Balança comercial de julho tem superávit de US$ 7 bilhões; no ano, saldo acumulado é de US$ 49 bilhões

 

Exportações e importações cresceram no mês passado

Da Redação (*)

Brasília – Com exportações de US$ 34,1 bilhões e importações de US$ 27,1 bilhões, o Brasil registrou pouco mais de US$ 7 bilhões de superávit na balança comercial ao longo do mês de julho deste ano. Os dados foram atualizados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC;).

A corrente de comércio (soma de exportações e importações) totalizou US$ 61,17 bilhões no período, o que representa um crescimento de 6,8% na comparação com julho de 2025. Tanto as exportações (6,2%) quanto as importações (7,6%) registraram aumento em relação ao mesmo período do ano passado.

Produtos mais comercializados

Das exportações, segundo o MDIC, houve crescimento 9,3% em agropecuária, impulsionado principalmente pelas vendas de soja, que avançaram cerca de US$ 870 milhões; na indústria extrativa, com ampliação nas negociações de óleo bruto de petróleo (+US$ 960 milhões); e na indústria de transformação, especialmente venda de óleos combustíveis (+US$ 960 milhões). No caso dos combustíveis, o aumento percentual nas exportações superou 63%.

Já as importações de julho foram puxadas principalmente pelo aumento nas compras de óleos combustíveis de petróleo (+US$ 500 milhões); máquinas de processamento automático de dados e suas unidades (+US$ 320 milhões); medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários (+US$ 320 milhões); válvulas e tubos termiônicos, de cátodo frio ou foto-cátodo, diodos, transistores (+US$ 290 milhões); e polímeros de etileno, em formas primárias (+US$ 150 milhões).

China, o principal parceiro comercial

De acordo com os resultados da balança de julho, o principal parceiro comercial do Brasil segue sendo a China, que concentrou quase um terço das exportações brasileiras no mês passado, somando mais de US$ 10,7 bilhões, um aumento de 8,6% em relação a julho de 2025.

Em seguida, aparecem os Estados Unidos (EUA), destino de 10,7% das exportações brasileiras no mês passado, o que representou uma queda de 5% na comparação com julho de 2025. O recuo nas exportações aos EUA em julho ainda não abrange os efeitos do novo tarifaço do governo americano, que só começou a valer no dia 22 de julho e deverá impactar as vendas em agosto, cujos resultados serão divulgados no início de setembro.

Houve queda também nas exportações do Brasil para a Argentina no mês passado, uma redução de quase US$ 230 milhões – variação negativa de 13,9% em relação a julho do ano passado. Embora sem relação direta, o resultado aparece no momento em que os governos dos dois países vizinhos vivem uma nova fase de tensão após as sucessivas agressões do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. O embate levou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil a rebaixar as relações diplomáticas com Buenos Aires.

Parcial do ano tem superávit de US$ 49 bilhões

No acumulado de janeiro a julho, a balança comercial registrou superávit de US$ 49 bilhões, com expansão tanto das importações quanto das exportações, na comparação com o mesmo período do ano passado.

No período de janeiro a julho de 2026:

  • Exportações: US$ 218,6 bilhões (+10,5%)
  • Importações: US$ 169,5 bilhões (+5,5%)
  • Corrente de comércio: US$ 388,1 bilhões (+8,2%)
  • Saldo comercial: superávit US$ 49 bilhões

(*) Com informações da Agência Brasil

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Da IA Generativa à IA Governada: O desafio dos agentes inteligentes nos bancos

Sergio Favarin (*)

Nos últimos três anos, a Inteligência Artificial (IA) Generativa deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade dentro das instituições financeiras. Assistentes de código, copilotos para atendimento, automação de processos e análise inteligente de dados passaram rapidamente dos laboratórios para as operações. Agora, porém, o setor entra em uma nova etapa. A pergunta deixou de ser “como usar IA?” e passou a ser “como garantir controle, auditabilidade e responsabilidade quando agentes inteligentes passam a tomar decisões e executar ações de forma cada vez mais autônoma dentro da organização?”.

Essa mudança está no centro dos debates da Febraban Tech 2026, que acontece neste mês em São Paulo (SP), e representa um dos maiores desafios tecnológicos dos próximos anos.

