Comércio Brasil–Canadá dispara e atinge recorde histórico em 9 meses de 2026

Saldo positivo de US$ 3 bilhões reflete exportações brasileiras de US$ 5,7 bilhões e importações de US$ 2,7 bilhões; corrente de comércio cresceu 13% em relação ao mesmo período de 2025

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras ao Canadá bateram recorde histórico entre janeiro e setembro de 2026. As vendas somaram US$ 5,69 bilhões, alta de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025, que, até então, já detinham a maior marca da série. As importações de produtos canadenses também cresceram 14,9%, sinal de que o comércio bilateral entre os países segue aquecido. Os dados são do Quick Trade Facts (QTF), levantamento trimestral da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

O valor das exportações supera em US$ 614 milhões o recorde anterior, de 2025, quando estas somaram US$ 5,08 bilhões, e confirma trajetória de alta. Isso significa que em dois anos, as vendas brasileiras ao mercado canadense cresceram cerca de 28%. Nas importações, o ritmo de crescimento também merece destaque. As compras mais que dobraram em relação a janeiro e setembro do ano passado, quando a alta já havia sido de 7%.

A corrente de comércio entre Brasil e Canadá movimentou US$ 8,41 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações brasileiras de produtos canadenses alcançaram US$ 2,72 bilhões. Com isso, o Brasil manteve saldo comercial positivo de US$ 2,97 bilhões no intercâmbio bilateral.

Este último estudo da CCBC aponta também que o ouro bruto continuou como principal destaque das vendas brasileiras ao mercado canadense. As exportações de bulhão dourado alcançaram US$ 3,06 bilhões no acumulado até setembro, crescimento de 47% em relação a 2025. O produto respondeu por 53,8% de toda a pauta exportadora brasileira para o Canadá, ante 41,1% um ano antes, em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas e pela procura por ativos considerados seguros.

“O desempenho do comércio entre Brasil e Canadá evidencia a relevância da parceria bilateral em um cenário internacional de incertezas. Ao mesmo tempo que a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e as oportunidades para aprofundar essa relação”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.

Carne bovina se destaca nas exportações brasileiras

Além do ouro, o crescimento das vendas de carne bovina, máquinas carregadoras e querosene de aviação contribuiu para o resultado das exportações brasileiras. A carne bovina desossada e congelada registrou o avanço mais expressivo entre os principais produtos da pauta, com alta de 828% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 76,5 milhões. O dado é ainda mais relevante porque as vendas brasileiras de carne bovina para a China, grande compradora do produto recuou em 2026, e o Canadá esteve entre os países que ampliaram significativamente as compras, o que ajudou a compensar parcialmente a menor demanda chinesa.

O desempenho contrasta com a retração de produtos tradicionalmente relevantes no comércio bilateral. As exportações de alumina calcinada recuaram 28%, para US$ 858,8 milhões, enquanto as vendas de açúcar de cana diminuíram 25%, para US$ 251,5 milhões. O café verde apresentou queda de 20% e somou US$ 172,8 milhões.

A expansão de outros itens ajudou a compensar parte dessas retrações. As vendas de máquinas carregadoras cresceram 80%, para US$ 55,8 milhões, e as de querosene de aviação avançaram 83% e chegaram a US$ 39,4 milhões. O resultado também foi acompanhado pelo aumento das exportações de equipamentos industriais, como partes de turborreatores e centros de usinagem.

Fertilizantes lideram importações brasileiras

Nas importações brasileiras provenientes do Canadá, os fertilizantes mantiveram a posição de destaque. As compras de cloreto de potássio somaram US$ 1,41 bilhão até setembro, crescimento de 14,5% em comparação com o mesmo período de 2025. O produto respondeu por 51,9% do valor total importado pelo Brasil do mercado canadense.

Segundo a análise da CCBC, a continuidade das disrupções nas cadeias globais de fertilizantes pode favorecer fornecedores com grande capacidade produtiva e menor dependência de insumos externos, como o Canadá. Além dos fertilizantes, o Brasil ampliou as compras de turborreatores, helicópteros, medicamentos, hulha betuminosa e máquinas agrícolas, o que reflete a presença de produtos industriais, químicos e aeronáuticos na pauta importadora.

As importações de turborreatores de empuxo superior a 25 kN cresceram 61,4%, para US$ 195,4 milhões, enquanto as compras de helicópteros de até 2.000 kg avançaram 83% e alcançaram US$ 68,3 milhões. No setor farmacêutico, as importações de uma das principais categorias de medicamentos registraram alta de 35,7%, para US$ 63 milhões.

Outro fator que pode contribuir para o avanço das compras brasileiras é o comportamento cambial. A valorização do real frente ao dólar e ao dólar canadense ao longo de 2026 amplia o poder de compra brasileiro e tende a tornar os produtos importados mais competitivos no mercado nacional.

(*) Com informações da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC)

 

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eComex realiza webinar sobre auditoria de documentos de Comex com inteligência artificial

Da Redação (*)

Brasília – A eComex realiza, no dia 21 de outubro, às 11h, o webinar gratuito “Descubra como auditar 100% dos seus documentos de Comex em minutos com IA”. O encontro será conduzido por André Barros, CEO da eComex e D2P, e Thulio Pereira, CPO da D2P.

O evento vai mostrar, na prática, como a inteligência artificial pode automatizar a auditoria documental no Comércio Exterior, cruzando informações entre documentos, aplicando regras de negócio e verificando a conformidade com a legislação.

O encontro também abordará os desafios da conferência manual, que demanda tempo e pode limitar a análise a uma amostragem dos processos.

Com a automação, as empresas podem identificar divergências com mais agilidade, reduzir retrabalho e prevenir problemas que podem resultar em atrasos, multas e custos adicionais.

Gratuito e online, o webinar é voltado a profissionais e empresas que buscam mais eficiência, controle e conformidade em suas operações de comércio exterior.

Clique aqui e se inscreva

(*) Com informações da eComex

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Comprar ou alugar um contêiner no Brasil: como comparar o custo total

A decisão de comprar ou alugar um contêiner reúne necessidades de suprimentos e de logística. Para empresas que precisam de espaço de apoio, armazenamento de equipamentos ou uma unidade para um projeto específico, o valor anunciado é apenas um dos critérios. A proposta também precisa esclarecer o estado do equipamento, a origem do transporte e o que será entregue no endereço de destino.

Comece pela necessidade da operação

Antes de solicitar preços, registre a finalidade do contêiner, o período previsto de uso e os itens que precisam caber nele. Defina formato, altura, tipo de abertura, quantidade e condição desejada. Um equipamento para apoio a uma operação industrial pode ter exigências diferentes de uma unidade destinada ao transporte de mercadorias.

O CompareContainer reúne guias e informações públicas de fornecedores para ajudar a preparar essa pesquisa no mercado brasileiro. O serviço permite descrever um projeto de compra ou locação e solicitar orçamento com transporte e descarga, sujeito à confirmação dos profissionais consultados.

