globais de justiça financeira.
A cooperação internacional e o uso desses novos instrumentos de asfixia econômica são o único caminho viável para estancar o banho de sangue nas metrópoles brasileiras. Retirar o oxigênio financeiro do PCC e do CV significa esvaziar a capacidade de compra de fuzis, blindados, drones e tecnologia de criptografia que hoje desafiam abertamente as estruturas do Estado. O grande trunfo das facções não é a droga em si, é a capacidade de lavar o dinheiro. Bloqueado o circuito global, o império criminoso começa a ser desmontado por dentro.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo terá painel sobre relações comerciais entre Brasil e Rússia

Da Redação (*)

Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) participará, entre os dias 3 e 6 de junho, do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, na Rússia. A Agência será representada pelo diretor de Gestão Corporativa, Floriano Pesaro, em uma agenda voltada ao fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Rússia e à ampliação de oportunidades para empresas brasileiras no mercado eurasiático.

Considerado um dos principais encontros econômicos internacionais, o Fórum reúne autoridades, representantes de governos, empresários e instituições de diversos países para debater comércio, investimentos e cooperação econômica.

No dia 3 de junho, Pesaro representará a ApexBrasil no painel “Diálogos Rússia-Brasil”, principal debate do Fórum dedicado às relações bilaterais entre os dois países. A programação também prevê, no dia 4 de junho, participação em evento promovido pela Associação Russa dos Produtores de Fertilizantes e pelo Conselho Empresarial Rússia-Brasil.

Relação crescente em setores estratégicos

A missão ocorre em um momento de atenção crescente às relações comerciais com a região, especialmente em setores estratégicos para o Brasil, como alimentos, fertilizantes, bens industriais e produtos de maior valor agregado. Também estão previstas entrevistas com veículos da imprensa local, ainda em fase de agendamento.

Neste ano, o Fórum contará com a presença de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Também é esperada, em São Petersburgo, uma reunião de representantes do Mapa com autoridades sanitárias da Rússia.

Ao longo dos últimos anos, o Escritório Moscou tem atuado na promoção de bens industriais e produtos de alto valor agregado, além de manter iniciativas de aproximação entre empresas brasileiras e compradores da região. Mesmo diante do contexto geopolítico mais desafiador, a unidade tem realizado eventos B2B online para preservar o engajamento entre os setores produtivos brasileiro e eurasiático.

Em 2025, foram registrados 298 atendimentos diretos a empresas brasileiras em projetos apoiados pelo Escritório Moscou, além de número equivalente de compradores eurasiáticos, incluindo grandes distribuidores e varejistas da região.

(*) Com informações da ApexBrasil

 

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