Os bancos brasileiros estão particularmente bem-posicionados para liderar essa transformação. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostra que a IA já produz ganhos concretos de eficiência em atendimento, desenvolvimento de software e operações internas. O avanço da digitalização criou uma base tecnológica sólida para que a IA deixe de executar tarefas isoladas e passe a assumir fluxos completos de trabalho. O desafio agora não é mais provar que a tecnologia funciona, mas garantir que ela opere com segurança, transparência, rastreabilidade e conformidade regulatória.

Essa mudança de paradigma também altera a forma como enxergamos plataformas de IA. Durante muito tempo, o mercado concentrou esforços em modelos de linguagem cada vez mais poderosos. Entretanto, à medida que diferentes modelos, provedores de nuvem e agentes especializados passam a coexistir, o diferencial competitivo deixa de estar apenas na capacidade de gerar respostas. O verdadeiro valor passa a estar na orquestração desse ecossistema: saber quais agentes podem executar cada tarefa, quais dados podem acessar, quais decisões exigem validação humana e como registrar cada etapa para garantir rastreabilidade, transparência e conformidade regulatória.

É justamente nesse contexto que soluções como o Wynxx evoluem. Concebido inicialmente para acelerar o desenvolvimento de software por meio da IA Generativa, o ambiente passa a atuar como uma plataforma corporativa capaz de integrar criação de agentes inteligentes, reutilização de ativos, gestão financeira da IA e governança operacional em uma arquitetura única.

Mais do que permitir que agentes executem tarefas de forma autônoma, a proposta é garantir que toda ação permaneça auditável, sujeita a políticas corporativas e, quando necessário, validada por pessoas em fluxos de human-in-the-loop. Em um ambiente regulado como o financeiro, esse tipo de controle deixa de ser apenas uma boa prática tecnológica e passa a ser um requisito para escalar a IA com segurança.

Essa evolução também responde a uma preocupação crescente do mercado. Um estudo recente projeta que grandes empresas poderão operar mais de 150 mil agentes de IA até 2028, enquanto apenas uma pequena parcela das organizações acredita possuir mecanismos adequados para governá-los. Nesse

cenário, frameworks regulatórios como a LGPD e o AI Act da União Europeia reforçam princípios como transparência, supervisão humana, prestação de contas e gerenciamento de riscos para aplicações de IA. Em outras palavras, o desafio já não está na ausência de agentes inteligentes, mas em garantir que eles atuem dentro de regras claras, produzindo decisões explicáveis, rastreáveis e compatíveis com os requisitos de IA confiável exigidos pelo setor financeiro.

Para o setor financeiro, essa discussão ganha importância ainda maior. Bancos operam em ambientes altamente regulados, administram infraestruturas críticas e precisam equilibrar inovação com disponibilidade, privacidade e confiança. Nesse cenário, governança deixa de ser um requisito operacional para se tornar um diferencial competitivo. Instituições que conseguirem integrar agentes inteligentes, dados em tempo real e sistemas legados sob uma estratégia única estarão mais preparadas para acelerar lançamentos, responder a mudanças regulatórias e oferecer experiências mais inteligentes aos clientes.

A própria engenharia de software passa por uma transformação semelhante. Em vez de utilizar IA apenas para escrever código, organizações começam a automatizar todo o ciclo de desenvolvimento, desde o levantamento de requisitos até testes, documentação, modernização de aplicações e migração para ambientes em nuvem. O resultado é uma TI mais produtiva, porém principalmente mais estratégica, capaz de direcionar seus profissionais para atividades de maior valor agregado enquanto agentes especializados executam tarefas repetitivas sob supervisão humana.

A próxima geração da IA nos bancos não será medida apenas pela quantidade de modelos implementados ou pela velocidade com que produzem respostas. Ela será definida pela capacidade de transformar agentes inteligentes em parte integrante da estratégia corporativa sem perder controle sobre suas decisões. IA confiável, auditabilidade, supervisão humana e conformidade regulatória deixam de ser barreiras à inovação para se tornarem os elementos que permitirão escalar a IA com confiança.

Essa talvez seja a principal mensagem da Febraban Tech 2026: na nova era da IA, o diferencial competitivo não estará em possuir mais agentes, mas em garantir que cada um deles atue de forma segura, transparente e responsável.