Ao avaliar o espaço interno, considere também embalagens, equipamentos de movimentação, prateleiras e corredores de acesso. Para unidades adaptadas, detalhe os serviços necessários e confirme as dimensões úteis depois da instalação dos componentes. A identificação do formato, por si só, não descreve todo o projeto.

Verifique a unidade que está sendo oferecida

As descrições “usado”, “de primeira viagem” e “reformado” não são suficientes para decidir uma compra. Peça fotografias atuais e informações sobre portas, vedação, piso, teto, corrosão e reparos. Quando a oferta envolver uma unidade ainda a ser selecionada, esclareça os critérios de fornecimento e as condições de aceitação.

Se o equipamento for vendido no estado em que se encontra, registre os defeitos conhecidos e peça uma avaliação dos trabalhos necessários para o uso pretendido. Uma pintura recente não substitui a análise da estrutura e das partes que influenciam a operação.

No comércio exterior, o uso de um contêiner próprio exige uma verificação específica com o armador. Confirme a documentação, a identificação, a condição da unidade e os requisitos de aceitação antes de contratar o embarque. A escolha de um equipamento para armazenamento não equivale à aprovação para transporte internacional; as condições do serviço marítimo também precisam ser acordadas.

Compare propostas para o mesmo endereço e escopo

Para comparar opções de contêineres no Brasil, forneça aos profissionais a mesma descrição do projeto e o CEP de entrega. Informe o endereço final, o acesso ao local e a posição prevista para a unidade. Assim, as dúvidas sobre transporte e descarga podem ser tratadas durante a preparação do orçamento.

Solicite valores discriminados em reais para o contêiner, os tributos aplicáveis, o frete, o descarregamento e o posicionamento. Adaptações e preparação do local também devem ter seu escopo definido. Identifique quais etapas estão incluídas, quais dependem de terceiros e quais ainda precisam ser cotadas.

Duas ofertas com o mesmo preço de equipamento podem incluir serviços diferentes. Uma pode contemplar descarga, enquanto outra exige que o comprador providencie os meios necessários. A comparação deve considerar essas diferenças e manter os custos não informados em aberto, em vez de tratá-los como inexistentes.

Avalie compra e locação ao longo do período de uso

A compra e a locação precisam ser analisadas para a mesma necessidade e duração. No aluguel, confirme a mensalidade, o período mínimo, a entrega, a retirada e as condições de devolução. Pergunte como são tratados manutenção, avarias e eventual prorrogação do contrato.

Na compra, inclua os serviços necessários para colocar o equipamento em uso e considere o que acontecerá ao final do projeto. Uma possível revenda depende de condições futuras e não deve ser tratada como receita garantida. A escolha depende do orçamento completo, do horizonte de uso e das responsabilidades assumidas em cada proposta.

Organize a entrega antes de confirmar a operação

O CEP localiza o projeto, mas não confirma que o caminhão conseguirá chegar ao ponto de instalação. Descreva portões, curvas, obstáculos aéreos, superfície e espaço de manobra. Compartilhe fotos quando solicitadas e peça ao prestador responsável que avalie as condições de acesso e descarga.

Combine o método de descarregamento, a orientação das portas, a preparação necessária e quem fornecerá equipamentos adicionais. Registre a data proposta, suas dependências e possíveis cobranças por espera ou alteração do plano. A disponibilidade da unidade e o agendamento precisam ser confirmados pelos responsáveis.

Use a solicitação para esclarecer o projeto

Quem deseja preparar uma solicitação de orçamento pode reunir formato, condição, quantidade, prazo e localização em um único pedido. No CompareContainer, a solicitação é gratuita e sem compromisso. A equipe recebe as informações, pode esclarecer a necessidade e buscar fornecedores para a localização indicada, com compartilhamento dos dados conforme o consentimento informado.

O número de propostas e o prazo de resposta não são garantidos. Cabe ao interessado confirmar a empresa, a unidade e os termos da oferta antes de fechar negócio. O contrato e o pagamento são tratados diretamente com o fornecedor escolhido; a presença de uma empresa no diretório não representa certificação ou parceria automática.

Para quem atua em suprimentos e logística, a utilidade da comparação está em tornar o escopo mais claro. Ao reunir especificação, condição, serviços e responsabilidades, o orçamento passa a descrever o que a operação realmente precisa receber. Esse conjunto oferece uma base mais consistente para negociar a compra ou a locação.

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Gestão cambial ganha peso nas decisões de empresas importadoras e exportadoras, diz Saygo Group

Oscilações da moeda, prazos de pagamento e necessidade de caixa exigem planejamento para reduzir riscos nas operações internacionais

Da Redação (*)

Brasília – Prever se o dólar vai subir ou cair costuma concentrar a atenção de empresas expostas ao exterior, mas a cotação representa apenas uma parte dessa equação. Para importadores e exportadores, datas de pagamento, necessidade de capital de giro, exposição em moeda estrangeira e planejamento de caixa também interferem no resultado financeiro.

Entre janeiro e agosto de 2026, o comércio exterior brasileiro movimentou US$ 446,39 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Para Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo Group, holding brasileira especializada em comércio exterior que integra câmbio, tecnologia e inteligência operacional, o risco começa antes do fechamento da moeda.

“O dólar é a parte mais visível da operação, mas uma boa gestão cambial começa antes da contratação da moeda. Quando a empresa conhece seus prazos, a necessidade de caixa, a margem esperada e o nível de exposição, consegue tomar decisões com mais previsibilidade e escolher o momento e a estratégia mais adequados para cada operação”, afirma.

Juros ajudam a definir o risco

A política monetária no Brasil e nos Estados Unidos é um dos fatores que ajudam a explicar os movimentos do câmbio. Em setembro, Brasil e Estados Unidos voltaram a tomar decisões opostas sobre os juros na chamada “Super Quarta”. No dia 16, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve elevou a taxa básica norte-americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

Diferenças entre juros, fluxo internacional de capital, percepção de risco e acontecimentos geopolíticos podem alterar a procura por ativos e moedas. Para a tesouraria de uma empresa, porém, acompanhar essas variáveis não significa tentar prever diariamente o próximo nível do dólar.

A proteção cambial, também conhecida como hedge, pode ser utilizada para limitar parte dessa exposição. A escolha depende do valor da obrigação ou do recebimento, do prazo, da moeda envolvida e da estrutura financeira de cada companhia. “Leitura macroeconômica serve para construir cenários e medir riscos, ela não substitui o planejamento financeiro. A empresa precisa saber quanto está exposta, por quanto tempo e qual movimento da moeda pode ser absorvido sem comprometer margem, caixa ou capital destinado à operação”, explica Murillo.