(*) Sergio Favarin é Business Vice President da GFT Technologies no Brasil

 

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Tarifaço EUA: Firjan Internacional elabora cartilha de apoio para a indústria fluminense

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro aponta os impactos para o comércio entre o estado do Rio de Janeiro e os Estados Unidos

Da Redação (*)

Brasília – A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) analisou os impactos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos a partir das novas tarifas do governo norte-americano sobre os produtos do Brasil, em especial os fluminenses. A partir do levantamento de todos os códigos aduaneiros envolvidos nos dois processos do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) – o da Seção 301 e o da suspeita do “trabalho forçado – a federação elaborou uma cartilha informativa para os empresários fluminenses, indicando os instrumentos e o que é necessário para apoiar os negócios entre os dois países.

De acordo com a avaliação da Firjan Internacional, ficou confirmado o peso do setor de óleo e gás na balança comercial entre o estado do Rio e os Estados Unido. Por conta dessa relação, o impacto tarifário no Rio de Janeiro é bastante limitado, se comparado a outros estados brasileiros.

“O impacto das novas tarifas é para menos de 2% do volume de negócios do Rio com os EUA. Quase 70% das exportações seguem isentas e cerca de 30% tarifas, de acordo com a seção 232 (primariamente aço, alumínio e automotivo), tarifas estas últimas que não seguem a lógica dos processos de investigação, são tarifas impostas pelos Estados Unidos à maioria dos países indistintamente. Apesar de limitado, é fundamental seguirmos atentos e apoiando às empresas impactadas e seguir defendendo a manutenção do diálogo e negociações para reversão do cenário, principalmente para os casos que dependem fortemente do mercado norte-americano”, explica o gerente da Firjan Internacional, Giorgio Rossi.

Baixe “Tarifaço EUA – Cartilha de apoio para a indústria fluminense” no link https://firjan.com.br/data/files/30/F0/44/6E/473DF9106CEF99E919284EA8/2026-08-CartilhaFirjan-Tarifaco-EUA.pdf

Impactos para o comércio Rio de Janeiro-EUA

Conforme o levantamento da Firjan, com base as exportações do Rio de Janeiro com destino aos Estados Unidos ocorridas em 2024:

  • ISENTAS:68,5% das exportações fluminenses aos EUA estão isentas, com destaque para óleos de petróleo; outros óleos de minerais betuminosos e preparações; peças e equipamentos para o setor aeronáutico; peças e equipamentos navais; carne bovina; certos produtos de plástico, entre outros.
  • TARIFA 12,5%:0,1% das exportações fluminenses para os EUA estão tarifadas em 12,5%, com destaque para peixes e crustáceos; pedras preciosas e pedras de cantaria, entre outros.
  • TARIFA DE 25%:0,02% das exportações fluminenses aos EUA estão tarifadas em 25%, com destaque para couros preparados; cogumelos; amendoins; batatas, entre outros.
  • TARIFA DE 37,5%:1,0% das exportações fluminenses aos EUA estão tarifadas, com destaque para sorvetes; insumos de borracha sintética; papel para cigarros; chapas de plástico; estruturas flutuantes, entre outros.
  • MEDIDAS SETORIAIS SEÇÃO 232:30,4% das exportações fluminenses permanecem tarifadas em medidas setoriais contra aço, alumínio, autopeças e automóveis, produtos farmacêuticos, cobre, entre outros.

A Firjan destaca ainda que os EUA são o 2º maior parceiro comercial com o Rio deJaneiro e o primeiro parceiro no que tange aos bens semimanufaturados e manufaturados. Essa relação é superavitária para o país norte-americano. Com base nas informações de 2025, as exportações dos produtos fluminenses para os EUA atingiram US$ 6,6 bilhões, -11,1% em relação a 2024 e 17,5% do total nacional. Já as importações do Estados Unidos para o Rio de Janeiro somaram US$ 9,6 bilhões, +7,9% em relação ao ano anterior e 21,3% do total Brasil.

A cartilha traz ainda informações sobre os impactos para o comércio Brasil-EUA, destacando os percentuais das tarifas, conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tendo por base as exportações ocorridas em 2024.

Por fim, a Firjan dá dicas do que o empresário fluminense pode fazer para desenvolver o comércio com os Estados Unidos. Além disso, a federação reitera o compromisso com suporte aos setores afetados e se colocando à disposição para contato com empresas, visando orientação para diversificação de negócios e para representar os interesses setoriais na investigação dos setores impactados.

(*) Com informações da Firjan

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Emissão soberana de Panda Bonds na China pode abrir “avenida de possibilidades” para empresas brasileiras, projeta CEBC

Tesouro Nacional pretende fazer lançamento ainda em 2026; mercado chinês tem juros baixos, cresce 30% ao ano e dá acesso a uma das maiores poupanças do mundo

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil pretende realizar, ainda neste ano, a primeira emissão de títulos soberanos na China denominados em moeda local, os Panda Bonds. Se for bem-sucedida, a operação deverá ser repetida anualmente, o que pode abrir caminho para empresas brasileiras captarem em renminbi, diversificando e ampliando suas fontes de financiamento. As informações foram dadas pelo Subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, no webinar “Panda Bonds: A Nova Fronteira da Cooperação Financeira entre Brasil e China”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), nesta quarta-feira (05).

Alexandre Lowenkron, Presidente Executivo do BOCOM BBM, ressaltou que o mercado de Panda Bonds cresce 30% ao ano e deve continuar a ter forte expansão no futuro, em razão de uma questão estrutural da economia chinesa: a enorme taxa de poupança doméstica que busca oportunidades de investimentos. “As condições de emissões estão muito favoráveis”, observou Lowenkron, em referência aos baixos juros praticados atualmente na China em comparação com outros países. “O governo chinês, por exemplo, tem realizado captações próximas de 1,5% ao ano em renminbi. Emissões recentes da Suzano e de emissores com classificações de risco semelhantes apresentaram custos aproximadamente 100 pontos-base acima desse patamar, resultando em taxas próximas de 2,5% ou 3% ao ano, dependendo das condições do mercado.”

No dia 25 de junho, o Tesouro Nacional comunicou aos reguladores chineses a intenção de lançar 5 bilhões de renminbi (US$ 740 milhões) em Panda Bonds. Normalmente, as emissões soberanas estabelecem referências de custos e riscos que servem de parâmetros para as empresas, que costumam seguir os passos do Tesouro.

Pioneirismo da Suzano

No caso dos Panda Bonds, houve inversão dessa ordem. Quem desbravou o mercado foi a Suzano, que em 2024 se tornou a primeira empresa não-financeira das Américas a emitir títulos em renminbi na China. “Ser pioneiro envolveu alguns desafios, principalmente porque não havia uma referência acadêmica ou prática que pudéssemos seguir”, observou Emilio Chen Yeh, CFO da Suzano Ásia. Segundo ele, a empresa já captou 2,6 bilhões de renminbi (US$ 385 milhões) em três parcelas.

“Quando o governo acessa um mercado, permanece ativo e desenvolve uma curva soberana, o interesse pelas emissões de empresas brasileiras também cresce. Mesmo que a Suzano tenha chegado antes, uma emissão soberana pode abrir uma avenida de possibilidades para outras companhias interessadas em acessar o mercado chinês”, afirmou Segundo, do Tesouro.

Chen Yeh, da Suzano, afirmou que mudanças regulatórias recentes podem tornar os títulos em moeda chinesa ainda mais atrativos para empresas que buscam diversificar suas fontes de financiamento. Entre as mais relevantes, aplicada apenas a companhias estrangeiras, está a permissão de remessa dos recursos para o exterior sem necessidade de autorização específica. O executivo acrescentou que há uma gradual extensão dos prazos dos títulos, que já alcançam sete anos, comparados aos três da primeira emissão da Suzano.

Segundo Lowenkron, não há nenhum obstáculo para a contratação de hedge cambial nas emissões de Panda Bonds. Para ele, as empresas com potencial para acessar esse mercado têm grande porte, classificação de risco adequada e alguma conexão com a China. No caso do Brasil, ele mencionou Petrobras, Vale, JBS, WEG, Embraer e a própria Suzano.

Presidente do CEBC destaca novo patamar da relação

Transmitido ao vivo pelo YouTube, o encontro foi aberto pelo Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Presidente do CEBC, e teve moderação de Fabiana D’Atri, Diretora de Economia do CEBC e Superintendente de Economia da Bradesco Asset.