Operação pode ampliar o impacto cambial

Uma importadora que fecha hoje uma compra para pagar o fornecedor daqui a dois ou três meses já está exposta à variação cambial durante esse intervalo. No caso de uma exportadora, o movimento ocorre no sentido oposto: a empresa pode ter receita futura em dólar enquanto mantém despesas em reais.

Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e operações internacionais, sócio e diretor de operações da Saygo Group, explica que fechamento de câmbio, remessa, documentação, liquidação e pagamento não podem ser tratados como etapas isoladas.

“Uma pequena diferença na cotação pode ganhar relevância quando aplicada a valores maiores, mas o custo também aparece quando os processos não conversam entre si. Se o câmbio é fechado sem considerar a data do pagamento, a disponibilidade de caixa ou a documentação necessária, a empresa pode resolver uma parte da operação e criar outro problema logo adiante”, afirma.

Uma variação de R$ 0,10 em uma obrigação de US$ 500 mil representa diferença de R$ 50 mil na conversão. O exemplo ajuda a dimensionar como movimentos relativamente pequenos podem afetar operações de maior valor, principalmente quando o prazo reduz a possibilidade de escolha.

Outro erro ocorre quando a empresa posterga a decisão esperando uma taxa mais favorável sem considerar o vencimento do compromisso assumido. À medida que a data do pagamento se aproxima, a flexibilidade diminui e o fechamento pode deixar de ser uma escolha para se tornar uma necessidade operacional.

Tecnologia ajuda a conectar etapas

A integração de informações operacionais e financeiras está entre os pontos trabalhados pela Saygo no desenvolvimento do Vision, plataforma voltada à centralização de dados ligados às operações internacionais. A ferramenta reúne informações como documentos, câmbio, prazos e custos, permitindo acompanhar diferentes etapas do processo em um mesmo ambiente.

Para Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e operações internacionais, sócio e diretor de operações da Saygo Group, a integração dessas informações ajuda a reduzir decisões tomadas de forma isolada. “Quando a empresa consegue visualizar documentação, pagamentos, prazos e movimentação da operação no mesmo fluxo, aumenta a capacidade de identificar onde um custo está surgindo e de agir antes que esse impacto avance para outras etapas”, aponta.

Dentro da estratégia da Saygo, o Vision também poderá servir como base para futuros levantamentos sobre custos, gargalos, rotas e comportamento das importações brasileiras, desde que essas informações sejam consolidadas, validadas e tratadas de forma apropriada antes da divulgação.

Previsibilidade reduz dependência da cotação

Para importadores, a moeda estrangeira interfere na formação do custo da mercadoria, no preço de venda e na necessidade de capital para concluir uma compra. Para exportadores, uma alteração antes do recebimento pode modificar o valor convertido para reais e afetar a rentabilidade prevista.

Por isso, o mesmo movimento do dólar pode produzir efeitos diferentes entre empresas. O impacto depende dos prazos, do fluxo de caixa, da moeda utilizada, do tamanho da exposição e da estrutura financeira de cada operação.

O objetivo da gestão, portanto, não é acertar o menor ou o maior ponto da moeda, mas reduzir a dependência de decisões tomadas sob pressão e aumentar a previsibilidade financeira. Ao integrar leitura macroeconômica, planejamento de caixa e execução operacional, empresas expostas ao exterior conseguem avaliar com mais clareza quanto risco podem assumir e quais medidas precisam ser tomadas antes do vencimento de seus compromissos.

(*) Com informações da Saygo Group

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O Mundo Novo do Comex precisa de protagonistas. E você, está preparado?

Helenice Lima (*)

Durante muitos anos, o profissional de Comércio Exterior foi reconhecido pela sua capacidade de fazer as coisas acontecerem. Resolver problemas, interpretar legislações, cumprir prazos, negociar fretes, desembaraçar mercadorias e garantir que as operações chegassem ao destino.

Quem vive o Comex sabe que essa rotina exige conhecimento, agilidade e uma enorme capacidade de lidar com imprevistos.

Mas o Comércio Exterior brasileiro está passando por uma transformação que vai muito além da modernização dos sistemas.

A Reforma Tributária, a implantação do Portal Único, o avanço da inteligência artificial e as mudanças nas cadeias globais estão redesenhando a forma como as empresas operam, competem e tomam decisões.

E tudo isso abre uma oportunidade importante: o Comex pode conquistar um espaço muito maior na estratégia das organizações.

De quem resolve problemas para quem antecipa decisões

Costumo pensar no Comex como uma torre de controle.

Durante muito tempo, sua principal responsabilidade foi garantir que os aviões pousassem e decolassem com segurança. Mas imagine o valor dessa torre quando ela começa a ajudar a definir as melhores rotas, antecipar turbulências e identificar oportunidades antes mesmo de uma aeronave sair do chão.

É exatamente esse o espaço que o profissional de Comércio Exterior pode ocupar.

Estamos falando de profissionais capazes de analisar o impacto de uma mudança tributária na rentabilidade de um produto, identificar riscos nas cadeias de fornecimento, contribuir para decisões de sourcing e apoiar estratégias de expansão internacional.

O conhecimento técnico continua sendo a base. A diferença está na capacidade de transformar esse conhecimento em inteligência para o negócio.

E aqui surge uma pergunta importante: as empresas estão dando espaço para esse protagonismo? E os profissionais estão se preparando para conquistá-lo?

A tecnologia está avançando. E as pessoas?

Vivemos uma evolução tecnológica impressionante no Comércio Exterior.

Atividades que antes consumiam horas de trabalho já podem ser automatizadas. A inteligência artificial começa a apoiar análises, simulações e decisões. Informações que estavam dispersas em diferentes sistemas podem ser conectadas e transformadas em indicadores.

Isso muda profundamente a rotina dos profissionais.

Se a tecnologia assume parte das atividades operacionais, abre-se espaço para que as pessoas dediquem mais tempo à análise, ao planejamento e à tomada de decisão.

Mas existe um ponto de atenção: ter acesso à tecnologia não significa, automaticamente, saber utilizar todo o seu potencial.

É preciso desenvolver uma visão mais ampla do negócio, compreender os impactos financeiros das operações, dialogar com outras áreas e, principalmente, ter disposição para questionar a maneira como sempre fizemos as coisas.

O futuro vai exigir profissionais tecnicamente preparados, mas também curiosos, colaborativos e capazes de enxergar além da própria operação.

Ninguém transforma um setor sozinho

É justamente nessa discussão que entra algo em que acredito profundamente: o poder das comunidades profissionais.

O conhecimento em Comércio Exterior é construído diariamente, dentro das empresas, nos desafios das operações, nas mudanças regulatórias e nas experiências de quem enfrenta problemas reais.

Imagine o quanto podemos evoluir quando esse conhecimento começa a circular.

Quando um profissional compartilha uma experiência, outro pode evitar um erro. Quando diferentes especialistas discutem um desafio, surgem caminhos que dificilmente seriam encontrados de maneira isolada.