Na avaliação de Castro Neves, a cooperação financeira alcançou novo patamar na relação bilateral. “A cooperação financeira deixa de ser apenas um instrumento de apoio ao comércio e aos investimentos para se tornar, ela própria, um eixo estratégico da relação bilateral. Mais do que operações isoladas, os Panda Bonds podem funcionar como uma porta de entrada para uma relação financeira mais ampla, sofisticada e permanente”, afirmou.

O evento reforçou o papel do CEBC como plataforma de diálogo entre empresas, instituições financeiras e formuladores de políticas públicas, aproximando o setor privado brasileiro das oportunidades abertas pela evolução do mercado financeiro chinês.

Assista ao webinar na íntegra: https://youtube.com/live/MPTjHXsxNk8

(*) Com informações do CEBC

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A democracia refém de partidos enfraquecidos

Luiz Carlos Borges da Silveira (*)

A democracia depende de partidos políticos fortes, com identidade ideológica, organização e militância ativa. Quando os partidos são sólidos, a sociedade participa mais intensamente da vida política e o debate público ganha qualidade. Antes de 1964, o Brasil possuía partidos com identidade política bem definida e significativa participação popular. Com o regime militar instaurado naquele ano, o sistema partidário foi extinto e substituído pelo bipartidarismo, representado pela Arena e pelo MDB, reduzindo a pluralidade política.

Com a redemocratização, na década de 1980, a criação de novos partidos foi novamente permitida. Entretanto, esse processo ocorreu de forma desordenada, favorecendo, em muitos casos, interesses pessoais e projetos eleitorais em detrimento da construção de instituições partidárias consistentes.

A eleição presidencial de 1989, a primeira por voto direto após o fim do regime militar, representou um exemplo da força dos partidos políticos. As principais legendas apresentaram seus candidatos: Ulysses Guimarães (MDB), Leonel Brizola (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Afif Domingos (PL), Aureliano Chaves (PFL), Mário Covas (PSDB), Roberto Freire (PCB) e Fernando Collor de Mello (PRN).

O sistema eleitoral em dois turnos foi concebido justamente para permitir que cada partido apresente seu projeto à sociedade no primeiro turno e, posteriormente, construa alianças no segundo. Esse mecanismo fortalece o debate democrático e valoriza as propostas partidárias. Entretanto, o resultado daquela eleição produziu um efeito contrário ao esperado.

A vitória de Fernando Collor, por um partido de pouca expressão nacional, desestimulou as grandes legendas a lançarem candidatos próprios nas eleições seguintes. Aos poucos, os partidos perderam protagonismo, enquanto as candidaturas individuais passaram a ocupar o centro da disputa política. Ao longo dos anos, mudanças na legislação eleitoral contribuíram para esse enfraquecimento.

As comissões provisórias passaram a substituir diretórios legitimamente eleitos, permitindo que decisões locais fossem submetidas aos interesses das cúpulas nacionais. Com isso, os filiados perderam espaço na definição dos rumos de seus próprios partidos. Também desapareceram as disputas internas pelos diretórios, que eram momentos importantes de mobilização, participação e fortalecimento da democracia partidária.

A criação do Fundo Partidário, embora tenha o objetivo de financiar o funcionamento das legendas, concentrou grande poder nas direções nacionais, que passaram a decidir, quase sem controle interno, a distribuição desses recursos. Outro fator que contribuiu para a distorção do sistema político foi a ampliação das emendas parlamentares. Além das frequentes críticas quanto à falta de transparência e aos riscos de mau uso dos recursos públicos, elas fortaleceram o poder eleitoral dos parlamentares em exercício, dificultando a renovação política e reduzindo as oportunidades para novos candidatos.

Como consequência, muitos cidadãos idealistas e bem-intencionados passaram a se afastar da atividade política. Um verdadeiro político — com “P” maiúsculo — trabalha pensando nas próximas gerações. Infelizmente, no Brasil de hoje, salvo raras exceções, muitos políticos parecem trabalhar apenas em função das próximas eleições. Essa lógica fez com que os partidos passassem a dedicar mais atenção às eleições legislativas do que às disputas pelo Poder Executivo.

Quanto maior o número de deputados eleitos, maiores são os recursos do Fundo Partidário, o acesso ao Fundo Eleitoral e o poder de negociação das legendas junto ao governo. Mais uma vez, às vésperas de uma eleição presidencial, assistimos a partidos liberando seus dirigentes e parlamentares para apoiarem candidatos diferentes daquele oficialmente indicado pela legenda, conforme as conveniências políticas e eleitorais de cada momento. O fortalecimento das instituições partidárias cede lugar aos interesses circunstanciais.

É triste constatar esse cenário. O Brasil é um país de dimensões continentais, rico em recursos naturais, talentoso em seu povo e profundamente abençoado. Merece uma democracia mais sólida, partidos mais representativos e uma política comprometida com o interesse público e com o futuro da nação.

(*) Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal.

 

 

 

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Em conversa com Putin, Lula defende aumento das exportações brasileiras e maior equilíbrio no comércio com a Rússia

Presidentes concordaram sobre a importância do multilateralismo

Da Redação (*)

Brasília – Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o da Rússia, Vladimir Putin, conversaram por telefone nesta terça-feira (4). O comércio entre os dois países esteve entre os assuntos abordados. Lula expressou o desejo de o Brasil exportar mais para a Rússia, buscando maior equilíbrio na relação comercial entre ambos.

A importância do fornecimento de diesel e fertilizantes para o Brasil foi enfatizada durante o telefonema. Na conversa, que durou cerca de 1 hora, eles também falaram sobre a intenção de ampliar a cooperação em áreas como energia, ciência e tecnologia e naval.

No tema geopolítica, Lula se mostrou decepcionado com a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas em encontrar soluções para os conflitos mundiais. A Rússia é um dos protagonistas nesse quesito, com um conflito que já dura quase três anos com a Ucrânia.

Lula mantém seu discurso de alcançar a resolução pelo diálogo. No telefonema, ele ressaltou os aspectos humanitários dos conflitos, lamentando a perda de vidas humanas, inclusive civis.

O presidente brasileiro reiterou ainda o apoio do país à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas.

Brics e multilateralismo

O Brics, bloco econômico que tem Brasil e Rússia como um dos integrantes, também foi tema da conversa entre Lula e Putin.

Segundo o Planalto, houve consenso em seguir trabalhando em conjunto nos foros internacionais, sobretudo no bloco.

Ambos também concordaram sobre a importância do multilateralismo, ou seja, um mundo com vários protagonistas e cooperação entre diversos países.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Colômbia é o 13º. país a adquirir o KC-390 Millennium para modernizar suas capacidades de transporte aéreo

 

  • Colômbia se torna a primeira nação latino-americana, além do Brasil, a adquirir o Millennium e o 13º país do mundo a selecionar a aeronave que estabelece um novo padrão na categoria

 

  • KC-390 foi selecionado como a melhor plataforma para atender às necessidades operacionais e aos requisitos de missão da Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC)

 

Da Redação (*)

Brasília – A Embraer anunciou hoje (04) que a Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) assinou um contrato para a aquisição de duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium, marcando um importante marco na modernização das capacidades de transporte aéreo e reabastecimento em voo da Colômbia. O contrato também inclui equipamentos de missão, um pacote integrado de serviços e suporte, além de um abrangente programa de cooperação industrial desenvolvido para atender aos requisitos regulatórios colombianos.

A frota de KC-390 Millennium da FAC será capaz de executar uma ampla gama de missões, incluindo assistência humanitária, resposta a desastres, transporte de cargas e tropas, operações de lançamento de equipamentos e pessoal e reabastecimento em voo. As aeronaves também contarão com total conectividade para operar de forma integrada com os caças Gripen recentemente adquiridos pela Colômbia, ampliando a prontidão operacional e a interoperabilidade do país.