Foi com essa visão que nasceu a Comex Pulse Comm, uma comunidade criada para estimular o conhecimento, as conexões, a colaboração e, principalmente, o protagonismo dos profissionais de Comércio Exterior.

Queremos incentivar uma participação mais ativa nas discussões que estão moldando o setor, aproximando profissionais, especialistas, lideranças e novas gerações.

Porque acredito que o desenvolvimento do Comex brasileiro também depende da nossa capacidade de aprender uns com os outros.

O Mundo Novo do Comex já começou

Quando falamos no Mundo Novo do Comex, estamos falando de mudanças concretas na forma de trabalhar, utilizar tecnologia, interpretar informações e participar das decisões empresariais.

E vejo uma oportunidade especialmente relevante nessa transformação: reposicionar o Comércio Exterior como uma área que influencia diretamente a competitividade das empresas.

Para isso, precisamos ampliar nosso repertório, desenvolver novas competências e fortalecer a interlocução do Comex com áreas como Finanças, Tecnologia, Compras, Logística e Planejamento Estratégico.

Também precisamos de lideranças dispostas a abrir espaço para esses profissionais participarem das decisões.

A Comex Pulse Comm nasceu para contribuir com essa evolução. Para conectar pessoas que acreditam no potencial do setor e querem participar ativamente da construção de seus próximos capítulos.

Afinal, uma comunidade ganha força quando seus integrantes deixam de ser espectadores e assumem a responsabilidade de contribuir.

O Mundo Novo do Comex está sendo construído agora. E o protagonismo que tanto buscamos depende também do espaço que estamos dispostos a ocupar.

Fica aqui meu convite: participe, compartilhe suas experiências, questione, proponha e ajude a desenvolver outros profissionais.

Seja você o movimento.

(*) Helenice Lima é Chief Marketing Officer da eComex, coautora do livro Protagonistas 2 e atua há mais de 28 anos nas áreas de Marketing, Tecnologia e desenvolvimento de comunidades profissionais.

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Missão em Bruxelas debate estratégias comerciais e industriais entre Brasil e União Europeia

Agenda “Planejamento Setorial Brasil-UE: do acordo ao mercado” ocorre de 12 a 16 de outubro de 2026 e reúne autoridades, empresários e lideranças europeias para debater integração produtiva e sustentabilidade.

Da Redação (*)

Brasília – A ApexBrasil promove, entre a última segunda-feira (12) até esta sexta-feira (16), a edição da agenda “Planejamento Setorial Brasil-UE: do acordo ao mercado” em Bruxelas. A programação busca aproximar as discussões sobre o Acordo da realidade dos mercados e das cadeias produtivas. O objetivo é ampliar as oportunidades comerciais e de investimento na região. O evento vai reunir representantes do Governo Federal, entidades setoriais, Setores de Promoção Comercial (SECOMS), adidos agrícolas, empresários, especialistas e interlocutores europeus.

Estratégias e setores focais

A agenda está organizada em três frentes complementares: workshops de planejamento setorial, um jantar de relacionamento institucional no Parlamento Europeu e o fórum “EU-Brazil Industrial Partnership”.

Os workshops acontecem no Radisson Collection Hotel, servindo como o núcleo técnico da semana com o intuito de desenvolver e validar estratégias para ampliar a presença brasileira no mercado europeu. As atividades focam em setores com potencial de geração de negócios no mercado europeu e beneficiados pelo desgravamento tarifário previsto no Acordo, priorizando os seguintes segmentos: móveis e madeira, máquinas e equipamentos, moda, café, rochas naturais, frutas frescas e processadas, sociobioeconomia e bioenergia. As sessões com plenárias e mesas setoriais para estes grupos se estendem ao longo da semana.

Diálogo e Fórum Industrial

No dia 13 de outubro de 2026, a agenda prevê o “Trusted Industrial Partnership for a Competitive and Sustainable Economy”, um jantar institucional realizado no Parlamento Europeu. O encontro é voltado ao diálogo com eurodeputados, executivos e assessores sobre oportunidades para ampliar a integração produtiva, fornecimento sustentável, energia limpa e cadeias de baixo carbono.

Já no dia 15 de outubro de 2026, das 9h às 13h, ocorre o “EU-Brazil Industrial Partnership Forum – Building Competitive, Resilient and Sustainable Value Chains”, realizado pela ApexBrasil e BusinessEurope (principal confederação empresarial da Europa), no Concert Noble. O fórum debaterá temas como a integração de cadeias de valor, inovação, tecnologia, matérias-primas críticas e soluções energéticas de baixo carbono. O encontro insere o debate sobre o Acordo a uma pauta mais ampla de competitividade e resiliência das cadeias produtivas globais.

SERVIÇO

O que: Planejamento Setorial Brasil-UE: do acordo ao mercado.

Quando: 12 a 16 de outubro de 2026.

Onde: Bruxelas, Bélgica.

(*) Com informações da ApexBrasil

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Estudar fora começa antes do embarque — e o câmbio também faz parte desse projeto

Márcio William (*)

Estudar no exterior costuma ser associado à escolha do curso, da universidade e do destino. Mas existe uma decisão menos visível e igualmente importante: como financiar esse projeto ao longo do tempo. Para quem vive no Brasil e assume despesas em outra moeda, o câmbio não é apenas uma variável de mercado. Ele passa a fazer parte da própria estratégia de viabilização da experiência internacional.

Essa questão ganha relevância à medida que a educação internacional avança entre os brasileiros. Segundo a Pesquisa Selo Belta 2026, o número de brasileiros que estudam e trabalham no exterior cresceu 9,4% em 2025. O dado mostra a continuidade da demanda por experiências internacionais, mas também evidencia um desafio para famílias e estudantes: transformar um projeto com custos em moeda estrangeira em um compromisso financeiro que possa ser administrado com previsibilidade.

É nesse ponto que acredito que precisamos mudar a forma de olhar para o câmbio. A pergunta mais comum ainda é “qual será a melhor cotação para comprar dólar?”. Para quem está planejando estudar fora, essa talvez seja a pergunta errada. O objetivo não deveria ser acertar o menor preço de uma moeda, algo que ninguém consegue prever de forma consistente, mas construir uma estratégia que reduza a dependência de uma única cotação.

Isso significa considerar o câmbio desde o momento em que o projeto começa a ser desenhado. Mensalidades, acomodação, alimentação, transporte, seguro e outros custos serão pagos em moedas estrangeiras, mas parte relevante dessas despesas pode ser conhecida com antecedência. Quanto maior a previsibilidade sobre os compromissos futuros, maior também a possibilidade de distribuir os recursos ao longo do tempo, em vez de concentrar toda a exposição cambial às vésperas da viagem.

Essa lógica é especialmente importante porque o câmbio responde a uma combinação de fatores. Decisões e expectativas sobre os juros nos Estados Unidos influenciam os fluxos internacionais de capital, mas não determinam sozinhas o comportamento do dólar no Brasil. Política monetária brasileira, situação fiscal, cenário externo, percepção de risco e acontecimentos políticos também entram nessa equação. Em períodos de maior incerteza, esses fatores podem se combinar e produzir movimentos difíceis de antecipar.

Para uma família que está planejando um curso de seis meses ou uma graduação de vários anos, tentar prever todos esses movimentos seria uma estratégia pouco realista. Mais racional é reconhecer a incerteza e incorporá-la ao planejamento.

Isso vale inclusive para despesas que aparecem antes do embarque. Inscrições, traduções de documentos, vistos, matrículas, depósitos de acomodação e seguros podem representar compromissos financeiros relevantes antes mesmo de o estudante deixar o Brasil. Quando esses gastos são identificados antecipadamente, o orçamento deixa de reagir às oscilações do câmbio e passa a ser construído levando-as em consideração.

O mesmo princípio se aplica a quem permanecerá meses ou anos no exterior e dependerá de recursos enviados regularmente pela família. Nesse caso, a questão deixa de ser apenas quanto dinheiro será necessário e passa a envolver também quando e como esses recursos serão disponibilizados. A previsibilidade do fluxo financeiro pode ser tão importante quanto o valor total reservado para a experiência.

Essa mudança de perspectiva também ajuda a separar duas coisas que muitas vezes são confundidas: proteger-se da volatilidade e tentar prever o mercado. A primeira está ao alcance do planejamento; a segunda, não. Distribuir compromissos e recursos ao longo do tempo não elimina o risco cambial, mas pode evitar que todo o orçamento fique condicionado a uma decisão tomada em um único momento.

Na minha visão, esse é um dos aspectos que precisam amadurecer à medida que mais brasileiros passam a enxergar a educação internacional como investimento acadêmico e profissional. O planejamento de um projeto no exterior não termina quando se escolhe a instituição ou quando o visto é aprovado. Ele inclui também a construção de uma estratégia financeira compatível com a realidade de quem recebe em reais e gasta em outra moeda.

No fim, estudar fora exige lidar com muitas variáveis que não estão sob nosso controle. A cotação do dólar é uma delas. Tentar eliminá-la do planejamento é impossível; transformar sua imprevisibilidade em uma variável administrável, porém, é uma escolha. E talvez essa seja a diferença entre simplesmente pagar pelo sonho de estudar no exterior e estruturar, desde o início, as condições para que ele seja financeiramente sustentável.

(*) Márcio William é CEO da Remessa Online

 

 

 

 

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Superar o protecionismo para voltar a crescer

Prof. Carlos Pio (*)

Uma nova estratégia de inserção internacional deve colocar a produtividade, a abertura comercial e a integração às cadeias globais de valor no centro da agenda de desenvolvimento brasileiro.

O Brasil precisa repensar profundamente sua estratégia de inserção na economia internacional. Há décadas, nossa política econômica e nossa diplomacia comercial estão subordinadas a um modelo de desenvolvimento baseado na proteção do mercado doméstico, na concessão de subsídios e na criação de regimes tributários especiais para setores específicos, escolhidos por critérios obscuros. Os resultados estão à vista: baixa produtividade, reduzida integração às cadeias globais de valor e crescimento econômico insuficiente para promover uma inclusão social robusta e sustentável.

Historicamente, o país optou por um modelo de industrialização voltado “para dentro”, baseado na substituição de importações. A lógica era proteger a produção nacional da concorrência estrangeira, criando condições para o desenvolvimento de algumas empresas e setores industriais. O que deveria funcionar como instrumento temporário de transformação produtiva, entretanto, converteu-se em característica permanente da organização econômica brasileira.

Nesse modelo, o governo desempenha um papel excessivamente intervencionista, distribuindo proteção comercial, subsídios e uma miríade de regimes especiais de isenção tributária. A alocação desses benefícios responde, frequentemente, mais à capacidade de pressão de grupos de interesse e lideranças políticas do que a critérios de eficiência econômica. Os governos tornam-se, assim, reféns de uma combinação perversa entre uma ideologia econômica terceiro-mundista — o nacional-desenvolvimentismo — e os interesses particulares de empresas e setores politicamente influentes.

Há décadas está claro que esse modelo se esgotou!

O estímulo a setores ou empresas selecionados por políticos e burocratas sempre ocorre em detrimento do conjunto da economia — isto é, de outros setores e empresas, dos consumidores e dos contribuintes. Muito mais efetivo seria criar condições para que capital, trabalho, infraestrutura e recursos públicos fossem alocados de maneira cada vez mais eficiente, elevando a capacidade produtiva da economia como um todo.

O crescimento econômico de longo prazo, acompanhado de inclusão social, depende fundamentalmente de dois pilares: o aumento da produtividade do trabalho em todos os setores e regiões do país e as inovações geradas por trabalhadores capacitados, que operam tecnologias modernas em empresas submetidas a forte concorrência internacional.

É justamente nesse ponto que a experiência internacional oferece lições importantes. Salvo situações específicas relacionadas à segurança nacional — e pressões protecionistas de grupos de interesse poderosíssimos, presentes em toda parte —, os governos das economias mais dinâmicas procuram aperfeiçoar continuamente os incentivos à eficiência na alocação dos recursos disponíveis. A abertura econômica é pedra angular desse modelo. Equilíbrio fiscal, inflação baixa, juros módicos, elevada concorrência e integração aos mercados internacionais são tanto prérequisitos quanto consequências desse modo de governar.

O Brasil, infelizmente, caminha frequentemente na direção oposta. O protecionismo distorce a alocação do capital, do trabalho e da infraestrutura, enquanto reduz os incentivos à modernização tecnológica e à integração das empresas aos processos mais dinâmicos da economia mundial. O desequilíbrio das contas públicas, por sua vez, pressiona a inflação, os juros e a carga tributária.

Essas distorções se reforçam mutuamente, alimentando uma verdadeira espiral de atraso econômico. A baixa produtividade limita o crescimento, restringe a geração de oportunidades e compromete a inclusão social pelo emprego. No fim das contas, os custos desse modelo recaem sobre toda a sociedade, especialmente sobre aqueles que dispõem de menos recursos.

Importar é fundamental para o desenvolvimento

É fundamental transformar a maneira como o Brasil compreende o comércio internacional. Tradicionalmente, o debate público e as entidades representativas do setor produtivo atribuem enorme importância às exportações, enquanto frequentemente tratam as importações como ameaça à produção e ao emprego domésticos.

Essa visão é profundamente equivocada.

As exportações são apenas uma das duas mãos do comércio internacional. Importar é tão importante quanto exportar para o desenvolvimento econômico. As importações permitem incorporar novas tecnologias, reduzir custos de produção, ampliar a oferta de bens e serviços e integrar empresas estabelecidas no país às cadeias transnacionais de valor.