Novo padrão de excelência operacional

“Estamos honrados com a decisão da FAC de selecionar o KC-390 Millennium. Essa escolha reforça uma parceria que se estende por mais de 35 anos, desde a aquisição, pela FAC, de sua primeira aeronave da Embraer, um EMB-312 Tucano, seguida pelo A-29 Super Tucano. O KC-390 ampliará e fortalecerá significativamente as capacidades de transporte aéreo e reabastecimento em voo da Colômbia, estabelecendo um novo padrão de excelência operacional”, afirmou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

O KC-390 Millennium, projetado e desenvolvido no século XXI, é o avião de transporte militar mais moderno de sua categoria. Ele pode transportar mais carga útil (26 toneladas) do que outras aeronaves militares de transporte de porte médio, voando mais rápido (470 nós) e mais longe. É capaz de executar uma ampla variedade de missões, incluindo transporte de cargas e tropas, lançamento de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios e missões humanitárias, operando a partir de pistas temporárias ou não pavimentadas. Quando equipado com sistema de reabastecimento aéreo (AAR) de instalação rápida, a aeronave pode atuar tanto como tanque, quanto como receptor.

 

Além da Força Aérea Brasileira, a aeronave multimissão de última geração foi selecionada pelas forças aéreas de Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia. O KC-390 Millennium oferece capacidade, confiabilidade, versatilidade e desempenho incomparáveis para atender às necessidades táticas e estratégicas das forças aéreas em todo o mundo, com total interoperabilidade entre seus operadores.

(*) Com informações da Embraer

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Cazaquistão em foco: laboratório de governança e eficiência legislativa

Márcio Coimbra (*)

No tabuleiro geopolítico contemporâneo, a Ásia Central transcendeu a condição de periferia pós-soviética para se consolidar como uma das arenas mais estratégicas da Eurásia. Sob a confluência de interesses de Pequim, Moscou, Washington e Bruxelas, a região exige um olhar atento da análise internacional — e é precisamente em seu coração que se desenrola uma das transformações institucionais mais instigantes da atualidade. Maior economia centro-asiática e detentor de recursos energéticos críticos, o Cazaquistão opera uma profunda reorganização em seu modelo de governança.

A política interna em Astana revela um projeto estruturado de reengenharia política, cujas diretrizes ganharam tração no referendo constitucional de 2022, o processo redefine os limites do Executivo, a dinâmica partidária e a representação popular. A trajetória recente foi marcada pela transição de três décadas sob Nursultan Nazarbayev para a ascensão de Kassym-Jomart Tokayev, cujo governo enfrentou em janeiro de 2022 os protestos do Qantar, evento catalisador da nova arquitetura constitucional.

Buscando desmantelar o modelo superpresidencialista, descentralizar o poder e reduzir privilégios governamentais, essa reformulação terá seu ápice em agosto com a primeira eleição para o novo parlamento: o Kurultai. A principal mudança estrutural reside na transição do antigo modelo bicameral — composto pelo Mazhilis e pelo Senado — para um órgão supremo unicameral de representação, formado por 145 membros eleitos por voto proporcional de listas partidárias para mandatos de cinco anos.

Sob a ótica da Teoria das Instituições, a migração para o unicameralismo busca eliminar aquilo que a Ciência Política classifica como “pontos de veto” (veto players). Ao concentrar o Legislativo em uma única câmara, visa-se acelerar a produção legal e dar previsibilidade à agenda regulatória do Estado. Paralelamente, a escolha do nome Kurultai resgata as antigas assembleias dos povos nômades das estepes. Astana realiza um movimento clássico de “invenção das tradições” — no conceito célebre de Eric Hobsbawm —, ancorando a modernização na identidade nacional para conferir legitimidade ao novo desenho estatal.

Para o observador brasileiro, o processo oferece reflexões profundas. O Brasil convive com os dilemas do presidencialismo de coalizão e de um bicameralismo por vezes moroso, em que negociações pontuais engessam reformas estruturais. Ver uma nação emergente redesenhar sua engenharia política para ganhar eficiência legislativa, sem abrir mão da representatividade, provoca o debate sobre nossas próprias instituições.

No plano internacional, a diplomacia multivetorial e pragmática do Cazaquistão guarda sintonia com a tradição brasileira de autonomia estratégica e não alinhamento automático. Ambos compreendem que a soberania e a atração de investimentos dependem da coesão interna e de uma atuação externa previsível. O laboratório político em Astana demonstra que desenvolvimento econômico e maturidade institucional caminham lado a lado.