A ampliação da oferta também contribui para reduzir preços e aliviar estruturalmente as pressões inflacionárias. Ao mesmo tempo, a entrada de novos produtos, serviços e empresas estimula a concorrência e cria incentivos permanentes à inovação e à modernização produtiva. Como me dizia um dileto amigo, “importar é o que exporta”.

Há ainda uma dimensão frequentemente negligenciada: a importação pode ser o primeiro passo para a realização de investimentos produtivos no Brasil. Empresas estrangeiras que ainda não operam industrialmente no país podem importar seus produtos para testar a aceitação de suas marcas antes de decidir estabelecer unidades de produção no mercado brasileiro.

Abertura comercial e fortalecimento da estrutura produtiva doméstica, portanto, não são objetivos contraditórios. Pelo contrário. São processos potencialmente complementares, capazes de elevar a competitividade das empresas, estimular investimentos e ampliar a participação brasileira na economia global.

Uma diplomacia econômica voltada para o futuro

A persistência do modelo protecionista também condicionou profundamente a atuação internacional do Brasil. Há mais de cinco décadas, nossa diplomacia econômica procura preservar amplos espaços de autonomia regulatória (policy space) no plano internacional, permitindo que sucessivos governos brasileiros mantenham elevados níveis de proteção comercial e instrumentos discricionários de intervenção econômica.

Paradoxalmente, essa estratégia frequentemente dificulta a importação das próprias tecnologias necessárias à modernização da estrutura produtiva nacional.

Não surpreende, portanto, que o Brasil, por meio do Mercosul, tenha negociado relativamente poucos acordos comerciais, muitos deles com parceiros de limitada relevância econômica. A negociação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que se estendeu por mais de duas décadas até sua conclusão política em 2019, ilustra bem a dificuldade de conciliar uma integração internacional mais profunda com a tradição protecionista brasileira. Cabe enfatizar que o acordo só foi concluído quando os negociadores adotaram uma estratégia radicalmente diferente daquela que caracteriza o tom habitual de nossa diplomacia comercial.

É preciso inverter essa lógica. Em vez de utilizar a diplomacia econômica para preservar os instrumentos de um modelo esgotado, o Brasil deveria colocá-la a serviço da transformação produtiva, da abertura de mercados e da integração competitiva à economia mundial.

Isso exige mudanças não apenas na orientação do governo, mas também na atuação do próprio setor produtivo.

O papel das empresas na transformação econômica

As empresas e suas entidades representativas têm papel fundamental na construção de uma nova agenda de inserção internacional.  As exportadoras já participam ativamente das discussões comerciais. Mas é preciso ampliar a representação daquelas que, embora tenham elevado potencial exportador, ainda não conseguiram conquistar mercados externos.

Mais importante, porém, é promover uma mudança estrutural na percepção do empresariado sobre os benefícios das importações, da concorrência e da integração internacional.

As empresas e os setores mais dinâmicos, especialmente aqueles já integrados à economia global, devem pressionar o governo, o Congresso Nacional e as organizações empresariais que continuam comprometidas com a preservação do protecionismo.

O objetivo é construir uma agenda econômica orientada por ganhos de produtividade, modernização tecnológica e participação crescente nas cadeias globais de valor.

O desafio brasileiro não consiste simplesmente em exportar mais ou proteger melhor sua indústria. É abandonar um modelo de desenvolvimento incapaz de produzir crescimento robusto com inclusão social e substituí-lo por outro, baseado na eficiência econômica, na concorrência e na integração internacional.

O Brasil dispõe de uma estrutura produtiva diversificada e de enorme potencial econômico. Mas esse potencial só será plenamente aproveitado quando reconhecermos que a proteção permanente não substitui a produtividade e que o isolamento econômico não constitui uma estratégia sustentável de desenvolvimento.

Superar o protecionismo não significa abandonar a indústria brasileira. Significa criar condições para que ela se modernize, se torne mais competitiva e participe efetivamente das oportunidades oferecidas pela economia global.

Essa transformação não é apenas desejável. É indispensável para que o Brasil rompa sua trajetória de baixo crescimento e construa uma economia mais dinâmica, produtiva e socialmente inclusiva.

(*)  Carlos Pio é professor de Economia Política Internacional da UnB; foi professor adjunto da IE University (Madri) e da Australian National University (Camberra) e pesquisador visitante na University of Oxford e na University of California, Berkeley. Pio foi secretário de Planejamento Estratégico da SAE, na Presidência da República (2017 – 2018) e secretário-executivo da Camex, Ministério da Economia (2019–2021).

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Exportações de calçados contraem, importações disparam e superávit do setor recua 56% até setembro

Compras de produtos estrangeiros avançam, lideradas por fornecedores asiáticos, enquanto exportações brasileiras perdem força e saldo comercial do setor encolhe mais de 56% em dólares

Da Redação (*)

Brasília – O avanço dos calçados importados no mercado brasileiro amplia a pressão sobre a indústria nacional em um momento de retração das exportações e dificuldades para o consumo interno. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil importou 36,6 milhões de pares, alta de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. No sentido contrário, os embarques brasileiros ao exterior recuaram 6,7% em volume e 15,6% em receita. O resultado é uma deterioração de mais de 56% no saldo comercial do setor, em dólares.

O movimento preocupa a indústria calçadista porque combina a perda de espaço no mercado internacional com o avanço da concorrência estrangeira dentro do próprio país. A expansão das compras de calçados asiáticos, especialmente do Vietnã e da China, reforça o alerta sobre a capacidade de as fábricas brasileiras manterem sua produção, competitividade e postos de trabalho.

Segundo analistas, a preocupação é ainda maior diante da alegação de que fabricantes de países asiáticos podem se beneficiar de incentivos e subsídios governamentais, criando condições de concorrência desfavoráveis para produtores brasileiros. A existência e a dimensão desses subsídios, porém, precisam ser demonstradas por dados e investigações específicas. O avanço das importações, por si só, não comprova que todos os produtos estrangeiros sejam subsidiados.

Os números compilados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que a pressão externa cresce justamente quando as vendas brasileiras ao exterior perdem força.

Importações asiáticas ganham espaço

O Vietnã lidera as origens das importações brasileiras de calçados em valor. De janeiro a setembro, o país enviou 11 milhões de pares ao Brasil, movimentando US$ 250,66 milhões. Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, houve crescimento de 17,8% em volume e de 31,1% em receita.

A China também ampliou sua presença no mercado brasileiro. As importações provenientes do país somaram 10,74 milhões de pares nos nove primeiros meses do ano, alta de 22,5%. Em valor, atingiram US$ 37,5 milhões, incremento de 9,5%.

A Indonésia aparece na sequência, com 6 milhões de pares importados e US$ 109,65 milhões em compras. Nesse caso, o volume recuou 14%, enquanto o valor avançou 1,4%.

Para especialistas, os números revelam a importância dos fornecedores asiáticos no abastecimento do mercado nacional. Para a indústria brasileira, o desafio é competir com produtos estrangeiros em um cenário de custos, políticas industriais e condições comerciais que podem variar significativamente entre os países.

Exportações perdem força e receita cai

Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras enfrentam dificuldades. Entre janeiro e setembro, o país embarcou 71,6 milhões de pares, que renderam US$ 621,14 milhões. O resultado representa queda de 6,7% em volume e de 15,6% em receita na comparação anual.

Somente em setembro, foram exportados 9,15 milhões de pares, gerando US$ 79,7 milhões. O volume ficou praticamente estável, com recuo de 0,5%, mas a receita caiu 6,6% ante setembro de 2025.

A diferença entre a variação do volume e a da receita indica uma redução do valor médio obtido por par exportado. Esse cenário pressiona as receitas das empresas e dificulta a compensação dos custos de produção, especialmente em um ambiente de concorrência internacional mais intensa.

Empregos e produção entram na zona de preocupação

A combinação de exportações mais fracas e importações crescentes representa um desafio para as fábricas brasileiras. Com menos receita proveniente das vendas externas e maior concorrência no mercado doméstico, as empresas podem enfrentar dificuldades para preservar margens, manter níveis de produção e sustentar investimentos.

O risco para o emprego está ligado à eventual perda de mercado e à necessidade de ajuste da atividade industrial. Caso a pressão persista e leve à redução da produção, os efeitos podem alcançar trabalhadores das fábricas e atividades associadas à cadeia produtiva, como fornecedores de componentes, logística e distribuição.

Os dados comerciais apresentados, contudo, não quantificam eventuais perdas de postos de trabalho. Para dimensionar os impactos sobre o emprego, é necessário cruzar os números de comércio exterior com estatísticas de produção, admissões, desligamentos e fechamento de unidades industriais.

Pequenas remessas ampliam a preocupação

Além das importações convencionais, a Abicalçados chama a atenção para a entrada de calçados por meio de pequenas remessas de plataformas internacionais. Segundo a entidade, esse canal amplia a pressão competitiva sobre os fabricantes brasileiros, especialmente em razão do tratamento tributário aplicável às compras internacionais de baixo valor.

A discussão envolve as regras de tributação das remessas, as condições de concorrência entre vendedores nacionais e estrangeiros e os efeitos dessas diferenças sobre o varejo e a indústria. A avaliação do impacto exige considerar a legislação vigente, os tributos efetivamente recolhidos e os custos suportados por cada modalidade de venda.

Diversificação de mercados não evita perdas

A indústria brasileira tem buscado ampliar sua presença no exterior para reduzir a dependência de mercados tradicionais. Entre janeiro e setembro, as exportações para países da América Latina, excluída a Argentina, cresceram 11,2% em dólares e 10,4% em pares.

Apesar desse avanço, os resultados não foram suficientes para compensar o desempenho negativo das vendas externas como um todo.

“Existe um esforço para diversificação de mercados. Hoje, o nosso calçado está presente em mais de 160 países, mas não tem sido o suficiente para reverter os números negativos nos embarques”, afirma Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados.

Segundo o dirigente, o cenário internacional instável e as barreiras comerciais têm prejudicado as exportações para mercados estratégicos. Ao mesmo tempo, a reorganização dos fluxos globais de comércio estaria contribuindo para redirecionar produtos estrangeiros ao Brasil, intensificando a concorrência com os fabricantes nacionais.

Estados Unidos e Argentina registram quedas

Os Estados Unidos continuam como principal destino dos calçados brasileiros. Nos nove primeiros meses de 2026, receberam 7,9 milhões de pares, equivalentes a US$ 130,84 milhões. O resultado representa queda de 4,3% em volume e de 23,8% em receita.

A Argentina, segundo principal mercado, apresentou retração ainda mais acentuada. Os embarques somaram 6,17 milhões de pares e US$ 74,33 milhões, recuos de 43,7% e 52%, respectivamente.

O Paraguai ocupa a terceira posição entre os destinos. O país recebeu 6 milhões de pares, que renderam US$ 35,9 milhões. Houve queda de 14,7% no volume, mas crescimento de 6,4% na receita.

Rio Grande do Sul lidera exportações estaduais

O Rio Grande do Sul permanece na liderança entre os estados exportadores. De janeiro a setembro, as fábricas gaúchas embarcaram 25,26 milhões de pares, com receita de US$ 309,2 milhões. O volume cresceu 2,1%, enquanto o valor recuou 14%.

O Ceará aparece em segundo lugar, com 19,6 milhões de pares e US$ 108,43 milhões, quedas de 19% em volume e de 23,8% em receita.

São Paulo ocupa a terceira posição, com 4,43 milhões de pares exportados e US$ 62,84 milhões em receita. As reduções foram de 15,5% em volume e 17,7% em valor.

Setor enfrenta desafio para recuperar competitividade

O quadro do comércio exterior evidencia uma dupla pressão sobre a indústria calçadista brasileira: dificuldades para ampliar as vendas no exterior e crescimento das importações no mercado doméstico. A queda superior a 56% no saldo comercial sintetiza a dimensão do desequilíbrio acumulado até setembro.

Para o setor, o desafio passa por recuperar mercados externos, fortalecer a competitividade das fábricas nacionais e avaliar se as condições de concorrência com os produtos importados são equilibradas. A discussão sobre eventuais subsídios estrangeiros e diferenças tributárias também exige dados verificáveis que permitam identificar práticas desleais e dimensionar seus efeitos.

Mais do que um resultado negativo na balança comercial, a trajetória acende um alerta para a sustentabilidade da produção nacional. O impacto definitivo sobre fábricas e empregos dependerá da evolução das importações, das exportações, da demanda interna e da capacidade de resposta das empresas e das políticas públicas.

(*) Com informações da Abicalçados

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Caminhos para o fortalecimento das relações Brasil e México no contexto do realinhamento de cadeias produtivas

Frederico Lamego  (*)

 

A reconfiguração das cadeias de valor virou tema frequente nas discussões sobre geopolítica e geoeconomia. Nesse contexto, cresce a disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina, o que reduz o espaço para posições equidistantes em comércio, tecnologia e investimento de países como Brasil e México. Ambos são fornecedores históricos do mercado americano e sentiram os impactos do tarifaço de 2025 e 2026. Os EUA elevaram a tarifa sobre produtos brasileiros a 25% sobre a maior parte dos bens (exceções: carne bovina, suco de laranja, aeronaves, energia e bens sob Seção 232), somada à de 12,5% por trabalho forçado. Além disso, aço e alumínio seguem sob tarifa distinta de 50% (Seção 232). Sobre o México, aplicaram sobretaxas por vias diferentes desde fevereiro de 2026 enquanto se aguarda a conclusão do acordo de comércio entre Estados Unidos, México e Canadá. Em nenhum dos dois casos, há clareza sobre acordo final já que as negociações seguem abertas. Este artigo compara as respostas dos dois países.