(*) Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

 

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Acordo Mercosul-União Europeia: MDIC abre consulta pública sobre produtos sustentáveis

Propostas ajudarão a definir produtos que poderão ser contemplados por benefícios comerciais adicionais

Da Redação (*)

Brasília – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) abriu nesta segunda-feira (03/08) consulta pública, que irá até 2 de setembro, com o objetivo reunir contribuições para a elaboração de uma lista de produtos do Mercosul que contribuam para a conservação, a recuperação, a utilização e a gestão sustentáveis das florestas e de outros ecossistemas vulneráveis.

A consulta foi aberta pela Circular Secex 73/2026, publicada nesta segunda-feira (3/8), e as manifestações devem ser encaminhadas por meio da plataforma Brasil Participativo. São esperadas contribuições do setor produtivo, da sociedade, da academia e demais segmentos da sociedade brasileira.

A criação da lista está prevista no parágrafo 39 do Anexo 18-A do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor em 1º de maio de 2026, e deve ser implementada até um ano após o início da sua vigência.

Nos termos do Anexo 18-A, os produtos incluídos nessa lista poderão ter acesso preferencial ou adicional ao mercado da União Europeia, além de outros incentivos destinados à promoção de seu comércio. As contribuições auxiliarão na identificação de produtos da sociobiodiversidade e de cadeias produtivas que possam contribuir para os objetivos estabelecidos no acordo.

(*) Com informações do MDIC

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BNDES destina R$ 3,5 bilhões em crédito à Embraer para exportação de 19 aviões à canadense Porter

Financiamento, que gira entre R$ 3,3 e R$ 3,7 bilhões, cobrirá parte do investimento total da companhia aérea com encomenda de 75 aeronaves E-195 E2, das quais 54 já foram entregues

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento para a Embraer exportar até dezenove aeronaves modelo E195-E2 para a Porter Aviation Holdings Inc., empresa canadense de aviação. O financiamento, que gira entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões, conta com a cobertura do Seguro de Crédito para a Exportação do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), operado pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF). Com essas aprovações, o Banco disponibiliza uma opção de financiamento para a companhia aérea Porter Airlines adquirir essas aeronaves, com previsão de entrega até 2030.

Com recursos da linha BNDES Exim Pós-embarque, essa foi a primeira operação de financiamento direta de exportação de aeronaves da Embraer para uma companhia do Canadá. A Porter, por meio de sua companhia aérea Porter Airlines, tem como foco o viajante da América do Norte, incluindo Canadá e EUA, Caribe e América Latina. A companhia oferece um atendimento diferenciado ao passageiro, proporcionando mais conforto com a configuração 2-2 das suas aeronaves (sem assentos no meio) e serviço de bordo que inclui wifi grátis, vinho, cerveja e lanches.

Parceria Embraer-Porter tem crescimento vigoroso em 3 anos

A Porter tem apresentado um crescimento vigoroso a partir de 2023, quando começou a receber as primeiras das 75 aeronaves E195-E2 encomendadas junto à Embraer. A empresa já recebeu 54 aeronaves nesse período, incluindo três aeronaves através do financiamento direto firmado com o BNDES em dezembro de 2025. A entrega mais recente ocorreu em 23 de junho de 2026 em evento com os executivos e equipes do BNDES, ABGF, Porter e Embraer na sede da fabricante brasileira em São José dos Campos.

“Este financiamento apoia a manutenção do nível de produção da Embraer e dos empregos da indústria aeronáutica nacional. É uma operação que envolve aeronaves mais tecnológicas, que estão chegando a novos mercados”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“É uma grande satisfação ver o crescimento da frota desse cliente e poder conectar mais pessoas com nossas aeronaves, além de reafirmar a parceria com o BNDES no apoio às nossas exportações”, afirma Felipe Santana, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Embraer.

A operação foi estruturada com cobertura do SCE, lastreado no FGE e operacionalizado pela ABGF. “O instrumento busca tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional”, comenta Maíra Madrid, presidenta da ABGF.

“A Porter é a companhia aérea que mais cresce na América do Norte, com nossa frota E2 desempenhando um papel fundamental na apresentação da empresa a milhões de novos passageiros nos últimos anos”, afirma Rob Palmer, vice-presidente executivo e CFO da Porter Airlines. “Ter o BNDES como parceiro nesta fase demonstra ao mercado que nosso plano de negócios está avançando bem, com muitas entregas de E2 ainda por vir.”

(*) Com informações da Embraer

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