Duas políticas industriais, duas economias distintas

Os dois países reagiram com a introdução de política industrial própria. O Brasil lançou a Nova Indústria Brasil (NIB) em janeiro de 2024, antes do tarifaço. São R$ 300 bilhões em financiamento previstos até 2026. Seis missões integram o plano: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e defesa. O objetivo é revitalizar o parque industrial brasileiro até 20233 que sofre com processo crônico de perda de competitividade desde os anos 80. O México atualizou o seu Plan México em maio de 2026. O plano estima gerar 1,5 milhão de empregos em manufatura avançada até 2030. Essa iniciativa mobiliza 5,6 trilhões de pesos em investimento público-privado (o setor de energia concentra 54% desse total). Para o México, o objetivo é explícito: aproveitar o nearshoring para ocupar o possível espaço aberto com a redução de exportações da China para os EUA. Os dois planos partem de pontos muito diferentes.

O Atlas of Economic Complexity, da Universidade Harvard, ajuda a medir essa diferença. O índice avalia a quão sofisticada e diversificada é a pauta exportadora de um país — quanto mais complexos e menos commoditizados os produtos, maior a posição no ranking. Em 2023, último dado disponível, o México ocupava a 17ª posição entre 100 países, com índice de 1,41. O Brasil aparecia na 93ª posição, com índice de -0,52. A distância é grande. Ela reflete décadas de integração do México à manufatura norte-americana. O Brasil, em contraste, ainda exporta majoritariamente commodities e sofre a desindustrialização. A mesma diferença aparece na rede de acordos comerciais. O México tem 14 acordos de livre comércio em vigor, com 50 países — entre eles o T-MEC, o acordo com a União Europeia e o TIPAT, com dez economias da Ásia-Pacífico. O Brasil, via Mercosul, soma poucos acordos em vigor ou recém firmados — com a União Europeia, a EFTA, Israel, Egito e Singapura. E negocia com Canadá, Emirados Árabes, Japão, Reino Unido. É uma rede bem mais enxuta.

Três mercados, dois padrões opostos

Os números do comércio exterior validam outro contraste distinto. Em 2025, os Estados Unidos compraram 80,2% de tudo o que o México exportou. A União Europeia ficou com 5,7%. A China, com apenas 1,5%. Já o Brasil possui uma pauta bem mais distribuída. A China lidera, com 28,7% das exportações brasileiras. Os Estados Unidos vêm em segundo, com 10,8%. A União Europeia soma 13,4%. O México depende de um único mercado, enquanto o Brasil exporta, em volumes parecidos, para três grandes blocos ao mesmo tempo. Os dados abaixo ilustram essa diferença.

MDIC/AmCham Brasil e US Census Bureau / UN Comtrade (México) — 2025

Quando se analisa o volume de comércio total, o quadro não muda. No entanto, indica o quão distante está o Brasil em relação ao México em termos de comércio bilateral. O fluxo México-EUA totalizou US$ 871,6 bilhões em 2025, o que supera o volume de comércio do Brasil com os três mercados somados. Com a China, o México movimentou US$ 143,2 bilhões, puxado por importações. Com a União Europeia, US$ 97,3 bilhões. Já o Brasil contou com volume transacionado de comércio de US$ 170,9 bilhões com a China, US$ 93,2 bilhões com a União Europeia e US$ 82,8 bilhões com os Estados Unidos. O Brasil diversificou, mas possui volume de comércio menor e pautado em commodities. Já o México segue concentrado no mercado americano. Isso explica, em parte, a sua melhor posição no ranking do Atlas of Economic Complexity. Ou seja, inserção internacional contribui diretamente com a efetividade de agenda de política industrial. Porém, a dependência do mercado americano tornou-se preocupação para o México no atual contexto geopolítico de incertezas.

MDIC, US Census Bureau e UN Comtrade — 2025. Dados correntes sem ajuste cambial.

Brasil e México possuem acordo comercial, mas limitado. Há o ACE 53, que cobre cerca de 800 linhas tarifárias não automotivas, com 12,1% do universo tarifário brasileiro contemplado. E o ACE 55 que trata só do setor automotivo — veículos, chassis, autopeças — e cobre 251 linhas. Há ainda acordo de facilitação de investimentos, de 2015. Nenhum dos dois contempla um acordo de livre comércio amplo. Os países apenas concordaram em atualizar o ACE 53 e o ACE 55 em 2025. No que tange a corrente de comércio, o fluxo bilateral somou US$ 14,15 bilhões em 2025. O Brasil exportou US$ 7,73 bilhões ao México — carros, carne, máquinas, enquanto o México exportou US$ 6,42 bilhões ao Brasil — sobretudo veículos, autopeças e eletroeletrônicos. O México é hoje o 6º maior destino das exportações Brasileiras.

Esse volume de comércio é baixo quando comparado ao potencial exportado de cada país. Para tanto, urge resolver atritos recentes. Desde janeiro de 2026, o México elevou tarifas sobre 1.463 códigos tarifários, para proteger suas indústrias estratégicas. O Brasil é o quinto país mais afetado, entre os sem acordo de livre comércio com o México. As exportações brasileiras de produtos atingidos caíram 42,5% no primeiro semestre de 2026, segundo a Confederação Nacional da Indústria – CNI. O setor automotivo liderou a queda, com -51,8%.

Contudo, há sinais de aproximação, mesmo que não se caminhe para um acordo comercial amplo. Brasil e México assinaram nas áreas do agro, biocombustíveis e de investimentos. O tema de biocombustíveis prevê transferência de tecnologia do etanol de cana brasileiro para o setor mexicano. Há também uma frente pouco explorada que corre em sentido inverso: o etanol de agave. Há pesquisas aplicadas em curso no Brasil. Uma delas é liderada pela Embrapa para usar o agave-tequileiro — espécie típica do México —para produzir etanol, sequestrar carbono e gerar ração animal. É um projeto experimental de cinco anos. Há também a iniciativa da Unicamp, SENAI e Shell que almeja a conversão industrial do agave para produção de etanol. Esses exemplos indicam uma complementaridade real: o Brasil domina a escala da cana-de-açúcar, enquanto o México possui o conhecimento agronômico do agave. Trocar esse conhecimento, nos dois sentidos seria uma área concreta de cooperação em biocombustíveis. Outros exemplos poderiam ser explorados nas áreas de petróleo e gás, transição energética, entre outros. Mas necessita de motivação política e entrosamento empresarial.

O quadro global mudou. Há tarifaço americano dos dois lados. Há política industrial dos dois lados. E há configuração de cadeias globais de valor em curso. Diante desse cenário, fica a pergunta: há espaço para mais intercâmbio entre Brasil e México?

(*) Frederico Lamego é Assessor Especial da Presidência da CNI e Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

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